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13. COVID-19 ERIŞKIN HASTA TEDAVISI

13.2. COVID-19 Hastalarında Destek Tedavisi

13.2.7. Tosilizumab ve diğer anti-sitokin/anti-inflamatuar tedavilerle ilgili

Peirce desenvolveu um conceito de causação final extremamente original e diverso dos autores que o precederam, ao conceber a existência de dois tipos de ação no universo: a ação diádica a ação triádica, relacionadas aos conceitos de causação eficiente e causação final respectivamente. A ação diádica refere-se à categoria fenomenológica da Primeiridade, enquanto que a ação triádica relaciona-se à Terceiridade, pelo fato de ser um princípio guia, uma tendência. A ação diádica por sua vez é uma ação cega, bruta, sem generalidade. Para exemplificar a diferença entre estas duas ações, com o objetivo de esclarecer os conceitos de causação eficiente e final, Peirce dá o exemplo de alguém que tem a intenção de atirar em um pássaro. Para atingi-lo, o caçador atira diretamente no mesmo, mas um pouco à frente, levando em conta a distância que o pássaro voará antes que a bala o alcance (causação final). Esta atividade é dirigida a um fim, mas, tão logo a bala deixe o rifle, temos somente a estúpida e cega causação eficiente, que de

nenhum modo diz respeito aos resultados da atividade, a bala não seguirá o pássaro se ele voar em outra direção. Causação eficiente não considera quaisquer resultados, simplesmente “obedece a ordens cegamente” (CP 1.212)

A ação diádica refere-se à ação da matéria e relaciona-se desse modo ao existente, hic et nunc, logo, trata-se de Secundidade, enquanto que a ação voltada para um fim relaciona-se à Terceiridade porque a causação final compreende

Aquele modo de fazer os fatos acontecerem de acordo com o qual uma descrição geral ou resultado acontece independentemente de qualquer compulsão para que ele aconteça deste ou daquele modo particular; embora os meios possam ser adaptados aos fins. O resultado pode ocorrer num momento de um determinado modo e em outro momento de outro modo. A causação final não determina de que modo particular ele irá acontecer, mas apenas que o resultado tenha um certo caráter geral (CP 1.211)

Ao estabelecer relações entre as categorias fenomenológicas e os conceitos de causação eficiente e final, o autor propõe uma nova teoria da causação, baseada na sua argumentação de que a causação final é um processo semiótico.

Em A Semeiotic Account of Causation: The Cement of the Universe from a

Peircean Perspective, (1998), o pesquisador Menno Hulswitt fundamenta seu trabalho

nas teorias da Semiótica Peirceana e considera de suma importância a diferenciação ontológica entre causação e causalidade, a primeira referindo-se a eventos, e a segunda referindo-se a fatos. Esta diferenciação é o ponto de partida para um estudo ontológico do que vem a ser “causação” no sentido peirceano do termo.

O estudo de Hulswitt tem por objetivo a construção de uma teoria da causação em contraste com as teorias anteriores, cujos enfoques recaíam sobre a ontologia da substância ou ainda sobre a ontologia dos fatos. O autor destaca em seu trabalho, que a teoria dos quatro aitiais de Aristóteles, concebida até recentemente como uma teoria da causação.

Para Aristóteles o aitiai era uma maneira de responder o porque de alguma coisa ser o que realmente é. Desse modo, o aitiai material (1) de uma estátua, por exemplo, é o mármore, ou seja, aquilo do que ela é feita, enquanto o aitiai eficiente (2) é o escultor, aquele que faz. O aitiai formal (3) é sua forma, ou padrão e aitiai final (4) é o propósito, o

como fundamentais para as relações de qualquer espécie no mundo, havendo portanto, eventos desde que hajam substâncias comportando-se de determinado modo. “Substâncias constituem “a mobília básica do mundo” e sem elas só há o espaço em branco” (ARISTÓTELES apud HULSWIT, 1998, p. 32.). Para Hulswit, o aitiai seria um pré- requisito e não a causa.

A evolução do conceito de causa deve servista como a interação entre, pelo menos, duas concepções radicalmente diferentes de causa: a concepção aristotélica-escolástica, de acordo com a qual causas são os iniciadores ativos de uma mudança e a concepção científica, de acordo com a qual causas são elos inativos em uma cadeia de implicação que funciona na forma da lei.

Hulswitt ressalta que ao se contrapor à teoria aristotélica, embora também considerasse a causação eficiente como parte do processo causacional, Peirce afirma que causação compreende o acaso como um de seus elementos e o processo como algo irreversível. Desse modo, a visão mecanicista “se A, então B”, mostra-se limitada passível de erros de interpretação por parte de um leitor menos informado.

O estudo de Hulswit demonstra que a noção peirceana de causação tem muito a acrescentar ao que estudo do modo pelo qual os fenômenos acontecem porque o enfoque de Peirce recai sobre a questão do tempo, da continuidade e da irreversibilidade.

O conceito peirceano de causação final possibilita uma discussão mais apurada acerca de continuidade e tempo, sendo, portanto, teleológica e capaz de contribuir para o desenvolvimento do pensamento humano de uma forma não dualista, não mecanicista. Com o enfoque dado aos eventos e não às substâncias, a teoria peirceana demonstra o quanto uma visão centrada na matéria pode mostrar-se limitada.

Partindo do pressuposto que a causação final é uma tendência, uma generalidade, a análise fenomenológica dos eventos que culminaram para o surgimento do ser humano, pode abrir as portas para uma visão menos antropocêntrica e mais geral, na qual continuidade e evolução têm papéis fundamentais e a inteligência não é restrita a mente humana, nem está restrita ao mundo biológico. Compartilhamos da tese defendida por Santaella de que “a tendencialidade do universo adquirir novos hábitos só se faz entender à luz do conceito de causação final, a ação do signo ou ação inteligente (informação

verbal).”21. Desse modo, há mente onde há triadicidade, crescimento e aprendizado. Há

causação final em qualquer atividade que seja direcionada para um fim, como pode ser observado nos sistemas cibernéticos e autopoiéticos representados em Matrix.

O agente Smith é a prova mais contundente de um sistema computacional capaz de aprender e portanto de estabelecer semiose. As IAs que travam uma guerra com os humanos na Terra de Sião também são sistemas capazes de efetuar trocas com o ambiente pelo qual se movimentam. Se alguns pesquisadores da Inteligência Artificial pressupõem que este campo de pesquisa tem por objetivo desenvolver a capacidade maquínica de aprendizagem, Matrix leva este desejo ao seu limite e devolve-nos alguns questionamentos: se realmente as máquinas evoluírem em sua interpretação da realidade e forem capazes de processar símbolos a ponto de superar a Inteligência Humana, a humanidade estaria de fato disposta a adotar uma concepção de inteligência não antropocêntrica? Quais seriam as implicações desta evolução?

A diegese de Matrix parece indicar que as respostas a estas perguntas não são simples. Se por um lado, as IAs são inteligentes a ponto de superar a inteligência humana, por outro, o risco oferecido por elas pode ser aniquilado na medida o desenvolvimento das tecnologias pós-humanas possibilita a libertação da humanidade de sua condição servil.

Longe de querer responder a tais questionamentos, nossa análise pretende apenas indicar o quanto estas questões são complexas e exigem um estudo minucioso e contínuo das transformações tecnológicas vivenciadas em nossa cultura contemporânea.

Para concluirmos nossa análise, pensemos então nos interpretantes de Matrix, os signos gerados por esta produção cinematográfica que a nosso ver reflete boa parte do estágio atual de interação entre o humano e o maquínico, cuja base é a digitalização da informação em um processo contínuo e ininterrupto, do qual nós, seres humanos, também somos signos.