ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ İLE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
4.1 TÜRKÇEYE YOLCULUK YABANCILARA TÜRKÇE ÖĞRETİMİ KİTABI
4.1.4 Türkçeye Yolculuk B2 Bulguları .1 Günlük yaşam .1 Günlük yaşam
4.1.4.6 Sosyal yaşam .4 Diğerleri .4 Diğerleri
O Secretário Municipal de Educação de Sarandi-PR (2001-2008), possui trinta anos de trabalho na Educação. Iniciou sua carreira como professor alfabetizador de jovens e adultos na década de 1970, no Mobral, para trabalhadores rurais cortadores de cana-de-açúcar. Fez o curso de Magistério, depois fez o curso de Licenciatura em Letras, especialização em Linguística e Mestrado em Letras. Desde 1992, é filiado ao Partido dos Trabalhadores. Foi vereador em 1997 na cidade de Mandagaçu-PR (localizada à 20 Km de Sarandi-PR). Em sua gestão, fez um mandato vinculado à Educação. Com a aprovação do Fundef em 1996, ajudou a construir o plano de carreira, cargos e salários dos professores em Mandagaçu-PR. Tentou a reeleição em 2000 e não conseguiu. Isso o fez retomar seu projeto de Doutorado e suas aulas na Universidade Estadual de Maringá no Departamento de Letras. Contudo, com a eleição de um Prefeito do Partido dos Trabalhadores (PT) na cidade de Sarandi foi convidado em 2001 para ser o Secretário de Educação nesse município. Isso aconteceu pela sua experiência no campo da Educação e por ser filiado ao PT.
O Secretário Municipal de Educação de Sarandi, ao tomar posse em 17 de fevereiro de 2001, enfrentou muitas dificuldades na rede municipal de ensino. Mas os recursos financeiros alocados na secretaria municipal de educação contribuíram para o aceite do convite. Contudo, problemas administrativos e problemas pedagógicos eram identificados na rede municipal de educação de Sarandi-PR. A “cultura do jeitinho” (ARAÚJO, 2006) era mediadora das decisões educacionais nesse município. Conforme observamos nos livros-atas da secretaria de educação, a Sra. Albertina Rico Mineli foi Inspetora Municipal de Ensino e
depois Secretária de Educação por mais de uma década. Havia diretores em escolas com 20 anos, 15 anos, 10 anos na gestão. Essas diretoras antigas mandavam na secretaria municipal de educação. Esse era um problema administrativo encontrado pelo Secretário de Educação. O problema pedagógico era um currículo centrado em projetos. As crianças da primeira série tinham o mesmo projeto e o mesmo enfoque das crianças da 4ª série. Os diretores das escolas estaduais do município, que matriculavam as crianças na 5ª série, estavam indignados com a defasagem de conteúdos dos alunos . Eles chegavam à 5ª série da rede estadual sem saber ler, escrever e contar minimamente. Outro problema pedagógico constatado pelo Secretário de Educação em 2001 foi a formação inicial dos professores. Somente cerca de 20% dos professores da rede tinham formação superior. Os demais professores tinham a formação de magistério (Ensino Médio).
Esses três problemas identificados na rede municipal de ensino, a saber: gestão antidemocrática nas escolas, alunos que não aprendiam e formação inicial do professor precária, foram abordados com maior ênfase no início da gestão (2001-2008). Uma medida foi a promulgação de uma lei que instituiu a eleição para diretores nas escolas. Essa medida retirou do cargo as diretoras que estavam acerca de 10, 15 ou 20 anos na direção das escolas. Outra medida foi interromper o currículo do município, cuja fundamentação em projetos esvaziava a prática escolar de conteúdos. Dar um desfecho ao neoconstrutivismo e retomar o ensino das disciplinas (história, educação física, matemática, língua portuguesa, geografia, entre outros) foi uma medida muito criticada pelas professoras das escolas. Outra medida realizada foi a criação de uma bolsa que financiava 50% das mensalidades das professoras da rede que ingressassem em uma instituição de ensino superior privada para realizarem a sua Graduação em Pedagogia ou Licenciatura. Isso fez com que, ao longo dos últimos sete anos, aumentasse o nível da formação das professoras na rede municipal de ensino. Cerca de 90% das professoras da rede possuíam ensino superior em 2008. A implantação desse programa teve conflitos com a Procuradoria Jurídica do Município. No dizer do Secretário João:
Professor João - Então, o que nós fizemos, nós criamos um programa de bolsa de estudo para incentivar o professor. [...] a procuradoria jurídica, ela dizia que era ilegal pagar a formação dos professores com os recursos da educação. Eu busquei embasamento em outros municípios, no próprio tribunal de contas do estado do Paraná, consegui documentos do tribunal de contas, é que o tribunal de contas, ele não tinha nada contrário desde que o município tivesse como investir na formação dos professores, nós poderíamos estar fazendo. [...]. E conseguimos então criar uma bolsa de estudos para incentivar os professores a concluir o curso superior. Hoje nós temos mais de 90% dos professores da rede municipal com curso superior. [...] a grande ação que nós fizemos, além dessas duas ações que foi, que foram mudar as
gestões administrativas da escola, a gestão de ensino, a gestão pedagógica, eu creio que a maior ação que nós fizemos foi o investimento na formação dos professores [....]Nós tínhamos, o jurídico era composto por três advogados da oposição. Embora a Procuradora Jurídica nossa fosse do PT, mas esse pessoal que estava lá, eram três, eram três e uma. Três, vamos ver, três contra uma.
Os fatos acima relatados nos indicam mais pistas da substância histórica da Rede Municipal de Educação de Sarandi-PR. A “cultura do jeitinho”, associada à uma formação inicial somente com o Magistério, um currículo centrado em projeto de ensino neoconstrutivista, e também formações continuadas dos professores na rede realizadas com os demais funcionários públicos do Município tendo como “conteúdo” de suas formações a “pedagogia da motivação” (ARAÚJO, 2006); parece conter características de um cenário com elevada alienação/estranhamento. Além disso, um Jurídico, com um certo grau de parcialidade, haja vista que três procuradores defendiam posições contrárias ao executivo enquanto uma era a favor. Isso indica o grau de “imparcialidade” nas tomadas de decisão do Jurídico Municipal. Este cenário nos indica que havia um pensamento idealista-conservador hegemônico. Afinal, parece-nos que havia um conformismo, dado o longo período de permanência de diretores nas escolas. Essa alienação/estranhamento no pensamento científico manifesta-se de diversas formas, entre elas o pragmatismo. A iniciativa da secretaria municipal de educação de objetivar, na prática escolar, a Pedagogia Histórico-Crítica, talvez tenha tido vários obstáculos epistemológico-ontológicos e econômico-políticos. Dentre eles, um pensamento conservador, localizado nas ameaças veladas dirigidas ao Professor Apolo caso fosse criado um Sindicato de Professores, um currículo onde os alunos da primeira série e da quarta série tinham o mesmo projeto, fato que fazia com que as crianças, quando iam para a quinta série, apresentassem sérios problemas pedagógicos; enfim, essa era a substância histórica do município que a Administração (2001-2008) teve que enfrentar. Isso, também, pode se constituir em mais um limite das objetivações na prática escolar que visava sustentação na Pedagogia Histórico-Crítica.
De acordo com o Secretário de Educação de Sarandi-PR, no ano de 2007, eles buscaram dar ênfase aos Fundamentos da Educação na formação continuada. Contudo, parece-nos que somente o professor de História, no VII Encontro de Educação conseguiu objetivar em sua fala a devida coerência e consistência em relação à Pedagogia Histórico- Crítica. Caso isso seja de fato verídico, há um obstáculo gnosiológico na formação continuada para garantir a objetivação da Pedagogia Histórico-Crítica pelas professoras da rede municipal de ensino.
No ano de 1984, constatamos que uma das iniciativas da Secretaria Municipal de Educação era indicar que as professoras fossem criativas para estimular as crianças. Na década de 1990, as formações continuadas continuaram dando ênfase aos aspectos da motivação, envolvendo todos os funcionários públicos do município, inclusive os professores. Perguntamos com Karl Marx: será que esse passado não segue como um fantasma no tempo presente? Essa substância histórica da Secretaria Municipal de Educação, de Sarandi, com diretoras nas escolas por mais de 10 anos, formações continuadas realizadas na Universidade do Professor em Faxinal do Céu, um currículo fundamentado nos PCNs, o trabalho do professor considerado uma missão, o clientelismo local marcando as nomeações dos concursos públicos, uma escola sendo inaugurada sem cadeiras, sem mesas, sem material pedagógico, a formação continuada que, no seu VII Encontro de Educação, parece não ter sido devidamente coerente e consistente, indicam-nos limites para a objetivação-apropriação da Pedagogia Histórico-Crítica.