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Para a realização do estudo de caso envolvendo a cidade de Franca foram selecionadas para análise as APPs marginais a três córregos que atravessam o perímetro urbano e são responsáveis pela drenagem central da cidade. São elas:

• Área 1: APP marginal ao córrego dos Bagres; • Área 2: APP marginal ao córrego Cubatão; • Área 3: APP marginal ao córrego do Espraiado.

Córrego dos Bagres

Córrego do Cubatão

Córrego do Espraiado

Figura 32: Localização dos córregos dos Bagres, Cubatão e Espraiado.

As bacias dos córregos dos Bagres e do Cubatão apresentam-se quase que totalmente urbanizadas, com 70% aproximadamente de área impermeável. O mesmo não acontece com a bacia do córrego do Espraiado; entretanto, os projetos e ocupação preferencial para a cidade (figura 33) estão voltados, por motivos econômicos, para esta bacia (FIPAI, 1998).

Nota-se também, nas figuras 32 e 33, vazios dentro da área urbana consolidada, que muitas vezes correspondem às áreas de cabeceiras de drenagem. Por área urbana consolidada, entende-se a área densamente ocupada com disponibilidade de infra-estrutura básica e equipamentos, atividades de comércio e serviços, etc.

Córrego dos Bagres

Córrego do Cubatão

Córrego do Espraiado

Figura 33 - Macrozoneamento de Franca.

Segundo Lazaro Valentin Zuquette e outros autores, predomina na região declividades inferiores a 30%. Como pode ser visto na figura 34, as principais faixas delimitadas são: 0 a 2%, 2 a 5%, 5 a 10%, 10 a 20% e > 20%, com predominância de valores inferiores a 20%. As variações de declividade relacionam-se às características dos canais de drenagem da área. A classe de 0 a 2% ocorre nos platôs, entre os canais (ZUQUETTE et al., 1994 e 1995).

Figura 34 - Carta de declividades.

A declividade em direção aos cursos d’água provoca uma drenagem rápida em direção a eles, chegando a apresentar, em seu terço superior e médio, corredeiras no córrego dos Bagres, uma cachoeira com queda de aproximadamente 10 m no córrego do Cubatão e algumas quedas d’água menos acentuadas no córrego do Espraiado. Já no terço inferior, os córregos apresentam baixas declividades, o que provoca inundações.

De acordo com o Mapa de Erosão do Estado de São Paulo (IPT, 1995), o município de Franca é considerado como um dos mais críticos em relação aos processos erosivos, principalmente com ocorrências de voçorocas na área urbana e periurbana. As voçorocas não são apenas obstáculos naturais, mas resultado de inúmeras transformações e/ou alterações antrópicas decorrentes do desenvolvimento urbano, que, aliado à falta de infra-estrutura na instalação de loteamentos, maximiza esses processos.

Os processos erosivos, decorrentes da expansão urbana, impactam fortemente os recursos hídricos e suas APPs, sendo uma das causas das inundações, trazendo sérios problemas e prejuízos à população e ao Poder Público local.

Desta forma, o Mapa de Risco Potencial de Erosão, elaborado pela equipe coordenada por Kátia Canil, é a representação gráfica dos terrenos em relação à ocorrência dos processos erosivos. Tal mapa traz indicações de aptidões e restrições para o uso do solo urbano. As informações contidas nele resumem as principais características do meio físico e dos problemas provocados pelas erosões, relacionados à ocupação do solo. O

objetivo de sua aplicação é o de orientar o planejamento urbano da cidade, em função da potencialidade de erosão. Busca-se também a otimização dos espaços urbanos, de forma que sua ocupação cause a menor degradação possível no ambiente (CANIL, 1998a). Vale lembrar que o mapa elaborado engloba todo o município de Franca, porém a figura 35 traz apenas o recorte da área de estudo desta dissertação.

Córrego dos Bagres

Córrego do Cubatão

Córrego do Espraiado

Figura 35 - Mapa de risco potencial de erosão (recorte da área estudada).

O procedimento metodológico utilizado para a elaboração do mapa permitiu definir, para todo o município de Franca, 5 classes principais de comportamento de erosão com respectivas subclasses. No entanto, serão apresentadas apenas as classes que englobam a área de estudo.

Classe II - Risco Potencial de Erosão Baixo: corresponde aos setores de

ocupação consolidada, envolvendo as vertentes adjacentes aos vales dos córregos dos Bagres, Cubatão (até a confluência de ambos) e Espraiado. As áreas pertencentes a essa classe são favoráveis à ocupação urbana, com exceção dos fundos de vale.

Classe III B - Risco Potencial Médio de Erosão: corresponde às áreas ainda

não ocupadas a sudoeste do córrego dos Bagres. Esta classe manifesta-se em setores localizados deste córrego. São áreas favoráveis à ocupação urbana, requerendo cuidados especiais na concepção dos loteamentos, principalmente na disposição dos lotes, arruamento, drenagem e terraplenagem.

Classe III C - Risco Potencial Médio de Erosão: corresponde ao chamado

“Planalto de Franca”, no qual está instalada a área urbana consolidada e dotada de infra- estrutura.

Classe IV A - Risco Potencial Alto de Erosão: esta classe ocorre em

vertentes mais suavizadas. São áreas favoráveis à ocupação urbana, desde que dotadas de infra-estrutura adequada.

Classe IV B - Risco Potencial Alto de Erosão: corresponde às áreas com

forte declividade na porção sudoeste da bacia dos Bagres, que se caracterizam por seus fundos de vale estreitos. São áreas com restrições à ocupação urbana, exigindo práticas ou projetos especiais.

Classe V A - Risco Potencial Muito Alto de Erosão: corresponde às áreas

adjacentes às cabeceiras de drenagem, áreas estas ainda em consolidação. Esta unidade é expressiva nas vertentes dos córregos do Espraiado e Cubatão. São áreas com restrições à ocupação urbana exigindo, também, práticas ou projetos especiais.

Classe V B - Risco Potencial Muito Alto de Erosão: corresponde às áreas das

cabeceiras de drenagem dos principais cursos d’água e seus tributários. Geralmente, essas áreas estão em declividades altas, caracterizadas por um relevo com extrema potencialidade ao desenvolvimento dos processos erosivos. São áreas não recomendáveis à ocupação urbana.

O Mapa de Risco Potencial de Erosão é um instrumento importante para o planejamento de um município, principalmente para sua área urbana. Tal instrumento traz orientações e diretrizes para uma melhor forma de ocupação do solo, além de indicar medidas básicas e necessárias para o uso adequado deste, de forma que se cause o menor impacto ambiental das áreas mais suscetíveis aos processos erosivos.

Porém, confrontando as figuras 33 e 35 notam-se discrepâncias, principalmente na microbacia do córrego do Espraiado, com relação às áreas de ocupação urbana. Enquanto a figura 35, Mapa de Risco Potencial de Erosão, indica como áreas menos

propicias à ocupação, por possíveis problemas relacionados à erosão do solo, a parte alta desse córrego e seu entorno a figura 34, Macrozoneamento de Franca, apenas restringe a ocupação na nascente do mesmo. Assim, áreas com risco potencial de erosão alto e muito alto são tratadas pela Prefeitura Municipal de Franca como sendo de ocupação preferencial, até mesmo as áreas de nascente que deveriam ser preservadas.

Desta forma, o macrozoneamento de Franca deveria ser revisto, de forma a se adequar às orientações e diretrizes contidas no Mapa de Risco Potencial de Erosão, pois tal adequação é de extrema importância no planejamento da cidade, principalmente para um município tão problemático com relação às erosões.

3 DESCRIÇÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE –

APPs – MARGINAIS AOS CÓRREGOS DOS BAGRES, CUBATÃO E

ESPRAIADO

Será apresentada, a seguir, a descrição das APPs marginais aos córregos dos Bagres, Cubatão e Espraiado, na área urbana de Franca/SP. Esta descrição foi baseada em visitas a campo, diagnóstico fotográfico, estudos bibliográficos e análise de projetos, e, torna-se pertinente para verificar as conseqüências, expostas no embasamento teórico deste trabalho, da ocupação antrópica nas APPs marginais aos corpos d’água.

Para a realização de tal descrição, foi necessária a divisão dos corpos d’água em trechos. Esta feita de acordo com a observação, em campo e a partir de fotos aéreas, das principais características de ocupação antrópica de suas APPs, tendo como objetivo a obtenção de trechos homogêneos. O percurso dos córregos foi realizado todo a pé, sendo possíveis uma observação mais detalhada da ocupação antrópica e a realização do diagnóstico fotográfico.

As figuras 36 e 37 trazem o mapa e a fotografia aérea, respectivamente, da região de estudo, onde podem ser visualizados os trechos, bem como seu entorno.

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Trecho 2

Trecho 1

Trecho 3

Trecho

4

Trecho 5

Trech

o 1

Trecho 2

Trecho 4

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5

Trecho 6

Trecho 7

Trecho 1

Trecho 2

Trecho 3

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4

Trecho

5

Legenda

Trechos selecionados para estudo - Córrego dos Bagres Trechos selecionados para estudo - Córrego do Cubatão Trechos selecionados para estudo - Córrego do Espraiado Córregos

Arruamento

Represa do Castelinho

Figura 37 - Foto aérea dos córregos dos Bagres, Cubatão e Espraiado, 20037 (sem escala) (Modificado de

Prefeitura Municipal de Franca, 2005).

7 Esta figura está apenas ilustrando a ocupação antrópica das APPs estudadas. Não se obteve ortofotos (ortofoto é uma imagem fotográfica que foi retificada diferencialmente para remover qualquer distorção de geometria (posição e inclinação) e deslocamentos devido ao relevo); portanto, a sobreposição das fotos obtidas na Prefeitura Municipal de Franca não ficou perfeita, sendo grandes as diferenças em vários locais. No entanto, mesmo não estando bem sobreposta, a visualização do avanço da urbanização sobre os córregos é clara.

Benzer Belgeler