• Sonuç bulunamadı

II. 8.6.2005 Coğrafya Müfredat Programı

II.9. Yenilenen Coğrafya Programı

II.9.1. Yapılandırmacı Öğrenme Yaklaşımı

Ao todo, foram tomados depoimentos de 27 pessoas, entre testemunhas e investigados, em seis cidades diferentes, somando 41 horas de registros em vídeo ou impressos. Desse grupo, o MPF conseguiu dez novos depoimentos de militares que não tinham sido ouvidos ou investigados durante o IPM de 1986/87. 287 Em uma análise qualitativa do conteúdo dos depoimentos por meio de seus resultados para a efetivação da denúncia do MPF, foi possível perceber que as novas oitivas do coronel Armando Avólio Filho, do general Raymundo Ronaldo Campos, do coronel Rubens Paim Sampaio, a carta do coronel Ronald Leão (falecido) e até a defesa apresentada previamente pelo general José Antonio Nogueira Belham formaram um conjunto novo de dados que permitiram derrubar oficialmente a versão divulgada em 1971 sobre a fuga e conhecer o grupo de militares responsáveis pela prisão e morte do deputado.

Entre os novos depoimentos obtidos pelo MPF, estava o relato do coronel Rubens Paim Sampaio. Na carta escrita pelo coronel Leão, Sampaio foi descrito como o oficial que comandou a chegada de Rubens Paiva no DOI-CODI, junto com o coronel Freddie Perdigão Pereira, já falecido:

A chegada de Rubens Paiva (uma noite que não sei precisar a data) ocorreu

sendo trazido pelo CIEX ao 1o BPE, entrando pelo portão dos fundos (CIEX),

onde pelo que me consta permaneceu no quartel sendo ouvido pelo pessoal do DOI-CODI/CIEX. Ao tomar conhecimento do fato, da chegada de um preso a noite, procurei me certificar do que se tratava, mas fui impedido pelo pessoal

do CIEX (Major Sampaio e Capitão Perdigão), sob alegação de que era um

preso importante, sob responsabilidade do CIEX/DOI-CODI. Alertei ao comando e fui para casa.288

Em depoimento ao MPF, a informação foi negada por Sampaio. Ele admitiu, no entanto, que soube da morte por integrantes da unidade e que o DOI-CODI tinha realizado um “teatro” para falsear o assassinato. Belham por sua vez resultou implicado por três pontos: os depoimentos de Avólio e Leão e sua própria defesa que apresentou documentos comprovando que nos dias da prisão de Paiva ele interrompeu suas férias para prestar serviço. O general Raymundo Ronaldo Campos, enfim, também admitiu a farsa sobre a divulgação da versão dada

287 Rubens Paim Sampaio, José Brant Teixeira, Lucio Valle Barroso, Félix Freire Dias, José Antonio Nogueira Belham, Sergio Augusto Ferreira Krau, Iracy Pedro Interaminense Correia e Pirama de Oliveira Magalhães. A lista possui ainda o policial militar Riscala Corbage e o coronel Paulo Malhães, que teve o áudio do depoimento da CNV anexado.

288 LEÃO, Ronald. Apud BRASIL, Comissão Nacional da Verdade. CNV aponta autores de tortura e morte de Rubens Paiva: A Comissão Nacional da Verdade apresentou no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, relatório parcial sobre o caso do deputado Rubens Paiva, preso, torturado, morto e desaparecido em janeiro de 1971. Arquivo Nacional: [s.n.]. Disponível em: <CNV aponta autores de tortura e morte de Rubens Paiva>. Acesso em: 20 jul. 2016b.

pelo Exército à época e sua participação na fabricação da história.

O trabalho de dois anos resultou na denúncia contra o general José Antônio Nogueira Belham e o coronel Rubens Paim Sampaio por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa armada – com penas que podem chegar a 37 anos e seis meses de prisão. Já o coronel reformado Raymundo Ronaldo Campos e os militares Jurandyr Ochsendorf e Souza e Jacy Ochsendorf e Souza foram acusados de ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa armada – mais de dez anos de prisão, se condenados.

À medida que as investigações do MPF no caso Rubens Paiva se encaminhavam para a conclusão, também a CNV entrava no último ano de trabalho. E, como citado no capítulo anterior, a Comissão decidiu iniciar uma série de audiências públicas, a partir de fevereiro de 2014. Além de Vera Paiva, o procurador Sérgio Suiama também pontuou o problema ocorrido à época da divulgação do relatório que continha o depoimento do coronel Avólio:

Na iminência da gente apresentar a denúncia, a Comissão divulgou o relatório [o depoimento do Avólio como agente Y]. A gente falou para eles: “espera um pouco”. Mas eles não quiseram esperar. Eles fizeram muito pior, porque eles divulgaram sem nem falar com a família. Desde o momento em que a gente soube, desde o papo com o Avólio e tudo, a gente foi procurar a família. Depois do depoimento do Avólio eu levei as fotografias, dei os telefones, combinei estratégias com eles. Foi tudo combinado. Isso muito tempo antes. Tanto é que você vê, a Vera veio nas nossas coisas (coletiva), mas não foi na

divulgação da Comissão da Verdade.289

Alguns desses embates também ocorreram entre a Comissão Nacional da Verdade e a Estadual, como visto anteriormente. Na visão do procurador Sérgio Suiama, a explicação para esses choques foi a diferença de objetivos e resultados:

Acho que, basicamente, a explicação é que nossos objetivos eram diferentes. Nosso primeiro objetivo era concluir uma investigação. Não vamos ficar dando entrevista, nem divulgando nada. Porque isso só prejudica. Na Comissão da Verdade, como tinham um prazo muito curto de trabalho [para o relatório final] e eles precisavam fazer fatos políticos, qualquer bilhetinho que os caras encontravam era ali uma divulgação imensa. Então para nós era ruim. Muitas vezes os choques e esses conflitos surgiram desse caso aí. (Idem)

Outro aspecto que auxiliou a investigação do MPF foi o trabalho da imprensa. Tanto a pesquisa nos jornais dos anos 1970 e 1980 foi anexada à denúncia, quanto os novos dados que vieram à tona em março de 2014 nos jornais O Globo e O Dia. Nos 30 dias seguintes às entrevistas, o MPF trabalhou para ouvir as testemunhas citadas por Malhães nas reportagens, entre elas o coronel Rubens Paim Sampaio e o sargento Iracy Interaminense Correia.

Contudo, no dia 25 de abril, o sítio onde Malhães vivia sofreu um assalto e após quase 10 horas de cárcere privado ele foi assassinado. O crime contra o militar resultou em uma nova investida sobre o caso. Enquanto a Polícia Civil investigava, o MPF pediu uma busca e apreensão na propriedade para localizar documentos e provas possivelmente guardados por Malhães ao longo do tempo. Foram localizados alguns documentos importantes como agendas que comprovavam as relações de intimidade que Malhães mantinha com a cúpula do Exército, além de uma coleção de reportagens sobre a morte de Rubens Paiva nos anos 1980 e uma série de documentos sobre a Operação Gringo.290 Toda a documentação localizada também embasou a denúncia do MPF. A ação dos procuradores, no entanto, foi cercada por outro momento de divergência com a CNV, que exigia acesso aos documentos imediatamente:

Foi um pouco o que aconteceu na busca e apreensão dos documentos do Paulo Malhães, que o Pedro Dallari ficou furioso, queria entrar com um mandado de segurança. Porque a gente não queria passar para Comissão da Verdade aquele material que a gente tinha amealhado na casa do Malhães. Eles achavam que porque eles eram a Comissão da Verdade a gente tinha que dar imediatamente tudo o que eles queriam, entendeu? Eu expliquei: não, a gente não vai negar para vocês, a gente vai passar. Tanto é que a gente passou. Nisso a gente ficou até um pouco chateado porque no Relatório Final consta lá que o Ministério Público, nesse caso específico, se negou, ficou um negócio meio feio, sabe? Colocando a gente quase como se fosse um Exército. E não era nada disso. A gente falou: não, a gente vai ceder, só que nesse momento a gente está concluindo a investigação.291

No Tomo I do relatório da CNV há uma descrição da condução dos trabalhos retratando entre outras coisas o relacionamento com os órgãos públicos. Após o detalhamento de acordos celebrados com algumas instituições, entre elas o MPF, a Comissão fez uma ressalva no documento sobre o episódio envolvendo a morte do coronel Malhães:

Nesse contexto de cooperação, registre-se um único episódio no qual o MPF se recusou a atender solicitação da CNV, que almejava o acesso aos documentos e às informações obtidos na residência do militar reformado

Paulo Malhães, em 28 de abril de 2014. Tais documentos foram objeto de um

mandado de busca e apreensão dias após o assassinato do referido militar, que,

no mês anterior, havia prestado importante depoimento a CNV, discorrendo

sobre as graves violações de direitos humanos perpetradas na Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), e sobre o desaparecimento e a ocultação de cadáver do ex- deputado federal Rubens Beyrodt Paiva, entre outros assuntos. Valendo-se das

atribuições que lhe foram legalmente conferidas, a CNV solicitou a

Procuradoria da República no Rio de Janeiro, em 29 de abril de 2014, o acesso aos documentos obtidos na diligência. Em 20 de maio, o MPF atendeu

parcialmente a solicitação, enviando a CNV alguns dos documentos

apreendidos. Ate a conclusão deste Relatório, apesar dos esclarecimentos

290 Esse foi o nome dado a uma operação secreta do CIE que demonstrou colaboração de inteligência com ditaduras de outros países, reforçando as pesquisas realizadas na chamada Operação Condor.

prestados pela CNV e da reiteração do pedido, o conjunto dos documentos e

informações não foi fornecido a Comissão (BRASIL, COMISSÃO

NACIONAL DA VERDADE, 2014a. Tomo I. p. 62).

Benzer Belgeler