2. GENEL BİLGİLER
2.3. Prolaktin Hormonu
2.4.2. Obezitenin etiyolojis
O interesse sobre como as empresas latecomers realizam seu mecanismo de aprendizagem tecnológica para aumentar sua competitividade teve seu início em conjunto com as pesquisas sobre trajetória de acumulação de capacidade tecnológica em empresas de economias emergentes. Bell e Figueiredo (2012a) argumentam que uma equipe coordenada por Jorge Katz
na década de 1970 foi quem iniciou o primeiro programa de pesquisa que investigou o tema de forma sistemática. Katz (1976, 1987), Bell, Scott-Kemmis e Satyarakwit (1982) e Lall (1987) analisam a “nature and dynamics of the various learning mechanisms by which firms built up – or failed to build up – their innovative technological capabilities over time.” (BELL; FIGUEIREDO, 2012a, p. 15). Na década de 1980, Bell, Scott-Kemmis e Satyarakwit (1982) conduziram um dos primeiros trabalhos a realizar uma análise minuciosa, em uma empresa latecomer, dos efeitos de uma atitude passiva de aprendizagem em sua competitividade. Scott- Kemmis (1988) (apud FIGUEIREDO, 2003) estudou o setor de celulose brasileiro e verificou que alguns mecanismos de aprendizagem tiveram importância crucial para a criação de capacidades tecnológicas.
Com a emergência dos países pertencentes aos “tigres asiáticos” e a partir da década de 1990, alguns autores se inspiraram nas contribuições da literatura de aprendizagem de empresas de economias avançadas2. Hobday (1995) desenvolveu uma estrutura analítica para o
entendimento do papel da aprendizagem tecnológica no processo de catching-up tecnológico de empresas eletrônicas do leste asiático. Todavia, sua análise se torna limitada para uma generalização para empresas de outros setores (ex.: recursos naturais). Kim (1997a, 1998) argumenta sobre a importância da sinergia entre a aprendizagem tecnológica interna e externa da organização, porém não comenta sobre o grau de importância de cada tipo de aprendizagem e como isso se modifica ao longo do tempo.
Sobre os problemas associados com o desnivelamento da profundidade de conhecimento entre campos tecnológicos e entre unidades organizacionais, e a consequente acumulação de capacidade tecnológica truncada, Dutrénit (2000) avança o entendimento sobre os efeitos negativos da aprendizagem – em consonância com o trabalho de Bell et al. (1982) e debatendo com relação aos trabalhos de Kim (1997a, 1998). Figueiredo (2001) se difere consideravelmente dos estudos de Kim (1997a, 1998) e Dutrénit (2000) por não se basear em estudos de caso individuais. Figueiredo (2001) realiza uma análise comparativa e apresenta evidências da importância da aprendizagem tecnológica para explicar diferenças de acumulação de capacidades tecnológicas e o desempenho competitivo entre empresas do mesmo setor. Figueiredo (2003, p. 261) analisa a trajetória de acumulação de capacidades tecnológicas de duas empresas siderúrgicas brasileiras, e encontra evidências de que diferenças da velocidade e
da profundidade de acumulação de capacidades tecnológicas têm estreita relação com o “modo que os mecanismos de aprendizagem tecnológica funcionam ao longo do tempo.”
Tacla (2002) e Tacla e Figueiredo (2006) realizam um estudo com a mesma base conceitual de Figueiredo (2001) e encontram evidências da influência dos mecanismos de aprendizagem na melhoria do nível de capacidade tecnológica de uma empresa de bens de capital. Esses achados são similares aos encontrados por Hansen e Ockwell (2014), que examinaram o papel dos mecanismos de aprendizagem no processo de acumulação de capacidades tecnológicas em oito empresas de equipamentos da Malásia. Avançando a compreensão sobre o papel da aprendizagem tecnológica e do desenvolvimento organizacional para a acumulação de capacidades tecnológicas, Marcelle (2005) analisa 26 empresas de telecomunicações de Uganda, Gana, Tanzânia e da África do Sul. O estudo chega a conclusões similares às de Figueiredo (2003): “Organization integration exerts very important influences on the effectiveness of technological capability building. […] Investments in learning should have breadth and be sustained over time.” (MARCELLE, 2005, p. 569;571). Porém, esses estudos não discerniram a importância relativa no decorrer do tempo de diferentes mecanismos de aprendizagem e como eles influenciam, em diferentes momentos, o processo de acumulação de capacidades tecnológicas.
Guo e Guo (2011) examinam o padrão de aprendizagem tecnológica em termos de estrutura e processos de colaboração. Os autores encontram evidências de que os padrões de aprendizagem adotados por empresas chinesas para a realização de atividades de inovação de produto e processo são similares. Isso acontece porque as empresas tendem a se apoiar nos canais de conhecimento já conhecidos: “The cluster firms tend to acquire technological knowledge from sources with which they have already built up long-term relationships in order to reduce the screening, evaluating and acquiring costs of technological knowledge searching.” (GUO; GUO, 2011, p. 102). Hansen e Ockwell (2014) encontraram evidências, em sua pesquisa com oito empresas fornecedoras de caldeiras e equipamentos de energia para a indústria de biomassa da Malásia, de que avanços significativos em capacidade tecnológica são resultados da aprendizagem realizada por meio de redes de parceiros estrangeiros e que são mais avançados tecnologicamente. Porém, esses estudos não têm um caráter longitudinal e não apresentam a dinâmica de mudança do padrão de busca de conhecimento das organizações no decorrer do tempo.
Dessa forma, Figueiredo, Cohen e Gomes (2013) buscaram avançar a compreensão sobre a dinâmica de mudança da aprendizagem tecnológica em empresas latecomers. Os autores avançam a compreensão desse tema em relação aos estudos anteriores (KIM, 1997a; FIGUEIREDO, 2001; MARCELLE, 2005; TACLA; FIGUEIREDO, 2006; GUO; GUO, 2011). Os autores investigam a relação entre a acumulação de capacidades tecnológicas de empresas latecomers e a extensão das mudanças do uso de mecanismos de aprendizagem tecnológica no decorrer do tempo. Os autores concluem que as organizações que gerenciaram de forma mais eficaz a combinação de uso de mecanismos externos e internos, e que no decorrer do tempo aumentaram a intensidade de uso e passaram a utilizar mecanismos de maior grau de complexidade tiveram maior êxito na sua acumulação de capacidades tecnológicas. Porém, esses estudos focaram suas análises nos esforços de aprendizagem da empresa latecomer. Conforme mencionado por Bell e Figueiredo (2012b), as empresas de economias emergentes têm modificado de forma substancial a sua forma de realizar atividades de inovação. Esse processo tem sido desintegrado/decomposto (SCHMITZ; STRAMBACK, 2009). As empresas latecomers têm utilizado outras formas organizacionais, mais cooperativas e interdependentes de outras instituições, para criar capacidades tecnológicas.
Alguns estudos procuraram compreender de forma empírica o funcionamento da interdependência entre firmas e outras organizações para a criação capacidades tecnológicas a partir da década de 2000. Ariffin (2000) encontrou evidências de que a difusão de fluxos de conhecimento entre empresas subsidiárias eletrônicas da Malásia, empresa matriz, empresas irmãs e fornecedores possibilitou a construção de capacidades básicas de produção, e posteriormente impulsionou a construção e melhoria de níveis básicos e níveis mais avançados de capacidade inovadora. Zeng, Chie e Tam (2010) realizaram uma pesquisa em mais de 130 empresas de manufatura na China e encontraram evidências que indicam que existe um relacionamento positivo significante entre cooperação interfirmas, cooperação com institutos de pesquisa e desempenho inovativo. Guo e Chen (2013) encontraram evidências de que empresas eletrônicas na China utilizaram mecanismos de aprendizagem por decomposição tecnológica (ex.: participação gradual em produção cooperativa como subcontratado ou procurando assistência em universidades e institutos de pesquisa) para minimizarem a distância tecnológica entre elas e as empresas multinacionais. Contudo, os trabalhos de Zeng, Chie e Tam (2010) e Guo e Chen (2013) pouco elucidam sobre questões de mudança ao longo do tempo dessas interações, uma vez que seu design de pesquisa utiliza dados agregados de somente um período.
O desempenho inovador e a sua competitividade global são resultados do sucesso da integração do conhecimento ao longo do tempo, por meio de tecnologias próprias, de fornecedores e organizações externas (TSEKOURAS, 2006). Por exemplo, Tsekouras (2006) evidencia que a empresa FG gerenciou de melhor forma a integração de conhecimento interno com expertise externa: “The ability to integrate knowledge across boundaries was also evident in the case of automation where the knowledge coming from the German institute was successfully incorporated into FG’s production line, merging with FG’s mechanical engineering skills.” (p. 143). Essa mesma ideia de integração de conhecimentos com parceiros externos é explorada por Dantas (2006), Vedovello e Figueiredo (2006), Yoruk (2009), Dantas e Bell (2010), Figueiredo (2011) e Urzua (2011). Especificamente, Dantas (2006) busca compreender a natureza dos fluxos de conhecimento da rede orquestrada pela Petrobras: “These networks are concerned with innovation and continuous learning and are mostly characterized by bidirectional and multidirectional flows of S&T knowledge, and a complementary division of labour in knowledge production.” (p. 247).
O estudo de Vedovello e Figueiredo (2006) aprofunda a análise realizada anteriormente por Ariffin e Figueiredo (2004) e analisa sistematicamente o papel das ligações das organizações de apoio ao sistema de inovação na acumulação de capacidades tecnológicas das indústrias eletroeletrônica, de duas rodas e fornecedoras no Brasil, e encontrou evidências de que as organizações de apoio (universidades, institutos de pesquisa etc.) realmente contribuíram para o desenvolvimento de capacidades tecnológicas. Yoruk (2009) procura avançar a compreensão sobre a relação entre capacidade tecnológica e a relação das firmas com outras organizações, realizada por Dantas (2006), e advoga que: “[...] additional capability levels of product or process development hindered links with domestic institutes and firms” (p. 277); e por fim, conclui que “[…] particularly in a developing country, necessitates looking into inter-firm and firm-institute interactions simultaneously [...].” (p. 277).
Figueiredo (2011) também encontra evidências sobre a relação entre interações e capacidade tecnológica:
Such differences in the achievement in innovative performance reflect the different frequency of use and quality of the many knowledge-intensive linkages that the subsidiaries developed with both their internal and external counterparts. [...] Counterparts like universities and research institutes proved more effective than suppliers, consulting firms, and clients. (p. 435-436).
Porém, a relação entre aprendizagem e capacidade parece ter uma ligação causal inversa: “Some kind of reverse causality is apparent, in that those subsidiaries that developed more and stronger links with local organizations on sophisticated projects seem to have done so because they had simultaneously been accumulating high levels of innovative capability.” (FIGUEIREDO, 2011, p. 436). Esse achado vai ao encontro do argumento de Giuliani e Bell (2005) sobre a importância das bases de conhecimento prévio para a existência de colaborações de conhecimento entre diferentes atores.
[...] the density and structure of the channels of knowledge acquisition and diffusion between the firms into and within the cluster, and hence their impact on the extent of learning in the cluster, were strongly shaped by the knowledge bases of their individual firms. […] A cluster is a complex economic and cognitive space where firms establish knowledge linkages not simply because of their spatial proximity but in ways that are shaped by their own particular knowledge bases. (GIULIANI; BELL, 2005, p. 64).
Logo, uma articulação bem gerenciada das conexões com instituições externas para a criação de conhecimento influencia de forma positiva a acumulação de capacidade tecnológica e aumenta a base de conhecimento da organização (TSEKOURAS, 2006; DANTAS, 2006; VEDOVELLO; FIGUEIREDO, 2006; DANTAS; BELL, 2010, 2011; YORUK, 2009, 2011; URZUA, 2011). Essa proposição vai ao encontro dos achados de Choung, Hwang e Song (2014, p. 165), os quais complementam que as relações com outras instituições variam conforme o padrão e a acumulação de capacidades tecnológicas: “We suggest that the capabilities of each innovator and the relationship among innovators determine the dynamics of the innovation system. As the capabilities of each innovator are enhanced, the relationship among innovators change.”
Em suma, as pesquisas aqui revisadas são exemplos de estudos que procuraram realizar análises sistemáticas da forma como as empresas latecomers gerenciaram diferentes tipos de mecanismo de aprendizagem, diferentes tipos de colaboração com outras organizações e seu impacto no processo de acumulação de capacidades tecnológicas. Dessa forma, é possível identificar algumas limitações dessa literatura: (i) a compreensão do papel da aprendizagem na construção de trajetórias de acumulação de capacidade inovadora de empresas latecomers continua incipiente (FIGUEIREDO; COHEN; GOMES, 2013); (ii) há uma escassez de estudos que examinam a importância relativa dos diferentes mecanismos de aprendizagem e como essa importância se modifica conforme as empresas latecomers incrementam suas capacidades tecnológicas (BELL; FIGUEIREDO, 2012a) – com a exceção de Figueiredo, Cohen e Gomes
(2013); (iii) também é limitado o entendimento sobre a importância relativa de fluxos de conhecimento em termos de quais parceiros (universidades, institutos de pesquisa, fornecedores, empresas competidoras, clientes etc.) foram acessados para a criação de capacidade tecnológica; e (iv) há poucas evidências de como a importância relativa dos diferentes tipos de colaboração e de como os diferentes tipos de parceiro se modificam no decorrer do tempo enquanto a empresa latecomer aprofunda sua capacidade tecnológica.