E- HİKÂYELERDE ŞAHIS KADROSU
3- Mesleklerine Göre Erkekler
Os contextos de investigação apresentam significados simbólicos por demonstrarem formas subjetivas e objetivas de interações entre os sujeitos envolvidos no processo de construção do conhecimento, logo estes “[...] são produtores de suas próprias ações e significações. Eles vivem em um ambiente natural, mas os objetivos desse mundo têm um ‘sentido’ particular para cada um, conforme os momentos” (Lapassade, 2005, p. 19).
Dessa forma, as investigações qualitativas examinam costumes, comportamentos, atitudes, experiências de vida, mudanças de práticas e adaptação a novas atitudes, tal como são sentidas pelos sujeitos. Não obstante, este trabalho investiga no meio carcerário as condições em que se insere uma mudança de prática pedagógica, que busca alfabetizar adultos privados de liberdade. Nesta contextualização investiga-se a cultura local, seus hábitos, contradições, interações, aceitação e adaptação a novos padrões comportamentais. O intuito é aproximar as pessoas para compreender profundamente a situação problemática, os indivíduos e o ambiente.
Neste trabalho investigativo a fonte direta de dados será o ambiente natural (meio carcerário onde se insere a escola prisional), sujeitos envolvidos nas ações cotidianas, interações protagonizadas pelos reeducandos e educadores, peculiaridades das normas locais, aplicação de práticas pedagógicas e contribuição dos reeducandos com suas experiências de vida na construção de novas posturas diante da educação. Esse propósito terá alcance através das conversações ocasionais, das entrevistas não estruturadas, das participações em atividades corriqueiras, nas discussões, problematizações e questionamentos levantados pelos reeeducandos. Nessa investigação qualitativa há o interesse maior pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos, sendo o significado de importância vital nesta abordagem. Para tanto, o investigador introduz-se no ambiente natural dos nativos onde despendem grande quantidade de tempo na busca e no interesse pelo modo como diferentes pessoas dão sentido às suas vidas.
Daí, a observação participante essencialmente importante na pesquisa qualitativa por dar a condição de compreender profundamente o fenômeno estudado, tendo em vista
a descrição minuciosa que se faz do comportamento e atividades dos sujeitos, sobretudo o registro de eventos que se realiza no campo da pesquisa. A esse respeito, George Lapassade defende que:
A expressão ‘observação participante’ tende a designar o trabalho de campo no seu conjunto, desde achegada do investigador ao campo da investigação, quando inicia as negociações que lhe darão acesso a ele, até o memento em que o abandona, depois de uma estada longa. Enquanto presentes, os observadores imergirão pesoamente na vida dos locais, partilhando as suas experiências. (LAPASSADE, 1991, apud FINO, 2008, p. 87).
Logo, a investigação qualitativa considera que o mundo natural em estudo seja examinado com ideia de que nele nada é trivial, que tudo tem potencial para compor um cominho que pode nos possibilitar estabelecer uma compreensão mais esclarecedora do objeto do estudo. E, ainda, porque considera relevantes as subjetividades dos pesquisadores e dos pesquisados envolvidos no processo.
Com isso, enfatiza a descrição, a interpretação, indução, a teoria fundamentada e o estudo das percepções pessoais, o que implica tratar as informações recolhidas como relevantes em peculiaridades descritivas relativamente a pessoas, locais e diálogos. Pois, a etnografia consiste numa descrição “profunda”. Quando se examina a cultura com base nesta perspectiva, o etnógrafo depara-se com uma série de interpretações da vida, interpretações do senso comum, que se torna difícil separar uma das outras. Os objetivos do etnógrafo são os de apreender os significados que os membros da cultura têm como dados adquiridos e, posteriormente, apresentar o novo às pessoas exteriores à cultura. O etnógrafo preocupa-se essencialmente com as representações. De acordo com Macedo (2010), o pesquisador ao implicar-se na pesquisa, quanto maior for seu envolvimento com os sujeitos nativos em estudo, maior será sua capacidade de compreender o sentido das interações, principalmente os significados que surgem das relações em sala de aula. Quanto a observação participante, “parece não haver meio de tornear a apreciação subjetiva, decorrendo o seu grau do grau de implicação do investigador” (FINO, 2003, p. 11).
[...], um dispositivo de trabalho, não uma forma particular de observação. [...] o estudo das interações entre os pesquisadores de campo e os atores torna- se, como observação participante, um aspecto de fundamental investigação. A pessoa do pesquisador é, [...], a principal ferramenta de trabalho de campo. (LAPASSADE, 1991, apud FINO, 2003, p. 4).
Porém, a observação participante ativa configura-se como aquisição de estado de aproximação e intimidade nas atividades enquanto membro do grupo, entretanto sendo necessária uma determinada distância do campo em questão, ou seja, “um pé dentro e outro fora”, como pondera Fino (2008). Logo, “[...] quem quiser conhecer um fenômeno não pode consegui-lo sem se pôr em contato com ele, isto é, sem viver (entregar-se à prática) no próprio meio desse fenômeno” (LAPASSADE, 1072, p. 46). Constituindo-se como uma ferramenta eficaz para a aproximação do pesquisador dos sistemas de representação e do campo de estudo, a observação participante destaca- se como uma abordagem que transpõe uma descrição e interpretação fidedigna à etnografia. A esse respeito George Lapassade ressalta que:
[...] a observação participante habilita o investigador a um contato muito estreito e prolongado com a realidade que se propõe estudar, e a circunstância de poder vir a ser adotado pelo grupo social que estuda, como uma espécie de um novo membro, abre-lhe portas para o interior desse grupo onde, a cultura se gera e se partilha. (LAPASSADE, 2008, p. 11).
Contudo, a descrição e interpretação da turma de alfabetização prisional em Igarassu, neste trabalho, utiliza-se da participação ativa naquele cotidiano. Pois, é por meio da participação do pesquisador nas interações dos sujeitos e a partir da ótica dos atores e não da ótica do pesquisador que a descrição e caracterização dos fenômenos sociais se constrói. É, justamente, neste contexto que o pesquisador participante do cotidiano, das interações e das atividades recorrentes no meio escolar como um sujeito membro daquele grupo, porém, não deixando em segundo plano sua intenção no ambiente da pesquisa.