4. ARAŞTIRMANIN YÖNTEM VE SINIRLIKLARI
3.2. KIYAS
3.2.2. Kıyas Çeşitleri
3.2.2.1. İktirani (Kesin) Kıyas
3.2.2.1.2. Yüklemli İktirani Kıyas ve Şekilleri
Considerando a sala de aula uma cultura formada pelos seus membros, onde, à medida que começam a estabelecer padrões de convivência, constroem-se também significados para essas ações, faz-se necessário apresentar os episódios cotidianos da sala de aula (ANDRADE, 2006).
As aulas iniciavam-se às 13 horas e terminavam às 17 horas e 20 minutos, sendo esse horário dividido em módulos de 50 minutos. As crianças começavam a entrar na escola às 13 horas e eram encaminhadas para a quadra, onde eram recebidas por suas professoras e coordenadoras pedagógicas. Após a recepção na quadra, a professora levava todos os alunos à porta do banheiro e os esperava do lado de fora. Em seguida, eles se direcionavam para a sala e organizavam as mesas de acordo com as ordens da professora. Retiravam o material da mochila, entregavam o para casa e começavam a construir, junto com
ela, a rotina do dia. Nos primeiros meses do ano, a professora construiu a rotina escrevendo o nome das atividades com letra de fôrma e fazendo um desenho na frente de cada uma. Com o passar dos meses, começou a escrever o nome da atividade com letra de fôrma minúscula, mas ainda com o desenho. No final do primeiro semestre, deixou de fazer o desenho, utilizando somente a letra de fôrma minúscula. Após a construção da rotina, a docente fazia a chamada e passava para a primeira atividade do dia, que podia ser de Português ou de Matemática.
As atividades eram realizadas em grupo, com a intervenção da professora, que ia explicando os enunciados e ajudando na elaboração das respostas. As interações entre a professora e os alunos e entre os alunos e os alunos eram constantes e muitas vezes intensas, fazendo com que todos falassem com um tom de voz muito alto. Na maior parte do tempo, a interação da professora com o grupo aconteceu nos momentos de dar alguma instrução, recado ou para explicar os enunciados. Em outros momentos, a interação entre a professora e os alunos se fazia com o objetivo de chamar a atenção pelo comportamento ou para chamá-los a participar dos trabalhos, ajudando na elaboração de algum conceito ou resposta. Esse tipo de interação foi visto por mim como uma avaliação, uma vez que, por meio dessas interações, a professora conseguia saber quais alunos estavam ou não entendendo o que estava sendo ensinado. A participação oral acontecia de acordo com a vontade de cada um ou quando a professora solicitava.
A rotina de atividades foi modificada de acordo com o dia da semana por causa das aulas com a professora de apoio e do horário da aula de Informática. As aulas de Informática aconteciam às quintas-feiras após o recreio; as aulas com a professora de apoio aconteciam às segundas, terças, quartas e sextas-feiras, sendo encaixadas em um dos módulos de 50 minutos.
Geralmente os meninos realizavam três atividades que eram estabelecidas pela rotina do dia, antes do recreio, que começava às 15 horas e terminava às 15h e 20m. Antes de irem brincar, a professora levava os alunos até a cantina para comerem a merenda, que era oferecida pela escola, e só depois os liberava para brincar.
Ao término do recreio, a professora encontrava-se com os alunos na quadra e levava-os para o banheiro e, em seguida, para a sala, onde eles tinham mais dois horários antes de irem embora.
A saída acontecia na mesma quadra da entrada. Os pais entravam na escola e buscavam seus filhos, que, geralmente, ficavam assentados em fila, aguardando.
A partir da convivência com o grupo, pude entender como cada uma das ações e das práticas se configuravam como a cultura daquela sala de aula. Quando a professora realizava uma atividade com a turma, eles sabiam e demonstravam como deviam reagir para serem ouvidos ou para participar mais da interação; sabiam que havia horário para ir ao banheiro, sabiam como deveriam se comportar antes do recreio e após o recreio. É interessante mencionar que, todos os dias, após o retorno do recreio, a professora abria a sala e eles já iam se assentar nas cadeiras e abaixavam a cabeça sobre o braço na carteira para descansar um pouco antes de reiniciarem as atividades. Outra observação que merece destaque é o modo de interação criado pela professora que, nos momentos em que estive presente, deixaram de propiciar a interação dos alunos em pequenos grupos, assunto este que será discutido no próximo capítulo.
Capítulo 3
O DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM DA ESCRITA, SEGUNDO AS EXPECTATIVAS DA PROFESSORA
No capítulo anterior, abordamos os pressupostos da lógica de investigação da Etnografia Interacional. Esses pressupostos foram escolhidos por considerarmos a sala de aula como uma cultura que busca compreender as práticas cotidianas por meio das interações construídas pelos participantes daquele grupo. Sabemos que a mediação do outro, seja através dos signos, dos gestos ou das imitações, é de extrema importância na inserção cultural das crianças; por isso, o professor e os outros pares de idade são importantes na construção desses sujeitos.
Desse modo, neste capítulo, vamos procurar mostrar como as expectativas da professora conduziram sua mediação, sua didática, suas intervenções e interações com os alunos selecionados e como eles se desenvolveram ao longo do ano em relação à aprendizagem da escrita. As análises terão como foco a professora Sophia e os quatro alunos: Beatriz, Denise, Carlos e Kevin. No entanto, abordaremos, também, as interações em nível macro, ou seja, sem esquecer as interações e as relações construídas nos pequenos grupos. Para isso, escolhemos três das dezesseis aulas gravadas durante o ano de 2010 para análise: a aula do dia 14 de abril, 7 de junho e 12 de julho.
Como dito no capítulo anterior, essas aulas apresentam eventos significativos para analisar como ocorreram as interações e, consequentemente, como a professora demonstrava o que era esperado dos alunos e as consequências dessas expectativas no desenvolvimento da escrita dos discentes. Para analisar esses eventos detalhadamente, realizamos transcrições em mapas de eventos e transcrições de sequências discursivas que ajudaram na elaboração da macro e da micro análise e construção da conclusão deste trabalho.
Como forma de organização, decidimos apresentar o material empírico em três seções. Na primeira, abordamos a construção das expectativas da professora em relação à turma, o significado dos conceitos de violência e vulnerabilidade e sua influência no processo de aprendizagem da escrita. Na segunda, apresentamos como era a metodologia utilizada pela professora para alfabetizar a turma, ou seja, como ocorria o processo de ensino e aprendizagem da
escrita. Na terceira seção, demonstramos como se deu o processo de aprendizagem da escrita desses alunos, a partir das interações ocorridas entre eles e a professora.