• Sonuç bulunamadı

Anlatma Zamanı İle Vaka Zamanının İç İçe Olduğu

C- HİKÂYELERDE ZAMAN

2- Anlatma Zamanı İle Vaka Zamanının İç İçe Olduğu

Nas sociedades modernas, o sistema prisional desenvolveu-se como parte de uma série de mecanismos institucionais e legais pelos quais o Estado encarregou-se de realizar uma dupla promessa: garantir a segurança dos “pacatos cidadãos” e ressocializar – por meio do confinamento sob custódia do Estado – os que, em diferentes momentos e por diferentes razões, descumpriram a lei, por meio de atividades ilegais ou violentas, atentando contra a ordem pública, a propriedade individual ou a integridade física de alguém. Logo, praticado o crime, claro, é fundamental que haja a repressão, evitando-se, assim, a desastrosa impunidade que insiste em conviver com a sociedade brasileira.

A pena privativa de liberdade, sem dúvida, no Brasil, é a mais grave das sanções previstas pelo seu ordenamento jurídico-penal, até porque, de acordo com a sua Constituição de 1988, é absolutamente proibida a aplicação de penas cruéis (art. 5º, XLVII) aqui consideradas a perpétua ou a de morte. É ela executada em regime fechado, semiaberto ou aberto, tendo a Lei de Execução Penal (LEP), consagrado estabelecimentos penais distintos para o acolhimento aos condenados à pena de prisão. Pode existir, também, a prisão domiciliar, excepcionalmente determinada pelo Juiz de Execução Penal, nos moldes do art. 117 da LEP, somente aplicável aos condenados maiores de 70 anos de idade, aos acometidos por doença grave, gestantes e aos pais de filhos doentes mentais.

Quanto aos estabelecimentos penais no Brasil dispomos de Presídios (para presos que aguardam sentença), Penitenciárias (para presos condenados no regime fechado), Colônias Penais Agrícolas ou Industriais (para presos do regime semiaberto), Cadeias Públicas (para presos provisórios cuja cidade não há prisões estaduais), Casa de Albergado (para presos do regime aberto) e Hospitais Psiquiátricos (para presos sob medida de segurança).

Nesse contexto, a prisão é, antes de tudo, um castigo, uma vez que o recluso não só perde a liberdade de ir e vir, mas, principalmente, porque o mesmo detento também perde, num ambiente hostil, de tensões e promiscuidade moral, a segurança, a privacidade, a intimidade, a capacidade de autopromoção, a identidade social, subordinando-se, além do mais, a comandos autoritários, impostos não só pela

direção do presídio, mas, também, pelos agentes penitenciários e pela própria liderança entre os presos.

De acordo com levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizado em dezembro de 2013, o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo com 715.655 presos cumprindo algum tipo de pena judicial. No entanto, o sistema prisional brasileiro foi projetado para abrigar 310 mil detentos. O resultado deste déficit é a superlotação, que vem acompanhada de maus-tratos, doenças, motins, rebeliões e mortes. Com este quadro o Brasil está atrás apenas dos Estados Unidos e da China em quantitativo da população carcerária. Nos últimos vinte anos, o número de presos no país cresceu 251%.

Ainda segundo os dados de 2013, quase metade da população carcerária (48,9%) é de condenados e acusados por crimes contra o patrimônio, como furto, roubo, extorsão, receptação e estelionato. Outros 25,21% são presos por tráfico de drogas. Por outro lado, apenas 11,81% se encontram presos pelos chamados crimes contra a pessoa, como homicídio, sequestro e cárcere privado.

Existem atualmente 1.478 estabelecimentos penais dos diversos regimes de reclusão distribuídos entre as 27 unidades da federação. Segundo estudo revelado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça (MJ) a população carcerária do Brasil, em julho de 2013, é composta por 671.571 homens (93,84%) e 44.084 mulheres (6,16%). O estudo ainda aponta um detalhamento minucioso da população prisional brasileira, da qual 33,8% é branca e 16,1% negra. Quanto ao estado civil desse contingente, 28,5% são solteiros e a maioria (23,9%) possui entre 25 e 29 anos.

Desses presos, 91% tem menos de oito anos de estudo, 18% são analfabetos e 45,1% possui ensino fundamental incompleto. Pouco mais de 53% estão no regime fechado, onde a maioria cumpre pena que varia de 4 a 8 anos de reclusão. E aproximadamente 83% são reincidentes.

Quanto aos grandes problemas enfrentados pelas unidades prisionais para promover os trabalhos de ressocialização destaca-se a superlotação carcerária. Essa falta de espaço acaba acarretando uma série de entraves ao desenvolvimento de atividades de acolhimento como assistência médica, psicossocial, educacional e laborterápica.

Por consequências esses fatores estimulam a proliferação de doenças, o consumo de drogas, articulações para práticas delituosas, aumento dos conflitos internos e rebeliões.

Em Pernambuco a realidade do sistema prisional não difere do restante dos outros Estados, onde a superlotação e o estado de ociosidade dos presos imperam. De acordo com dados apresentados em dezembro de 2013 pela Secretaria Executiva de Ressocialização de Pernambuco (SERES) o Estado possui 30.134 detentos para uma capacidade de 17.300 vagas. Com 20 unidades carcerárias de grande porte distribuídas em 10 Presídios, 4 Penitenciárias, 3 Colônias Penais Femininas, 1 Hospital de Custódia e 2 Penitenciárias Agrícolas, além de mais 69 Cadeias Públicas, Pernambuco tem a 5ª maior população carcerária do país e a maior entre os 9 Estados da Região Nordeste.

Diante desta apresentação, o sistema prisional de Pernambuco não representa a solução para os problemas da sociedade: mas, a consequência última de todas as mazelas sociais do Estado, porque os que nele se encontram não tiveram ou não optaram pela assistência devida pelas instituições. Configurando, neste caso, que o crime estava diretamente vinculado à problemática social. Pois, enquanto não forem resolvidas as questões ligadas à exclusão e às desigualdades sociais – onde se enquadra o analfabetismo – a máquina continuará alimentando o sistema penitenciário.

Logo, por esta visão, quanto mais vagas houver, mais vagas novas precisariam ser disponibilizadas, porque o sistema penitenciário representa o fim de um processo, não o seu começo. Cabendo assim ao sistema prisional o que as outras instituições sociais e inclusive a própria sociedade não conseguiram em termos de inclusão social, como por exemplo: educação, qualificação profissional e trabalho.

Para melhor caracterização da população carcerária pernambucana seguem alguns dados referentes ao censo realizado pelo DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional) também em dezembro de 2013:

QUADRO 9: Características da população carcerária de Pernambuco em dezembro de 2013.