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I. BÖLÜM

1.4. Konuyla İlgili Lisansüstü Çalışmalar

1.4.1. Yüksek Lisans Tez Çalışmaları

Mais uma equiparação, mais um aumento de vencimentos, mais um veto.

Preliminarmente a presente Resolução constitui uma infração ao disposto claramente na Lei Orgânica, que não permite ao Conselho Municipal aumentar vencimentos dos funcionários da Prefeitura sem solicitação do Poder Executivo.

(...)

Vê, pois, o Senado quão fundamentado é o meu veto à mesma Resolução que submeto ao seu decisivo julgamento. 170

Em junho de 1920, a cidade do Rio de Janeiro recebia um novo chefe do Executivo Municipal. Com a demissão do Prefeito Milcíades Sá Freire, advogado e político renomado, o Presidente Epitácio Pessoa convidara Carlos Sampaio, com quem mantinha boas relações, para ocupar uma das posições de maior destaque no quadro da política do Distrito Federal. Isso porque as diversas legislações, que trataram da organização político-administrativa do Distrito Federal, conferiram ao chefe do Executivo Municipal competências importantes no jogo político local. Assim, em meio a uma legislação restritiva e desigual, no que se refere à ordenação do campo político da cidade, Sampaio e os demais prefeitos da década empregariam seus esforços para colocar em prática os seus projetos para a municipalidade e, além disso, cuidar para que

170

Justificativa do Prefeito Carlos Sampaio ao veto oposto. Ver Boletim da Prefeitura do Distrito

não fosse implantado aquilo que, na ótica destes atores políticos, trariam malefícios para o Distrito Federal.

Diferente de Sá Freire, que recebeu os cofres da prefeitura com déficits elevadíssimos, em virtude de gastos diversos, Carlos Sampaio se deparou com uma situação financeira um pouco melhor, embora não se possa dizer que a condição das finanças municipais estivesse equilibrada. Isso pode ser explicado pela própria gestão de Freire, que segundo Reis, se esforçara para resolver tal questão, inviabilizando-o de desempenhar um governo marcado por grandes feitos. Nas palavras do autor, os desafios eram diversos:

Em virtude da inexistência de recursos, não podia, na verdade, o Prefeito Sá Freire realizar grandes obras ou atividades. Fez, então, o que o bom senso lhe indicava: pôr em ordem a situação financeira da municipalidade. Para isso, tinha que se cingir a uma vigilância permanente nos gastos, elevar o conceito de crédito do governo, cujas contas de fornecimento, bem como o pagamento dos operários e funcionários, estavam em atraso. Também os juros das dívidas flutuantes e consolidadas não estavam em dia. Além disso, a dívida flutuante tinha aumentado de maneira alarmante.171

Assim, com uma gestão voltada ao equilíbrio financeiro e despreocupada em agradar grupos isolados, Sá Freire enfrentou forte oposição. Segundo Surama Conde, ao recusar o afrouxamento da cobrança do imposto de exportação, o prefeito foi alvo de críticas e resistências de um importante setor da sociedade, a Associação Comercial.172 No entanto, apesar das difíceis condições dos cofres municipais, Sampaio se diferenciou, significativamente, de seu antecessor, quando o assunto era gastar, embora o mesmo não tenha exercido uma posição diferente quanto à questão imposto.

Com carta branca do Presidente Epitácio Pessoa para remodelar a cidade para as comemorações futuras, Sampaio não hesitou em lançar mão de diversos meios para que seu objetivo fosse cumprido: transformar a cidade do Rio de Janeiro em vitrine para as demais nacionalidades.173 No entanto, o prefeito não governava a cidade isoladamente, e, nesse sentido, para colocar em prática seus objetivos era necessário, no mínimo, um contato com o Conselho Municipal e, em última instância, com o Senado Federal.

O possível diálogo entre ambos pode ser examinado das seguintes maneiras: por meio das mensagens enviadas por Sampaio ao Poder Legislativo; pelos vetos do

171 Para mais detalhes acerca da administração Sá Freire, ver Reis, Jose de Oliveira. Op. Cit. P. 75-76. 172

PINTO, Surama C. S. Op. Cit. P. 221.

prefeito aos projetos de lei, elaborados pelo Conselho, e pelas próprias práticas políticas dos intendentes. Estas últimas podem ser analisadas e entendidas de um lado, como uma resposta em relação às mensagens dos prefeitos, bem como os motivos dos vetos expostos pelo Executivo Municipal.

O período em que Carlos Sampaio esteve à frente da prefeitura compreendeu o período de 7 de junho de 1920 a 15 de novembro de 1922. Como o recorte temporal desta pesquisa se inicia no ano de 1921, momento significativo em que ocorrem modificações importantes no jogo político-partidário da cidade do Rio de Janeiro, por ora não nos deteremos nos dados referentes ao ano de 1920, muito embora algumas informações sejam explicitadas ainda que, de forma geral, no decorrer da análise. Esse fato não impede que até a conclusão desta pesquisa os referidos subsídios sejam incorporados à análise em questão.

Assim, pelo quadro 1, sabe-se que foram elaboradas 239 mensagens no decorrer dos anos de 1921 a 1930. Este quantitativo compreende as mensagens ordinárias e extraordinárias, enviadas ao Conselho Municipal no período delimitado. De acordo com a legislação vigente, estas eram uma das atribuições dos chefes do Executivo Municipal, a quem cabia:

“Art. 27. Apresentar, pessoalmente, por ocasião da abertura de cada

sessão ordinária, um relatório circunstanciado de todas as ocorrências, que se tiverem dado no intervalo de uma sessão a outra, propondo

nesta ocasião as medidas que julgar oportunas.” 174

Estas mensagens eram um relatório detalhado dos acontecimentos ocorridos na administração e não tinham um foco específico, versando sobre variadas temáticas, importantes para a municipalidade e que poderiam ser assuntos tratados em debates entre os intendentes municipais. Já quanto às mensagens ordinárias, estas tinham temas particulares e eram centradas em determinado âmbito, na medida em que tratavam de demandas do Executivo direcionadas ao Legislativo e, em consequência disso, versavam sobre assuntos de natureza diversa, mas específica. Eram enviadas ao Conselho, pois cabiam aos intendentes conferir atribuições ao prefeito; organizar o orçamento elaborado por eles, anualmente, fixando-lhe as despesas; abrir créditos variados; contrair empréstimos, dentre outras prerrogativas. Neste sentido, as

174

Decreto nº 5.160 de, 8 de Março de 1904. Esta competência estava contida na Lei nº 85, de 20 de Setembro de 1892, e foi consolidada pelo referido decreto.

mensagens eram uma maneira prevista em legislação de que poderia ser possível o estabelecimento de uma relação harmoniosa entre os poderes locais da cidade do Rio de Janeiro. Isso pode ser verificado, se compararmos em que medida as mesmas foram respondidas pelos intendentes municipais do período.

Antes de tratarmos mais profundamente das mensagens, convém apenas efetuar uma comparação em relação aos períodos anteriores. Por falta de dados, que nos tragam à luz as mensagens elaboradas na década de 1910, far-se-á um paralelo com os anos iniciais do Conselho Municipal, mais especificamente entre os anos de 1892 a 1902. Esse período se justifica pelos subsídios fornecidos pelo trabalho de Marcelo Magalhães acerca da política local da capital da República na primeira década, em que os papéis e atribuições a serem desempenhadas estão delimitados. Ou seja, tanto o Conselho Municipal, como o Executivo Municipal e o Senado Federal, já estão exercendo seus plenos poderes na política do Distrito Federal, no período acima.175

Na tese de Doutorado de Marcelo Magalhães, é explicitado um total de 170 mensagens enviadas ao Conselho Municipal, dentre as ordinárias e extraordinárias. Ainda que se trate de um período anterior a essa pesquisa, é possível efetuar uma breve comparação entre os dados encontrados. Isso porque os anos iniciais do Conselho, período em que Magalhães retrata, são os anos caracterizados, historiograficamente, pela existência de uma imensa instabilidade na política local. É nesse momento que ocorrem as primeiras experiências com os papéis delimitados e as constantes ingerências do governo federal na cidade contribuem para que os ânimos permaneçam agitados. Ressalta-se que, neste período, o cargo de chefe do Executivo assentou 9 prefeitos, nomeados pelo Presidente da República, e que a luta pela autonomia local esteve sempre no cerne dos diversos conflitos ocorridos176.

Neste ponto, a década de 1920 é interessante. Com apenas 3 prefeitos assentados no Executivo Municipal, foram elaboradas 239 mensagens, 69 a mais do que no período analisado por Magalhães. O que nos parece em primeiro lugar é que embora diversas mensagens fossem negligenciadas pelos intendentes, diversas demandas, depois de debatidas na Casa, eram apreciadas e transformadas em Resoluções Legislativas. Por outro lado, o fato de recorrerem, significativamente, às mensagens demonstra por parte

175 Ver detalhes em MAGALHÃES, Marcelo de Souza. Ecos da Política: A Capital Federal, 1892-1902.

Niterói, UFF, 2004.

176 Um bom exemplo é o caso do Prefeito Francisco Furquim Werneck de Almeida, que esteve à frente da

prefeitura durante quase três anos e apresentou apenas cinco mensagens ao Legislativo. De acordo com Magalhães, o prefeito justificava a má situação financeira da cidade à falta de autonomia dos poderes locais. Ver detalhes em IDEM, Ibidem. P. 44.

dos prefeitos uma postura aberta ao diálogo. Não se pode esquecer também que os projetos poderiam ser objetos de debate pelos intendentes até a 3º discussão, o que poderia aumentar as possibilidades de aprovação no interior do Legislativo.

Sendo assim, pode-se inferir que em tempos de mudanças expressivas, principalmente na sociedade e na política do Distrito Federal, os prefeitos trataram de estabelecer um diálogo intenso com os intendentes municipais. Se os dados referentes aos anos da década já demonstram um número significativo de mensagens, quando os mesmos são explicitados por gestão, podem ser percebidas as divergências entre a postura dos três prefeitos e a distinta relação estabelecida entre os mesmos e o Conselho.

Em relação à década de 1920, os dados abaixo são esclarecedores:

Quadro 4

Quantitativo de mensagens enviadas pelos Prefeitos ao Conselho Municipal (1920-1930)

Fonte: Boletim da Prefeitura do Distrito Federal (1920-1930)

Cabe mencionar que os anos de 1922 e 1926 apresentam especificidades em relação aos demais anos. Isso se refere ao fato de que o Prefeito Carlos Sampaio esteve à frente da prefeitura até novembro de 1922, assumindo em seu lugar Alaor Prata. Neste sentido, no final do mês de novembro e durante o mês de dezembro, Prata exerceu sua função de chefe do Executivo, a quem cabia enviar as referidas mensagens ao Conselho. Assim, as mensagens de autoria do Prefeito Alaor Prata foram sendo quantificadas em sua gestão. Da mesma forma, no ano de 1926, são quantificadas na gestão de Prata àquelas em que o mesmo foi signatário e na gestão de Antônio Prado Jr. constam àquelas de sua autoria, embora o ano seja compartilhado por estes dois prefeitos.

Outra ressalva a fazer é com relação ao período inicial da gestão de Carlos Sampaio, iniciado em junho de 1920. Como se pode perceber pelo quadro 1, o

PREFEITOS % Carlos Sampaio (1920-1922) 69 25,80% Alaor Prata (1922-1926) 107 40,10% Antônio Prado Jr. (1926-1930) 91 34,10% TOTAL 267 100,00%

quantitativo de mensagens referentes ao ano de início desta pesquisa, 1921, e o ano de 1922 somam um total de 41 mensagens. No entanto, para efetuar comparações, que nos remetam a um perfil de relacionamento estabelecido entre os atores políticos locais, os dados de 1920 são essenciais para efeitos de conclusão. Estes nos indicam um total de 28 mensagens enviadas de junho a dezembro por Carlos Sampaio ao Conselho Municipal. Assim, pode-se inferir que, ao longo de sua gestão, Sampaio elaborou e enviou 69 mensagens aos intendentes.

O teor destas mensagens, bem como dos anos posteriores, variou de forma significativa. No entanto, duas questões merecem destaque na análise aqui proposta, são elas: as finanças municipais e o funcionalismo. Isso porque de um lado os cofres municipais permaneciam em uma situação delicada e eram objeto de constantes mensagens e do outro, as temáticas relativas aos funcionários municipais eram recorrentes na relação estabelecida entre os poderes municipais. Seja nos projetos, nos vetos ou nas mensagens, os intendentes e os prefeitos demarcavam, constantemente, suas posições acerca do funcionalismo. Assim, analisá-las significa perceber os possíveis conflitos e negociações estabelecidos entre estes atores políticos.

Em relação às finanças municipais, a situação não era nova. Desde a primeira década do Legislativo Municipal, os cofres da cidade não conseguiam ter um equilíbrio entre despesas e receitas. Segundo Magalhães, quase todos os que ocuparam as cadeiras do Executivo Municipal elegeram a questão da situação financeira da municipalidade como eixo central de suas mensagens. 177 Em 1921, Carlos Sampaio não se diferenciaria dessa situação, embora a temática privilegiada por ele dissesse respeito ao funcionalismo. Preocupado com as questões habitacionais, que caracterizou como crítica, mas, principalmente, atento às preparações da cidade para as comemorações do 1º Centenário da Independência,178 Sampaio cobrara, insistentemente, dos intendentes providências nesse sentido.

Em uma de suas mensagens, em 1921, o prefeito explicitou a importância do estabelecimento de hotéis na cidade do Rio de Janeiro e se queixou da ínfima medida elaborada pelo Conselho para resolver tal problema. O tom em que as palavras são colocadas é interessante e apontam indícios importantes sobre a relação entre as duas instâncias de poder no período. Ainda que suprimida, vale a pena lê-la:

177 IDEM, Ibidem. P. 40

178 A mensagem nº 447, de 24/06/1921, é um exemplo dessa preocupação por parte do Executivo local.

Nela o prefeito pede para desapropriar prédios municipais para realizar as decorações necessárias para as comemorações vindouras. Ver Anais do Conselho Municipal do Distrito Federal, 1921.

A convicção de que há para o Rio de Janeiro uma imensa e indispensável necessidade de hotéis, traz-me novamente a presença do Conselho Municipal.

A lei de favores concedidos aos cinco primeiros proponentes à construção de grandes hotéis, não basta para solucionar o problema (...)

Em mensagem de Dezembro do ano findo acentuei o que me parecia conveniente adotar como lei no sentido de fomentar a construção de novas casas de hospedagem. O Conselho achou mais acertado deixar o Executivo sem as providências que lhe pedira.

A crise das habitações (...) aí está, porém a exigir que os responsáveis pelo governo da cidade estabeleçam medidas que a debelem. Não nos é licito permitir que, por falta de uma providência legal fique a Capital da República nessa situação, piorada pela circunstância de preparar a cidade para dar hospedagem aos estrangeiros que a procurarão em crescido número no ano próximo, por ocasião das festas do Centenário.179

Aqui, pode-se perceber que a relação entre os intendentes e Sampaio não foi nada amistosa, pelo menos no período acima descrito. De um lado, ao ser negligenciado em suas proposições, Sampaio tratou de criticar a atitude do Conselho em desprovê-lo dos projetos de lei almejados e a depositar a culpa pela situação da municipalidade à falta de leis que a contenham, ou seja, à atuação dos legisladores da cidade.180 É interessante notar que, além da mensagem de dezembro de 1920 ter sido ignorada pelos intendentes, o mesmo acontece em relação a esta segunda mensagem. Durante o ano de 1921 e 1922, não encontramos registros acerca do projeto requerido. A falta de resposta, bem como a acusação de favorecimento nas leis do Conselho, começa a apontar indícios de que a relação entre os poderes locais no Distrito Federal estava longe de ser harmoniosa.

Acrescente-se, ainda, o fato de que das 41 mensagens elaboradas por Sampaio em 1921 e 1922, apenas 16 mensagens foram atendidas pelo Conselho Municipal e transformadas em projetos de lei. Esse número equivale a um percentual de 39% de mensagens consentidas pelos intendentes do período. É interessante perceber que em um jogo político em que dois poderes compartilham a administração da capital da República, embora com competências delimitadas e diferenciadas em legislação, menos da metade do que o Executivo Municipal acreditou ser o melhor para a municipalidade

179

Mensagem nº 452 do prefeito do Distrito Federal ao Conselho Municipal, 22/08/1921. Ver IDEM, 1921.

180 O fato dos prefeitos atribuírem aos intendentes municipais a culpa pela situação financeira da

municipalidade também ocorreu na primeira década do Conselho. Ver detalhes em MAGALHÃES, Marcelo de S. Ibidem, Cap. 1.

foi colocado em prática pelos intendentes municipais. O que nos permite inferir que o Conselho Municipal tratou de estabelecer uma relação tensa com o Prefeito Carlos Sampaio, optando por apresentar um conjunto de leis próprio, a partir de suas perspectivas. No entanto, faz-se necessário ainda efetuar comparações entre as administrações posteriores a Sampaio para perceber em que medida esse percentual se enquadra em relação à década de 1920. Tal comparação será efetuada em outro momento desta análise.

É mister considerar também que mensagens de outra natureza mereceram a atenção dos intendentes, que não hesitaram em conceder ao prefeito os seus pedidos. Estas estavam relacionadas a algumas obras de embelezamento da cidade, como a construção de fontes e abertura de créditos para cumprir tais objetivos.181

Por outro lado, em relação ao cerceamento político efetuado por Sampaio, pode- se dizer que o prefeito não hesitou em vetar diversos projetos dos intendentes municipais. O que parece é que se o Conselho não se dispõe a colocar em prática as propostas do prefeito, tão pouco este estaria pronto a sancionar projetos de lei, que concedessem um aumento na margem de atuação dos intendentes. Os dados do quadro 2 evidenciam que o maior quantitativo de vetos se encontra no ano de 1922, período da gestão de Sampaio. Em um horizonte de 309 projetos, 123 dos mesmos foram objetos de veto no referido ano. Retirando os 12 vetos do Prefeito Alaor Prata, empossado também no ano de 1922, restam os 111 vetos de Sampaio, que não deixa de apresentar o maior número de vetos da década. O quadro abaixo é esclarecedor:

181 Para exemplificar podemos citar os projetos de nº 275; 256 e 294 de 1921, referentes às mensagens nº

460; nº 462 e nº 463, respectivamente, do mesmo ano. Ver Anais do Conselho Municipal do Distrito

Quadro 5

Natureza dos vetos do Prefeito Carlos Sampaio aos projetos de lei do Conselho Municipal (1921-1922) Natureza (1921-1922) Funcionalismo Municipal 151 Concessões/contratações 11 Impostos 5 Ens. Municipal 8 Relativas ao orçamento 1 Abrir concorrência Altera a legislação Contrair empréstimos Obras/construções 2 Utilidade Municipal Posturas Municipais 7

Limita as atribuições dos

Prefeitos 1

Abertura de créditos 3

Criação de prédios/montepios 1

Outros 7

Total 197

Fonte: Boletim da Prefeitura do Distrito Federal (1921-1930)

Antes de analisarmos, especificamente, as questões ligadas ao funcionalismo municipal, resta ainda tratar de duas questões relacionadas ao perfil de Sampaio, no tratamento dos assuntos referentes à municipalidade. Em primeiro lugar, destaca-se a postura do prefeito em relação aos projetos, cujos interesses iam de encontro a setores importantes da sociedade, como foi o caso das Casas Comerciais. O veto de 5 de agosto abordou a concessão dos Intendentes Municipais do prazo de 30 dias para o pagamento, sem multa das licenças dos estabelecimentos comerciais. Em sua justificativa, mais do que vetar, Sampaio discorre sobre a própria postura dos intendentes ao legislar matérias dessa natureza. Segundo ele:

Desde alguns anos, o Legislativo do Distrito Federal veio concedendo relevação de multa em que tivessem incorrido os devedores do imposto de licença municipal (...)

Em 1920 confiando que o mesmo favor lhes seria novamente dispensado, numerosos negociantes deixaram de pagar a referida licença e, de fato, foi concedido o prazo para o pagamento sem multa aos devedores do imposto comercial. Não obstante, em Dezembro último, foi ampliada a concessão, declarando “relevados da multa em que incorreram os devedores do imposto predial, territorial, taxa

sanitária e de licença” que até o dia 31 de Janeiro passassem os referidos impostos e taxas.182

Segundo o prefeito, pelo fato do Legislativo buscar, constantemente, ampliar o prazo para o pagamento do referido imposto, os beneficiados pelas resoluções hesitavam em pagá-lo na data prevista pela legislação, aguardando que o Conselho interviesse em seu favor e os favorecesse com um projeto, estendendo o prazo e isentando as multas referidas. Era de fato o que ocorria.183 E foi visando impedir que medidas como esta fossem repetidas, Sampaio vetou, afirmando que tornar tal postura como exceção é aceitável, no entanto, torná-la uma regra em nada beneficiava a municipalidade. Além disso, o prefeito questionou ainda a injustiça em favorecer a uma única categoria de contribuintes, considerando-a de ordem pessoal.

Em 1921, outro veto de igual natureza já havia sido exposto por Sampaio. Em