• Sonuç bulunamadı

2.1. Dem!r Çel!k Fabr!kaları ve Yüksek Fırınlar

2.1.1. Yüksek fırın proses!

A crise de 1929 abalou o mundo, e por conseqüência, seu mercado. Ela trouxe várias restrições às importações de produtos manufaturados, proporcionando o processo de

industrialização de Franca. Como conseqüência da crise, houve uma diversificação da agricultura e das atividades artesanais, que se deslocaram para os centros urbanos, caracterizando o início do uso industrial do solo urbano, bem como do processo de urbanização da região.

Assim, a cidade tornou-se, nas últimas décadas, um importante pólo industrial, caracterizado principalmente pela indústria de calçados, o que possibilitou um acelerado crescimento da cidade. Franca é hoje um dos principais pólos calçadistas do país e o maior núcleo exportador de calçados masculinos. A indústria de calçados atraiu curtumes, indústrias de borracha, de processamento de couros e de colas, formando um cluster de calçados em Franca e municípios vizinhos. Desta forma, a atividade industrial calçadista teve grande importância social e no direcionamento do planejamento e do desenvolvimento da cidade (GARCIA, 1982). Além da indústria de calçados e da agropecuária, outra atividade econômica em Franca é a lapidação e a comercialização de diamantes, sendo a única região produtora de diamantes no Estado de São Paulo (CANIL, 1998a).

Segundo dados da Associação dos Manufatores de Couros e Afins do Distrito Industrial – AMCOA –, até 1998 a cidade possuía 16 curtumes, empregando cerca de 1500 funcionários diretos. Doze deles estavam localizados no distrito industrial, região onde se aglomera a maioria; os outros quatro estavam dispersos ao longo do perímetro urbano. A sua localização foi conseqüência do planejamento urbano adotado pela prefeitura com o objetivo de minimizar os impactos ambientais negativos que a cidade sofria com sua localização inicial. Dos quatro curtumes que se localizavam fora do distrito industrial, dois se encontravam às margens do córrego do Cubatão, um às margens do córrego do Espraiado e o outro em uma das sub-bacias do Rio Canoas. Entretanto, para poderem continuar em suas instalações, tiveram que se adequar às exigências legais, impostas pela prefeitura. Em função destas, o tratamento dos efluentes, dos resíduos sólidos e das emissões para a atmosfera, de todos os curtumes francanos era realizado de forma considerada correta, pela prefeitura (ARCHETI, 2001). Mas, atualmente, segundo ela, toda a atividade curtumeira está localizada no distrito industrial.

De acordo com Érico Augusto Mario Eugenio Archeti, a localização dos curtumes dentro da cidade, até 1986, constituía um problema ambiental gravíssimo e de difícil solução. Impedia a montagem de um sistema dos efluentes líquidos, pela falta de espaço físico adequado. Tanto quanto o meio ambiente, a população sofria com o mau cheiro provocado pelos resíduos tóxicos, pela poluição do ar e por material particulado (ARCHETI, 2001).

Em sua pesquisa, Elza Helena Marqueti assim analisa a poluição das águas que cortam o tecido urbano de Franca:

As águas dos córregos que cortam a cidade e região encontram-se entre as mais poluídas do Estado de São Paulo. A certeza da poluição pode ser conferida pelos próprios transeuntes das marginais da cidade, tanto visível, como pelo odor exalado pela água e pelos detritos carregados pelas mesmas.

A CETESB (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental) aponta o Ribeirão dos Bagres, segundo pesquisas em 1990, com uma qualidade imprópria, apresentando um índice de 0 a 19% de agentes poluidores, sendo este o mais alto grau de poluição das águas. Essa poluição é devida, principalmente, ao despejamento no córrego de produtos químicos pelos curtumes existentes na cidade (MARQUETI, 1991, p.68).

Apesar da estrutura voltada para a minimização dos impactos ambientais gerados das atividades curtumeiras, houve, com a aprovação da Lei de Crimes Ambientais, Lei Federal n° 9.605 (BRASIL, 1998), de 12 de fevereiro de 1998, uma pressão da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB – para cassar a Licença de Funcionamento desses curtumes. A preocupação da companhia não era apenas relacionada aos altos índices de poluentes gerados, mas também à incorreta destinação final dos resíduos, principalmente dos lodos gerados nas estações de tratamento de esgoto, contendo cromo (PADINHA, 1998).

Atualmente, a CETESB de Franca, além dos pontos de amostragem referentes à rede de Monitoramento da Qualidade das Águas Interiores do Estado de São Paulo (CETESB, 2005), efetua periodicamente, quatro vezes por ano, o monitoramento de mais quatro pontos no córrego dos Bagres, que são:

1. Rua Oswaldo Cruz, cruzamento com avenida Dr. Hélio Palermo, a 500 m da nascente, no município de Franca;

2. Ponte da Rodovia 334, no município de Franca, ponto em que o córrego dos Bagres já recebeu as águas dos córregos do Cubatão e Espraiado;

3. Ponte da Rodovia de acesso a São Paulo, no município de Restinga; 4. Fazenda Boa Sorte, a 2 km da foz, no município de Restinga.

Vale destacar que a CETESB de Franca, além do monitoramento das águas, realiza também, periodicamente, inspeções nas fontes poluidoras (indústrias), em que são coletados os efluentes brutos e tratados, no intuito de verificar se elas estão atendendo ou não à legislação vigente.

No ano de 2004, não foi detectada inconformidade de cromo nas águas do córrego dos Bagres. Isso indica a eficácia da ação de controle junto aos curtumes e demais indústrias de Franca, bem como demonstra a eficiência da Estação de Tratamento de Esgoto – ETE – principal da Sabesp na cidade, apesar dos córregos de Franca se

enquadrarem na classe 46, de acordo com o Decreto n° 8.468 (BRASIL, 1976), de 8 de setembro de 1976. No entanto, foi detectado mercúrio nas águas do córrego dos Bagres e rio Sapucaí Mirim. Este fato indica que há necessidade de investigação sobre as causas, que podem ter origem industrial ou agrícola. Assim, foram intensificadas as ações, tanto nos corpos receptores quanto nos principais fluentes líquidos industriais, para determinação da origem do mercúrio presente na água (CETESB, 2005). No entanto, os dados de 2005, até a data de escrita deste texto, não haviam sido publicados.

Apesar do monitoramento das águas e das inspeções nas fontes poluidoras, realizados pela CETESB Franca, não há, segundo a Prefeitura Municipal de Franca, planos ou projetos relacionados às microbacias urbanas ou à poluição difusa. O que existe são projetos pontuais, mas não um plano para as microbacias ou para a cidade como um todo.

De acordo com estudos realizados pela Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (2002), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a questão da poluição difusa é bastante importante, principalmente no meio urbano, pois grande parte da poluição gerada em uma cidade é oriunda desta modalidade. O escoamento superficial da água carrega o material solto, ou solúvel, que encontra nas áreas impermeáveis, nas áreas em fase de construção, nos depósitos de lixo ou de resíduos industriais, até os corpos d'água, levando a estes cargas poluidoras bastante significativas. Além disso, o escoamento superficial é aumentado pela impermeabilização das áreas urbanas, o que acarreta, também, aumento das velocidades de escoamento, e, conseqüentemente, maior capacidade de arraste e maiores cargas poluidoras. Estas cargas são rapidamente veiculadas pelas redes de drenagem e se constituem em importantes fontes de degradação dos corpos d’água.

Segundo Vladimir Novotny e Harvey Olem (1993), esse tipo de poluição é considerada difusa, pois provém de atividades que depositam poluentes de forma esparsa sobre a área de contribuição da bacia hidrográfica. Para os autores, são cinco as condições que caracterizam as fontes difusas de poluição:

• o lançamento da carga poluidora está relacionado à ocorrência de chuvas, além de não ser contínuo;

• os poluentes são transportados a partir de extensas áreas;

• a origem das cargas poluidoras é de difícil identificação, atrapalhando assim o seu monitoramento;

• as ações para o controle da poluição devem incidir sobre a área geradora, ao invés de incluir apenas o controle do efluente quando do lançamento;

6 Classe 4: águas destinadas ao abastecimento doméstico, após tratamento avançado, ou à navegação, à harmonia paisagística, ao abastecimento industrial, à irrigação e a usos menos exigentes.

• a variação da carga poluidora, de acordo com intensidade e a duração da chuva, dificulta o estabelecimento de padrões de qualidade para o lançamento do efluente, tornando a correlação “vazão x carga poluidora” muito difícil de ser estabelecida.

Assim, as falhas na qualidade da limpeza urbana e a falta de educação, não só ambiental, de uma parcela da população vêm trazendo grandes prejuízos aos corpos d’água urbanos. Jonathan Parkinson et al. (2003) afirmam ser imprescindível diminuir a geração de resíduos sólidos, pois o excesso deles é uma barreira para a implantação de reservatórios de retenção, além de aumentar o custo de manutenção da rede de drenagem.

Desta forma, para uma boa

gestão dos recursos hídricos é necessária a integração das diversas agendas que existem em uma bacia e que estão associadas aos recursos hídricos (agenda azul), ao meio ambiente (agenda verde) e à cidade (agenda marrom). Essas políticas também têm que ser compatibilizadas nesta unidade de planejamento geral, que é a bacia hidrográfica. Para que estas técnicas de engenharia sejam implementadas e para se assegurar à operação sustentável dos sistemas de drenagem, novos métodos de planejamento e gerenciamento urbano são necessários (PRODANOFF, 2005, p. 4).

O exposto nesta pesquisa demonstra que muito já foi feito para a melhoria dos córregos da cidade de Franca, porém muito ainda há por fazer. A melhoria dos recursos hídricos expande seus efeitos para toda a cidade e para seus habitantes. Porém, são necessárias medidas que ultrapassem o saneamento tradicional e contemplem a gestão ambiental da cidade, implementando, assim, um plano estratégico que considere os aspectos sociais, econômicos, culturais, políticos, físicos, ambientais e institucionais, de modo a garantir a conservação e o uso saudável dos recursos hídricos do município.

Benzer Belgeler