E- HİKÂYELERDE ŞAHIS KADROSU
2- Yaşlarına Göre Erkekler
Com a intenção de observar de forma participativa a atuação da professora do programa de alfabetização prisional MOVA-BRASIL e os contextos de aprendizagem desenvolvidos entre os reeducandos do Presídio de Igarassu se fez necessário traçar um prévio diagnóstico dos perfis destes sujeitos: educadora e aprendizes.
Além dos aspectos caracterizadores dos sujeitos da educação prisional já mencionados neste trabalho, torna-se relevante apresentar outros aspectos minuciosos afim de revelar uma configuração exata da realidade em estudo. Considerando o propósito da pesquisa ao compreender os processos pedagógicos e suas transformações efetivadas a partir das relações entre os sujeitos em curso, buscamos conhecer melhor os envolvidos na construção da aprendizagem.
Ao conhecermos a comunidade em estudo podemos melhor subsidiar a condução da pesquisa. Pois, a identificação da cultura emergente deste grupo poderá revelar fatores preponderantes no processo de aprendizagem. Logo, o que interessa à investigação são descrições distanciadas e críticas dos ambientes e sujeitos que foram estudados, narrados por alguém que os compreendeu como se tivesse feito parte deles, mas que mantém intacta a capacidade de refletir sobre o que observou. Quanto a observação da cultura, Roberto Sidnei Macedo recomenda que:
Faz-se necessáario, por conseguinte,dsfazer-nos de uma concepção reificada de cultura, para repensá-la como força que age e que também é resultante de ações. É necessário também se desfazer da concepção supra- orgânica de cultura, como uma realiddae que se projeta acima dos atores sociais e guia suas ações. Na realidade, a cultura é um conjunto de interpretações que as pessoas compartilham e que, ao mesmo tempo, fornece os meios e as condições para que essas interpretações a conteçam. As pessoas, com efeito, podem compartilhar síbolos, mas elas não compartilham forçosamente o conteúdo desses símbolos. Deste ponto de vista, o outro na cultura é incontornável como co-construtor de diferenças e de processos identitários. Ademais, a construção do outro se dá num processo de negociação em que cultura e a identiddae cultural estão em contínua efervescência, como espaços inscritos e como história de atores sociais dentro de uma temporalidade. (MACEDO, 2006, p. 24).
Nesse contexto, seguiremos com a identificação, caracterização e percepções dos atores participantes da pesquisa e no local de construção de suas interações e intervenções enquanto membros de uma comunidade. E em uma configuração mais ampla descreveremos as compreensões acerca da turma de alfabetização prisional.
7.2.1 Os aprendizes: sujeitos que constroem conhecimento
De toda composição apresentada sobre a Escola Dom Hélder Câmara, no Presídio de Igarassu, tomamos como base para nosso estudo a turma do programa de alfabetização prisional MOVA-BRASIL. Os vinte e cinco reeducandos que compunham a classe apresentavam idade entre 18 e 65 anos e respondiam pelos mais variados delitos, em sua maioria tráfico. Desse total 19 aprendizes eram completamente analfabetos (nunca haviam frequentado uma escola) e os outros 6 eram analfabetos funcionais (sabiam ler e escrever precariamente mais não compreendia / interpretavam). Na turma, dezessete eram negros e vinte e três constavam de união estável com filhos.
Atraídos pela divulgação da oferta de alfabetização no sistema prisional, os reeducandos, a princípio, confessaram receio de fazer parte daquela turma estigmatizada como “os ignorantes” e pela possível discriminação da própria população carcerária considerada marxista. Pois, esses reeducandos já vinham cumprindo pena entre 3 e 6 anos de prisão e viam ali a oportunidade única de saírem da ociosidade, haja vista que no ensino regular das escolas prisionais não havia, até então, turma de alfabetização. E de acordo com seus relatos esses reeducandos apresentavam relação de submissão aos outros detentos pela baixa escolaridade. Com direito a visita de parentes apenas nos finais de semana, os alfabetizandos viam nas aulas sua única fonte de entretenimento e interação social progressiva. Como é comum em toda turma heterogênea alguns mostravam-se mais introspectivos enquanto outros mais expansivos. Mas, durante as socializações das suas histórias de vida, eles se viam envolvidos dentro de um contexto que era comum a todos: a reclusão social. Nessa verbalização induzida detectava-se uma forma inconteste de libertação involuntária e compartilhada por todos.
Aos poucos as vinte e cinco vagas foram preenchidas e em uma semana a turma de alfabetização prisional MOVA-BRASIL estava formada por reeducandos de todos os pavilhões do presídio. As aulas ocorriam pela manhã, sempre das oito horas ao meio dia. Entre as atividades profissionais desempenhadas antes da prisão e relatadas pelos reeducandos destacavam-se as de serviços braçais, como: agricultor, ajudante de pedreiro, catador de material reciclável, canavieiros e até aqueles que viveram
apenas da criminalidade. Todos pertencentes a classe financeira baixa, dependiam exclusivamente da ajuda de parentes durante a visita. Mais da metade desses reeducandos apresentavam casos semelhantes de analfabetismo na família, demostrando uma herança dos ascendentes.
7.2.2 A educadora da alfabetização prisional
Com formação inicial e qualificação técnica acerca da metodologia de aprendizagem do programa de alfabetização prisional, porém com conhecimento apenas teórico sobre o público prisional, a educadora Bernadete Ramos da Silva, apresentava empatia e relacionamento de estímulo com os reeducandos. Logo, este incentivo fazia parte de suas atribuições já que todo conteúdo programático se construía a partir de temáticas levantadas pelos próprios reeducandos.
Formada em pedagogia e interessada em alfabetização buscou no programa MOVA- BRASIL a oportunidade de novos caminhos de aprendizagem, e na população carcerária a chance de alfabetizar excluídos. Como destaca a educadora “Ao entrar em contato com o trabalho pedagógico do MOVA-BRASIL mim encantei pela forma conjunta de construção do conhecimento com o próprio alfabetizando”. E ressalta ainda o interesse dos reeducandos “Pela falta de oportunidade e pela necessidade e carência dos meus alunos em ter uma ocupação no cárcere o envolvimento nas aulas era total e os resultados da aprendizagem se mostravam satisfatórios a cada aula”. Com aulas de segunda a sexta, a professora desenvolvia a cada semana um novo conteúdo, sempre a partir das experiências de vida e inquietações dos reeducandos. Sua forma de aproximação e atenção com a turma tornou a relação entre ambos de confiança e entrosamento. Ao contrário do que inicialmente imaginava sua maior dificuldade foi o contato com os agentes de segurança e os outros professores e não com os reeducandos. Todo regime de segurança que o ambiente exigia e de opressão aos reeducandos causava estranheza a ela, somando-se a isso a baixa receptividade a um novo programa educacional que se agregara a escola dom Hélder Câmara. Durante todo período de alfabetização da turma foram várias histórias e experiências de aprendizagem vivenciadas entre a educadora Bernadete e seus educandos. Algumas que lhe serviram como lição de vida e até como superação em meio as
adversidades profissionais, sociais, familiares e pessoais. Dentro de um contexto educacional totalmente diferenciado das outras duas escolas nas quais lecionou a educadora viu-se completamente envolvida e contributa ativa da reconstrução positiva da história de vida de seus reeducandos. Mostrando, assim, o poder transformador, equalizador e ressocializador da educação no meio carcerário.