ŞIRNAK’IN MADENCİLİK SORUNLARI VE ÇÖZÜM ÖNERİLERİ
B. YÖNTEM VE BULGULAR 1 YÖNTEM:
Denzin e Lincoln (2000) colocam que uma abundância de escolhas caracteriza hoje o campo da pesquisa. Segundo os autores, nunca houve tantos paradigmas, estratégias de questionamento ou métodos de análise para pesquisadores formularem e utilizarem. Aaker, Kumar e Day (1998) advogam que a estrutura da pesquisa deve ser escolhida tendo em vista a consecução dos objetivos propostos pelo estudo. Fachin (2001) afirma que o método científico caracteriza-se pela escolha de procedimentos sistemáticos para descrição e explicação de uma determinada situação sob estudo e sua escolha deve estar baseada em dois critérios básicos: a natureza do objetivo ao qual se aplica e o objetivo que se tem em vista no estudo. Dessa forma, o sucesso de um projeto de pesquisa implica na escolha de uma abordagem de pesquisa que vise a coleta e uma análise de informações para garantir o resultado proposto.
Para Malhotra (1999), a pesquisa exploratória tem como objetivo investigar um problema ou situação para promover critérios e compreensão. Esse tipo de pesquisa se caracteriza por sua flexibilidade e versatilidade com respeito aos métodos, porque não são empregados necessariamente protocolos e procedimentos formais de pesquisa, além de não implicar no desenvolvimento de questionários estruturados, grandes amostras ou planos de amostragem por probabilidade. Richardson (1999) aponta que a pesquisa exploratória deve ser utilizada quando não se tem informação sobre determinado tema e se deseja conhecer o fenômeno, ponto de vista também compartilhado por Aaker, Kumar e Day (1998).
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Na pesquisa exploratória, a abordagem qualitativa tem sido freqüentemente utilizada em estudos voltados para a compreensão do desenvolvimento humano em grupos, em campos como sociologia, antropologia, psicologia, dentre outros das ciências sociais. Dessa forma, pesquisas de natureza qualitativa envolvem uma grande variedade de materiais empíricos, que podem ser estudos de caso, experiências pessoais, histórias de vida, relatos de introspecções, produções e artefatos culturais, interações, enfim, materiais que descrevam a rotina e os significados da vida humana em grupos. A pesquisa qualitativa seria, portanto, recomendada como forma de coleta de dados, por proporcionar insights e compreensão do contexto do problema, com a ressalva de não se incorrer em generalizações que essa metodologia não permite (Malhotra, 1999; Aaker; Kumar; Day, 1998). Miles e Huberman (1994) sustentam que a pesquisa sobre dados de natureza qualitativa é fonte de descrições importantes que permitem a preservação de fluxos cronológicos, a identificação de achados inesperados e a revisão de modelos conceituais, conduzindo potencialmente o pesquisador a uma maior diversidade de interpretações.
Tendo em vista que o processo de internacionalização de empresas talvez implique em relações dentro de sistemas e culturas, a pesquisa qualitativa, de acordo com Denzin e Lincoln (2000), mostra-se adequada ao estudo. Ela possibilitaria auxiliar na observação da conduta dos atores responsáveis por esse tipo de ação nas empresas, tornando possível responder por que esses atuam de determinada forma, os motivos para a escolha dos processos utilizados e como o tema se insere na gestão dos negócios. Os autores acrescentam que a pesquisa qualitativa abrange estudos nos quais se localiza o observador no mundo, constituindo-se, portanto, num enfoque naturalístico e interpretativo da realidade.
Dentro da pesquisa qualitativa, foi escolhida a forma de coleta de dados por meio do estudo de caso. Stake (em Denzin e Lincoln, 2001) coloca que o caso deve ser entendido como uma unidade de análise focada em uma unidade social definida como um indivíduo, a ação desempenhada por um indivíduo ou uma organização, um pequeno grupo, uma comunidade ou até mesmo uma nação. Casos também podem ser definidos temporariamente (eventos que ocorreram num dado período) ou espacialmente (o estudo de um fenômeno que ocorre num dado local). Portanto, um caso pode ser um fenômeno simples ou complexo, mas para ser considerado caso ele precisa ser específico.
Fidel (1992) e Hartley (1994) afirmam que o método de estudo de casos como método de pesquisa é apropriado para situações onde há uma grande variedade de fatores e relacionamentos e em que não existem leis básicas para determinar quais fatores e
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relacionamentos são importantes; na captura de aspectos muito recentes, emergentes, na vida de uma organização ou em pesquisas comparativas em que seja essencial compreender os comportamentos e as concepções, entre outros.
Ellet (2007) coloca que, para atender aos objetivos de um trabalho de pesquisa baseado em estudo de casos, deve-se criar e responder duas questões centrais, quais sejam, “o que” e “por que” e, geralmente, introduzir uma terceira, “como”. A primeira questão, “o que”, deve posicionar uma situação. Deve colocar, de forma clara e precisa, o objeto de investigação. A questão do “por que” está mais ligada à coleta de evidências, tanto qualitativas quanto quantitativas, que possam dar suporte ao argumento original. Finalmente, ao se enfatizar o “como”, o pesquisador complementa e completa o argumento, construindo o seu caso para criar uma linha de causa-efeito através de uma série de planos de ação. Essa terceira questão deve ser estruturada de forma a facilitar a compreensão do argumento. Para tanto, usualmente é feita uma organização temporal dos fatos, desenvolvida de forma cronológica.
Entretanto, casos no campo da administração devem ser interpretados como uma amostra de situações vivenciadas por organizações e seus executivos que, basicamente, tentarão responder as questões de “por que” e “como”. Dessa forma, é importante para o investigador ter em mente que, por mais acurada e cuidadosa que seja a sua pesquisa, o seu resultado final, qual seja, a descrição de uma determinada situação, será sempre incompleto e nunca poderá englobar e descrever toda a complexidade daquela situação
Yin (2005) também advoga que, em geral, o estudo de caso representa a estratégia preferida quando se colocam questões do tipo ‘como’ e ’por que’, quando o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos e quando o foco se encontra em fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real. Segundo Eisenhardt (1989), o estudo de caso tem se tornado a forma mais comum de pesquisa qualitativa e o mesmo pode se apoiar tanto em dados qualitativos e quantitativos, quanto em uma combinação desses. Yin (2005) e Fachin (2001) registram, também, que questões, tais como o risco do pesquisador incluir um viés que possibilite a distorção de dados ou a dificuldade de obter uma base para generalizações científicas, podem estar presentes em outros métodos de investigação científica, se o pesquisador não tiver treino ou as habilidades necessárias para realizar estudos de natureza científica.
O estudo de caso pode, também, focar tanto em um único caso quanto em várias unidades de pesquisa. No caso do estudo de múltiplos casos, cada um deles é estudado
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separadamente e depois comparado aos restantes. Segundo Denzin e Lincoln (2000), a escolha dos casos pode ou não ser antecipada, de forma que as unidades de análise apresentem uma mesma característica em estudo. Os casos podem ser similares ou díspares, mas escolhidos com o intuito de que o estudo leve à compreensão e teorização de um número ainda maior de casos. Yin (2005), por sua vez, explica que os casos múltiplos se comportam como experimentos múltiplos e que a escolha dos casos dependerá de uma teoria previamente desenvolvida como modelo, com o qual se devem comparar os resultados empíricos do estudo de caso.
Como forma de estruturação para atender aos objetivos de uma pesquisa, Yin (2005, p. 42) destaca os seguintes componentes: a) questões do estudo; b) proposições; c) unidades de análise; d) a lógica que une os dados às proposições; e) critérios para interpretar as constatações, conforme descrito nos itens abaixo.
7.1.1 Questões do Estudo e Proposições Teóricas
O método de estudo de casos, como já registrado, é indicado para responder as perguntas “como” e “por que”, que são questões explicativas, conforme tratado na Introdução, onde se discutiu os objetivos do estudo.
Eisenhardt (1989) coloca que o estudo de casos pode ser utilizado para várias finalidades, como descrever, testar uma teoria existente ou gerar uma nova. A presente pesquisa tem a intenção de se apoiar na teoria existente, apresentada no referencial teórico para, a partir do estudo de campo, identificar constructos específicos para o fato de empresas brasileiras, em diferentes setores, com culturas organizacionais, capacidade financeira e estruturas societárias distintas, estarem se internacionalizando. Eisenhardt esclarece que especificar os constructos antes de sair a campo auxilia na construção da estrutura teórica inicial. Se esses constructos se confirmarem, ao longo da pesquisa de campo, haverá maiores evidências empíricas para a nova teoria. Como variáveis potenciais relacionadas à pesquisa de campo, ter-se-ia, por exemplo:
• Tipo de gestão - gestão familiar ou profissional, nível de engajamento na estratégia por parte dos principais executivos e Conselho de Administração, e complexidade da gestão.
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• Tipo de ações de internacionalização – estratégia bem definida, etapas seguidas, magnitude dos recursos alocados, alinhamento com o modelo de negócio, aproveitamento das vantagens competitivas.
7.1.2 Unidades de Análise
Glaser e Strauss (1967) defendem que a forma de escolha das unidades de análise na pesquisa qualitativa não deve se basear nas técnicas usuais de amostragem estatística, isto é, em amostragem aleatória ou estratificação. Segundo os autores, a escolha deve recair sobre o nível esperado de insights para a teoria. Os casos são selecionados de acordo com o seu conteúdo, sendo que a continuidade da amostragem vai se dando conforme a relevância dos casos e não conforme sua representatividade para a teoria em desenvolvimento. Através da inclusão gradual de novas unidades de análise, o pesquisador avalia o grau de saturação necessário para a construção de sua teoria.
Eisenhardt (1989) acrescenta, no entanto, que, na prática, o método de saturação teórica é combinado aos recursos disponíveis para a pesquisa. Assinala que, embora não exista um número ideal de casos pesquisados, uma amostra situada entre quatro e dez casos seria capaz de assegurar condições que evitem uma baixa representatividade de dados para consolidar uma teoria ou, na posição contrária, uma complexidade no manejo de uma grande quantidade de dados agrupados. Para Yin (2005), os resultados empíricos poderão ser considerados fortes se dois ou mais casos sustentarem a mesma teoria.
Entre as formas listadas por Flick (2004) para a seleção gradual dos casos, a que visa à variação máxima da amostra se aplica particularmente a este trabalho. Ele explica que a técnica tem o objetivo de integrar apenas alguns casos, mas aqueles que forem os mais diferentes possíveis, para dar destaque à variação e diferenciação no campo, incluídas as dimensões de tempo e espaço. Eisenhardt (1989) afirma que, quando se trata da construção de uma teoria por meio de estudo de casos, raramente a escolha da amostra ocorre dentro da população. Ao contrário, a pesquisa se apóia em uma amostra fundamentada na teoria. Informa que os casos são escolhidos com o objetivo de replicar casos anteriores ou ampliar uma teoria emergente, ou são eleitos para preencher categorias teóricas e fornecer exemplos extremos.
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7.1.3 Ligação dos Dados à Proposição e os Critérios para a Interpretação dos Dados
Terepins (2005) menciona que de acordo com Yin (2005), não há regras fixas ou fórmulas para a análise dos dados colhidos por meio do método de estudo de caso, como ocorre com os dados colhidos estatisticamente. O resultado da análise dependerá do rigor do pesquisador, da existência de evidências e da análise cuidadosa das interpretações possíveis.
Eisenhardt (1989) afirma que a análise dos dados é a etapa principal para a construção de uma teoria, mas que é a parte mais difícil e que tem menos possibilidade de ser codificada. Ela explica que a primeira etapa desse processo é aquela em que o investigador se familiariza com cada caso, analisando-o como entidade isolada. Esse mecanismo, que possibilita conhecer as peculiaridades de cada caso antes de se atribuir padrões para um maior número de unidades, acelera a etapa seguinte de análise cruzada, pois incrementa o conhecimento sobre cada caso. A análise cruzada, que busca encontrar padrões entre os casos, é uma etapa delicada e crítica. Essa etapa está sujeita à obtenção de resultados baseados em pouca informação, não utilização de dados relevantes e influência de respondentes mais qualificados. Esses fatores podem gerar viés e levar a falsas conclusões. Uma forma apontada por Eisenhardt para eliminar esse problema é avaliar os dados através de várias perspectivas.
Segundo Eisenhardt, existem três táticas de análise dos dados. Uma tática é selecionar categorias ou dimensões, para então buscar similaridades entre os casos do grupo e as diferenças entre os grupos. Essas dimensões podem ser extraídas do problema da pesquisa, definidas pela literatura ou simplesmente escolhidas pelo pesquisador. A segunda tática é selecionar grupos de casos (dois ou mais casos), para posterior detecção de similaridades e diferenças dentro de cada par. Essa abordagem força o pesquisador a encontrar similaridades e diferenças sutis entre os casos, que, num primeiro momento, parecem idênticos. Esse mecanismo possibilita a criação de novas categorias e conceitos não antecipados pelo pesquisador. A terceira e última tática é dividir os dados em função da forma com que foram colhidos. Desse modo, um pesquisador analisaria e compararia as entrevistas colhidas, outro avaliaria os questionários, outro as observações efetuadas e assim, sucessivamente. Nessa
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metodologia, os resultados são confirmados ou são mais bem fundamentados quando se obtiverem as mesmas conclusões por meio de vários tipos de fonte.
Para este estudo foi utilizada a primeira tática, que busca categorias ou dimensões para efetuar as comparações. Yin (2005) explica que as evidências devem ser dispostas em alguma ordem antes da realização da análise. Ele também sugere, como uma das técnicas analíticas, criar uma matriz de categorias e dispor as evidências dentro dessas categorias.
Tanto Bardin (1979) quanto Yin (2005) afirmam que, independentemente da escolha da estratégia de análise utilizada, deve-se buscar a produção de análises de alta qualidade. Isso implica considerar todas as evidências, apresentá-las separadas de qualquer interpretação e procurar explorar interpretações alternativas. Segundo Yin (2005), uma opção de técnica de análise de estudo de caso é a de síntese de casos cruzados, que se aplica especificamente aos casos múltiplos. O autor afirma que essa técnica pode ser utilizada se os casos forem tratados anteriormente como estudos independentes de pesquisa. A técnica, portanto, trata cada caso como um estudo separado, agregando-se descobertas ao longo dos estudos individuais.