6. SAĞLIK ÇALIŞANLARI HARICINDE KALAN TEMASLI TAKIBI
6.1. Olası COVID-19 olgusu tespit edildiğinde temaslılara yönelik yapılması
6.1.1. Yakın Temaslı
Vários trabalhos foram realizados tendo como tema principal a sociedade alemã do pós-guerra. Diversos foram os enfoques; alguns abordaram o aspecto econômico, outros, a organização social e ainda há os que versam sobre política e assim por diante. Em comum, a constatação de que após a 1.a Guerra Mundial, a Alemanha encontrava-se em um período de forte recessão.
Com a assinatura do Tratado de Versailles, a economia alemã tornou-se frágil devido ao pagamento de indenizações de guerra. “Foi o momento em que a Alemanha abdicou de um regime imperial monarquista em favor de um regime republicano, buscando contornar a crise gerada pela sua participação na I Guerra.” (DUTRA, 1999, p. 43)
Além das altas taxas pagas pelo governo alemão, outro problema agravou ainda mais a economia alemã: o desemprego dos soldados que voltavam das frentes de batalha. Boa parte deles estava sem condições de trabalhar e os poucos postos de trabalho disponíveis exigiam uma qualificação que os ex-combatentes não tinham. Ressalta-se ainda o fato de que a guerra acelerou o processo de industrialização alemã, diminuindo ainda mais as ofertas de trabalho.
Os anos que seguem a Primeira Guerra Mundial são uma época singular na Alemanha: o espírito germânico se recompõe com dificuldade do desmoronamento do sonho imperialista; os mais intransigentes tentam se recobrar com um movimento de revolta, mas este é imediatamente sufocado. A atmosfera conturbada atinge o paroxismo com a inflação, que provoca a destruição de todos os valores; e a inquietação inata dos alemães adquire proporções gigantescas. (EISNER, 1985, p. 17)
As conseqüências da 1.a Guerra Mundial influenciaram toda uma geração de escritores de ficção científica não só na Alemanha como no mundo todo. Obras que tinham como foco a preocupação com o futuro da humanidade povoaram o imaginário de países diversos no período entre-guerras. Para Peter Fisher em Fantasy and Politics –
Visions of the future in the Weimar Republic, a ficção científica produzida neste período
está intrinsecamente relacionada à questões específicas de cada país e desse modo, enquanto a Inglaterra questionava a necessidade da guerra, nos Estados Unidos o enfoque recaía sobre os avanços tecnológicos e a União Soviética era retratada nos filmes americanos como o principal inimigo a ser combatido.
Em Metrópolis: Cinema, Cultura e Tecnologia na República de Weimar, DUTRA (1999) ressalta que neste momento, o nacionalismo ganha o aspecto de religião ao idealizar o povo alemão como Povo Escolhido por desígnios divinos, sendo a derrota uma provação a ser superada. Neste contexto surge então, a figura do salvador nacional que utilizaria dons divinos para recolocar a Alemanha no seu merecido lugar.
Em oposição a este sentimento de superioridade, havia o questionamento dos avanços científicos, tanto por parte da produção cinematográfica, como também por parte do meio acadêmico. Para alguns estudiosos a Ciência seria mais uma personagem das histórias de ficção científica, não cabendo ao crítico utilizar o critério de verossimilhança em uma análise mais rigorosa sobre textos e filmes produzidos neste gênero.
... dizer que a ficção científica é uma literatura inspirada ou baseada na ciência é uma definição simplista que não satisfaz, pela imprecisão... o “maravilhoso” da (boa) ficção científica moderna pode ser uma extrapolação de realidades reveladas pela ciência, uma criação imaginária de um mundo futuro, ou diferente, mas com uma argamassa intelectual que não exime, naturalmente, nem a profundidade, a penetração filosófica ou psicológica, nem o sutil ou o poético (CARNEIRO, 1967, p. 07).
A nosso ver, ainda que o imaginário fílmico da Ficção científica “extrapole as realidades reveladas pela ciência”, ele permite que novas descobertas científicas sejam representadas como também alimenta o imaginário científico, conforme observa Sodré quando comenta o desabrochar da ficção científica:
... a FC só desabrocharia realmente em 1926 com a publicação, por Gernsback, da revista Amazing Stories – um amontoado de aventuras com ênfase nos aspectos técnico-científicos. A princípio, Gernsback reeditava obras de H. G. Wells e Abraham Merrit. Mas o projeto de divulgação científica continuava nítido: os colaboradores da revista,
oriundos de diversos setores do conhecimento técnico-científico, incitavam os leitores à discussão em torno da plausibilidade científica de seus devaneios. E assim surgiram as expedições lunares, as bombas atômicas, os raios fantásticos, enfim toda a parafernália constitutiva do ciclo denominado Space Opera. (SODRÉ, 1973, p. 36)
Além da existência de um herói (Freder) que apregoa a superioridade tecnológica alemã, na diegese de Metrópolis há uma característica da ficção científica mundial que nos interessa: a “justaposição do conhecido (o Eu) e do estranho (o Outro)” (TAVARES, [199-], p. 13). Nesta experiência, marcada pelo choque entre o Ego e Não Ego, quando “qualquer coisa particularmente inesperada força-se sobre nosso reconhecimento” (CP 1.332), há o predomínio da Secundidade, pois existe uma relação entre nós e o mundo real que insiste sobre nossa percepção.
A segunda categoria – o traço seguinte comum a tudo que é presente à consciência – é o elemento de “conflito”. Está presente mesmo num fragmento rudimentar da experiência como uma sensação. A sensação tem sempre um grau de vivacidade, alto ou baixo, que é comoção, ação e reação, entre nosso espírito e o estímulo. (CP 1. 322)
A relação entre individuais antagônicos que se chocam e se opõem mutuamente (o eu e o outro) encontrou na estética expressionista cinematográfica a atualização de qualidades de um mundo em constante transformação nas primeiras décadas do século XX.
Na teoria geral dos signos, Peirce defende que a atualização de qualidades em existentes individuais refere-se à relação entre o objeto dinâmico e o objeto imediato. A mente interpretadora só pode ter acesso a algo externo ao signo por meio da percepção. O objeto dinâmico (contexto) é representado no signo (objeto imediato) e somente por meio de um julgamento perceptivo é possível dizer algo sobre o elemento que foi representado. Para Peirce, não entramos em contato diretamente com o objeto dinâmico. Para que a cadeia perceptiva ocorra é necessário a existência de três elementos: o percepto, o percipuum e o julgamento perceptivo.
O percepto é composto de dois elementos de espécies diversas: o primeiro elemento é constituído pelas qualidades de sentimento ou sensações sem referência a
qualquer outra coisa. É um elemento de Primeiridade. Neste estágio perceptivo, não há julgamento e sim a apreensão das qualidades.
Se pensarmos em termos lógicos, o percepto refere-se ao objeto dinâmico, porém este elemento externo insiste na medida em que a nossa atenção é compelida e somos forçados a reconhecer sua existência.
Quando o percepto atinge nossos sentidos, “é imediatamente convertido em percipuum, isto é, o percepto tal como se apresenta àquele que percebe. É o percepto tal como aparece, traduzido na forma e de acordo com os limites que nossos sensores lhe impõem.” (SANTAELLA, 2000, p. 52). O percipuum relaciona-se dessa forma ao objeto imediato. Temos algo que esta fora do signo e que é representado e percebido dentro do signo. É um elemento de Secundidade. A cognição ocorre quando o percipuum é conformado a princípios que desembocam em uma significação, uma representação do percepto. Trata-se de um julgamento perceptivo, logo, a categoria que predomina é a Terceiridade.
É importante estabelecer as diferenças entre os elementos constitutivos da percepção porque o processo perceptivo denota que há algo exterior e algo inserido no signo. Quando analisamos um gênero cinematográfico, percebemos a repetição de certas características em filmes diversos, assim como quando falamos em estética, percebemos que certas qualidades de sentimento são comuns em diversas linguagens, embora os termos estética e gênero refiram-se a coisas diferentes. Partindo do pressuposto de que já discorremos, ainda que brevemente, sobre o gênero ficção científica, cabe-nos neste momento discorrer sobre algumas qualidades de sentimentos do expressionismo cinematográfico alemão, parte do objeto dinâmico de Metrópolis.