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3 “BEN” KAVRAMININ YANSITMA, ANLATIMCILIK, DUYGUSAL ETKİ VE BİÇİMCİLİK KURAMLARINA YANSIMAS

3.1. Yansıtma Kuramı

Discorrer sobre o processo de gestão, sob novos olhares, evidencia a fragilidade dos modelos reproduzidos na sociedade tradicional. Está em voga, o modelo de gestão participativa como uma as ferramentas que se inspira nas formas de gestão anteriores, no intuito de reelaborar a forma de administrar em conformidade com as necessidades e interesses predominantes.

A princípio, a ideia de se resgatar outros olhares sobre a gestão do trabalho policial se apoia nas doxas as quais expressam crenças, opiniões acerca de algo. Este texto é norteado pelas decorrências da formação de oficiais oriundos de Universidade Estadual do Maranhão e Academia Militar Gonçalves Dias.

Compreende-se que as expectativas em torno da formação de oficiais derivam da necessidade de se superar a imagem negativa sobre a instituição, como decorrência dos resultados da ditadura militar que predominou longo tempo na história do país. A ascensão da democracia e do Estado democrático de direito trouxe a tona um dos conceitos subjacentes ao policiamento comunitário, que o de cidadania deliberativa, que propõe o diálogo entre os cidadãos para resolução de situações problemas – debates são necessários porque possibilitam a ampliação de resultados e contempla as mais variadas formas de enfrentar os problemas.

Neste aspecto, Tenório (2007) observa que a democracia deliberativa é perpassada pelos princípios éticos. O também ocorre com a filosofia do policiamento comunitário, a qual se sustenta com a interação polícia e comunidade, atuando como parceiras na promoção da convivência pacífica. Esta interação se apoia na confiança entre as partes envolvidas as quais, por sua vez, dependem da ação do governo para atender às demandas sociais. Com isso, há um fortalecimento da confiança entre cidadãos e as esferas públicas representativas.

Entretanto, a exclusão no Brasil não é apenas socioeconômica, mas, sobretudo política, onde as políticas sociais são tratadas como de governo e não de Estado, como deve ser. E, no Maranhão, não fugindo à regra, ao final da década de 80, houve a decadência da economia monocultura, sem investimentos em indústria, agravado pelo baixo índice de desenvolvimento humano e de educação, disseminação da pobreza quase absoluta. A implantação do CFO foi encarada como uma inovação em termos de educação e formação de gestores militares. Pois, os problemas apontados decorrem da cultura política dominante, fortemente patriarcal.

Reitera-se que a UEMA foi criada para atender a necessidade qualificar o quadro técnico-administrativo do Estado e o CFO para suprir a necessidade de formar oficiais, bacharéis em segurança pública, aptos para o enfrentamento de crises sociais e interiorizar as ações da Polícia Militar. Além de preparar profissionais, gestores, para integrar o Estado Maior do sistema policial e não mais importar mão de obra de outras regiões que sofriam dificuldade de adaptação.

Com isso a formação de gestores da segurança pública contribuiu para a criação de um modelo de gestor público muito específico – oficial cidadão. Para Silva (2009, p.33), “a identidade é politicamente autorreferente, no que toca o seu reconhecimento e afirmação, e inter-referente às outras identidades, no jogo político e social da esfera pública multi-

identitária”.

O ideal desejado e as expectativas dos oficiais sobre o desempenho da gestão da segurança pública é um espaço cinzento, pois impacta com o manuseio político dos cargos administrativos tratado como moedas eleitorais. Pois, as alianças partidárias e interesses de grupos políticos contribuem para a indicação de pessoas que não integram o sistema de segurança local e isso gera insatisfação de profissionais e dos cidadãos que ficam a mercê dos desmandos políticos e incongruências administrativas, comprometendo, em última instância a qualidade do atendimento de suas demandas de segurança e manutenção da ordem social.

Neste sentido, discorrer sobre as digressões acerca da segurança pública sob a ótica dos oficiais é uma revisão das doxas que se aproximam do que Žižek (2008) designa de

relações paradoxais entre atores sociais envolvidos. Em vista de que, sujeitos (cadetes e oficiais) e o objeto de estudo (CFO-PMMA), estão em constante devir, trata-se de um processo em construção. O que permite se afirmar que, o estudo sobre a formação de oficiais

é de natureza paraláctica, posto que, os cadetes de ‘ontem’ são os gestores de ‘agora’. Quando

se fala de formação policial, a visão de mundo destes indivíduos é bastante distinta, depende do status que ocupam na esfera de poder interno à instituição. O que ratifica a visão de paralaxe sobre a constituição e permanência dos objetivos do referido curso.

Os novos gestores, em conformidade com as expectativas geradas pela formação humanística deve se sobrepor ao uso de armas letais e de exclusão das camadas sociais tradicionalmente excluídas e marginalizadas, que frequentam delegacias, presídios e recheiam as páginas policiais dos jornais. Em contraposição a ideologia humanística, em voga pela Senasp e órgãos de segurança pública, Silva (2003, p.597) chama atenção para o fato de que

“a segurança continua a ser pensada com foco exclusivamente no econômico, no território e no poder, e tendo como meio privilegiado de luta a força das armas”.

Essa sensação ambígua de força e de impotência pontua alguns depoimentos de oficiais que se identificam como defensores do policiamento comunitário são multiplicadores desta política, mas se sentem incapazes de superar as contradições econômicas e discriminatórias nas práticas policiais.

“Bem que tento ouvir o que as pessoas dizem, há dois discursos, o da vítima que

quer justiça e do acusado que se diz arrependido ou nega o delito. Na rua, forma-se um circo, todos querem o policial violento, justiceiro. Se tento dialogar e demonstrar que o procedimento legal deve ser seguido. Sou chamado de frouxo ou

de corrupto porque protejo bandido. O que fazer?”

“Quando se faz reunião com a comunidade, especialmente da periferia, sobre

segurança proativa, participação e responsabilização, todos concordam. Mas, na prática não é assim que funciona. De um lado, há preocupação na paz e segurança local, de outro, todos suspeitam de todos. Nos bairros de classe alta, a preocupação com a segurança se volta para o patrimônio. Deixam entrever que desejam uma segurança privada. Quando aparecem pedem segurança, não para todos, mas para si, como se fosse melhor que os outros. De fato, a sociedade ainda não está preparada para esta nova forma de policiamento e nós, policiais, também não temos maturidade para enfrentar estes problemas, somos apenas servidores públicos”.

Estes depoimentos evidenciam que o problema da segurança pública transcende classes sociais, fronteiras de conhecimentos, o problema é grave afeta a todos. Os oficiais não se sentem confortáveis para falar sobre os problemas do cotidiano, quando da tentativa de ver a mudança de paradigma imposta pelo capital que demanda uma postura mais humanística e assim nivelar o mercado social. Trata-se de um novo processo civilizatório.

Mesmo com todas as limitações, os oficiais se preocupam com o processo pedagógico de humanização nas relações de trabalho e prestação de serviço à sociedade. A liderança depende da capacidade de influenciar comportamentos, como tentam fazer na disseminação da participação política da comunidade e programas de enfrentamento e combate às drogas nas escolas públicas (GEAP – Grupo de Apoio Especial às Escolas e PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência).

Estes programas da PMMA em conjunto com a Defensoria da Criança e do Adolescente e comunidade acadêmica promovem ações sociais em escolas públicas e palestras, no intuito de aproximar Estado de sociedade e prestar esclarecimentos sobre consumo de drogas e violência contra crianças e adolescentes, sobretudo aqueles que vivem em situação de vulnerabilidade.

Isto é uma tentativa de estreitar os laços entre poder público e sociedade civil. Um dos grandes entraves a esta relação é a tênue demarcação entre lícito e ilícito. Os desafios às normas são excitantes e o apelo ao uso de drogas como forma de fugir da realidade e dinheiro fácil deixa os jovens expostos a toda ordem de crimes e violência. Em concomitância, o descrédito das políticas públicas agravam as relações entre comunidade e polícia.

Compreende-se que a atividade policial é uma atribuição específica do Estado, na prevenção da violência e da criminalidade, ou seja, à manutenção do ordenamento político. Trata-se de um serviço público, o qual exige que seus líderes tenham capacidade gerencial e estratégica. Entretanto, uma das limitações da PMMA, é porque os policiais gestores ainda estão atrelados à gestão tradicional do serviço público e submetidos aos ditames dos interesses dos governantes, a revelia das necessidades da sociedade.

A manutenção do engessamento burocrático da estrutura do Estado que provoca prejuízos na reestruturação das relações de trabalho e prestação de serviço à sociedade pelos órgãos de segurança pública. Segundo Zouain et al (2006), o que outrora assegurava a padronização do comportamento policial e legalidade das ações, já não tem a mesma efetividade. As ideologias humanistas que perpassam as políticas de segurança pública da modernidade surgem no momento de graves crises sociais que afetam as relações humanas em todos os âmbitos. O enfoque “consiste na busca constante de legitimação das ações policiais

pela sociedade, incluindo até o uso da força em suas obrigações legais” (2006, p.379).

É imprescindível que os policiais tenham condições de gerir os problemas que enfrentam no cotidiano, com base nos direitos humanos, cidadania, princípios de legalidade. Porém, não se pode ver que os problemas de polícia são consequências das desigualdades

macrossociais, do processo de exclusão derivado das políticas neoliberais e reorganização do capital. A polícia reflete as macrorrelações políticas dominantes,

Observa-se que muito se fala ineficiência de algumas ações policiais, marcadas pela falta de estratégia ou de planejamento que põe em risco a vida das pessoas envolvidas. Entretanto, são poucas as investigações voltadas para a causa da ineficiência das ações policiais, pois, em vários momentos, as causas dos problemas estão fora dos muros dos quartéis e dos batalhões. Falta de investimentos em todas as esferas da instituição policial. Porém, a carência de políticas de inserção político-social é muito grave e afeta toda a sociedade.

Embora, no discurso policial, paira a sombra do ideal do herói, guardião da sociedade, esse ideal é frustrado frente as condições objetivas de trabalho, falta de motivação e valorização profissional, baixos salários, políticas salariais e de promoção alheia às normas da instituição devido as ingerências dos parlamentares e representantes do governo que instigam a cooptação do sistema em prol dos interesses individuais, falta de planejamento das ações policiais baseado em metas, de forma que as ações são, na maioria das vezes, reativas e não proativas.

Em concomitância com o ideal propugnado pelo policiamento comunitário que põe a polícia na vanguarda e as limitações do Estado, a gestão de qualidade fica comprometida, quiçá desvirtuada, acentuando o descrédito nas políticas sociais.

Além disso, observa-se que os estudos acadêmicos sobre a questão da segurança pública, polícia e práticas policiais só recentemente tem despertado a curiosidade das universidades que mantém grupos e núcleos de estudos, que visão não apenas compreender o fenômeno, mas, sobretudo intervir na realidade com proposições de políticas sociais.

Lima (2011, p.30), sobe a necessidade de a universidade refletir sobre a questão da segurança pública, e especialmente as polícias porque são instituições cuja “atribuição de responsabilidade e o monitoramento das políticas públicas se diluem num rol de múltiplas esferas de poder e de governo, cabendo às polícias o papel de vidraça de ineficiência de um

sistema bem mais amplo”.

Sob esta perspectiva, as produções acadêmicas derivadas de grupos e núcleos de estudos devem contar com a participação dos policiais que, como ocorre na UEMA, devido a intensa carga horária, são alijados do processo de produção científico-acadêmicos. As produções se restringem à elaboração de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) e, raramente, divulgação de artigos e ensaios científicos. O temor é que seja publicizado algo que afete ainda mais a imagem da instituição.

Mas, se os policiais que vivem e reproduzem a cultura organizacional da instituição são desmotivados para discutir seus problemas quem tem mais autoridade para falar das ações e relações policiais?

Benzer Belgeler