A primeira contribuição a que se refere a Constituição Federal é aquela a cargo do empregador, que pode incidir sobre três bases de cálculo, em respeito ao princípio da diversidade de bases, nos termos do inciso I do artigo 195.
A primeira das bases previstas pela Constituição é a folha de pagamento, sob a qual incide a contribuição a cargo do empregador. Trata-se de típica contribuição da previdência social, uma vez que desde a Lei de Bismarck é adotado o sistema contributivo a cargo do empregador em favor de seus empregados. Para Ibrahim (2010, p.97), "os empregadores
fomento.§ 3º - O Poder Executivo publicará, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatório resumido da execução orçamentária.§ 4º - Os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional.§ 5º - A lei orçamentária anual compreenderá: I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.§ 6º - O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia.§ 7º - Os orçamentos previstos no § 5º, I e II, deste artigo, compatibilizados com o plano plurianual, terão entre suas funções a de reduzir desigualdades inter- regionais, segundo critério populacional.§ 8º - A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei.§ 9º - Cabe à lei complementar: I - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual; II - estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta bem como condições para a instituição e funcionamento de fundos.
funcionam como uma espécie de patrocinadores dos benefícios pagos a seus empregados e dependentes." (IBRAHIM, 2010, p.97)
Verifica-se, com essa imposição constitucional, a mencionada solidariedade forçada, uma vez que o empregador, mesmo sem obter qualquer vantagem direta, é obrigado a contribuir para o sistema, com o objetivo de permitir a assistência da classe empregada.
Além disso, importante ressaltar que o referido inciso foi alterado pela Emenda Constitucional nº 20/1998, que inseriu no texto a figura da empresa e da entidade a ela equiparada, haja vista que anteriormente constava somente a expressão “empregador”. Tal alteração teve a nítida intenção de ampliar a base de incidência da contribuição, pois aumentou a sua possibilidade de cobrança.
Em relação à incidência, de acordo com a Constituição, ela poderá, de acordo com Ionas Deda Gonçalves, ocorrer sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. A contribuição sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, Prossegue ainda o autor afirmando que “foi inicialmente prevista no texto constitucional com redação diversa, mais restritiva, pois havia apenas a previsão de contribuição devida pelos empregadores, incidente apenas sobre a folha de salários” (GONÇALVES, 2008, p.24).
Antes da referida alteração, entendeu o STF18 que a expressão “folha de salários” deveria ser entendida de modo restrito, de forma que a somente se referia aos valores percebidos pelos empregados.
Com a redação ampliada, houve a possibilidade de criação das contribuições incidentes sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício” por meio de lei ordinária.
Esta contribuição está regulamentada basicamente pela Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre o Plano de Organização e Custeio da Seguridade Social, principalmente em seu artigo 2219.
18ADIn nº 1.102/DF, Relator Ministro Maurício Correa.
19 Art. 22 – A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:
I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. II - para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de
Conforme se verá adiante, a contribuição sobre a folha de salários é a que será vertida especialmente para fazer frente ao pagamento dos benefícios da Previdência Social e, por essa razão, estará intrinsicamente relacionada ao trabalho e ao meio ambiente do trabalho.
A Constituição Federal também prevê a contribuição social incidente sobre a receita ou o faturamento que, tal como configurada atualmente, foi instituída pela Lei Complementar nº 70/91, e é denominada de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, tendo como hipótese de incidência a realização de operações pela empresa que resultem no ingresso de receitas de qualquer natureza.
Acerca da base de cálculo da referida contribuição, comenta Ionas Deda Gonçalves: A base de cálculo é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; ou seja, para efeito da incidência da COFINS, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações por conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (GONÇALVES, 2008, p.25)
Por fim, como contribuição a cargo da empresa, a Constituição Federal prevê a contribuição social incidente sobre o lucro, denominada de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, a qual foi instituída pela Lei nº 7.689/88.
A referida contribuição tem como fato gerador o ato de auferir lucro líquido e como base de cálculo o valor do resultado do exercício (lucro contábil), os quais coincidem com a estrutura do Imposto sobre a Renda.
Tal circunstância levou ao questionamento da constitucionalidade dessa exação perante o Poder Judiciário. No entanto, em razão de o fato tratar-se de incidência dupla criada pelo próprio constituinte originário, o STF decidiu pela constitucionalidade da CSLL.20
Quando as contribuições incidentes sobre a folha de salários são destinadas para o custeio dos benefícios da previdência social, as contribuições sobre a receita e o faturamento e sobre o lucro são vertidas para todo o sistema de seguridade social.
incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; IV - quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.