Após a rotatória, como já mencionado anteriormente, a ocupação urbana se intensifica, bem como os problemas decorrentes dela e do fluxo de veículos. As APPs, além de serem ocupadas pelas avenidas, são, neste trecho, ocupadas, na sua maioria, por estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e industriais (figuras 116 (a) e (b)). Como exemplo de estabelecimento industrial, pode-se citar a “HB Curtidora e Calçados Ltda.”, fundada em 1945. Apesar do nome, o curtimento do couro é uma atividade não
mais desenvolvida às margens do córrego do Cubatão. Aliás, como já analisado no item 2.4. deste trabalho, a atividade curtumeira está toda localizada no distrito industrial do município.
(a) (b)
Figuras 116 (a) e (b) - Vista das APPs do córrego do Cubatão no trecho 4 (Fotografias: Bruna da Cunha Felicio. Out/2006).
Embora a atividade de curtimento do couro tenha ido para o Distrito Industrial da cidade, os prédios dos curtumes, ou o que restou deles, ainda se encontram às margens dos córregos. Esses estão abandonados em plena área urbana, virando reduto de lixo, fonte de mau cheiro e abrigo para andarilhos e usuários de drogas.
Na figura 117, o antigo curtume São Sebastião, situado na avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso, encontra-se em ruínas. Embora seja um problema mais localizado e restrito a algumas áreas da cidade, a situação incomoda muito a população. Os prédios dos curtumes abandonados foram apontados, no final de 2006, como a sexta pior realidade francana (COMÉRCIO DA FRANCA, 2006c).
Figura 117 - Ruínas do curtume São Sebastião, às margens do córrego do Cubatão, em área urbana de Franca (Fotografia: Divaldo Pereira. Dez/2006).
Os arredores do estádio municipal Dr. Lancha Filho, construído em 1969, é outro fator que merece destaque nas APPs deste trecho. O solo sem vegetação é propício a desmoronamentos, e o transporte de partículas para dentro do córrego resulta em seu
assoreamento, podendo haver transbordamento. Como pode ser notado nas figuras 118 (a) e (b), não há integração do estádio com a paisagem francana, e a falta de vegetação torna essa área pouco atraente e monótona.
(a) (b)
Figuras 118 (a) e (b) - Detalhe dos arredores do estádio municipal Dr. Lancha Filho (Fotografias: Bruna da Cunha Felicio. Out/2006).
As canaletas construídas para facilitar o escoamento da água para dentro do córrego, próximas ao “Shopping do Calçado”, às margens do córrego dos Bagres, também são comuns neste trecho, bem como o desmoronamento das partes não impermeabilizadas das margens do córrego, além do mais alguns emissários de esgotos são utilizados como passarela (figuras 119 (a), (b) e (c)).
(a) (b)
(c)
Figuras 119 (a), (b) e (c) - Eventos de desmoronamentos das partes não impermeabilizadas do córrego, presença das canaletas para facilitação de escoamento da água e utilização de emissário de
Sob a avenida Sete de Setembro, há um corpo d’água que foi tamponado. À época da construção da galeria, conforme a figura 120, a ocupação na área não era tão intensa, diferentemente da situação atual (figura 121) e a inserção do corpo d’água na paisagem urbana, até mesmo pela presença do Teatro Municipal, poderia ter sido realizada.
Figura 120 - Construção da galeria da avenida Sete de Setembro (Fotografia: acervo fotográfico do Museu Histórico Municipal de Franca "José Chiachiri". Set/1991. Elaboração: Bruna da Cunha
Felicio, 2007).
Figura 121 - Atual situação da avenida Sete de Setembro, inaugurada em outubro de 1992 (Fotografia e elaboração: Bruna da Cunha Felicio. Out/2006).
Parte do prédio do Fórum Municipal de Franca e da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis de Franca – FACEF – estão localizados próximos ao córrego do Cubatão e sofrem as conseqüências desta proximidade. No local as inundações são comuns, tanto que a faculdade é apelidada, pelos alunos, de “Brejão” (figuras 122 (a) e (b)).
(a) (b)
Figuras 122 (a) e (b): (a) Cheia no Córrego do Cubatão que, minutos depois (b), transborda inundando parte da FACEF (Fotografias: Tiago Brandão. Dez/2006).
As figuras 123 (a) e (b) mostram o cruzamento, em 1990 e 2006, respectivamente, entre as avenidas Dr. Ismael Alonso Y Alonso e Major Nicácio. Nota-se na foto atual que a área recebeu um tratamento paisagístico, porém há uma maior impermeabilização do solo se comparada com a foto de 1990, o que acarreta maiores problemas com as inundações.
(a) 1990 (b) 2006
Figuras 123 (a) e (b) - Vista do cruzamento, em 1990 e 2006, respectivamente, entre as avenidas Dr. Ismael Alonso Y Alonso e Major Nicácio (Fotografias: (a) acervo fotográfico do Museu
Histórico Municipal de Franca "José Chiachiri". 1990 e (b) Tiago Brandão. Dez/2006).
O atual prefeito planeja construir, até 2008, dois viadutos sobre a avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso, no cruzamento da via com as avenidas Major Nicácio e Champagnat (figura 124). Os freqüentes congestionamentos em ambas as regiões, em horários de pico, seriam o motivo das obras. Na avenida Major Nicácio, o largo canteiro facilitaria a construção do viaduto. As pistas seriam afuniladas e abririam espaços para alças de acesso a serem construídas na avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso. Já na avenida Champagnat a obra seria mais complexa, pois faltaria espaço para as alças, mas o procedimento seria parecido. Em ambos os projetos, as rotatórias que atualmente tentam
resolver os problemas do trânsito local seriam mantidas (COMÉRCIO DA FRANCA, 2006d).
Figura 124 - Rotatória da avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso com a avenida Champagnat (Fotografia: Bruna da Cunha Felicio. Out/2006).
As inundações no local ou os problemas que os pedestres encontram na transposição da via não foram mencionados na necessidade de construção dos viadutos. Nota-se, nas figuras 125 (a) e (b)8, que não há calçadas para os pedestres, que necessitam caminhar junto aos veículos para transpor a avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso.
(a) (b)
Figuras 125 (a) e (b) - A ausência das calçadas obriga os pedestres a caminharem junto aos veículos para transpor a avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso (Fotografias: Bruna da Cunha
Felicio. Out/2006).
Uma outra evidência da cultura do automóvel na área é que foi perguntado a quatro pedestres e a quatro motoristas qual o nome da avenida em que eles estavam circulando e todos responderam acertadamente avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso. Já quanto ao nome do córrego presente entre as pistas da avenida, apenas dois pedestres e um motorista responderam de forma correta que era o córrego do Cubatão. Mesmo não servindo de base para uma pesquisa estatística, os dados relevam a superioridade, na mente da população, da via de trânsito sobre o córrego e suas APPs.
8 As figuras 125 (a) e (b) foram feitas, por motivos de segurança, em um domingo às 8:30 h. Tal fato explica a ausência dos veículos nas vias.
Ao final deste trecho, a montante da cachoeira do córrego do Cubatão, o fundo do canal encontra-se assoreado e há presença de lixo, arremessado pelos transeuntes ou então trazido pela enxurrada e correnteza do córrego (figura 126).
Figura 126 - A montante da cachoeira do córrego do Cubatão (Fotografia: Bruna da Cunha Felicio. Out/2006).
O assoreamento e a presença dos resíduos sólidos se contrapõem ao cuidado paisagístico da área, que possui canteiros com árvores, gramíneas e palmeiras.
3.2.5 Trecho 5: Cachoeira do córrego do Cubatão a junção deste com o córrego dos