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II. 14 3 Değerlendirme Araç ve Yöntemleri

V.2 Alt Probleme İlişkin Yorumlar

Os aspectos históricos da implementação de políticas sociais descritos até aqui ajudam a entender o processo de criação e formatação do programa de transferência de renda com condicionalidades, o PBF. Passados mais de dez anos do Bolsa Família, já é possível avaliar os impactos do programa. Nesse período, houve reconhecimento internacional por meio de prêmios73, visitas e consultas de

outros países para conhecer o programa, além de uma quantidade significativa de artigos74, dissertações, teses e livros analisando e descrevendo o programa, tais

como os estudos de Weissheimer (2006), Silva e Lima (2010), Bichir (2011), Rego e Pinzani (2013), Campello e Neri (2013) − os dois últimos são livros lançados em 2013 quando o PBF completou dez anos.

O livro organizado por Campello e Neri75, “Programa Bolsa Família: uma

década de inclusão e cidadania”, elaborado pelo MDS e IPEA, em comemoração aos dez anos do programa, apresenta uma seleção de artigos que analisam a contribuição do Bolsa Família para as políticas sociais, o perfil das famílias pobres e os impactos do programa e realizam uma reflexão sobre os desafios e as perspectivas para o futuro. Alguns autores dos artigos utilizam, para produzir suas análises e reflexões, dados do CadÚnico do Governo Federal. Os números apresentados no livro também ajudam a desconstruir determinados mitos sobre o programa, tal como o de que o PBF acomodaria as famílias, desestimularia o

73 Em 2013, o PBF ganhou o prêmio internacional Award for Outstanding Achievement in Social

Security da Associação Internacional de Seguridade Social (ISSA), em reconhecimento ao combate à pobreza. Segundo o MDS (2015a), de 2011 a 2016, 455 delegações de 107 países visitaram o ministério em busca de informações sobre as estratégias de diminuição da desigualdade e da pobreza, sendo os países da África, da América Latina e do Caribe os que mais enviaram representantes ao Brasil.

74 A Revista de Ciências Sociais Política e Trabalho, em seu n.º 38 (2013), por exemplo, organizou um

dossiê sobre os dez anos do PBF.

trabalho e aumentaria a taxa de fecundidade76 entre os mais pobres, pois passariam

a ter mais filhos para ter acesso a um volume maior de recursos. Os números trazidos à tona mostram, contudo, um panorama diferente: em relação à ocupação, à procura de emprego e à jornada de trabalho, os índices são praticamente os mesmo entre beneficiários e não beneficiários. No que se refere à taxa de fecundidade, os índices demonstram que não houve aumento entre as beneficiárias, apontando uma tendência no Brasil ao declínio da taxa em todas as classes sociais, bem como uma redução maior dessa taxa justamente entre os mais pobres (CAMPELLO; NERI, 2013).

Já o livro “Vozes do Bolsa Família: autonomia, dinheiro e cidadania”, escrito por Rego e Pinzani, traz uma reflexão sobre a complexidade do tema da pobreza a partir de uma análise teórica e de dados empíricos extraídos de entrevistas realizadas com mulheres em diferentes regiões do Brasil escolhidas por serem tradicionalmente as “mais desassistidas do Estado brasileiro” – sertão nordestino, zonas litorâneas, periferias e zonas rurais. Os autores, no que se refere ao recebimento do benefício, argumentam que a “renda regular em dinheiro é um importante instrumento de autonomia individual e política” (REGO; PINZANI, 2013, p. 191-192), visto que o dinheiro do Bolsa Família, em vários casos, era o único rendimento monetário recebido pelas mulheres e, portanto, a primeira experiência regular com dinheiro, o que ajudaria na libertação da opressão conjugal e na superação da “cultura da resignação” (marcada pela aceitação da fome e das doenças ligadas à pobreza).

Nos mais de dez anos do Bolsa Família, muito se debateu sobre o papel do

76 Entre as beneficiárias com renda domiciliar per capita de até R$ 77, a fecundidade caiu de 5,1 filhos para 3,6 no período de 2000 a 2010 (PATRÍCIO, 2012).

programa, suas conquistas e seus desafios. Em 2010, com a eleição da presidenta Dilma Rousseff, o PBF manteve-se como a principal política de transferência de renda com condicionalidades. Porém, era apontada a necessidade de realizar ajustes e de ampliar o programa. No primeiro ano do seu mandato, em 2011, foram anunciadas novas ações e a expansão do número de famílias atendidas pelo programa, que passou a fazer parte, então, do plano “Brasil Sem Miséria” (BSM)77, o

qual tem como objetivo retirar da extrema pobreza famílias que vivem com renda per

capita igual ou inferior a R$ 70 por mês. Entre as ações anunciadas, estão a “Busca

Ativa”, cujo foco é encontrar famílias que não estão cadastradas e que, portanto, não recebem nenhum tipo de benefício social. A Busca Ativa prioriza famílias pertencentes a povos e comunidades tradicionais ou a grupos específicos da população78, que, quando localizados, são encaminhados aos serviços da rede de

proteção social, que inclui o Bolsa Família. A fim de executar essa ação, foram firmadas parcerias com outros ministérios para auxiliar na busca e identificação das famílias, principalmente em locais de difícil acesso.

Outra ação, criada em 2012, foi o “Brasil Carinhoso I”, com o objetivo de beneficiar as famílias que tenham pelo menos um filho com idade entre zero e seis anos por meio de um complemento adicional ao valor do Bolsa Família. Criou-se, também, o “Brasil Carinho II”, com o mesmo objetivo, porém destinado às famílias com crianças e adolescentes entre sete e 15 anos. Houve, ainda, a ampliação do limite de beneficiários de três para cinco filhos. Essas ações geraram um aumento

77 O Plano BSM foi organizado em três eixos: um de garantia de renda, para aliviar imediatamente a situação de extrema pobreza; outro de acesso a serviços públicos, para melhorar as condições de educação, saúde e cidadania das famílias; e um terceiro de inclusão produtiva, para aumentar as capacidades e as oportunidades de trabalho e geração de renda entre as famílias mais pobres (MDS, 2015a).

78 Foram priorizadas famílias indígenas, quilombolas, extrativistas, assentadas pela Reforma Agrária, atingidas por empreendimentos de infraestrutura, catadoras de materiais recicláveis e em situação de rua.

no número de famílias cadastradas e beneficiadas pelo programa79.

Com a reeleição da presidenta Dilma Rousseff em 2014, os investimentos no PBF permaneceram. Em 2015, segundo dados do MDS (2015a), foram destinados 27 bilhões de reais do orçamento do MDS80 para o programa, e, até setembro do

mesmo ano, 13.971.124.00 famílias foram contempladas, recebendo um benefício médio de R$ 163,57. A estrutura e a gestão do PBF também foram mantidas, e, embora a gestão do programa esteja vinculada ao Governo Federal por meio do MDS, a Lei n.º 10.836 de 2004, no seu artigo 9º, prevê o controle e a participação em âmbito local, por meio de um conselho ou comitê instalado pelo Poder Público Municipal. Dessa forma, o MDS, para administrar o PBF, possui uma gestão em parte descentralizada, permitindo à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios o compartilhamento dos processos de tomadas de decisão do Bolsa Família, criando bases de cooperação para o combate à pobreza e à exclusão social. Para averiguar a qualidade de gestão do Bolsa Família nos níveis estadual e municipal, o MDS utiliza o Índice de Gestão Descentralizada (IGD), que leva em conta a eficiência na gestão do programa. As informações obtidas são utilizadas pelo MDS para o repasse de recursos a fim de aperfeiçoar as ações de gestão. Além desses instrumentos que fiscalizam a gestão do programa, o MDS ampliou o CadÚnico. A gestão municipal do PBF, por meio dos CRAS81, é responsável pela

79 Para aprofundamento dos índices gerados pela ampliação do PBF, consultar relatório do plano Brasil Sem Miséria, disponível no link www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/brasil_sem_miseria. 80 O orçamento do MDS em 2015 foi de 33 bilhões de reais (MDS, 2015a).

81 No Rio de Janeiro, os CRAS são vinculados à SMDS e funcionam como porta de entrada para as famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza. Os CRAS são responsáveis, entre outras atribuições, pelo encaminhamento das famílias para a rede de assistência social da Prefeitura, que inclui vários programas sociais, entre eles o PBF. Os CRAS estão ligados à Coordenadoria de Desenvolvimento Social (CDS), cuja competência é participar do planejamento de programas e projetos a serem realizados na sua área de abrangência; implementar a política regional de assistência; realizar pesquisas; e coordenar, supervisionar e avaliar a execução de todas as ações de desenvolvimento social. Na cidade do Rio de Janeiro, existem dez CDS e 47 CRAS, sendo estes últimos responsáveis por vários bairros.

identificação e pelo cadastro das famílias, o que demonstra a importância da execução do programa e dos atores que participam desse processo.

Benzer Belgeler