• Sonuç bulunamadı

2. GENEL BİLGİLER

2.3. Prolaktin Hormonu

2.3.3. Prolaktin hormonunun vücuttaki işlevler

2.3.3.3. Yağ dokusu üzerine etkis

Esta seção objetiva prover um background para a pesquisa de tese. Como a pesquisa proposta trata de uma indústria intensiva em recursos naturais, é pertinente apresentar como a indústria de bioetanol se posiciona frente ao debate da importância das indústrias de recursos naturais para o desenvolvimento econômico, industrial e tecnológico.

Há uma vasta literatura que analisa o papel das indústrias de recursos naturais no desempenho econômico, industrial e tecnológico de países com uma perspectiva macroeconômica. De um lado, algumas perspectivas, como a da doença Holandesa e a da maldição dos recursos (MATSUYAMA, 1992; GYLFASON, 2001; SACHS; WARNER, 1995, 2001; LARSEN, 2005, 2006) argumentam que países com abundância em recursos naturais e que exploram lucros no setor primário induzem a um fluxo de recursos para esse setor e o de serviços, o que afeta negativamente o desenvolvimento do setor manufatureiro, e as exportações podem levar a um aumento nos custos de produção. De outro lado, a perspectiva da bênção dos recursos tem uma visão mais favorável com relação ao papel dos recursos naturais para o desenvolvimento.

Autores como Maddison (1994) e Stijns (2005) advogam que as conclusões de Sachs e Warner estão distorcidas e que a proposição não é suportada. Stevens (2003), Walker e Jourdan (2003), Smith (2007) e Fagerberg, Mowery e Verspagen (2009) apresentam evidências de que alguns países receberam uma bênção e conseguiram alavancar seu progresso econômico e tecnológico por meio dos recursos naturais. Contudo, por mais que essas abordagens tenham o mérito de debater o papel dos recursos naturais para o desenvolvimento econômico e industrial de países, existem limitações. Esses autores realizam exames em um nível macroeconômico que não corresponde ao foco de análise desta pesquisa. As conclusões e generalizações desses estudos são baseadas em estudos agregados e não examinam evidências em nível setorial. Por isso, não serão analisados de forma aprofundada nesta pesquisa.

Nos últimos vinte anos, com foco no contexto latino-americano, um grupo de economistas associados à Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), preocupados com o pobre desempenho da economia de países latino-americanos após as reformas dos anos 1990, adota uma postura negativa com relação à especialização em recursos naturais desses países. Essa corrente de pensamento resgata os argumentos e postulados de Prebisch (1959) e Hirschman (1958) da década de 1950 de restrição de oferta e demanda, declínio dos termos de troca e conexões limitadas (externalidades) com o resto da economia.

Após as mudanças institucionais da década de 1990 (abertura de mercado e abandono da política de substituição de importações), a América Latina modificou seu padrão de especialização produtivo em direção a vantagens comparativas naturais e empresas intensivas em capital (ex.: maquilaria e processamento de recursos naturais) (KATZ, 2000; KATZ; STUMPO, 2001). É argumentado que essas indústrias são especializadas em commodities padronizadas e têm baixo valor doméstico adicionado (CASTALDI et al., 2009). Alguns estudos argumentam que essas reformas levaram países como Argentina, Chile e Brasil para uma “armadilha de baixo desenvolvimento” e “production structure lock-in” com consequências negativas para o desenvolvimento tecnológico e industrial (KATZ, 2000; OCAMPO, 2001; CEPAL, 2012).

Também é advogado que as empresas latino-americanas não têm até agora demonstrado interesse significativo para se envolverem em esforços de geração de tecnologia, em atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e colaborações com universidades, laboratórios, centros de pesquisa ou empresas intensivas em conhecimento (KATZ, 2007; CASTALDI et al., 2009). As atividades intensivas em recursos e em capital são tipicamente caracterizadas por um baixo conteúdo

tecnológico e poucas possibilidades de aprendizagem: “The end result is a widening dualism whereby an increasing share of the whole economy is composed of activities typically characterized by a low knowledge content and low opportunities for technological and organizational learning.” (CASTALDI et al., 2009, p. 64-65). Alguns estudos argumentam que os setores de alta complexidade tecnológica sejam a “resposta” para os problemas de desenvolvimento na América Latina (FERRAZ; KUPFER; IOOTTY, 2004; OCAMPO, 2004). Cimoli, Dosi e Stiglitz (2009, p. 556) argumentam que “[…] manufacturing and other increasing return activities such as knowledge-intensive services are at the core of technological learning […] Production activities in natural resources are typically capital-intensive with a reduced demand for skilled labour.” Portanto, esses estudos, de forma conjunta com estudos sobre classificação industrial da OECD (2011), tendem a associar indústrias relacionadas a recursos naturais a empresas low-tech. Ou seja, a inovação está alocada em grande parte em indústrias high-tech.

Dessa forma, as contribuições e insights da literatura dedicada ao exame da importância das empresas LMT podem servir de inspiração para compreendermos o papel das indústrias processadoras de recursos naturais na criação de desenvolvimento tecnológico. Esses estudos criticam as generalizações negativas sobre o desempenho inovativo de empresas e indústrias de LMT e apresentam evidências de que há consideráveis capacidades de inovação nesse tipo particular de organização e/ou setor. As indústrias de LMT usam de forma sistemática elementos de conhecimento organizacional distribuídos, em que a inovação é, em grande parte, o resultado de processos de busca, transformação e configuração do conhecimento interno e externo, componentes e tecnologias largamente conhecidos e desenvolvidos em outros lugares (VON TUNZELMANN; ACHA, 2004; SMITH, 2004; HIRSCH-KREINSEN; JACOBSON; ROBERTSON, 2006; HIRSCH-KREINSEN, 2008; HIRSCH-KREINSEN; HAHN; JACOBSON, 2008; ROBERTSON; SMITH, 2008; ROBERTSON; SMITH; VON TUNZELMANN, 2009).

Em suma, algumas considerações podem ser realizadas com relação a esses estudos: (i) alguns estudos tendem a generalizar setores, países e até mesmo a América Latina como um todo, tendo como foco análises macro e/ou setoriais. Os estudos não examinam a evolução temporal em nível de empresas e indústria, negligenciando atividades e fenômenos que escapam a esse tipo de metodologia de análise (KATZ, 2000; KATZ; STUMPO, 2001); (ii) alguns estudos argumentam que indústrias de recursos naturais são caracterizadas por um baixo conteúdo tecnológico e por poucas possibilidades de aprendizagem tecnológica (KATZ, 2007;

CASTALDI et al., 2009); (iii) alguns estudos ignoram os avanços tecnológicos necessários para que indústrias processadoras de recursos naturais sejam competitivas no mercado internacional, reduzindo o seu fator de sucesso somente a preço (FERRAZ; SOUZA; KUPFER, 2010); (iv) alguns estudos argumentam que as possibilidades de desenvolvimento são atingidas principalmente (ou somente) por meio da indústria manufatureira e de alta tecnologia (FERRAZ; KUPFER; IOOTTY, 2004; OCAMPO, 2004; CIMOLI; DOSI; STIGLITZ, 2009, OECD, 2011); e (v) há a necessidade de compreender-se o processo de inovação em indústrias de LMT de forma mais abrangente, focando os processos de criação e difusão de tecnologia entre diferentes atores e indústrias.

Logo, uma vez que, primeiro, há uma crescente importância dos recursos naturais na economia global e a importância dessas atividades para economias emergentes – por exemplo, as indústrias intensivas em recursos naturais respondem por pelo menos metade das exportações de mais de 2/3 das economias em desenvolvimento (WTO, 2010); segundo, vários estudos recentes têm chamado a atenção para as particularidades das indústrias intensivas em recursos naturais, tanto em economias avançadas (SMITH, 2007; VILLE; WICKEN, 2013) quanto em economias em desenvolvimento (DANTAS, 2011; IIZUKA; KATZ, 2011, MORRIS; KAPLINSKY; KAPLAN, 2012; KAPLINSKY et al., 2012); terceiro, o Brasil, mesmo com uma indústria bastante diversificada, possui parte relevante do seu PIB relacionado a indústrias intensivas em recursos naturais; e quarto, uma importante característica que emerge de estudos existentes são as especificidades das condições agrícolas e edafoclimáticas que variam de país para país, há o impedimento de uma mera replicação tecnológica e consequentemente seguir o trajeto da imitação duplicativa à criativa. Ou seja, a exploração de recursos naturais cada vez mais se torna science-based e menos intensiva em escala (MAZZOLENI; NELSON, 2007; FIGUEIREDO, 2010). Entretanto, mesmo assim ainda pouco se sabe sobre esse tipo de indústria.

Portanto, a ênfase em indústrias intensivas em recursos naturais torna-se atual e relevante, proporcionando a emergência de alguns questionamentos: para um país como o Brasil, o caminho para o desenvolvimento tecnológico e econômico deve negligenciar sua riqueza em recursos naturais? É possível para um país como o Brasil, com uma indústria diversificada, atingir o desenvolvimento tecnológico e econômico a partir de indústrias intensivas em recursos naturais? Até que ponto é possível realizar um catch-up tecnológico com base em indústrias relacionadas a recursos naturais? Até que ponto é preciso trazer uma perspectiva diferente sobre trajetórias tecnológicas baseadas primordialmente no desenvolvimento de indústrias

manufatureiras? A acumulação de capacidades tecnológicas não serviria como uma saída e/ou abriria uma oportunidade para vencer as limitações atribuídas às indústrias de recursos naturais e sua (dita) característica de baixo conteúdo tecnológico e limitada possibilidades de aprendizagem tecnológica? Contudo, as abordagens aqui revistas não são conclusivas quanto ao papel da acumulação de capacidade tecnológica como solução/saída para essas limitações. Portanto, como dito em Bell e Pavitt (1993), o processo de catch-up tecnológico depende em primeiro lugar da acumulação e capacidades tecnológicas em nível de empresas. Ou seja, as firmas são elementos fundamentais no processo de catch-up tecnológico. Justifica-se, desse modo, uma análise que aborde o processo de acumulação de capacidades tecnológicas em setores relacionados a recursos naturais em empresas latecomers, ainda que na indústria intensiva em recursos naturais as empresas realizem suas atividades inovadoras em parceria com outras organizações. Logo, é fundamental conhecer se tem havido progresso na literatura de acumulação de capacidades tecnológicas em nível de firma, especialmente no contexto de economias emergentes.

2.3 Acumulação de Capacidades Tecnológicas e Aprendizagem Tecnológica em Nível de