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İslam Dünyasında İsagoci Geleneği

4. ARAŞTIRMANIN YÖNTEM VE SINIRLIKLARI

1.5. ESERLERİ

2.1.1. İslam Dünyasında İsagoci Geleneği

A lógica de investigação da Etnografia Interacional tem o propósito de aplicar em sala de aula alguns dos pressupostos teórico-metodológicos da Etnografia na educação. Isso porque busca compreender as práticas da vida cotidiana de um grupo através da cultura que é construída pelos próprios participantes da sala de aula pesquisada, por meio das interações sociais. Essa lógica visa à compreensão do trabalho envolvendo os aspectos coletivos e individuais da sala pesquisada, em uma perspectiva êmica, ou seja, tomando como pressuposto o ponto de vista dos participantes, ou melhor, dos membros da comunidade pesquisada. O pesquisador investiga os costumes, as práticas e os significados do grupo por meio dos sujeitos participantes da pesquisa. Em um processo interativo e responsivo, o pesquisador tem a tarefa de colocar à mostra as práticas diárias que geralmente se apresentam ocultas aos membros do grupo cultural. Com isso, como nos diz Green, Dixon e Zaharlick (2001), “os etnógrafos procuram meios de compreender as consequências do senso de pertencimento e como o acesso diferenciado dentro de um determinado grupo modela as oportunidades de aprendizagem e participação” (p. 29).

Segundo Geertz (1978), “na pesquisa etnográfica, os acontecimentos possuem um significado e para que possamos compreendê-los é imprescindível o estranhamento para que, dessa forma, o pesquisador possa apreender para apresentar “ (p. 20). Visto que tínhamos como interesse abordar e entender como as expectativas de uma professora podem influenciar na aprendizagem da escrita, acreditamos ser necessário compreender primeiro o processo de construção das práticas da vida diária daquele grupo, para depois irmos em direção à análise. Por isso adotamos como base os princípios norteadores da lógica de investigação da Etnografia Interacional.

Esse tipo de etnografia é estudado pelo Grupo de Estudo do Discurso em Sala de Aula da Universidade de Santa Bárbara, na Califórnia, Estados Unidos (Santa Barbara Classroom Discourse Group). Esse grupo tem como complementos os princípios teórico-metodológicos da Antropologia Cognitiva, da Sociolinguística Interacional e da Análise Crítica do Discurso, que consideram os processos discursivos e interacionais fatores importantes para a construção de oportunidades de aprendizagem para todos os envolvidos nos contextos das salas de aulas.

2.1.1 Antropologia Cognitiva

A Antropologia Cognitiva auxilia na compreensão da cultura que é construída pelos participantes da sala observada, por meio das interações entre aluno/aluno e aluno/professor.

Como foi dito no capítulo anterior, o conceito de cultura utilizado aqui refere-se a um processo construído por cada grupo ou comunidade, por meio das interações discursivas, como um modo de agir e se posicionar, de se ver no mundo (GOMES e MONTEIRO, 2005). Dessa forma, a cultura é vista como um sistema dinâmico e compartilhado pelos membros do grupo, já que ela é reconstruída socialmente, de acordo com os significados que cada grupo atribui a determinado objeto ou conceito. Com isso, podemos concluir que as pessoas de um determinado grupo colaboram, através das interações sociais dentro de um determinado contexto, para o processo de formação da cultura.

Considerando a sala de aula como cultura, tornou-se necessário conhecer seus participantes e buscar compreender a construção de sentidos e significados de suas ações e práticas culturais, a partir do olhar dos participantes (CASTANHEIRA, 2004).

Todo esse procedimento descrito acima nos possibilitou observar, dentro da sala de aula, os comportamentos e as interações dos alunos e da professora, tendo como objetivo entender que tipo de significado tinha para cada um dos sujeitos ser chamado ou não pela professora para participar dos eventos de ensino - aprendizagem. Além disso, verificamos os fatores que levaram à construção das expectativas da professora em relação aos alunos e como essas expectativas estariam afetando a aprendizagem da escrita desses alunos. Dessa forma, foi importante observar com quem os sujeitos falavam, quando falavam, com que propósito falavam e que resultados eram construídos durante e após as interações. “O exame desses aspectos sustenta a compreensão dos padrões e das práticas interacionais usados para construir e interpretar experiências e gerar novas ações que definem o que se considera, por exemplo, ser membro do grupo” (CASTANHEIRA, 2004, p. 46).

Com isso, percebemos que a Antropologia Cognitiva contribui na medida em que nos ajuda a compreender como a cultura da sala foi construída, que tipo de interação ou mesmo de ação determinou a conduta do grupo, quando as

expectativas foram criadas, como e que fatores foram determinantes para classificar e até mesmo levar a professora a construir uma visão prospectiva do sucesso ou não de cada um dos alunos. Por meio das práticas diárias e dos padrões de comportamento criados pelos membros do grupo, foi possível detectar quais são as condutas que levaram as crianças a construírem um significado sobre o perfil desejado de aluno, ou sobre o aluno considerado “bom” e o considerado “fraco” ou “ruim”, e os efeitos dessa classificação na aprendizagem da escrita.

2.1.2 Sociolinguística Interacional

A Sociolinguística Interacional, em educação, busca analisar como os participantes da pesquisa utilizam a linguagem dentro das salas de aula como forma de comunicação e como instrumento de aprendizagem. Concordamos com Dias (2011, grifo do autor), quando afirma que a Sociolinguística tem como finalidade compreender como os estudantes usam a linguagem para atingir objetivos, para aprender e para participar das atividades diárias, tornando possível o estudo da língua na sala de aula e da língua da sala de aula.

Lin (1993, apud CASTANHEIRA, 2004) afirma que a Sociolinguística Interacional consente “que a relação entre a língua em uso e a vida da sala de aula seja estudada de duas perspectivas analíticas complementares” (p. 47). A primeira aborda a língua como um processo de interação, na sala de aula, e destaca o estudo pela natureza dos processos linguísticos que os alunos trazem para dentro das salas de aula. A segunda lida com a língua da sala, ou seja, a língua é vista como um processo discursivo, que é construída dentro daquele contexto pelos participantes da sala, nesse caso, professor e alunos.

Como é notória, a Sociolinguística Interacional nos auxiliaria muito, uma vez que não se pode desconsiderar que nas salas de aula não acontecem somente as interações instrucionais, mas também a construção dos processos sociais que são determinados e modificados pelos participantes da interação (GREEN e WALLAT, 1979, COOK-GUMPERZ , 1992 apud CASTANHEIRA, 2004).

Dessa forma, o comportamento e as interações discursivas em sala de aula poderiam revelar para os participantes e para a pesquisadora quais foram as expectativas da professora em relação a cada um dos alunos. Essas expectativas podem aparecer por meio das formas de comunicação oral ou mesmo através das

comunicações não orais. O momento em que a professora direciona mais o olhar para um aluno do que para outro ou as feições dela quando escuta um e outro indicam o que ela espera de cada um deles. Esse tipo de comportamento é sinalizado ao participante da interação por meio das pistas de contextualização, que, segundo Gumperz (2002), é caracterizado pelas pistas sociológicas, que podem ser verbais ou não verbais, e que são transmitidas pelos participantes para marcar suas intenções e expectativas sobre o que irá ocorrer durante a interação.

Assim, é possível analisar como se dão os processos de aprendizagem através das interações discursivas e de como são feitas as mediações e as interações durante o processo de ensino, além de se perceber como, quando e para quem se dão as oportunidades de fala na sala de aula.

2.1.3 Análise Crítica do Discurso

A Análise Crítica do Discurso visa compreender a linguagem como uma prática social, inserida em um determinado contexto social e histórico, numa relação dialética (CASTANHEIRA, 2004).

Neste estudo, a Análise Crítica do Discurso nos auxiliou a analisar como se deu a relação discursiva entre a professora e os alunos e entre os próprios alunos. A partir dessa análise, foi possível distinguir qual discurso a professora utilizava com os alunos definidos por ela como promissores na aprendizagem da escrita e qual era o discurso com os demais. Como relata Castanheira (2004), “as escolhas discursivas da professora não só nos indicam sua posição em relação ao grupo de alunos, mas também nos dizem como ela percebe a posição de seus alunos em relação a si mesma e aos outros” (CASTANHEIRA, 2004, p. 50).

Sendo assim, optamos por trabalhar com os princípios da Etnografia Interacional, pois, mais uma vez ressaltamos, o nosso foco está voltado para a análise da construção das expectativas da professora e suas consequências para a aprendizagem da escrita, considerando a sala de aula como uma cultura dinâmica, onde seus participantes constroem significados e sentidos de acordo com o contexto Histórico Cultural e com as interações discursivas.

Por ser esta uma pesquisa com um olhar etnográfico, o ponto de vista dos participantes da sala de aula foi fundamental para produzirmos nosso material empírico.

A observação participante, realizada por nove meses, permitiu compreender e documentar melhor as atitudes e as práticas do grupo, conhecendo um pouco da realidade local para, então, possibilitar uma descrição êmica – descrição de uma cultura a partir do olhar do próprio grupo – das práticas culturais. Graças à observação participante, foi possível perceber como a rotina e as práticas de leitura e de escrita foram construídas pelos sujeitos daquela sala.

A escolha da metodologia foi feita após a definição das questões da pesquisa. O nosso desejo era analisar “como” as expectativas da professora podem influenciar na aprendizagem da escrita e “como” essas expectativas em relação àquela turma foram construídas. Por isso, precisávamos de um método que permitisse analisar e participar dos processos de interação que acontecem dentro da sala de aula.

Benzer Belgeler