I. BÖLÜM
4.1. Altıncı Sınıf Türkçe Ders Kitaplarında Tema
Na sessão de ontem, que foi presidida pelo Sr. Henrique Maggiolli, o Conselho Municipal descambou, das suas atribuições legislativas sobre os interesses do Distrito Federal para o terreno estranho da política partidária em referência à sucessão presidencial.
(...)
E limitou-se a essa barafunda política a atividade funcional dos representantes do município285.
Os rumores na imprensa sobre a sucessão presidencial de 1930 se iniciaram ainda em fevereiro do ano anterior. As especulações de que Washington Luis não indicaria um mineiro para sua sucessão logo apontaram a possível formação de um movimento reacionário, por parte da oligarquia mineira, em conjunto com estados descontentes286. A conflituosa sucessão presidencial daquele ano foi um marco na política brasileira. A vitória do candidato situacionista Júlio Prestes e a não aceitação por parte da oposição organizada em torno da Aliança Liberal desencadearam uma ação apoiada por militares dissidentes, culminando na deposição governista do dia 3 de Outubro de 1930. Tal episódio ficou conhecido como a “Revolução de 1930”, que determinou o fim da República Oligárquica instaurada desde 1889 e o início de um novo momento político no Brasil, com a redefinição do padrão das relações políticas e do perfil do Estado nacional brasileiro. O acontecimento de outubro representou também uma recomposição da estruturação de forças políticas em atuação no espaço da cidade do Rio de Janeiro287.
A ideia de que essa sucessão não seria nada amistosa circulava em todo o País e a imprensa foi um dos principais meios de veiculação da situação brasileira. Comentando sobre os posicionamentos dos políticos em torno da questão presidencial, os jornais também traziam os programas de governo dos candidatos e apontavam cada fato novo que surgia até o momento final da apuração eleitoral, que ocorreu em 1930.
A tensa situação nacional, formada a partir da cisão intraoligárquica de Minas e São Paulo, fez com que a capital federal também ficasse agitada. Embora não se possa dizer que os políticos do Distrito Federal apresentassem uma unanimidade em relação ao pleito, é possível afirmar que determinados políticos cariocas demarcaram suas
285 Nota sobre a temática da sucessão presidencial no interior do Conselho Municipal da capital. Ver
detalhes em Correio da Manhã, 27/07/1929. P. 2.
286 Ver notas sobre a sucessão em Correio da Manhã, 03/02/1929. P. 4. e 10/03/1929. P. 2. 287
SARMENTO, Carlos Eduardo. O Rio de Janeiro na era Pedro Ernesto. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001. P. 61.
posições dentro das instituições políticas em vigor. Seja para apoiar o candidato situacionista Júlio Prestes ou apoiar Getúlio Vargas, podemos inferir que a temática da sucessão presidencial assinalou os debates da época.
Embora preocupado com as questões municipais da cidade do Rio de Janeiro no período, o Conselho Municipal também se ocupou da situação política nacional. Em julho de 1929 os intendentes já discutiam nas sessões legislativas a respeito das candidaturas do pleito, evidenciando as posições favoráveis e (ou) contrárias dos membros no interior do Conselho. Foi neste contexto que o intendente Costa Pinto apresentou uma indicação de aplauso à candidatura de Júlio Prestes à Presidência da República, sendo apoiado por Vieira de Moura e pelo leader da maioria na Casa Nelson Cardoso. Em contrapartida, Maurício de Lacerda se adiantou e criticou da tribuna tal indicação, demonstrando que o Legislativo da capital apresentava uma heterogeneidade de opiniões sobre o caso que cada vez ficaria mais latente288.
As discussões em torno do pleito no Conselho seguiram progressivamente. No início do mês de outubro, na coluna destinada a relatar os acontecimentos do dia anterior no Legislativo da cidade, o Correio publicou:
(...) Todos os assuntos da existência coletiva e os problemas de gestão governativa da municipalidade, tem sido postos a margem pelas preocupações e manifestações da política partidária, na discussão do futuro pleito presidencial, em recinto destinado aos trabalhos da legislatura da cidade.
___________________________________________________ Ontem, a sessão do Conselho Municipal foi toda cheia pelas questões levantadas em torno da sucessão presidencial289.
Tal situação era compreensível. A Aliança Liberal, formalizada em agosto de 1929, englobava em sua estrutura algumas das principais reivindicações de setores urbanos e reformistas da capital na década. Neste sentido, determinados políticos cariocas se sentiram atraídos por sua plataforma. Dentre os tópicos aprovados pela convenção do partido, em setembro daquele ano, estavam: a reforma eleitoral e o voto secreto; a liberdade sindical; o dia de trabalho de oito horas; salário mínimo e proteção para mulheres e crianças no emprego; anistia para os tenentes e a autonomia política e
288 Ver o episódio em Correio da Manhã, 27/07/1929. P. 2. e 30/07/1929. P. 3. 289
Nota sobre a sessão legislativa do Conselho Municipal do DF, referente ao dia 02 de agosto de 1929. Ver detalhes em IDEM, 03/08/1929. P. 2 e P. 4.
administrativa do Distrito Federal290. Esta última era uma questão defendida pela maioria dos políticos cariocas e incluí-la na plataforma do partido representava o anseio da Aliança em penetrar o movimento oposicionista na política do Distrito, angariando o apoio das principais lideranças políticas cariocas para sua campanha291.
No entanto, apesar dos esforços da Aliança Liberal em alcançar apoio na capital, a situação não era tão positiva no interior do Conselho Municipal. Ao discursar no Senado sobre como seria a sucessão presidencial na capital, Paulo de Frontin afirmou que a situação era a seguinte no Legislativo:
(...) No Conselho Municipal, já se pronunciou a favor da chapa da oposição, um intendente. Três tem tendência favorável à mesma, mas não se pronunciaram; três são contra as duas chapas e os 17 restantes a favor da chapa Júlio Prestes – Vital Soares292.
Dormund Martins, intendente eleito no último pleito municipal, discursou no Conselho no final de agosto e afirmou que apesar de não possuir candidato à sucessão presidencial tinha grande simpatia pela Aliança Liberal, visto que a agremiação defendia o projeto da anistia. Por outro lado, Vieira de Moura reiterou seu apoio a Julio Prestes no mesmo dia, declarando solidariedade ao candidato situacionista293.
Além disso, o intendente fez questão de solicitar a nomeação de uma comissão no Conselho para ir a São Paulo em setembro formular solidariedade a Júlio Prestes, pela indicação de sua candidatura à Presidência. Apesar dos esforços de Maurício de Lacerda para impedir a aprovação do requerimento – o que ocasionou tumultos e até a suspensão dos trabalhos por alguns minutos –, assim que a sessão voltou a funcionar, o requerimento foi aprovado por 10 votos contra 4. Esta situação demonstra o peso que a candidatura de Prestes possuía no Conselho Municipal da cidade, embora possuíssem vozes dissonantes como a de Maurício de Lacerda294. Já o Bloco Operário e Camponês, que, inicialmente, havia apoiado Vargas, decidiu posteriormente lançar seu próprio candidato para presidente, Minervino de Oliveira295. Em virtude de seus discursos
290 CONNIFF, Michael. L. Política urbana no Brasil: a ascensão do populismo 1925-1945. Rio de
Janeiro: Relume Dumará, 2006, P. 112.
291
Sobre a questão da autonomia do Distrito Federal nos anos de 1930, ver SARMENTO, Carlos Eduardo. O Rio de Janeiro na era Pedro Ernesto. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001. P. 47-60.
292
Parte do discurso do Senador Paulo de Frontin, publicado no Correio da Manhã. Ver detalhes em
Correio da Manhã, 15/08/1929. P. 6. 293 Ver IDEM, 22/08/1929. P. 6. 294
Ver Correio da Manhã, 15/09/1929. P. 2.
enfáticos sobre a sucessão presidencial no Correio, Maurício de Lacerda merece considerações particulares.
Maurício Paiva de Lacerda nasceu em Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, no ano de 1888. Iniciou sua vida política em 1912 como Deputado Federal pelo Estado do Rio de Janeiro, sendo reeleito posteriormente. Participou dos levantes revolucionários tenentistas em 1922 e 1924 e foi eleito em 1926 para seu primeiro mandato no Conselho Municipal do Distrito Federal296. Por sua aproximação com as demandas operárias, Lacerda proferiu discursos acalorados na tribuna, sendo reeleito no pleito municipal de 1928. Em relação à sucessão presidencial de 1930, o intendente foi o principal orador do Conselho Municipal a ter seus discursos divulgados pelo
Correio297.
Sobre este intendente, o jornal publicou:
A entrada do Sr. Maurício de Lacerda para o Conselho Municipal teve a repercussão que se dá aos grandes acontecimentos políticos do país. Havia, entre outros, dois motivos sólidos para que a opinião altiva e independente procurasse desde logo cercar o tribuno de prestígio: a sua tradição de coragem e bravura no Congresso, quando deputado pelo Estado do Rio, e a circunstância dele se achar encarcerado, martirizado, pelo governo de arbítrio que evitava ou eliminava os seus mais destemidos adversários, valendo-se das medidas do sítio e das misérias de uma polícia transformada em guarda pretoriana sob o comando de um dos sargentões do exército. (...)
O Sr. Maurício de Lacerda não era cabo eleitoral. Conduzido triunfalmente para o Legislativo da “urbs”, ali se portou como já se havia portado na Câmara, heroicamente, dignamente, seguro de seu nome e de suas responsabilidades. (...)
Homem de ação, intervindo, com a sua palavra autorizada, em todas as questões sociais e políticas, que nesses últimos quinze anos têm agitado e empolgado o país, sem dúvida há de ter cometido excessos, mas esses excessos provêm exatamente de seu temperamento de idealista298.
Dentre seus diversos discursos no Legislativo da cidade sobre o momento político nacional e sua posição sobre os assuntos polêmicos do momento299, optamos
296 Ver DHBB. Verbete sobre Maurício Paiva de Lacerda, disponível em
http://www.fgv.br/cpdoc/busca/Busca/BuscaConsultar.aspx
297 Acreditamos que a tendência oposicionista do jornal pode explicar a atenção dada aos discursos de
Maurício de Lacerda neste contexto em relação a sua própria postura na política da cidade.
298
Nota de autoria de M. Paulo Filho e intitulada “Maurício de Lacerda”. Ver na íntegra em Correio da
Manhã, 27/12/1929. P. 4.
299 Detectamos que somente no ano de 1929 foram mais de 14 discursos de Lacerda na tribuna do
Conselho sobre a sucessão presidencial publicados no Correio da Manhã. Ver especialmente as sessões de agosto, setembro, outubro e novembro.
por destacar apenas dois. Há algum tempo Lacerda vinha anunciando da tribuna que estava preparando um discurso especial para proferir nos próximos dias no Conselho. Assim, no dia 18 de setembro de 1929, vendo que a Mesa não abriria a sessão legislativa – apesar do número legal para a abertura –, Maurício da Lacerda deu início ao seu prometido discurso. Trazendo reflexões sobre a questão da anistia dos revoltosos de 1922 e 1924, o intendente mencionou a experiência norte-americana na guerra civil e
concluiu que não será a anistia que acalmará os ânimos, mas “a revogação de leis escravagistas e a consolidação de um estatuto liberal”. Apontando em seu discurso a
posição do líder Irineu Machado nesta questão, Lacerda demonstrou sua posição oposicionista declarando:
Poderíamos perguntar ao senador Irineu Machado, que acredita que a simples anistia deve emudecer a voz da revolução liberal, se foi a anistia que pacificou a maruja de João Cândido ou se foi o compromisso da abolição da chibata. (...) Não descerei da tribuna sem dizer que apesar de tudo a emenda 15º ainda não pacificou os espíritos nos Estados Unidos, porque contra os negros ali ainda se faz necessária uma obra que destrua o preconceito de raça. Naturalmente, a revolução brasileira não poderá dispensar essa obra de educação nacional, mas isso não quer dizer que a obra da educação se possa fazer por uma capitulação à vitória dessa corruptela que deturpa o caráter do povo, e sem a vitória da revolução, que lhe daria condições de regeneração política inestimáveis.
E finalizou desabafando as seguintes palavras de acusação:
Terminando, devo dizer que acabo de ser o precursor no Conselho, do que talvez se verifique em outubro com o Congresso Nacional, falando aqui sem a presença da Mesa, pois, segundo estou informado, o presidente da República tenciona, de fins de outubro em diante, negar, pelos seus amigos das duas Mesas – do Senado e da Câmara – sessões das duas casas do Congresso, prorrogando os orçamentos, de preferência a facultar aos liberais uma tribuna de combate300.
De fato, esse discurso de Maurício de Lacerda evidenciou suas nítidas características de oposição à chapa situacionista de Júlio Prestes. No entanto, sua declaração a favor da Aliança Liberal somente foi proferida algumas semanas depois, em outro discurso acalorado do mesmo no Conselho. Agora, Lacerda decidiu historiar a trajetória de Nilo Peçanha na política brasileira e enalteceu sua postura a frente do
300 Partes do discurso de Maurício de Lacerda no Conselho Municipal, que foi proferido sem a presença
da Mesa. De acordo com o Correio, apesar de estarem presentes 15 intendentes, o que levaria legalmente à abertura da sessão, por medo ou por outro motivo a Mesa desertou. Ver detalhes em Correio da Manhã, 18/09/1929. P. 2.
movimento contestatório à chapa de Artur Bernardes, formado pela Reação Republicana
em 1921. Posteriormente, ao tratar do “problema presidencial que agita o país”,
Maurício de Lacerda afirmou:
Não estou discutindo, retaliando, e o país, os meus compatriotas far- me-ão a justiça de reconhecer que tenho nesta tribuna colocado a questão com rara imparcialidade e rara firmeza, se preocupações pessoais, e ainda nesta hora, quando aconselho o povo do Rio de Janeiro, se chegarmos até a eleição a votar em Getúlio Vargas, com um protesto contra os atos de prepotência eleitoral, políticos administrativos e militares do presidente da República, declaro que faço esse convite sem chapas, sem compromissos, sem chefes; aconselho o povo que vote em Getúlio Vargas como um protesto
moral contra as truculências da oligarquia dominante301. (grifo
nosso)
Estas palavras firmaram a posição do intendente no pleito, que neste caso diferia da maioria do Conselho, já que estavam a favor da chapa Prestes-Soares. Além de declarar sua atitude em relação à sucessão presidencial, a ousadia de Lacerda em aconselhar o povo a sufragar o candidato oposicionista Getúlio Vargas de uma tribuna onde a maioria é governista, também merece destaque.
Ao discursar em dezembro sobre a chegada dos candidatos da Aliança Liberal na capital da República, o intendente realçou que a principal característica do povo carioca foi o civismo e a ordem. Orgulhoso e agradecido, Lacerda convocou aos intendentes presentes que ficassem de pé por um minuto em homenagem à cidade e à população carioca, em virtude do civismo merecido. Mesmo que indiretamente, tal homenagem se direcionava ao próprio candidato da Aliança, Getúlio Vargas, e por esse motivo, no momento em que Lacerda proferia estas últimas palavras, os intendentes partidários de Júlio Prestes se retiraram do recinto, recusando-se a prestarem tal homenagem.
É interessante perceber o sentimento do intendente neste discurso. Enaltecendo o povo carioca, Lacerda disse:
Bravo povo carioca! Tu só nu de armas, despido de proteções, davas as costas à cavalaria do governo e abria o peito ao prestito do candidato liberal, sem temores, sem covardia, sem fraquezas, no largo entusiasmo da tua alma heroica!
Neste instante meus olhos comovidos deixaram de ver. Porque uma nuvem de lágrimas cívicas os embaçou... (...)
Sr. Presidente, só tenho uma vida para dar. Esta vida, eu a ponho, com aquela dedicação que tenho posto ao êxito de minha carreira, não ao serviço de minhas ambições, não ao amor de minha pessoa, para tudo, enfim que possa inspirar o homem, ou a ponho antes ao serviço do Brasil, na reconquista de sua liberdade contra a tirania dos oligarcas dominantes302.
Mais interessante ainda é perceber que mesmo com a saída de vários intendentes partidários do situacionismo, Lacerda fez com que pelo menos dez intendentes prestassem a homenagem ao povo carioca e, consequentemente, a Getúlio Vargas e à Aliança Liberal303.
No entanto, a questão presidencial no Distrito Federal não estava definida. Paulo de Frontin, uma das principais lideranças cariocas, decidira apoiar a chapa de Júlio Prestes e, com isso, influenciou outros políticos da cidade a seguirem os seus passos. Irineu Machado e Azevedo Lima também apoiaram a chapa governista, acentuando ainda mais a divisão do eleitorado carioca. Assim, enquanto Adolfo Bergamini e Maurício de Lacerda apoiavam Getúlio Vargas, Paulo de Frontin, Azevedo Lima e Irineu Machado estavam ao lado de Júlio Prestes e do governo304.
As eleições presidenciais ocorreram no dia 1º de março de 1930 e ao final do mês foram iniciados os trabalhos de apuração do pleito no Distrito Federal. De acordo com Conniff, contrariando as expectativas de que o povo carioca seguisse sua tradição oposicionista, e evidenciando uma situação já representada no Conselho Municipal, Prestes ganhou com uma maioria de 51% entre o eleitorado carioca305.
É importante destacar também que paralelamente à discussão da política nacional, em 1929, o Conselho Municipal não deixou de discutir as questões de interesse da cidade. Apenas para exemplificar as temáticas debatidas, destacamos a questão do imposto sobre portões nas corridas hípicas e a proposição de calçamento de diversas ruas306; o pedido de esclarecimentos sobre a distribuição de gasolina na capital307; a discussão sobre o empréstimo municipal de oito milhões de dólares requisitados pelo prefeito308; o aumento dos vencimentos do funcionalismo municipal e
302 Ver detalhes em IDEM, 31/12/1929. P. 6.
303 Os intendentes que foram a favor do requerimento são: Maurício de Lacerda, Henrique Maggiolli,
Edgar Romero, Jerônimo Penido, Clapp Filho, Moura Nobre, Nelson Cardoso, Dormund Martins, Baptista Pereira e Costa Pinto.
304
CONNIFF, Michael. Op. Cit. P. 115-116.
305 IDEM. Ibdem. P. 116
306 Ver Correio da Manhã, 22/06/1929. P. 6. 307
Ver IDEM, 25/07/1929. P. 5.
o novo empréstimo de vinte mil contos, feitos com o Banco Canadá309; o empréstimo para a construção de habitações operárias310; o orçamento municipal311; o funcionalismo municipal312; a questão da carne verde na cidade313, dentre outros assuntos.
E por falar na rotina do Conselho em 1929, não podemos deixar de mencionar a crise interna ocorrida na Casa Legislativa em novembro. Em outubro, o Correio já anunciava a possibilidade dos intendentes entrarem em greve no Conselho contra as atitudes do Prefeito Antônio Prado Jr. em relação ao orçamento314. A oposição ao prefeito já vinha acontecendo, mas foi precipitada por duas questões: a requisição de novos empréstimos, aumentando as despesas e a remoção de um filho do intendente Clapp Filho. A primeira ia contra a Lei Orgânica da cidade a respeito das despesas e neste sentido, contra uma prerrogativa cara ao Conselho. A situação chegou ao ponto do
leader Nelson Cardoso renunciar o seu posto e deixar sua vaga para o intendente Mário
Barbosa, sob a condição de que não ingressaria no gabinete do prefeito para coisa alguma315.
Neste sentido, pode-se dizer que para além da questão nacional, o Conselho estava repleto de demandas e discussões a serem dirimidas. E não podemos esquecer ainda a própria crise que o Legislativo estava vivenciando em fins de 1929, o que fez com que os intendentes estivessem preocupados com suas próprias questões.
Mas se o ano de 1929 estava conflituoso no Conselho, o ano legislativo de 1930 não seria diferente. Antes mesmo de se iniciarem as sessões preparatórias, surgiram notícias de que o Presidente eleito Júlio Prestes – mas ainda não reconhecido – se envolveria na formação da Mesa do Conselho. De acordo com o Correio, Irineu Machado e Cesário de Mello teriam viajado para São Paulo para resolver tal situação, no entanto, Prestes não estaria interessado em se intrometer na política do Conselho Municipal. Assim, o jornal publicou:
309 Ver IDEM, 07/08/1929. P. 4. 310 Ver IDEM, 20/09/1929. P. 2. 311 Ver IDEM, 21/08/1929. P. 6; 27/08/1929. P. 6. e 03/09/1929. P. 4. 312 Ver IDEM, 27/11/1929. P. 2. 313 Ver IDEM, 22/11/1929. P. 2.
314 De acordo com o Correio, Irineu Machado estaria tentando de qualquer forma conseguir a chefia da
política do Distrito Federal. Um de seus esforços esteve centrado em alcançar a maioria do Conselho na questão orçamentária e seu objetivo era conquistar 14 intendentes. Irineu estaria forçando uma crise entre o Conselho e o prefeito para barganhar no orçamento municipal. Ver detalhes em Correio da Manhã, 19/10/1929. P. 5.
Regressando os dois parlamentares ao Rio, soube-se com certeza, no entanto, que o Sr. Júlio Prestes se desinteressava do caso da Mesa do Conselho, achando que o assunto deveria ser resolvido pela própria política do Distrito Federal, sem a sua interferência, pelo fato de se tratar de um caso em que estavam envolvidos comuns amigos políticos. (...)316
Neste caso, qual seja o motivo que levou o presidente a tomar a atitude