4. ARAŞTIRMANIN YÖNTEM VE SINIRLIKLARI
2.4. TANIM
3.1.3. Önermeler Arası İlişkiler
3.1.3.1. Karşı Olma
O questionário socioeconômico e cultural (APÊNDICE F) tornou-se uma ferramenta fundamental para a escolha dos sujeitos. Antes de construir o questionário, tivemos acesso aos documentos da escola, que se mostraram insuficientes na apresentação do perfil socioeconômico e cultural dos alunos daquela sala. Queríamos selecionar quatro alunos que realmente fizessem parte da condição de vulneráveis sociais, além dos fatores relacionados a etnia, gênero e idade. Por isso, buscamos selecionar duas meninas e dois meninos, sendo um casal
14 O nome usado para a professora é fictício. 15 LASEB
– Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Docência na Educação Básica destinado aos Educadores da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte – funciona em parceria com a Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, desde 2006.
de brancos e um de negros. Mas antes de passar para o perfil dos sujeitos selecionados, deixe-nos apresentar o perfil da turma.
Entregamos 25 questionários para serem respondidos pelos pais dos alunos em casa e determinamos uma data para recolhê-los e analisar os resultados. Por meio dos dados dos 18 questionários que foram devolvidos, foi possível elaborar o perfil socioeconômico do grupo: na época da coleta de dados, uma família estava desempregada; outra preferiu não declarar o valor da renda; três famílias recebiam um salário mínimo; uma recebia R$ 700,00 mensais e as outras onze declararam receber entre R$ 1.000,00 e 2.160,00. Esses valores correspondem à soma do salário do pai e da mãe. Com isso, apoiadas na classificação do IBGE,16 essas famílias pertencem à classe “D” (de R$ 1.020,00 até R$ 3.060,00) e “E” (até R$ 1.020,00).
Em relação à cor, podemos perceber, no gráfico 1, que a maioria se auto declara como pardo ou prefere não declarar a dizer que são negros. Talvez, essa insegurança para se declarar negro possa estar ligada à condição de vulnerabilidade em que vivem. Podemos perceber que, dos 13 meninos, nenhum se auto-declarou negro, 1,04% se auto-declarou pardo, 0,26% branco e 0,39% preferiu não declarar. Entre as 12 meninas, 0,72% constavam como pardas, 0,24% como brancas, 0,12% como negras e 0,36% preferiram não declarar.
Essa omissão da raça pode estar associada ao peso atribuído pela escola em relação à cor dos alunos e seu sucesso escolar. Algumas pesquisas, como a do INAF/2005, revelam que as meninas se saem melhor na escola do que os meninos se associarmos a cor ao gênero; os meninos estarão duas vezes mais em desvantagem do que as meninas. Patto (2008) revela que a produção do fracasso escolar é apoiada pelo peso do racismo existente dentro das escolas e, consequentemente, das salas de aula. Além disso, pensando no lado extraescolar, Heringer (2002) aponta para o fato de pessoas negras terem mais dificuldades para se inserirem no mercado de trabalho de forma satisfatória, ou seja, tendo um bom cargo e um bom salário.
16 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divide as classes sociais de acordo com a
GRÁFICO 3
ETNIA DOS ALUNOS DA TURMA
Fonte: Documento de matrícula da escola – 2010.
Para definir melhor o perfil das famílias, achamos conveniente apresentar os outros dados coletados no questionário como acesso a lazer e nível de instrução dos pais. Esses dados mostram a situação de vulnerabilidade das famílias dos sujeitos envolvidos na pesquisa, como se pode ver no GRAF. 3.
QUADRO 717
O QUE CONTA COMO LAZER PARA O PAI Andar de bicicleta 2 Assistir a TV 1 Fazer capoeira 1 Ir à igreja 1 Ir ao parque 1 Jogar Bola 4
Jogar vídeo game 2 Passear com os filhos 2
Ver filmes 2
Viajar 1
Não declarado 8
Fonte: Questionário aplicado aos pais pela pesquisadora, para realizar o perfil socioeconômico e cultural do grupo – 2010.
17 O pai poderia dar mais de uma resposta, por isso o total corresponde a um valor superior ao de
QUADRO 818
O QUE CONTA COMO LAZER PARA A MÃE
Escrever 1 Fazer compras 1 Ir a cachoeiras 1 Ir a restaurantes 1 Ir ao cinema 1 Ir ao parque 4 Ir ao shopping 2 Ir ao zoológico 1 Jogar vídeo game com os
filhos 1 Ler 1 Ouvir música 1 Participar de festas 1 Passear 2 Viajar 1 Não declarado 6
Fonte: Questionário aplicado aos pais pela pesquisadora, para realizar o perfil socioeconômico e cultural do grupo – 2010.
Como visto, o acesso ao lazer se restringe a passeios, ir ao shopping ou ao parque, para as mães, e para os pais, jogar bola, não apresentando passeios culturais, como teatros, museus, entre outros, para ambos os sexos. No entanto, percebemos que as mães incluem como forma de lazer a leitura e um número maior de atividades com os filhos, apesar de a maioria ter uma jornada dupla de trabalho.
TABELA 1
NÍVEL DE INSTRUÇÃO ESCOLAR DOS PAIS Sujeitos Fundamental Ensino
incompleto Ensino Fundamental completo Ensino Médio incompleto Ensino Médio completo Superior
incompleto declarado Não
Pai e mãe 9 5 2 10 1 9
Fonte: Questionário aplicado aos pais pela pesquisadora, para realizar o perfil socioeconômico e cultural do grupo – 2010.
Dos números apresentados na tabela acima, a maioria que concluiu o ensino médio é de mães. Pouquíssimos pais tiveram a oportunidade de concluir o ensino médio e ingressar num curso superior, o que dificulta o acesso a empregos bem remunerados e uma possível chance de ascensão profissional, mantendo, portanto, essas famílias em situação de vulnerabilidade social.
Diante desses fatos, elegemos quatro crianças que estavam localizadas na Classe E, de acordo com o perfil socioeconômico, que apresentassem diferenças em relação à etnia, gênero e em relação ao desenvolvimento pedagógico e empenho escolar.
As duas meninas apresentaram, durante o ano, diferenças no desenvolvimento escolar e no envolvimento com a professora. A menina Beatriz19 demonstra trocas na fala e dificuldade para assimilar o que lhe é ensinado. A aluna Denise quase não participava das aulas nos primeiros dias; com o passar do ano, porém, ela se mostrou envolvida e comprometida com seu processo de aprendizagem e, dessa forma, acabou ficando mais evidente a sua presença na sala para a professora e para a turma.
Os meninos também apresentaram diferenças em relação ao desenvolvimento pedagógico. Carlos começou o ano letivo desanimado, mas, depois de um tempo, estava totalmente envolvido. Kevin, além de ter muita dificuldade para aprender, mostrava-se disperso e faltava muito às aulas durante o ano letivo, concluindo-o com mais de 51 faltas, o que o levou à reprovação.
2.12 A construção da cultura da sala de aula – padrões de comportamento e de