B) Yapılan Kişisel Görüşmeler B.1 Başar Cumbur
B.6. Yaşar Çorbacıoğlu Adınız Soyadınız?
O livro de Números havia começado no primeiro dia do segundo mês do segundo ano da saída do Egito, com o mandato divino de se fazer um recenseamento no deserto de toda comunidade, conforme 1.1. Uma vez realizado e estruturado adequadamente o povo, tudo parecia pronto para a marcha. Porém, antes de fazê-la, abriu-se um parêntesis em que se incluíram alguns textos legais. Esses textos orientavam a manter a pureza do acampamento, conforme capítulos 5-6, e depois tinha se lançado uma olhar para trás, voltando um mês antes, quando teve lugar a consagração
27 WENHAN, Gordon. Números introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008. p.109. Wenhan
afirma que essas trombetas são descritas por Flávio Josefo em Antiguidades III 12.6, e estão desenhadas no arco de Tito em Roma.
23 do santuário, para deixar claro de que tudo estava pronto, tal como YHWH tinha ordenado a Moisés, conforme, 7.1-10. Agora, vinte dias depois da ordem de levar a cabo o censo e uma vez realizado, o povo se põe em marcha.
Enquanto se inicia o caminho para a Terra Prometida, após a longa jornada do Sinai, onde tinham visto a manifestação de YHWH, haviam recebido sua lei e onde tinham se organizado como uma comunidade santa em torno do santuário, começam as rebeliões que iriam marcar a peregrinação pelo deserto.
Começa-se a narrativa de uma série de conflitos que se sucedem, um atrás do outro. O primeiro põe à prova a liderança de Moisés, capítulos 11-12; o seguinte está centrado em torno da rejeição do dom da Terra Prometida, ante às dificuldades que se poderiam encontrar para tomar posse dela, capítulos 13-15. Nas continuações, em seções subsequentes, seguiram-se novas rebeliões. Finalmente, toda a geração, menos Josué e Calebe que haviam saído do Egito, pereceria no deserto antes da chegada à Terra Prometida.
1.6.1 Ordem de marcha – Números 10.11-11.28
Seguindo as instruções de YHWH, o povo se põe em marcha. A nuvem se levanta do Sinai, onde estavam acampados os israelitas. Faltava apenas dez dias para que se completasse um ano (Êx 19.1). Agora, sem demora, o acampamento inicia sua marcha até que a nuvem se detem no deserto de Parã, que está situado aproximadamente na zona central ao norte da península do Sinai, ao sul do Negueve. Era o próprio YHWH quem os guiava para o lugar aonde deveriam ir.
1.6.2 Proposta de Moisés a Hobabe – Números 10.29-32
Este texto apresenta alguns problemas no conjunto da Bíblia. Nele, há a afirmação de que Hobabe era filho de Reuel, o midianita, porém, não fica claro se era o próprio Hobabe, o sogro de Moisés, ou seu pai, que era Reuel. Segundo Êx 2.18-21, Reuel deu sua filha Zípora como esposa a Moisés, pelo que Reuel seria seu sogro. Porém, em Jz 4.11, se diz que Hobabe era sogro de Moisés. Por outra parte, no livro do Êxodo, há referência em várias ocasiões a Jetro, o sogro de Moisés.
24 Inicia-se, por fim, a marcha pelo deserto. A arca28 estava situada na Tenda da Reunião, no meio do acampamento e se previa que sucederia o mesmo, inclusive na marcha, conforme 2.17; 10.21. Porém, agora se diz que “ia adiante deles” (10.33) e, nos episódios seguintes, se sugerirá que ela estava situada fora do acampamento, conforme 11.26; 12.4. Nos textos anteriores, Moisés entrava na Tenda, pois ali escutava a voz que lhe falava desde o alto do propiciatório situado sobre a arca, conforme 7.89, embora, nos textos seguintes,YHWH fala a Moisés na entrada da Tenda, conforme Nm 15.5; e Êx 33.9.
Neste texto, se fala da “arca de a aliança de YHWH” (10.33) (ATI-1) denominação que não se tinha utilizado até agora no Pentateuco, porém, que será frequente em Deuteronômio, nos textos da história deuteronomista e nas passagens paralelas de Crônicas, assim como em Jeremias, conforme Jr 3.16.
O texto finaliza com duas peças poéticas muito primitivas (10.35-36) nelas se alude à chegada ou ao regresso da arca, em um contexto bélico, como símbolo de proteção de YHWH para com seu povo nas batalhas que se apresentam. Essas peças poéticas são aclamações de caráter guerreiro, que formam parte do ritual da arca.
1.6.3 Taberá29 - Números 11.1-3
Esse capítulo e o seguinte estão situados aqui na composição de Números para marcar uma mudança significativa na perspectiva com a qual se vinha falando do povo desde o começo. Até agora, havia se mostrado como uma comunidade bem organizada, em torno do santuário. Por isso, o leitor pode ficar surpreendido com a queixa excessiva de um povo que, até o momento, havia sido descrito em perfeita harmonia consigo mesmo e com YHWH. Agora, começam a desenhar-se contínuas desobediências e rebeliões contra YHWH, conforme capítulos 11-20. Todos os casos são seguidos por
28 EICHRODT, Walther. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2004. p.90. Eichrodt expõe
seu pensamento a respeito da Arca daàsegui teàfo a:à Maisàdeàu aà ezàseàte àdis utidoà ueàaàa aàdeà YHWH represente um santuário da época mosaica, e se tem desejado ver em sua feitura uma imitação de modelos cananeus. Constitui certa dificuldade o fato de que as fontes antigas nada mencionem de sua feitura. De outro lado, o relato tão antigo de Números 10.35s e a indubitável disposição da arca pa aàse àu àsa tu ioàa ula teà osàle a àaàsupo àsuaàexist iaà aà po aàdoàdese to .à
29 BROWN. Raymond E. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Antigo Testamento. São Paulo: Paulus,
2007. p.205. Pa aàB o àa uià ...te osàu à o toàetiol gi oà ueàexpli aàoà o eàTa e à uei a àaoà contar da ira ardente do YHWH que irrompeu aqui. Quanto ao conteúdo, a história pertence a uma série de narrativas que relatam deslealdade ou rebelião contra Deus e Moisés, que ocorreram durante a
25 um castigo, mas logo após, YHWH se compadece e perdoa. Porém, em seguida, o povo volta a cair em suas infidelidades.
1.6.4 Intercessão de Moisés - Números 11.10-15
Diante da murmuração do povo pela comida, tanto YHWH quanto Moisés se desgostaram muito. Moisés lamenta, com pesar, a carga de responsabilidade que YHWH tinha posto sobre seus ombros. O relato acerca das queixas pelo alimento se entrelaça com as questões relativas à função de Moisés. Segue-se o esquema dos relatos de murmurações marcado pelo relato anterior (11.1-3). Depois das queixas do povo e do castigo divino, agora deveria vir a intercessão de Moisés. Porém, a situação é tão penosa, que Moisés, ao invés de interceder por eles, se lamenta da carga que ele deve suportar. O diálogo é narrado de um modo extraordinariamente vivo e forte.
Desse ponto de vista da estruturação literária do relato, a queixa de Moisés diante de YHWH, serve como ponto de união entre a narrativa das rebeliões surgidas pelo alimento e a necessidade que tem Moisés de alguém que lhe ajude na tarefa de carregar o povo.
1.6.5 Resposta de YHWH - Números 11.16-23
YHWH diz a Moisés que o povo deveria se santificar, pois Ele enviaria comida para o povo e eles comeriam carne por um mês inteiro, coisa que Moisés duvidou que pudesse acontecer, conforme 11.18,23.
E, depois dessa narrativa, YHWH envia sobre o acampamento codornizes para que o povo coma, conforme 11.30-32. Brown diz que: “Na tradição mais antiga, a história das cordonizes, baseada em um fenômeno natural visível, na Península do Sinai, era lembrada positivamente, como ilustração da graça de YHWH a favor do seu povo.”30 Completando o capítulo, YHWH pede que Moisés separe setenta anciãos do
meio do povo, que Ele iria repartir sobre esses uma parte do Espírito que se achava em Moisés, conforme 11.16,25.
30 BROWN. Raymond E. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Antigo Testamento. São Paulo: Paulus,
26
1.6.6 Queixa de Miriam e Arão – Números 12.1-16
Agora, a murmuração não procede do povo, mas sim, de dentro da família de Moisés: Miriam, sua irmã, e Arão, seu irmão, conforme Êx 4.14. A causa foi a mulher cusita, que Moisés havia tomado por esposa.
1.6.7 O reconhecimento da terra e o relato dos espias – Números 13.1-14.45
No capítulo 13, é narrada a exploração de Canaã pelos doze espias e a murmuração do povo. Estamos nos aproximando do núcleo central da estrutura narrativa de Números, aonde se explicará o porquê da geração que saiu do Egito ter sido privada de entrar na Terra Prometida. Não seriam eles, mas sim seus filhos quem lograriam, finalmente, tomar posse dela.
Em 14.1-9, narra-se a rebelião que culmina com a pretensão de se eleger outro chefe, ao invés de Moisés, e voltar para o Egito. Aqui, não se trata somente de um levante contra Moisés e Arão, mas é, sobretudo, uma rejeição a YHWH. A reação de Moisés e Arão, que “caíram com rosto em terra” (14.5) não pode ser interpretada como uma rendição devida àquelas queixas do povo, senão uma provável intercessão diante de YHWH, ou mesmo a expressão do terror que sentiram diante da blasfêmia do povo. Conforme Wenhan, “Cair sobre o rosto, no Antigo Testamento, é a expressão mais cabal de adoração e temor religioso”.31
Assim, a cólera de YHWH se manifesta (14.10-19) e Ele deseja exterminar o povo e criar um povo novo por meio de Moisés (14.11-12). E, como antes, Moisés toma a palavra diante de YHWH para interceder em favor do povo (14.13-19). Moisés apresenta argumentos extremamente efetivos, como a defesa da honra de YHWH diante dos demais povos e por Ele ser clemente e misericordioso, como Ele mesmo havia se definido em outras ocasiões, conforme Êx 34.6-7.
Assim, Moisés consegue o perdão e YHWH não extermina todo o povo, mas Moisés não consegue evitar o castigo de YHWH em 14.20-38. YHWH perdoa o povo uma vez mais e não o destrói. Porém, define a diferença entre os que confiam nele, como Calebe e os que, ao contrário, se rebelaram contra Ele até “dez vezes” (14.22) quer dizer completamente e com plena consciência.
31
27 Como resposta diante da murmuração e desânimo do povo, se anuncia o castigo que receberiam, do qual não escaparia ninguém maior de vinte anos. Todos os que foram recenseados no começo do livro, pereceriam no deserto, exceto Calebe e Josué, (14.30).
Os quarenta anos de peregrinação começam a contar desde esse momento e correspondem aos quarenta dias que se levou para explorar a Terra Prometida, dando assim a entender a severidade e, ao mesmo tempo, a proporção do castigo divino (14.32-35). Os primeiros a receberem aquele castigo foram os que, havendo podido contemplar a Terra Prometida dada por YHWH, causaram o desânimo e os protestos do povo, quer dizer, os que havendo experimentado de algum modo o dom de YHWH, não souberam apreciá-lo, senão que o depreciaram e o desacreditou ante o povo (14.36-37).
O povo se arrependeu (14.39-45) mas era demasiadamente tarde. Uma vez mais, desobedeceram a YHWH, desobedecendo também a palavra que Moisés havia dito que ficariam quarenta anos no deserto, até que aquela geração desaparecesse como castigo por sua infidelidade e eles não entrariam na terra. Não se resignaram a essa situação. Sem o aval de YHWH e de Moisés, tentaram invadir a terra de assalto, confiando em suas próprias forças e o resultado veio a confirmar seu grande erro (14.44-45). A geração rebelde que saiu do Egito não entraria na Terra Prometida. Porém, YHWH levaria até lá seus filhos pequenos, aqueles que seus pais temiam perder se tentassem conquistar a terra (14.31).
1.7 Ordens sobre os sacrifícios, poderes dos sacerdotes e dos levitas – Números