4. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA
4.2. Sulama Suyu Miktarları ve Bitki Su Tüketimi Sonuçları
4.2.1. Yağmurlama, karık ve damla sulama yöntemlerinde sulama suyu
Conforme visto nos itens anteriores, a Constituição Federal de 1988 previu o Seguro contra Acidentes de Trabalho, nos termos do disposto em seu artigo 7º, inciso XXVIII, para custear os benefícios concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social aos trabalhadores que viessem a ser acometidos de doenças profissionais e do trabalho ou que viessem a ser vítimas de acidentes do trabalho que implicasse em incapacidade laborativa, nos termos da Lei nº 8.212/91.
Posteriormente, visando ao financiamento das aposentadorias especiais, foi instituído o adicional do SAT, contribuição incidente somente sobre a remuneração do trabalhador exposto a agentes nocivos.
Assim, o custeio do SAT, regulado pela Lei nº 8.212/91, ficou a cargo do empregador, mediante a aplicação de alíquotas diferenciadas sobre a folha de salários, de acordo com o grau de risco acidentário pertinente à atividade econômica preponderantemente desenvolvida pela empresa (1%, 2% ou 3%).
Já o adicional do SAT, previsto no §6º do artigo 57 da Lei nº 8.213/91, ficou estabelecido em 12%, 9% ou 6% sobre a remuneração do trabalhador exposto ao agente nocivo, conforme o período determinado para fins da concessão da aposentadoria especial, sendo que, quanto menor o tempo de exposição permitido, maior a alíquota a ser aplicada pela empresa.
Mais recentemente, a Lei nº 10.666/2003, no intuito de tornar ainda mais estreito o vínculo entre o Seguro contra Acidentes do Trabalho e o risco ambiental efetivamente experimentado pelos trabalhadores durante o desenvolvimento de sua atividade, introduziu a possibilidade de redução e de aumento da alíquota do SAT de acordo com o desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica.
Assim sendo, o artigo 10 da referida lei dispôs que:
A alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até cinquenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento, conforme dispuser o regulamento, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de frequência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social.
Diferentemente do SAT, que define uma alíquota para toda a categoria econômica conforme o grau de risco da atividade desempenhada, sem que o ambiente individual de cada empresa interfira na definição do valor da contribuição previdenciária, surge a possibilidade de gradação das alíquotas pré-estabelecidas, valorizando os ambientes de trabalho saudáveis e exigindo maior contribuição das empresas que agravam o risco de acidentes e doenças.
Era evidente que o SAT, na forma como foi instituído, criava distorções por deixar de avaliar individualmente cada empresa contribuinte. Desse modo, não importava o número efetivo de acidentes ou doenças do trabalho ocorridas no ambiente de uma empresa. Todas aquelas que ocupavam certa atividade teriam o mesmo tratamento previdenciário, mediante a aplicação de idêntica alíquota sobre a folha de salários para definição do valor da contribuição direcionada ao SAT.
Nesse sentido, a possiblidade de gradação das alíquotas, conforme critérios individuais, veio atender ainda mais o disposto no § 9º do artigo 195 da Constituição Federal, que prevê a possibilidade de alíquotas diferenciadas conforme as atividades desempenhadas, cumprindo, portanto, o idealizado pelo princípio da equidade na participação do custeio, isto é, a justiça contributiva de que quem causa mais risco, contribui mais.
Assim sendo, para efetivar a graduação das alíquotas, conforme dados individualizados de cada empresa, foi criado o Fator Acidentário de Prevenção - FAP. Trata- se de um coeficiente obtido por meio de cálculos compostos pelos índices de frequência, gravidade e custo dos acidentes de trabalho de cada empresa, bem como a partir da comparação entre os resultados obtidos por cada empresa de uma mesma categoria econômica, conforme será mais bem detalhado adiante. O coeficiente obtido será aplicado à alíquota original do SAT, que poderá ser reduzida pela metade ou aumentada até o dobro.
Ou em outras palavras,
Tal índice se destina a aferir o desempenho específico da empresa em relação aos acidentes de trabalho, a fim de permitir que a sua contribuição seja graduada de forma específica frente às devidas pelas demais empresas do segmento econômico em que atua. Quando mais frequentes, graves e onerosos sejam os acidentes de trabalho, tanto maior será a contribuição. O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,50) a dois inteiros (2,00), que se aplica às alíquotas básicas do SAT, tal como previsto no §1º do art. 202-A. (VELLOSO, 2013, p. 139)
Apesar de o instituto ser instituído em 2003, a primeira regulamentação do FAP ocorreu apenas em 2007, com a edição do Decreto nº 6.042, que incluiu ao Regulamento da
Previdência Social o artigo 202-A, trazendo a disposição sobre a forma de cálculo para obtenção do índice individual. No entanto, antes mesmo de ser aplicado, tal dispositivo foi modificado pelo Decreto nº 6.957/2009, que estabeleceu a forma que realmente foi colocada em prática, tal como permanece atualmente.
Assim sendo, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do artigo 202-A do Regulamento da Previdência Social, Decreto nº 3.048/1999,
O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. [sendo que] Para fins da redução ou majoração a que se refere o caput, proceder-se-á à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente. Ou seja, primeiramente são analisados os dados individuais de cada empresa, de forma que são valorados os acidentes de trabalhos e doenças profissionais ocorridos durante certo período conforme sua gravidade, frequência e custo. Assim, quanto mais graves, mais frequentes e mais custosos para a Previdência Social, pior a avaliação individual da empresa.
Após essa avaliação individual, todas as empresas de uma mesma categoria são comparadas entre elas, para que seja criado um ranking. Dessa forma, a empresa melhor avaliada alcança a primeira posição; a empresa com a pior avaliação passa a ocupar a última posição.
A partir daí, será feita a variação do FAP que, de forma simplificada, atribui a aquela que fica mais bem colocada em relação às demais o fator mais baixo (0,50); e a pior colocada, o fator mais alto (2,00). É feita, assim, a gradação entre as posições intermediárias. Ou seja, a variação do fator atribuído a cada empresa ocorrerá em função do desempenho individual frente às demais da mesma categoria econômica.
Paralelamente à edição do referido regulamento, a metodologia detalhada da apuração do FAP foi estabelecida pelo Conselho Nacional de Previdência Social – CNPS, por meio das Resoluções nº 1.308 e nº 1.309, de maio e junho de 2009, respectivamente.
Vale lembrar que essa possibilidade de gradação da alíquota do SAT não é nova, haja vista que foi prevista tanto pela Lei nº 5.316/1967 e Lei nº 7.787/1989. No entanto, em ambos os casos a sistemática implementada não perdurou. Quanto à nova forma, evidencia-se que os
cálculos e elementos se apresentam de forma mais minuciosa e complexa, possibilitando um grau maior de detalhamento.
Como bem esquematiza Andrei Pitten Velloso, "o FAP é composto, portanto, por três categorias de elementos: (i) os índices parciais (gravidade, frequência e custo); (ii) os percentis de cada índice; e (iii) os pesos de cada percentil." (VELLOSO, 2013, p. 140). O mais relevante, nesse estudo, é entender quais elementos compõem o cálculo, a fim de se verificar quais dados são importantes para reduzir ou majorar a alíquota de uma empresa, por revelar um maior investimento em prevenção de acidentes de trabalho.
Assim sendo, para o cálculo dos índices parciais, devem ser levados em conta a frequência, apurada conforme os registros de acidentes e doenças do trabalho, a gravidade, identificada pelo benefício acidentário concedido em razão do acidente ou doença (sendo mais grave a pensão por morte, menos grave os auxílio-doença e auxílio-acidente e intermediária a aposentadoria por invalidez), e, por fim, o custo, relacionado ao valor dos benefícios concedidos e sua duração.
Todos esses dados são considerados durante um determinado período de tempo, sendo que a primeira vez que foi implementado, em 2010, foram considerados para o cálculo do FAP os dados do período de abril de 2007 a dezembro de 2008; nos anos subsequentes, os dados de janeiro a dezembro de cada ano, completando sempre o período de dois anos. Dessa forma, há constante renovação dos dados.
Em seguida, necessário identificar os percentis de cada índice, conforme explica Velloso:
"Percentil é um termo oriundo da estatística. Denota intervalo limitado por dois percentis consecutivos. É utilizado na estatística a fim de ordenar elementos determinados. Para defini-lo, arranjam-se os dados em ordem crescente e encontra-se o valor pretendido. [...] Melhor, portanto, é pensar em "percentil de ordem". (VELLOSO, 2013, p. 140)
Para cada índice parcial (frequência, gravidade e custo) haverá um percentil de ordem que determinará, portanto, a ordem das empresas dentro de um ranking para cada uma das categorias.
Em seguida, será criado um índice composto, atribuindo a ponderação, isto é, o peso, aos percentis de ordem, conforme determinação do § 2º do artigo 202-A - 50% para a gravidade, 35% para a frequência e 15% para o custo.
Percebe-se, conforme o peso atribuído pelo Regulamento da Previdência Social, quais dados foram considerados mais relevantes - no caso, aqueles relacionados à gravidade
(as espécies de benefícios concedidos) - e quais os dados menos importantes - o custo (valor dos benefícios e tempo de duração). Assim sendo, "os pesos atribuídos evidenciam que o FAP confere maior relevância à saúde dos trabalhadores que ao custo dos benefícios [...]." (VELLOSO, 2013, p. 141). Aqui não nos interessa detalhar como são desenvolvidos os complexos cálculos realizados pelo Conselho Nacional da Previdência Social, nos termos da metodologia definida nas Resoluções nº 1.308 e nº 1.309 de 2009, mas, como já dito, tão somente identificar a composição do fator, verificando quais são as informações relevantes para se classificar as empresas dentro da categoria econômica.
Além disso, é necessário pontuar que, por se tratar o FAP de um índice multiplicador, inferior a 1,00, haverá benefício para empresa, uma vez que sua alíquota original (de 1%, 2% ou 3%) será reduzida. Por outro lado, com o FAP superior a 1,00, haverá o aumento da alíquota original, aumentando, consequentemente, a contribuição a ser paga pela empresa.
Assim, após a atribuição do peso aos percentis de ordem, os produtos são somados e multiplicados por um coeficiente que, finalmente, atribuirá o valor numérico do FAP. Importa-nos saber, no entanto, que o resultado final nem sempre será o valor efetivo do FAP, em razão da necessidade de se fazer certos ajustes, em determinadas situações em que o valor numérico não pode ser aplicado (chamadas de regras de interpolação).
A primeira situação que necessita de ajuste é a do resultado inferior a 0,500. Como se sabe, o FAP, por definição legal, só pode variar de 0,5 a 2,0, razão pela qual todos os índices inferiores a esse intervalo devem ser ajustados a 0,5.
Ademais, o sistema prevê como regra de ajuste a possibilidade de fixação de um FAP neutro (igual a 1,00), quando em determinada categoria de atividade econômica houver cinco ou menos empresas. Entende-se, dessa forma, que a classificação fica prejudicada nesses casos.
Ainda, existe um sistema chamado de "trava de bonificação", utilizado quando se considera que determinada empresa não pode se beneficiar com a redução da alíquota do SAT. Isso ocorre quando a empresa apresenta casos de morte ou de invalidez permanente, considerados tão graves pela previdência social, a ponto de esses casos impossibilitarem que seja atribuído FAP inferior a 1 (, portanto, beneficiando-a) de forma que o valor obtido será sempre reajustado para 1,00 caso seja inferior a isso.
Outra situação prevista no Regulamento da Previdência Social, ocorre quando o FAP fica no intervalo cuja multiplicação resulta no aumento da alíquota (FAP maior que 1,00). Nesse caso, para todas as empresas, há, automaticamente, uma redução de 25% do valor do
índice composto que supere a unidade, com o objetivo de neutralizar o aumento da alíquota. Porém, para as empresas que têm casos de morte ou invalidez não é aplicada essa atenuação do índice, na mesma linha de raciocínio da situação anterior.
Finalizando as possibilidades de utilização de travas de bonificação, existe ainda a análise da taxa de rotatividade. Trata-se de uma média aritmética que considera, no período de dois anos, o número de admissões ou de rescisões (o que for menor) sobre o número de vínculos na empresa no início do período, com o objetivo de penalizar as empresas que têm alta taxa de rotatividade. Nos termos das resoluções, a ideia é evitar que as empresas que mantêm por mais tempo os seus empregados sejam prejudicadas ao assumirem toda a acidentalidade. Assim sendo, quando a taxa de rotatividade for superior a 75%, também não haverá a bonificação, de forma que o FAP não poderá ser inferior a 1,00.
Diante disso, atendo-se à regra geral, depreende-se que quanto maior o número de acidentes e doenças do trabalho, a quantidade de benefícios acidentários concedidos, e o valor e duração desses benefícios, maior será o FAP atribuído à empresa e, consequentemente, a alíquota do SAT da empresa.
Além disso, os critérios que impedem que a empresa seja beneficiada revelam o objetivo de demonstrar e ressaltar a gravidade das concessões de pensão por morte e aposentadoria por invalidez, bem como desestimular a alta rotatividade de empregados nas empresas.
Sem adentrar às críticas feitas à metodologia do FAP, que, como qualquer ranking por critérios pré-definidos pode criar distorções, certo é que os elementos considerados para sua composição revelam a intenção de incentivar boas práticas tendentes à melhoria da qualidade do ambiente de trabalho.
Nesse aspecto, é importante mencionar que grande parte das empresas recorreu ao Poder Judiciário para discutir a metodologia do FAP, questionando os cálculos utilizados, as travas de bonificação, as presunções relativas de acidente, os acidentes de trajeto, entre outros elementos que podem ser debatidos em momento oportuno e são de extrema relevância.
Apenas para exemplificar, tem-se como questionável a inclusão dos acidentes de trajeto (acidente in itinere) no cálculo do FAP. Fica evidente que não há qualquer discussão acerca de sua natureza que, legal e indiscutivelmente, é de acidente de trabalho. Contudo, por não ocorrer dentro do ambiente da empresa e, portanto, estar fora do controle dos riscos feito pelo empregador e do alcance das medidas de prevenção adotadas, não deveria ser considerado para agravar o cálculo do FAP da empresa, onerando-a indevidamente pela falta de ingerência da empresa em relação ao ambiente externo.
O que nos parece é que, independentemente das críticas e dos reparos necessários ao aperfeiçoamento da metodologia do instituto, a sua finalidade permanece preservada, qual seja: incentivar as melhorias no ambiente de trabalho, revelando a grande preocupação com a prevenção.
Nesse aspecto, até mesmo os doutrinadores que persistentemente criticam a metodologia do FAP, concordam que "a finalidade [do FAP] é das mais louváveis e legítimas. Resta aferir se os meios usados para alcançá-la também o são." (VELLOSO, 2013, p. 150).
Por outro lado, pondera Fábio Zambitte Ibrahim:
A ampliação do debate é sempre salutar, e eventuais críticas à metodologia de cálculo certamente devem ser apreciadas. Sem embargo, é de bom alvitre lembrar que a sistemática de cálculo do FAP nunca será ideal, devido à complexidade das situações envolvidas e diversidade das variáveis utilizadas. Em situações de tamanha abrangência, o certo é verificar a adaptabilidade das regras à maioria das hipóteses e, mais importante, a razoabilidade de sua regulamentação especialmente dentro de critérios de adequação, necessidade e proporcionalidade. Vincular a validade do FAP a uma perfeita conformação à realidade laboral é condená-lo ao fracasso. (IBRAHIM, 2010, p. 283)
Considerando que o FAP passou a ser efetivamente aplicado somente em 2010, podemos afirmar que ainda estamos percorrendo uma fase de implementação do instituto, cujos resultados e eventuais distorções poderão ser mais bem avaliados em um momento posterior.
Cumpre-nos, portanto, neste momento em que está em voga toda e qualquer discussão relacionada ao FAP, analisar se os elementos para sua apuração refletem, de fato, a preocupação com a melhoria das condições de trabalho e da saúde do trabalhador, com o objetivo de reduzir os acidentes e doenças do trabalho.
Como visto, o primeiro dado considerado pelo FAP são os números de acidentes e doenças do trabalho que são utilizados para o cálculo da frequência. Para tanto, são considerados "os registros de acidentes e doenças do trabalho, informados ao INSS por meio de Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT e de benefícios acidentários estabelecidos por nexos técnicos pela perícia médica do INSS, ainda que sem CAT a eles vinculados.", conforme dispõe o Regulamento da Previdência Social.
De acordo com Wladimir Novaes Martinez, a Comunicação de Acidente do Trabalho é
[...] é uma notícia obrigatória a que está sujeita o empregador informando a superveniência de um acidente do trabalho. Formalmente, não é ainda admissão de culpa nem assunção de responsabilidade civil ou penal, mas
procedimento vinculado em face do evento danoso para o trabalhador e forte indício daquela responsabilidade. (MARTINEZ, 2008, p. 36).
A obrigação de comunicar o acidente de trabalho aos órgãos públicos está prevista no artigo 22, da Lei nº 8.213/91, que determina que "a empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa [...]". Vale lembrar, ainda, que caso a empresa não realize a comunicação, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública.
A CAT, portanto, é a comunicação oficial e obrigatória da ocorrência de um acidente de trabalho pela empresa à previdência social. É a forma pela qual a previdência social tem ciência do acidente, permitindo o mapeamento de sinistros no ambiente de trabalho. Contudo, de acordo com Martinez (2008, p.36), por representar uma possível confissão jurídica de culpa, é comumente evitada pelas empresas, de forma que há questões complexas envolvendo a sonegação dessas informações. Como se sabe, há diversas consequências que decorrem do reconhecimento do acidente do trabalho, as quais tentam ser evitadas pelas empresas com a ausência da comunicação (tal como o reconhecimento de estabilidade do empregado e, atualmente, a inclusão do dado no cálculo do FAP, entre outras).
A questão complexa da sonegação de informações envolve o aspecto cultural da relação entre a empresa e os órgãos públicos e o aspecto pejorativo dado ao acidente de trabalho, devendo ser combatida com fiscalização comprometida e programas educacionais, assunto que merece um debate aprofundado.
Assim, em que pese à sonegação de informações, é evidente que a CAT é o documento mais legítimo para se considerar quando se busca informações sobre determinados acidentes de trabalho ocorridos na empresa, uma vez que se trata do documento oficial e obrigatório exigido por lei. Andou bem a regulamentação do FAP, portanto, ao considerar o número de acidentes de trabalho conforme o número de CATs emitidas.
Por outro lado, como a previdência social não pode depender somente dos comunicados das empresas para ter acesso às informações sobre acidentes de trabalho, foram desenvolvidos outros sistemas de identificação e controle.
Como visto, a regulamentação do FAP considera, além dos acidentes informados por meio de CAT, os "benefícios acidentários estabelecidos por nexos técnicos pela perícia médica do INSS". Trata-se da figura do Nexo Técnico Epidemiológico - NTEP, adotado pela
previdência social praticamente em substituição ao tradicional nexo causal, para caracterização do acidente do trabalho, da doença profissional e da doença do trabalho.
Atualmente, além da clássica definição de acidente do trabalho prevista no artigo 1936 da Lei nº 8.213/91 e as hipóteses que a ele se equiparam, elencadas no artigo 21 do mesmo diploma, a Lei nº 11.430/06 introduziu o artigo 21-A37 à Lei nº 8.213/91, adotando o NTEP para identificar a ocorrência de acidente ou doença do trabalho.
Em suma, trata-se de regra que permite a identificação, de forma direta e simplificada, da relação entre o acidente ou doença com o trabalho desempenhado pelo trabalhador, porém sem que haja a presunção isolada de nexo causal, uma vez que permite o exercício da ampla defesa pelas empresas, que podem demonstrar se há ou não, de fato, essa relação presumidamente identificada.
Wladimir Novaes Martinez nos apresenta o conceito do nexo epidemiológico nos seguintes termos:
Do ponto de vista jurídico, ele é uma relação legalmente presumida entre