2. COVID-19
2.4. Laboratuvar Testleri
2.4.3. Serolojik testler
Neste capítulo, vamos tratar dos pré-requisitos implícitos e sua aplicação diante da hermenêutica perante a casuística de fatos sociais.
Sabemos que existem os pré-requisitos explícitos utilizados pelos médicos peritos, ou seja, analise dos exames e laudos médicos, analise do paciente no ato da perícia e etc.
Ocorre que se o médico perito do INSS aplicar na perícia somente os princípios básicos da medicina, sem analisar todo o contexto profissional, pessoal e social do segurado, estará realizando uma péssima perícia, podendo até, tirar ou dar o benefício indevidamente.
Para realizar uma boa perícia, o médico do INSS deve buscar os princípios explícitos, os que não estão descritos no art. 42 da Lei 8213/91. Necessita também, extrapolar esse dispositivo, buscando os princípios que norteiam a legislação previdenciária, principalmente os estipulados no capitulo da reabilitação profissional86.
Além dos princípios implícitos, deve analisar os fatos sociais que margeiam a busca do benefício:
1- O nexo de causalidade da doença ou acidente; 2- A idade do segurado;
3- O grau de escolaridade do segurado; 4- A possibilidade de reabilitação profissional.
Os fatos sociais são de suma importância para identificar se cabe o benefício por incapacidade auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, pois sem analise dos itens acima, o médico perito não terá como conceder o benefício corretamente.
Vamos imaginar o exemplo:
Um segurado que é advogado e professor, sofre um acidente de carro, juntamente com seu motorista.
Diante do acidente, ambos têm que amputar as pernas a baixo do joelho, com a impossibilidade de prótese.
Os dois são encaminhados à perícia médica e é analisado somente o acidente e a perda dos membros, os fatos sociais não são investigados.
Pode ocorrer:
- Do médico conceder aposentadoria por invalidez para ambos, por terem perdidos os dois pés, inclusive com o adicional de 25%, previsão estipulada no anexo 1 do Decreto 3048/9987;
- De conceder auxílio-doença para o motorista;
- De conceder aposentadoria por invalidez ao advogado e professor; - Entre outras hipóteses.
Mas vamos ao questionamento: Quem tem direito a aposentadoria por invalidez e/ou auxílio-doença?
Se não aplicar os fatos sociais que elencamos acima, os benefícios serão concedidos incorretamente.
Agora, se o médico perito do INSS investigar os fatos sociais88 de cada segurado do exemplo acima citado, com certeza terá um entendimento diverso para cada um dos acidentados concedendo o benefício corretamente.
No quadro abaixo, aplicamos os fatos sociais para melhor entendimento.
OBS: considerar a coluna do meio como regra matriz:
87 Doenças elencadas no dec. 3048/99 Anexo 1: Cegueira; Perda de 9 dedos ou superior a
esta; paralisia dos 2 membros superiores acima dos pés quando prótese for impossível; Perda de uma das mão e de 2 pés, ainda que a prótese seja impossível; Alteração das faculdades mentais com grave perturbação da vida orgânica e social, doenças que exigem permanência contínua no leito; incapacidade permanente para atividades da vida diária e as que provar através de perícia médica administrativa ou judicial. grifamos
88 1- O nexo de causalidade da doença ou acidente; 2- A idade do segurado;
3- O grau de escolaridade do segurado; 4- A possibilidade de reabilitação profissional;
Motorista Fatos Sociais Advogado e Professor Acidente de trabalho O nexo de causalidade da
doença ou acidente; Acidente de qualquer natureza
52 anos A idade do segurado; 52
6ª série do ensino
fundamental O grau de escolaridade do segurado; Superior Completo
Não existe Há possibilidade de
reabilitação habilitação profissional;
Completa
Aposentadoria por
Invalidez Acidentária Benefício Auxílio-doença, com o processo de reabilitação e habilitação e uma vez retornando ao trabalho cessa o auxílio-doença Pois o motorista não conseguirá exercer sua atividade sem as pernas, muito menos ser reabilitado ou habilitado para outra atividade, diante dos fatos sociais como idade, baixo grau de escolaridade, e o nexo causal entre o acidente e a atividade.
Importante ressaltar o entendido do julgado89.
O segurado que é advogado e professor, ou seja, tem duas atividades, terá também suas pernas amputadas, porém, mesmo tendo 52 anos, a idade não é óbice para sua função, por ser uma atividade administrativa, estará inapto ao exercício profissional somente até recuperar-se da cirurgia, certo que será um cadeirante, mas não está impossibilitado de exercer sua carreira de advogado e professor.
89 BENEFÍCIO POR INCAPACIDADE. MOTORISTA DE CAMINHÃO. CARDIOPATIA
ISQUÊMICA. LIMITAÇÕES. INCOMPATIBILIDADE COM O LABOR DESENVOLVIDO. CONDIÇÕES PESSOAIS - IDADE, GRAU DE INSTRUÇÃO, HISTÓRICO CONTRIBUTIVO. Ainda que, na teoria, as tarefas mais pesadas possam ser separadas das mais leves, na prática não se pode pretender que isso ocorra, negando o benefício previdenciário e submetendo o segurado e seu empregador ao ônus de aceitar um empregado “parcial”: apto apenas para “alguns” afazeres da sua atividade laboral e inapto para outros que, diga-se de passagem, sequer podem ser descritos de forma específica e exaustiva. Do trabalhador se exige o todo no exercício de sua atividade e não apenas “algumas” tarefas. O trabalhador deve ser considerado por inteiro. Ou está plenamente capaz para sua atividade ou não está. De ser sopesado, na hipótese, o potencial risco à coletividade na conjugação da atividade laborativa desenvolvida pelo segurado e a patologia apresentada, a qual se mostra suscetível de novo evento cardiovascular agudo – infarto do miocárdio. Sendo, no caso, atestada a incapacidade permanente (quesito 5.4, LAU1, evento 21), possuindo o autor 55 anos de idade, baixo grau de instrução e histórico profissional, iniciado em 1977 (PROCADM1 - evento 3 e CNIS2 - evento 4), sempre relacionado à função de motorista carreteiro, conclui-se não existir possibilidade de reabilitação ou reinserção no mercado de trabalho, fazendo jus o segurado à aposentadoria por invalidez. (, RCI 2008.72.54.002904-4, Segunda Turma Recursal de SC, Relator Ivori Luís da Silva Scheffer, julgado em 18/02/2009)
Óbvio que o advogado professor terá limitações para ao exercício profissional diante de sua redução da capacidade laboral pela perda dos membros, mas para isso, receberá a indenização do auxílio-acidente.
3.5.14 Pré-requisitos implícitos e a diferença de sua aplicaçâo na