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ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ İLE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.7 YABANCI DİL ÖĞRETİMİNDE KÜLTÜR AKTARIMI VE KÜLTÜREL ÖGELER

Figura 116

Atividade Educativa de uma criança na escola investigada (2º ano do 1º ciclo)

16 Em 2007, 2,1 milhões das crianças de 7 a 14 anos de idade freqüentavam escola e não sabiam ler e escrever

Embora entre as crianças e adolescentes de 7 a 14 anos de idade, faixa etária correspondente ao ensino fundamental, o ensino esteja praticamente universalizado (97,6%), os resultados da pesquisa mostram que este alto índice de frequência à escola nem sempre se traduz em qualidade do aprendizado. Entre as 28,3 milhões de crianças de 7 a 14 anos, que, pela idade, já teriam passado pelo processo de alfabetização, foram encontradas 2,4 milhões (8,4%) que não sabem ler e escrever. Isto não significa que estas crianças não estejam na escola: 2,1 milhões delas, ou seja, 87,2%, das que não sabiam ler e escrever, freqüentavam estabelecimento de ensino. Deste grupo de 2,1 milhões, 1,2 milhão vivia no Nordeste do país(IBGE, 2008).

A tarefa educacional proposta na figura 1 acima, no dia 3 de abril de 2008, por uma professora que trabalha na escola investigada acerca de 10 anos, com a segunda série, corresponde em outra pista de nossa investigação. Dela estaremos partindo para caracterizar, analisar e refletir a prática escolar no município de Sarandi-PR, cuja prática escolar visa ser sustentada pelos princípios da Pedagogia Histórico-Crítica .

Não pretendemos fazer generalizações a respeito do trabalho desenvolvido, por uma criança de oito anos, na segunda-série do ensino fundamental. Contudo, para nós, isso não poderia acontecer. Essa criança já deveria ter uma objetivação da linguagem escrita menos precária. Parece acertado, que muitos vão dizer que bom que essa criança está na escola. Também concordamos. Contudo, o que essa escola está objetivando? A nossa primeira impressão diz-nos que a escola, os seus professores não estão conseguindo ensinar e os estudantes não conseguem aprender. Os professores não obtêm êxito na sua prática escolar, embora estejam preocupados, ansiosos e temerosos com a situação acima objetivada. As duas primeiras semanas do ano letivo foram para realizar um diagnóstico em Sarandi-PR. Após dois meses do diagnóstico, constatamos uma criança da segunda série soltando letras em três linhas para escrever uma frase. Fato esse observado nos outros trabalhos dos estudantes da turma. Fato também observado pela outra professora da segunda série e relatado na reunião de planejamento realizada no dia 11 de abril de 2008.

Essas professoras tiveram sete anos de formação continuada com a atual secretaria municipal de educação em Sarandi-PR. Um dos fatos destacados pela secretaria foi que financiou a formação inicial em Pedagogia das professoras que somente possuíam a formação de magistério realizada no ensino médio. Parece-nos que a formação inicial em pedagogia e a formação continuada, ao longo desses últimos sete anos, ainda não conseguiu sequer instrumentalizar o professor para objetivar a sua prática escolar. É provável também que ambas as formações não conseguiram mediar contradições necessárias com a ideologia desse ser social: o professor.

As professoras aprenderam na formação continuada que os alunos, ao escreverem um texto, primeiro devem relatar as suas ideias. Depois disso, as professoras sabem que devem ensinar a estruturar o texto do estudante. Por fim, as professoras sabem que devem ensinar o código ortográfico para os estudantes. As mesmas nos indicam que, na primeira série, é dada uma ênfase muito significativa à alfabetização e a matemática não recebe muita ênfase na prática escolar da primeira série. Com isso, os alunos não conseguem fazer operações simples na matemática na segunda série (somar e subtrair). A não ser quando estão operando com

algum objeto concreto, como o ábaco17. Sem esse instrumento concreto, cerca de 30% dos estudantes nessa sala de aula, da segunda série, com oito anos de idade, não conseguem contar. Não queremos fazer generalizações aqui, mas cremos que isto não poderia estar acontecendo.

As professoras estão apreensivas. Sabem que os seus alunos serão avaliados pela secretaria municipal de educação no final dos semestres e o resultado é tornado público. As professoras sabem que os seus estudantes deveriam ir para terceira série dominando as operações simples na matemática e escrevendo, não no nível pré-silábico ou silábico, mas sim alfabetizados. Contudo as duas professoras com quem estivemos no horário de planejamento da segunda série avaliam que, nesse ano, seu trabalho educativo, sua prática escolar está mais difícil.

No dia 24 de março de 2008, observamos o planejamento das professoras da sala de leitura e de educação física. A professora da sala de leitura estava preparando as atividades para o mês de abril, em que no calendário da rede municipal, seria organizada a semana do livro. A professora nos relatou que os estudantes possuem dificuldades de atenção nas atividades propostas na sala de leitura. Uma das estratégias utilizadas por ela foi escolher textos com histórias breves. A sala de leitura tem sido uma novidade para as professoras na rede municipal naquele ano de 2008. Segundo relato da professora, somente no dia 17 de março de 2008, após um mês do início do ano letivo, as professoras tiveram uma reunião na Secretaria de Educação para organizar e planejar as atividades pedagógicas da sala de leitura.

Já a professora de educação física estava fazendo o planejamento das aulas da segunda série. Estava pensando nos jogos cooperativos que iria objetivar na sua prática escolar. Também estava pensando nas atividades com xadrez que iria aplicar com os estudantes. Perguntamos a ela :_ qual a dificuldade pedagógica observada naquela escola? Ela me disse que estava trabalhando ali pelo segundo ano. Um dos fatos que a deixou chocada foi quando ela discutiu com seus alunos os efeitos no corpo quando o homem faz uso de drogas lícitas e ilícitas. Seus estudantes relataram que os efeitos ditos por ela eles viam em seus pais quando faziam uso das drogas lícitas (bebidas alcoólicas) ou drogas ilícitas como a Cannabis

sativa. O segundo fato que a deixou reflexiva foi quando solicitou que os estudantes levassem

para a escola sucatas para fazerem brinquedos pedagógicos. Alguns não levaram porque os materiais ditos recicláveis eram para sustento de suas famílias cujos pais são catadores de

17 A professora citada relata que faz os ábacos para os seus alunos durante à noite em sua casa. Ela pede sabão

em coco para os estudantes e tampinhas de garrafas de refrigerantes. Por fim, compra, com dinheiro dos seus proventos no Município, palitos para confeccionar o instrumento que lhe possibilita ensinar as operações simples da matemática com os alunos da segunda série.

papel. Entendemos que a realidade das famílias dos estudantes da escola impressionaram essa professora. Mas em que medida a professora conseguiu problematizar os reais motivos que criam as condições econômicas das famílias das crianças dessa escola. Quais as causas que fazem os pais dessas crianças consumirem Cannabis sativa, bebidas alcoólicas ou serem catadores de papel?

Isso nos levou a perguntar à Diretora: quantas crianças naquela escola pertenciam a famílias que tivessem bolsa-família ou qualquer outro “benefício” social. Sabemos que a matricula do filho(a) na escola é um dos critérios para receber o bolsa família ou outro programa social. A Diretora nos relatou que cerca de 30% das crianças têm os seus pais recebendo o bolsa-família18 [Anexo F]. Embora o programa tenha a meta de combater a fome, no dia 14 de março de 2008, ajudamos a socorrer uma criança que havia desmaiado na escola. São esses alunos desmaiando de fome que aprendem na escola pública. Esses fatos, juntamente com a figura 1, conseguimos olhar, ver e reparar (SARAMAGO, 1995). Cabe-nos, agora, ver e reparar outras pistas, que possam nos explicar as possibilidades de objetivar uma prática escolar com os princípios de uma prática escolar emancipatória ou com a Pedagogia Histórico-Crítica em nossa sociedade regida pelo capital.

18O Governo Federal criou o Programa Bolsa-Família em 2003 para apoiar as famílias mais pobres e

garantir o direito delas à alimentação. Para isso, transfere renda direto para as famílias, por meio da CAIXA, onde a família beneficiária saca com seu cartão magnético o valor a que tem direito.Desde sua criação, o Bolsa-Família unificou em um só os seguintes programas de transferência de renda: Bolsa-Escola, Cartão Alimentação, Bolsa-Alimentação e Auxílio-Gás.A família deve fazer a sua parte, mantendo seus filhos na escola e acompanhando o estado de saúde de todos, principalmente o das crianças e gestantesO Programa Bolsa-Família foi criado para apoiar as famílias mais pobres e garantir a elas o direito à alimentação e o acesso à educação e à saúde. O programa visa a inclusão social dessa faixa da população brasileira, por meio da transferência de renda e da garantia de acesso a serviços essenciais. Em todo o Brasil, mais de 11 milhões de famílias são atendidas pelo Bolsa-Família. O programa Bolsa-Família tem por objetivos combater a fome e promover a segurança alimentar e nutricional; combater a pobreza e outras formas de privação das famílias; promover o acesso à rede de serviços públicos, em especial, saúde, educação, segurança alimentar e

assistência social; e criar possibilidades de emancipação. Quem pode se beneficiar do bolsa família: A população-alvo do programa é constituída por famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza. As famílias extremamente pobres são aquelas que têm renda per capita de até R$ 60,00 por mês. As famílias pobres são aquelas que têm a renda per capita entre R$ 60,01 e R$ 120,00 por mês, e que tenham em sua composição gestantes, nutrizes, crianças ou adolescentes entre 0 e 15 anos (BOLSA-FAMÍLIA, 2008).

1.9 O Caminho Ideológico-Cultural dos Pressupostos Teórico-Metodológicos da