I. BÖLÜM
3.2. Yayınevlerine Göre Türkçe Altıncı Sınıf Ders Kitaplarının Biçim Açısından
3.2.9. Sınıf veya Dönem Seviyesine Uygun Olan ve Yararlanılan Eserler
(...) Por esse motivo, a população carioca devota um carinho especial à memória de Prado Júnior, reconhecendo-o como um dos seus melhores prefeitos209.
Em fins de 1926, um novo prefeito assumia a chefia do Executivo Municipal. Contrariando o perfil profissional de seus dois antecessores, Antônio Prado Júnior não era um Engenheiro de formação. Dedicado aos meios esportivos, o novo prefeito contava com o prestígio incontestável por presidir o renomado Atlético Clube Paulistano. Amigo do Presidente da República Washington Luis, sua escolha provocou ferrenhas críticas e restrições dos políticos contemporâneos que, antecipadamente, desconfiavam dos benefícios de sua administração.
Antônio Prado Júnior era proveniente de uma família tradicional paulista. Filho do conceituado Conselheiro Antônio Prado, político influente em São Paulo e, no conjunto do País Antigo, foi Presidente do Estado de São Paulo, político militante, Senador e Deputado prestigiado. No entanto, enquanto seu pai contava com tamanha experiência política, Prado Júnior apenas podia justificar a sua nomeação como fruto de laços de amizade e confiança entre o mesmo e Washington Luis. Neste sentido, eram compreensíveis as críticas direcionadas a sua escolha.
Em sua primeira mensagem do ano de 1927, o prefeito esclarece:
Aceitei o cargo de prefeito decidido a dedicar todo o meu esforço ao progresso do Distrito Federal, tentando assim corresponder à confiança com que me honrou o Sr. Presidente da República, a quem me ligam os laços do mais profundo afeto e indefectível solidariedade.
Antes de terminar esta apresentação da minha primeira mensagem, reafirmo o que nela declaro, isto é, está longe da ideia de fazer uma administração autoritária. Aceito a honesta colaboração de todos, não me furto às sugestões felizes e faço empenho de que meus atos sejam passados pelo crivo da crítica imparcial e construtiva (...)
Desejo, peço e espero o auxílio fecundo do corpo legislativo do Município.
A observância escrupulosa da Lei Orgânica evitará, entre nós, as divergências sempre prejudiciais à causa que servimos.
209 Em um tom elogioso, Reis destaca os principais feitos do Prefeito Antônio Prado Júnior e faz um
balanço de sua administração. Ver detalhes em REIS, José de Oliveira. O Rio de Janeiro e seus prefeitos. P. 89
Marchemos, pois, de comum acordo, amistosamente, na mesma cadência cívica, com os olhos fitos no mesmo alvo – que é o brilho radioso do Rio de Janeiro e o progresso veloz do Distrito Federal210
.
Tal declaração nos remonta a mensagem proferida por Alaor Prata, quando assumiu o cargo na prefeitura. Isso porque, assim como seu antecessor, Prado Júnior afirmou com suas próprias palavras o anseio de estabelecer boas relações com os intendentes municipais. Isso pode ser verificado pelo próprio quantitativo de mensagens, enviadas ao Conselho no decorrer de sua gestão, que totalizou 91 mensagens. Por outro lado, o quadro abaixo evidencia que os intendentes também buscaram uma relação mais próxima do prefeito, atendendo a um número significativo de suas petições. Em relação às gestões anteriores, o quadro é esclarecedor:
Quadro 11
Projetos favoráveis às mensagens dos Prefeitos do Distrito Federal por gestão (1921-1930) Prefeitos Projetos favoráveis às mensagens Total de mensagens % Carlos Sampaio (1921- 1922) 16 41 39,02% Alaor Prata (1922-1926) 61 107 57,00% Prado Júnior (1926-1930) 62 91 68,13%
Anais do Conselho Municipal do Distrito Federal (1921-1930)
Assim, verifica-se de início que a gestão de Prado Júnior foi a mais afeita ao diálogo com os intendentes que, por sua vez, não hesitaram em responder mais de 60% das demandas do prefeito no período.
Uma questão interessante foi a relação estabelecida entre o prefeito e alguns setores da sociedade, como a Associação Comercial. Enquanto Sampaio tratou de não atender às suas demandas expressas nas resoluções do Conselho, quando o assunto era prorrogar prazo de cobrança de impostos e isentá-los de multas, Prado Júnior escolheu outro caminho. Com isso, enquanto o prefeito do início da década terminou por contrariar interesses e estabelecer com eles uma relação não tão próxima, o prefeito do último quadriênio dos anos de 1930, expressou em suas mensagens um olhar mais atento à situação deste setor.
210
Mensagem inaugural do Prefeito Antônio Prado Júnior. Ver Anais do Conselho Municipal do Distrito
Tanto em 1927 como em 1928, encontramos mensagens que tratam de tal domínio. Em uma delas, o prefeito solicita a abertura de um crédito suplementar de 1.500:000$000 para reforçar o orçamento vigente, no que se refere ao pagamento de exercícios findos da Diretoria Geral de Fazenda, declarando que com isso o seu objetivo era:
A fim de manter aquele critério e cumprir totalmente a promessa que fiz à Associação Comercial, de sorte a que a todos seja paga a percentagem de 30%, inclusive aos que ainda não vieram a receber os 20% pagos no 1º trimestre do corrente ano, necessário se torna me habiliteis com o crédito ora solicitado, a fim de que os pagamentos possam ser efetuados no mês de Setembro vindouro.211
O Conselho se pronunciou a favor deste pedido, concedendo o crédito destacado em outubro do mesmo ano. No mesmo sentido, e buscando cumprir a promessa de liquidação das dívidas antigas da prefeitura com a Associação Comercial, no ano seguinte Prado Júnior envia uma nova mensagem ao Conselho, desta vez explicitando, firmemente, os seus propósitos:
A fim de manter o critério por mim adotado e cumprir fielmente a promessa que fiz à Associação Comercial, de saldar em parcelas os compromissos assumidos pelas administrações anteriores (...) nos exercícios de 1921 a 1926 (...)212
Novamente, o Legislativo se posicionou a favor do prefeito e abriu os créditos necessários para cumprir os propósitos assumidos por ele. Esse diálogo é interessante, na medida em que de um lado evidencia o objetivo exposto do prefeito em construir uma relação amistosa com os setores que outrora foram negligenciados e de outro, a posição amigável do Conselho, que tratou de atender, sem demora, aos pedidos de Prado Júnior.
Não podemos deixar de evidenciar outro ponto significativo da gestão desse prefeito, que diz respeito às suas iniciativas, em relação à cidade, levantadas em diversos momentos. Destacam-se as mensagens relativas aos seguintes objetivos: o Plano de Remodelação, Extensão e Embelezamento da cidade; a atualização da carta cadastral da cidade, que datava de 1893 e a Feira de Amostras, que visava dinamizar a economia do Distrito Federal e seguir em direção ao progresso.
211
Mensagem nº 615, de 24/08/1927. Ver IDEM, 1927.
Não nos delongaremos sobre tais questões, cumpre apenas ressaltar que Antônio Prado Júnior foi um prefeito preocupado com as questões da modernização da cidade. Essa afirmação pode ser verificada pelo seu convite ao urbanista Prof. Albert Hubert Donat Agache e sua equipe para estudar a infraestrutura da cidade, a fim de elaborar um plano de remodelação, alargamento de ruas, dentre outras modificações. Prado Júnior não mediu esforços para cumprir tal objetivo. Segundo o prefeito:
Ora, a nossa capital, sem falar no seu inverno suave, possui todos os requisitos para atrair os que viajam por prazer, podendo, por isso, se tornar um centro de turismo e daí nos advir consideráveis proveitos financeiros.213
Com essa percepção, Prado Júnior enviara diferentes mensagens ao Conselho, ora com petições em relação à abertura de créditos, ora mensagens de caráter explicativo, apenas para esclarecer os benefícios que suas iniciativas proporcionariam à cidade214.
Em relação à carta cadastral, não foi diferente. Em suas mensagens, o prefeito se empenhou em alcançar seu desígnio de efetuar um levantamento aerofotogramétrico do Distrito Federal. Amparado pelo Legislativo, que tratou de elaborar o projeto requerido pelo prefeito, a Planta cadastral da cidade foi revitalizada e proporcionou benefícios expressivos para a cidade, embora não os tenha colhido em sua administração215.
O Ano de 1927 pode ser visto como o período de maior diálogo entre os Poderes Municipais, visto que neste período o Legislativo recebeu mais mensagens advindas do prefeito. Por outro lado, a mesma postura se verifica no Conselho, onde tratou de apresentar um alto índice de mensagens respondidas positivamente. É interessante perceber que o ano em que o Governo Washington Luis desempenhou maior repressão às greves e com base na Lei Celerada, o "combate ao comunismo", implicando a dissolução, sem processo, de entidades sindicais, culturais e outras organizações consideradas subversivas, a capital da República segue com uma dinâmica própria, com os poderes locais, estabelecendo alta comunicação e negociação. Pelo quadro abaixo:
213 Mensagem nº 610, de 06/08/1927. Ver IDEM, 1927.
214 Apenas para exemplificar, destacamos as seguintes mensagens: nº 625, de 24/10/1927; nº 617, de
30/08/1927e nº 610, de 06/08/1927. Ver Anais do Conselho Municipal do Distrito Federal, 1927.
Quadro 12
Quantitativo de mensagens respondidas pelo Legislativo (1927)
1927 %
Projetos favoráveis às mensagens 31 88,50%
Total de Mensagens 35 100%
Fonte: Boletim da Prefeitura do Distrito Federal (1927)
No entanto, apesar do expressivo número acima, não se pode dizer que a administração de Prado Júnior não contou com tensões e dissensões com o Conselho. Seguindo a mesma tendência advinda dos anos anteriores, o principal mote de colisão entre estes poderes foram àqueles concernentes ao orçamento e ao funcionalismo municipal. Como se pode verificar, ao longo da gestão do prefeito, o maior número de vetos versou sobre o funcionalismo, sendo expressivas as relativas às finanças da cidade:
Quadro 13
Natureza dos vetos opostos pelo Prefeito Antônio Prado Júnior (1926-1930) Natureza 1926-1930 Funcionalismo Municipal 157 Concessões/contratações 14 Impostos 15 Ens. Municipal 2 Relativas ao orçamento 9 Abrir concorrência Altera a legislação 1 Contrair empréstimos 1 Obras/construções Utilidade Municipal 12 Posturas Municipais 8
Limita as atribuições dos
Prefeitos
Abertura de créditos 10
Criação de prédios/montepios
Outros 13
Total 242
Há algumas observações a serem feitas antes de prosseguirmos. Dentre o quantitativo total apresentado acima, 103 vetos correspondem somente ao ano de 1930, sendo os 139 restantes subdivididos pelos demais anos de sua gestão. Isso nos indica que, até o ano de 1929, Prado Júnior buscara e conseguira estabelecer um relacionamento sem tantos embates, quando comparado a seu antecessor Carlos Sampaio. Situação que se modifica no ano de 1930, período em que despendeu um número expressivo de vetos.
A segunda ressalva diz respeito a uma importante mudança institucional implementada com a Reforma Constitucional de 1926, que primeiramente se direcionou ao plano nacional. Nesta revisão, a mudança mais significativa foi em relação à prerrogativa do veto. A partir deste momento, foi adotado o veto parcial, que significa dizer que ao considerar um projeto de lei no todo, ou em parte inconstitucional, o Presidente da República poderia vetá-lo por inteiro ou em parte. Tal modificação legal também foi estabelecida para o Distrito Federal no ano seguinte.216
Pelo Decreto Executivo nº 5.139, de 5 de Janeiro de 1927, o Presidente Washington Luis instituiu o veto parcial às resoluções do Conselho Municipal, estabelecendo outras regras. A partir daquela data, os prefeitos cariocas poderiam vetar um projeto por inteiro, como já era uma de suas atribuições, mas também poderiam através do veto parcial, opor o veto a apenas parte de um projeto de Lei elaborado pelos intendentes.
Essa modificação legal foi utilizada pelo Prefeito Prado Junior, por 33 vezes. Um número inexpressivo, tendo em vista a quantidade de vetos opostos pelo prefeito ao longo de sua gestão. No entanto, o que cabe ressaltar, em primeiro lugar, é que tal revisão representou uma nova ingerência do governo federal na política do Distrito Federal. Além do mais, vetar parcialmente um projeto de lei significava conceder maior margem de atuação aos intendentes, visto que se o chefe do Executivo considerasse apenas em parte a resolução inconstitucional ou prejudicial à municipalidade, o prefeito vetava apenas a referida parte, sancionando as demais. Por outro lado, pode-se destacar que a implantação do veto parcial também concedia maior segurança institucional aos prefeitos, uma vez que era ampliada a margem de negociação entre os atores políticos.
216 A autora Surama Conde lembra que esse tipo de veto já era adotado em algumas Constituições
Estaduais Brasileiras no período, como no Pará, Maranhão, Ceará e Minas Gerais. Ver detalhes em PINTO, Surama C. S. Op. Cit. P. 114.
A principal temática vetada parcialmente se referiu aos funcionários municipais e finanças, onde a parte objeto de veto versava sobre a falta de competência do Conselho para legislar tal matéria, redução de impostos e parte do projeto de orçamento, sendo sancionada a exclusão de licenças e outras de igual natureza. Pode ter sido essa a justificativa do número ínfimo de vetos parciais até o ano de 1930.
O quadriênio de Prado Júnior também apresenta outra particularidade inédita na história política da cidade. Desde a criação do Partido Comunista Brasileiro, em 1922, os setores da esquerda vivenciavam uma intensa repressão política, que se traduziu na inexpressiva participação destes setores na política formal. No entanto, em fins da década de 1920, a situação é alterada e pela primeira vez o Conselho Municipal abriga em suas cadeiras dois representantes dos setores esquerdistas217. Estamos nos referindo à formação da frente legal do PCB, denominada Bloco Operário e Camponês. O BOC surgiu em 1927 e logo tratou de montar sua plataforma política e indicar os seus representantes para a próxima eleição, datada para Outubro de 1928. Contando com o apoio do antigo intendente municipal, e agora Deputado Federal, João Batista de Azevedo Lima, o BOC lançou a candidatura de Minervino de Oliveira e Octávio Brandão para concorrerem a duas cadeiras no Legislativo local. Terminadas as eleições, os dois representantes do Bloco venceram e ocuparam, em 1929, seus lugares no parlamento carioca.
A presença destes intendentes no Conselho Municipal significou uma mudança expressiva na política vigente e expressa a própria heterogeneidade da sociedade carioca na gestão de Prado Júnior. Mais do que isso, tal vitória demonstrou a popularidade do Bloco Operário e Camponês no seio da população carioca. Isso se deve, principalmente, ao próprio movimento operário, que ganhava força nos anos de 1920 e ao movimento reformista, composto por lideranças específicas. A atuação destes chamados
reformistas218, aos quais participaram ativamente do BOC, será desempenhada no
terceiro capítulo desta dissertação. Por ora, objetiva-se apenas destacar a presença singular destas forças no Legislativo local.
Isso sem contar com a criação do Partido Democrático do Distrito Federal em 1927. Além da agremiação se diferir em grande medida da Aliança Republicana, grupo
217
Estamos nos valendo do conceito de esquerda, de acordo com as considerações do autor Norberto Bobbio. Ver detalhes em BOBBIO, Norberto. Direita e Esquerda: razões e significados de uma distinção política. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1995. P. 121
218
CONNIFF, Michael L. Política urbana no Brasil: a ascensão do populismo 1925-1945. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2006, P. 99.
político dominante do início da década, o PD também se afastou das propostas do nascente BOC. Apesar de ter sido eleito um representante no pleito de 1928, denominado Laboreau, o mesmo foi impedido de atuar devido a sua morte, pouco tempo depois em um acidente aéreo. Contudo, é inegável que a presença dessa nova agremiação modificou o panorama político da cidade, que apresentou uma plataforma política própria e fez surgir novas lideranças219.
Voltando à análise da postura de Prado Júnior, restam ainda algumas questões. Em primeiro lugar, destacam-se as divergências em torno do orçamento, principalmente, de 1928 e 1929.
Em agosto de 1927, os intendentes enviam ao prefeito a resposta em relação ao projeto orçamentário para o ano de 1928. Nota-se um desacordo entre ambos os poderes e, em julho do referido ano, Prado Júnior envia uma mensagem ao Conselho, relatando o seu veto parcial ao parecer do Legislativo e pedindo a abertura de créditos necessários a pagamentos urgentes.220
No ano de 1929, a situação não parece diferente. Pelo contrário, de acordo com Michael Conniff, uma instabilidade econômica assolara as finanças da cidade em fins dos anos de 1920221. Fato que também pode ser evocado ao tratarmos da proposta orçamentária que novamente é alvo de tensões entre o Executivo local e o Conselho. Na mensagem de junho do referido ano, mais uma vez, o prefeito se queixa da atual situação financeira da cidade, afirmando que a falta de colaboração entre ambos fora, decididamente, prejudiciais aos seus objetivos para a municipalidade. Assim, ele declara:
A administração atual estabeleceu um programa de trabalho que se deveria rapidamente concretizar, não só na realização de múltiplos melhoramentos materiais reclamados pela população, como também na reforma de vários serviços já existentes.
(...)
219 Segundo Surama Conde, a plataforma política do PD apresentou uma preocupação com a educação,
acreditando ser o caminho para a regeneração dos costumes políticos. Não sabemos ainda se há alguma correlação, mas se sabe que é justamente nesse período que ocorre a iniciativa de uma reforma na instrução pública por parte de Fernando Azevedo. A exposição sucinta deste partido se justifica pelo fato de que a experiência do mesmo será mais bem apreendida na análise político-partidária da cidade do Rio de Janeiro, que será efetuada no primeiro capítulo desta dissertação. Ver detalhes, PINTO, Surama C. s. Algumas notas sobre o Partido Democrático do Distrito Federal nos anos vinte. In: SENA FILHO, Nelson; SANTOS, Cláudia Regina Andrade dos. (Org.). História e Cultura: Discursos e Representações.
História e Cultura: Discursos e Representações. Goiânia: Vieira, 2006, v. 1, p. 197-214 e Boletim da Prefeitura do Distrito Federal, 1927.
220
Mensagem nº 663, de 19/08/1929. Ver Anais do Conselho Municipal do Distrito Federal, 1929.
Infelizmente, a falta de votação da lei orçamentária para o corrente exercício veio de modo imprevisto alterar toda a harmonia do plano estudado. A proposta orçamentária do ano passado, que não encontrou a vossa colaboração, fora organizada cuidadosamente dentro do aludido critério e como peça mestra da organização adotada.
Já vos disse, dos graves embaraços que a omissão legislativa trouxe à normalidade da vida da prefeitura. (...)
Venho, portanto, apelar para a vossa solicitude, a fim de que armeis convenientemente a administração, tirando-a dos embaraços invencíveis decorrentes da atitude assumida pelo Poder Legislativo.222 Outro indício da situação econômica delicada pela qual passara a cidade do Rio de Janeiro, diz respeito ao veto oposto, em Janeiro de 1930. O projeto de Lei do Conselho visava criar um estabelecimento de assistência e ensino para o sexo feminino, dando o suporte necessário para o seu funcionamento. Com uma justificativa sucinta, Prado Júnior afirmou:
Não nego a utilidade da resolução inclusa, nem os seus nobres objetivos, mas não haveria, para ela, momento mais inoportuno. Assim sendo, a mesma Resolução é manifestamente contrária aos interesses do Distrito Federal, nesta ocasião.
Oponho o presente veto que as condições atuais imponham de modo terminante, submetendo o meu ato à sábia deliberação do Senado Federal.223
Soma-se a tudo isso, o fato do percentual de vetos em relação ao funcionalismo ter diminuído substancialmente, quando se comparado à administração anterior. Tal postura nos permite inferir que esta mudança pode estar relacionada ao contexto de crises financeiras e políticas vivenciadas no fim da década. Por esse motivo, muitos vetos versaram sobre as finanças, a abertura de créditos, os impostos e ao orçamento, embora, como se pode verificar no quadro abaixo e nos demais dados ao longo deste estudo, o funcionalismo tenha permanecido como o principal alvo de tensões entre os poderes municipais.
222
Mensagem nº 659, de 14/06/1929. Ver IDEM, 1929.
Quadro 14
Quantitativo de vetos sobre o funcionalismo por ano durante a gestão de Prado Júnior (1926-1930)
NATUREZA 1926 1927 1928 1929 1930
VETOS SOBRE
FUNCIONALISMO 23 37 29 18 71
TOTAL DE VETOS NO ANO 28 56 48 32 103
TOTAL 82,10% 66% 60,40% 56,20% 68,90%
Fonte: Boletim da Prefeitura do Distrito Federal (1926-1930)
* * *
Neste sentido, por ora apenas gostaríamos de apontar algumas questões para efeitos de conclusão. Em primeiro lugar, destaca-se que pela falta de experiência e por sua postura pouco aberta a negociações, a gestão de Carlos Sampaio à frente da prefeitura em 1921 e 1922, foi demarcada por conflitos entre os poderes municipais. De um lado, embora o legislativo tenha sido atuante nestes anos, com a elaboração de Resoluções expressivas, os intendentes não só trataram de não atender às demandas do prefeito em suas mensagens, como legislaram dispendiosamente invadindo suas atribuições. Por outro lado, a postura de Sampaio não foi diferente.