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2. GENEL BİLGİLER

2.3. Prolaktin Hormonu

2.3.3. Prolaktin hormonunun vücuttaki işlevler

2.3.3.4. İştah üzerine etkis

Inicialmente, a seção explora como a literatura avançou na compreensão da dinâmica do processo de catch-up tecnológico. Em seguida, examina os méritos e limitações da literatura sobre a compreensão do processo de acumulação de capacidades tecnológicas, em termos de profundidade, velocidade e organização. Por fim, investiga estudos empíricos específicos da indústria de bioetanol.

2.3.1.1 O processo de catch-up tecnológico de firmas em economias emergentes

No final da década de 1960, a América Latina apresentava um considerável crescimento da sua produtividade industrial. Contudo, após quase três décadas de uma política de industrialização pela substituição de importações na região, a perspectiva da Teoria da Dependência advogava que esse crescimento de produtividade não havia desenvolvido da mesma forma a inovação industrial (BELL, 2006). A combinação da contínua importação de tecnologia estrangeira e a percepção de que as empresas e indústrias latino-americanas falhavam na internalização do processo de inovação foi descrita como o processo de autoperpetuação da dependência tecnológica. Entretanto, o Katz Programme desafiou essa perspectiva end of history (BELL, 2006). De acordo com Figueiredo (2003), na América Latina, os estudos liderados por Katz (1976, 1987) e na Ásia por Bell, Scott-Kemmis e Satyarakwit (1982) apresentaram detalhamento empírico da trajetória de capacidade inovadora numa grande variedade de indústrias. Bell (2006, p. 27-28) argumenta que esses estudos encontraram uma variedade de atividades inovadoras em diferentes níveis: “Streams of incremental technological improvement through the lifetimes of plants and products were common, though barely visible to casual observers searching myopically only for step-jump, radical innovations.”

Durante a década de 1980, outro tipo de pesquisa ganhou destaque (FIGUEIREDO, 2003; BELL, 2006; BELL; FIGUEIREDO, 2012b). Figueiredo (2001) argumenta que esse período é caracterizado pelas pressões de empresas estrangeiras nas indústrias latino-americanas. Essa concorrência aconteceu por dois motivos: a abertura dos mercados que anteriormente eram protegidos pelos governos e o fim da política/regime de substituição das importações (BELL; FIGUEIREDO, 2012b). Além disso, entre as décadas de 1960 e 1980, os estudos de inovação focavam principalmente em artefatos físicos ou no hardware dos sistemas de produção (BELL; FIGUEIREDO, 2012b). Figueiredo (2003) aponta que nesse período os estudos se baseavam principalmente na perspectiva da organização da produção (KAPLINSKY, 1994; HUMPHREY, 1995). Figueiredo (2001) conclui que os trabalhos desse período procuravam examinar questões ligadas à implantação e utilização de técnicas organizacionais. Essas pesquisas “tangled up organizational innovation with innovation in the physical characteristics of products and process.” (BELL; FIGUEIREDO, 2012b, p. 32).

Subsequentemente, os estudos sobre acumulação de capacidades tecnológicas foram influenciados por dois fenômenos: na Ásia, pela emergência dos “tigres asiáticos”; e na América Latina, pela substituição da política de industrialização pela de importações em decorrência da liberalização da economia. A partir da década de 1990, há uma profusão de estudos que procuravam enfocar as dimensões organizacionais e gerenciais da capacidade tecnológica, adotando uma perspectiva muito mais ampla do que a descrição de trajetórias tecnológicas de empresas, característica dos estudos iniciais (FIGUEIREDO, 2004). Esses estudos foram influenciados pelas contribuições da literatura de strategic management, inovação e competitividade em empresas de economias avançadas. Estudos empíricos sobre acumulação de capacidades tecnológicas em empresas latecomers da Ásia focaram sua análise no processo de catch-up como resultado dos esforços de construção de capacidade em empresas manufatureiras nas áreas da eletrônica, computação e automotiva.

Algumas pesquisas examinaram a sequência de acumulação envolvendo passos, numa trajetória de “imitação para inovação”. Por exemplo, Hobday (1995) examinou empresas eletrônicas do leste asiático e encontrou evidências de que essas empresas percorrem uma trajetória tecnológica de três fases: (i) OEM – assimilação de processos de produção, por meio de desenhos de terceiros; (ii) ODM – evolução da capacidade tecnológica com a incorporação dos seus próprios desenhos de produto e processo; e (iii) OBM – desenvolvimento de sua marca própria. Kim (1997a) analisa o processo de acumulação de capacidades tecnológicas de empresas coreanas da indústria automotiva (Hyundai Motors) e da indústria eletrônica (Samsung Electronics). O estudo identificou que as empresas seguem uma trajetória de imitadoras – com a aquisição de tecnologias maduras estrangeiras e desenvolvimento de operações locais de produção – para a inovação – com a assimilação dessa tecnologia, há, posteriormente, o desenvolvimento de atividades de engenharia e de pesquisa para aperfeiçoamento e criação de tecnologias. Xiao, Tylecote e Liu (2013) argumentam que uma empresa de equipamentos da China construiu sua trajetória tecnológica com a mesma lógica de três fases construída por Kim (1997a): technological introduction, duplicative imitation e indigenous innovation. Os trabalhos de Guennif e Ramani (2012) e Xiao, Tylecote e Liu (2013) afirmam que a indústria brasileira e indiana de fármacos e três empresas chinesas na indústria química, de equipamentos pesados e TV digital seguem a trajetória típica de construção de capacidades iniciais e o aprofundamento dessas capacidades em trajetórias estabelecidas.

Entretanto, o estudo de Liu, Qian e Chen (2006) encontrou evidências de que cinco empresas chinesas de manufatura não seguiram a trajetória tecnológica sugerida por Kim (1997a). A pesquisa evidencia que a principal razão para isso é que: “these firms have strong R&D capability and technological knowledge base to build new technological capability by in-house R&D rather than by technological importation.” (LIU; QUIAN; CHEN, 2006, p. 21-22). Fan (2006) encontrou evidências similares às de Liu, Qian e Chen (2006) em quatro empresas chinesas de telecomunicação, sugerindo que as capacidades construídas para o processo de catch-up tecnológico foram desenvolvidas por dois canais: P&D interno e alianças externas.

O modelo de catching-up desenvolvido por Lee e Lim (2001) evolui em relação aos modelos de Hobday (1995) e Kim (1997a). Esse estudo identifica três padrões diferenciados na acumulação de capacidade tecnológica de empresas coreanas de memória, automóveis, celulares, eletrônicos, computadores e máquinas: (i) path-following – a empresa latecomer segue a mesma trajetória percorrida por uma empresa precursora; (ii) path-skipping – a empresa latecomer segue o caminho da empresa precursora até certo ponto, contudo salta algum estágio e economiza tempo no processo de acumulação de capacidade tecnológica; e (iii) path-creating – a empresa latecomer segue até certo ponto o caminho da empresa precursora, mas em seguida desenvolve uma nova trajetória. Os estudos de Lee, Lim e Song (2005) e Whang e Hobday (2011) exploram como empresas coreanas da indústria de TV digital e de telefones celulares criaram novas trajetórias diferentes das estabelecidas pelos líderes mundiais após o aprofundamento de suas capacidades tecnológicas e pela realização de esforços em P&D.

Os estudos de Choung, Hwang e Song (2014) também avançam sobre os achados de Kim (1997a) e de Lee e Lim (2001). A pesquisa encontra três tipos de padrão (pattern) que empresas coreanas percorreram: aprofundamento de processo, arquitetural e inovações radicais. Cada um desses “arquétipos” de trajetória requer diferentes estruturas institucionais, base de capacidades e formas de colaboração interinstitucional. Entretanto, esses estudos que examinam padrões de catch-up tecnológico que se diferem da trajetória convencional do aprofundamento de capacidades tecnológicas em trajetórias que foram previamente mapeadas pelos líderes mundiais focaram principalmente indústrias de manufatura tradicional (e, em sua grande maioria, em empresas no contexto asiático).

Um número menor de pesquisas sobre a direção da trajetória tecnológica desenvolvida por empresas relacionadas a recursos naturais foi alvo de investigação. O estudo de Figueiredo

(2010) expande a perspectiva de Lee e Lim (2001) com a identificação de um desvio qualitativo nos primeiros estágios da trajetória tecnológica percorrida pelas empresas. O estudo encontra evidências de que algumas empresas brasileiras do setor de celulose e papel baseado em floresta plantada utilizaram uma estratégia de trajetória de acumulação de capacidades tecnológicas do tipo path-creating. A indústria de vinhos do Chile e da África do Sul desenvolveu uma trajetória tecnológica um pouco diferente (CUSMANO; MORRISON; RABELLOTTI, 2010).

Essas economias emergentes se aproveitaram de uma nova trajetória inaugurada pelos EUA e Austrália (New World Producers) em relação aos líderes tradicionais Itália e França (Old World Producers). Contudo, a indústria vinícola do Chile e da África do Sul não se limitou a seguir os líderes, essas economias “have significantly contributed to the process of technological modernization, product standardization, and marketing innovation [...]. [...] based on innovative scientific approach to production, in which economies of scale and the timing and alignment of R&D strategies with market objectives are key competitive drivers.” (CUSMANO; MORRISON; RABELLOTTI, 2010, p. 1598).

Ou seja, muito se avançou na compreensão da dinâmica do processo de catch-up tecnológico em indústrias de manufatura tradicional com trajetórias tecnológicas que seguem o padrão “imitação para inovação”. Contudo, a literatura é limitada na compreensão de como empresas latecomers exploram novas direções da inovação (trajetória tecnológica) (BELL, 2010), especialmente em indústrias relacionadas a recursos naturais (MARIN; STUBRIN; VAN ZWANENBERG, 2014). Ademais, a literatura pouco investigou a natureza de indústrias que exploram novas trajetórias tecnológicas com desvios qualitativos nos estágios iniciais da construção das capacidades tecnológicas.

2.3.1.2 A natureza do processo de acumulação de capacidades tecnológicas em nível de empresas no contexto de economias emergentes

Os estudos sobre acumulação de capacidade tecnológica também se diferem pelo design de sua pesquisa. Algumas pesquisas usaram design para reconstrução dessa trajetória de acumulação de capacidades tecnológicas por um longo período de tempo, por exemplo, Dutrénit (2000) com um estudo de caso único numa empresa de vidro no México; Figueiredo (2003, p. 261) que

analisa a trajetória de acumulação de capacidades tecnológicas de duas empresas siderúrgicas brasileiras, e encontra evidências de que diferenças da velocidade e da profundidade de acumulação de capacidades tecnológicas têm estreita relação com o “modo que os mecanismos de aprendizagem tecnológica funcionam ao longo do tempo”; Consoni e Quadros (2006) sobre capacidades de desenvolvimento de produto numa subsidiária da General Motors no Brasil; Dantas (2006) sobre as operações offshore da Petrobras; Tacla e Figueiredo (2006) sobre a trajetória de uma multinacional de bens de capital no Brasil; e Fonseca e Figueiredo (2014) sobre o processo de acumulação de capacidade tecnológica por trinta anos de uma empresa química brasileira.

Outros estudos buscaram compreender e comparar o processo de acumulação de capacidades tecnológicas de empresas da mesma indústria em diferentes países. Ariffin e Figueiredo (2004) examinam 53 empresas eletrônicas na Malásia e outras 29 no Brasil. Os autores desafiam as análises existentes sobre internacionalização de capacidades tecnológicas e apresentam evidências de que algumas empresas têm “[...] constantly upgraded to carry out diverse types of innovative activity. These capacility-building efforts are strongly associated with greater capability for local decision-making and control, automation level and efforts to increase exports.” (ARIFFIN; FIGUEIREDO, 2004, p. 579). Marcelle (2005) analisa 26 empresas de telecomunicações de Uganda, Gana, Tanzânia e da África do Sul. Figueiredo e Brito (2011) analisam oito empresas subsidiárias da indústria eletrônica brasileira e encontram evidências de variabilidade entre as diferentes empresas em termos da maneira e da velocidade de acúmulo de capacidades de inovação ao longo do tempo. Hu (2012) examina a capacidade tecnológica da indústria de Thin Fim Transistor – Liquid Crystal Display (TFT-LCD) no Japão, Coreia e Taiwan. Contudo, sua análise se baseia numa metodologia de mensuração de patentes e em dados agregados. Portanto, poucas pesquisas realizaram comparações de estudos de caso múltiplo intra e intersetorial, especialmente em indústrias relacionadas a recursos naturais. Isto é, o enfoque da literatura está centrado em indústrias de manufatura tradicional.

2.3.1.3 A escala de tempo envolvida no processo de acumulação de capacidades tecnológicas em nível de empresas no contexto de economias emergentes

Além da descrição da trajetória de acumulação de capacidade tecnológica, alguns estudos buscaram compreender a escala de tempo e a velocidade envolvida nesse processo. As pesquisas de Ariffin (2000), Figueiredo (2003, 2007, 2008, 2010), Tacla e Figueiredo (2006), Figueiredo e Brito (2011) e Fonseca e Figueiredo (2014) são exemplos de estudos empíricos que, além de descreverem a trajetória de acumulação de capacidades tecnológicas, também buscaram analisar como esse processo evoluiu ao longo do tempo e quanto tempo foi necessário para que empresas latecomers acumulassem capacidades de inovação.

As observações desses estudos mostram que não há um padrão claro do tempo envolvido para que empresas latecomers iniciassem suas operações e acumulassem capacidades próximas da fronteira tecnológica internacional. Por exemplo, o estudo de Ariffin e Figueiredo (2004) sugere que esse processo de capacidades básicas até capacidades avançadas levou aproximadamente 20 anos. Essa duração de tempo vai ao encontro com os achados de Hobday (1995), Kim (1997a), Tacla e Figueiredo (2006) e Fonseca e Figueiredo (2014). Contudo, o estudo de Figueiredo (2003) mostra que uma empresa siderúrgica levou 35 anos para acumular as mesmas capacidades, e Figueiredo (2010) indica que empresas de floresta, papel e celulose brasileiras levaram até 55 anos.

Outros estudos mostram que, independentemente do tempo envolvido, algumas empresas somente conseguiram acumular capacidades intermediárias no mesmo período de tempo (ARIFFIN, 2000; FIGUEIREDO, 2008; FIGUEIREDO; BRITO, 2011). Bell e Figueiredo (2012b) comentam que algumas empresas necessitaram de duas décadas para acumular níveis intermediários de capacidade e outras o dobro do tempo, como, por exemplo, uma empresa siderúrgica (FIGUEIREDO, 2003) e uma empresa de fabricação de refrigeradores (FERIGOTTI; FIGUEIREDO, 2005). Portanto, essas diferenças na profundidade e velocidade de acumulação de capacidades tecnológicas indicam que as trajetórias de acumulação estão sujeitas a interrupções ou descontinuidades. Entretanto, como parte dos trabalhos se baseia em observações de curto período e há poucos estudos de longo prazo, as pesquisas não avançam em dar explicações mais robustas, considerando o conceito de escala de tempo.

2.3.1.4 A organização do processo de acumulação de capacidades tecnológicas em nível de empresas no contexto de economias emergentes

Uma análise da trajetória de acumulação de capacidade tecnológica somente centrada na empresa latecomer é limitada para compreender a forma como essas empresas têm construído sua capacidade. O processo de inovação nas empresas latecomers tem sido substancialmente desintegrado – ou decomposto como advogam Schmitz e Stramback (2009) – e as empresas têm adotado diferentes formas organizacionais para realizar atividades inovadoras (BELL; FIGUEIREDO, 2012b).

A criação de capacidades tecnológicas é um processo no qual as organizações não atuam de forma isolada e são interdependentes de outras instituições. Bell e Figueiredo (2012b, p. 75) afirmam que: “It is now well known that a firm´s own inputs to its innovation activities are typically complemented by innovation inputs from other firms and organizations.” Ariffin (2000), em sua pesquisa em empresas de eletrônica da Malásia, encontrou evidências da importância dos fornecedores locais e da difusão dos fluxos de conhecimento com as empresas para a construção de capacidades tecnológicas tanto de produção quanto de inovação. Tsekouras (2006) conclui que os aspectos gerenciais e organizacionais, assim como a integração de conhecimento no decorrer do tempo, por meio de tecnologias, fornecedores e outras organizações externas, afetam de forma direta o desempenho competitivo e inovativo das organizações. Entretanto, essas pesquisas pouco exploram as conexões de firmas latecomers com outras organizações relevantes para a construção de capacidades tecnológicas, como universidades e institutos de pesquisa.

Alguns trabalhos procuraram compreender como que as capacidades tecnológicas poderiam estar distribuídas em redes de conhecimento. Dantas (2006, p. 238) argumenta sobre a relação de interdependência da capacidade tecnológica e das redes de conhecimento: “shifts in the properties of knowledge networks were preceded by shifts in the company´s capabilities and changes in the capabilities of the company were a pre-condition that enabled it to develop its knowledge networks into qualitative new forms.” Dantas e Bell (2011) avançam no entendimento da criação de capacidades tecnológicas distribuídas e da importância da habilidade da organização de orquestrar diferentes “estoques” de conhecimento em diferentes localidades para a criação de atividades inovadoras. Portanto, esses trabalhos exploram os

fatores que influenciam o codesenvolvimento das capacidades tecnológicas e das redes de conhecimento centradas na empresa (Petrobras). Dessa forma, a Petrobras desempenhou um papel de demandador e orquestrador de novas tecnologias. Contudo, em outras indústrias (especificamente a indústria de bioetanol), não se pode afirmar que sempre há uma organização que orquestre essa rede de inovação.

A compreensão sobre o funcionamento dessas redes é aprofundada por outros estudos. Yoruk (2011) procura avançar o entendimento sobre “network of firm-centred knowledge links” discutido anteriormente por Dantas (2006) e Dantas e Bell (2011). Yoruk (2009) enfatiza a importância da interdependência das empresas latecomers com universidades e institutos de pesquisa (além de fornecedores) para a criação de capacidades tecnológicas:

The structure of the innovation system was shifting towards non-firm organizations, from inter-firm linkages to firm-institutes linkages over time, mainly with domestic universities. Firm-level capabilities also determined the kind of partner chosen by the firm for later interactions. The higher the level of additional capability acquired, the lower was the proportion of collaborating with other firms, but the higher was the proportion of collaborating with institutes such as universities in the later projects. (YORUK, 2009, p. 277).

Portanto, o trabalho de Yoruk (2011) encontrou evidências da influência das mudanças das conexões no aprofundamento das capacidades tecnológicas de inovação de firmas no setor de materiais avançados da Turquia. Os achados de Yoruk são complementares ao estudo realizado por Giuliani e Arza (2009). Nesse estudo, esses autores demonstram que, entre empresas vinícolas da Itália e do Chile, o fortalecimento de “innovation-centered links” com universidades e institutos de pesquisa era maior para empresas com bases de conhecimento interno mais fortes para suportar suas próprias atividades de inovação. Choung, Hwang e Song (2014) avançam na compreensão sobre o papel que diferentes atores exercem na acumulação de capacidades tecnológicas em diferentes fases e concluem que, quando as capacidades dos atores são aumentadas, o relacionamento entre essas organizações muda:

[...] the relationship among innovators have different characteristics in each entry stage. In the entry at the mature stage, the relationships among the equipment and material suppliers are salient and change in accordance with the accumulation of technological capabilities. In the entry just after setting of the dominant design, the user-supplier relationships in the cooperative product development are more important. […] Finally, in the fluid stage, the role of the public sector is critical in terms of knowledge generation, diffusion, and market creation. (CHOUNG; HWANG; SONG, 2014, p. 165).

Por fim, os trabalhos de Dantas e Figueiredo (2009), Shikida, Azevedo e Vian (2011), Andersen (2011, 2015), Dantas (2011) e Matias (2011) investigam como evoluíram as capacidades tecnológicas do setor de bioetanol do Brasil. Porém, existem limitações nesses trabalhos que esta pesquisa tem a intenção de explorar. Inicialmente, nenhum desses estudos objetivou analisar a trajetória tecnológica da indústria de bioetanol no Brasil. Os trabalhos de Andersen (2011, 2015) e Matias (2011) exploram como que fatores institucionais contribuíram para a realização de atividades inovadoras no setor no período pré-Proálcool (antes de 1975). As pesquisas de Dantas e Figueiredo (2009) e Dantas (2011) abordam a trajetória de acumulação de capacidades tecnológicas do setor no período pós-Proálcool (a partir de 1975), mas suas análises são fruto de evidências em nível de indústria, com pouco aprofundamento em nível de empresa.

Esse design de pesquisa, centrado em evidências em nível de indústria, também é característica dos estudos de Andersen (2011, 2015) e Matias (2011). Santos, Borschiver e Couto (2010) exploram como algumas empresas relacionadas à cana-de-açúcar têm explorado possibilidades de diversificação industrial para novos mercados de biorrefinaria. O estudo de Shikida, Azevedo e Vian (2011) procurou explorar evidências em nível de firma, investigando as capacidades tecnológicas acumuladas por 40 empresas produtoras de bioetanol de Minas Gerais. Entretanto, pouco explora as fontes para a construção dessas capacidades e não realiza uma análise ao longo do tempo, pouco explorando a trajetória tecnológica e se há heterogeneidades entre as diferentes áreas tecnológicas.

Nyko et al. (2013) investigam se a estagnação tecnológica das tecnologias agrícolas da indústria de bioetanol é um resultado de uma estagnação passageira ou de uma crise estrutural. A pesquisa apresenta evidências de que a diminuição do ritmo da produtividade agrícola do setor entre 2010 e 2013 foi influenciada tanto por fatores conjunturais (ex.: adversidade climática, renovação inadequada dos canaviais e crise financeira) quanto por fatores estruturais (ex.: deficiências nos programas de melhoramento genético para obtenção de novas variedades, tecnologias de máquinas e implementos agrícolas, tecnologia de mecanização e irrigação de lavoura). A pesquisa conclui que a indústria de cana tem um tamanho relevante para o Brasil, mas pequeno para o mundo, e que, por isso, a cultura da cana atrai pouco interesse no