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II. 14 3 Değerlendirme Araç ve Yöntemleri

VI.2. Öneriler

O PBF, desde a sua criação em 2003, foi sendo modificado, sem perder, contudo, o princípio da transferência de renda com condicionalidades e da autonomia dos beneficiários quanto ao gasto do dinheiro. Os programas de transferências de renda com condicionalidades são aqueles que atribuem uma transferência monetária a um componente compensatório (educação, saúde e trabalho) (SILVA et al., 2008). E entenda-se por compensatório as condicionalidades exigidas dos beneficiários pelos programas de transferência de renda, como, por exemplo, frequência escolar das crianças, acompanhamento pré-natal e vacinação das crianças que, quando não cumpridas, levam à suspensão do benefício (ROCHA, 2009).

As condicionalidades do PBF voltam-se às áreas de educação e saúde. Quanto à educação, cabe ao beneficiário matricular crianças e adolescentes de seis a 15 anos em estabelecimento regular de ensino; e garantir a frequência escolar de no mínimo 85% da carga horária mensal do ano letivo, informando sempre à escola casos de impossibilidade do comparecimento do aluno à aula e apresentando a devida justificativa. Em relação à saúde, é de responsabilidade dos beneficiários: para gestantes e nutrizes, inscrever-se no pré-natal e comparecer às consultas na unidade de saúde mais próxima da residência, portando o cartão da gestante, de acordo com o calendário mínimo do MS, e participar das atividades educativas ofertadas pelas equipes de saúde sobre aleitamento materno e promoção da alimentação saudável; e, para os responsáveis pelas crianças menores de sete

anos, levar a criança às unidades de saúde ou aos locais de vacinação e manter atualizado o calendário de imunização, conforme diretrizes do MS; levar a criança às unidades de saúde, portando o cartão de saúde da criança, para a realização do acompanhamento do estado nutricional e do desenvolvimento e de outras ações, conforme calendário mínimo do MS (MDS, 2015b).

A imposição de condicionalidades às famílias do programa foi criada com o propósito de reduzir a desigualdade e a pobreza. Mesmo que as áreas da saúde e da educação apresentem problemas de estrutura e qualidade, os índices expostos sobre os resultados das condicionalidades demonstram que estas têm cumprido sua função: mais crianças na escola, aumento do número de crianças alfabetizadas e vacinadas, baixa mortalidade infantil etc. (MEDEIROS; BRITTO; SOARES, 2007). Contudo, quando deixamos os números de lado e passamos a estudar a visão das pessoas beneficiárias pelo programa, outros resultados aparecem, tais como os apresentados na pesquisa de Pires82 (2013a), que expõe outro aspecto das

condicionalidades na área da educação. Segundo esse autor, as condicionalidades “podem ser vistas como instauradoras de uma relação de troca e reciprocidade entre os beneficiários dessa política e o Estado” (PIRES, 2013a, p. 512). Em uma perspectiva mais ampla, Pires salienta que as condicionalidades, na educação, “não devem se restringir somente aos seus efeitos práticos em termos de frequência escolar ou ganhos de escolaridade, mas também aos seus efeitos simbólicos, notadamente, o fortalecimento dos sentimentos de pertencimento e reconhecimento sociais” por parte dos recebedores do programa (2013a, p. 513). Trata-se de uma relação e de um vínculo que se fortalece no que denominamos, neste estudo, de

82 Pires (2013) desenvolveu uma pesquisa entre 2008 e 2010 na cidade de Campinas, em que entrevistou 22 pessoas participantes do PBF, com o objetivo de compreender a visão dos próprios beneficiários em relação a esta política de transferência de renda e às condicionalidades na área da educação.

“ponta” da gestão do PBF. Porém, antes de analisarmos a relação na “ponta” do programa, cabe mencionar que as condicionalidades são a contrapartida dos beneficiários em relação ao recebimento do benefício, ou seja, uma forma de “dádiva”. Esta, na concepção de Marcel Mauss (2003), tem um sentido amplo, incluindo não somente presentes, mas também visitas, festas, heranças e esmolas, de modo que a vida social é formada pelo constante dar-receber-retribuir, consistindo em obrigações universais, mas organizadas de modo particular.

Ao analisarmos o circuito da dádiva do PBF, este se apresenta de distintas maneiras. Na relação direta entre os beneficiários e a gestão federal do programa, a troca é estabelecida pelo pagamento do benefício e pelo cumprimento das condicionalidades, uma ligação que se materializa a partir do que é dado (dinheiro) e do que é retribuído (condicionalidades). A transferência de renda sem a contrapartida das condicionalidades poderia ser vista somente como uma lógica “mercantilista” para o combate à pobreza, em que se dá o dinheiro ao beneficiário, que o utiliza sem criação de vínculo ou contrapartida. Dessa forma, o Estado poderia ser visto como um substituto da dádiva, reduzindo a desigualdade e devolvendo a dignidade a parte da população (GODBOUT, 1999). Conforme o Godbout (1999, p. 65), “o desenvolvimento do Estado previdenciário foi visto muitas vezes como um substituto para a dádiva, substituto que reduz as injustiças e devolve a dignidade, em oposição aos sistemas anteriores de redistribuição baseados na caridade”.

Entretanto, o PBF, ao estabelecer a contrapartida, propicia a criação de vínculos entre as partes, vínculos que são fortalecidos na “ponta” do programa a partir da relação entre as assistentes e os beneficiários. No CRAS, a ligação entre as assistentes sociais e os beneficiários e as formas de dar e retribuir são estabelecidas de outra maneira: são as assistentes que acompanham as famílias e

assim percebem suas dificuldades e necessidades particulares. Na “ponta” do programa, fica evidente o “valor de vínculo”, que “é outra coisa que não o valor de troca e o valor de uso” (GODBOUT, 1999, p. 201). O “valor de vínculo” é o valor simbólico que se junta à dádiva, sendo ligado ao que circula em forma de dádiva (GODBOUT, 1999). A relação entre as assistentes sociais e os beneficiários é alimentada pelos vínculos sociais e marcada por afinidades e confiança. Portanto, é no CRAS que os critérios do PBF para ser ou permanecer beneficiário podem ser “alterados”, criando, assim, maneiras distintas das regras estabelecidas pelo programa.

2.2 INSIDERS E OUTSIDERS DO BOLSA FAMÍLIA: CRITÉRIOS, NÚMEROS E

Benzer Belgeler