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Yönetim Kurulu Üyeliğinin Sona Ermesi

1.3. Yönetim Kurulu Üyelerinin Nitelikleri, Üyelik Sıfatının Kazanılması ve

1.3.2. Yönetim Kurulu Üyeliğinin Sona Ermesi

De acordo com Kajibanga (2009), após a independência de Angola em 1975, com objetivo de criar e dinamizar institucionalmente o setor da cultura, o governo criou o Conselho Nacional da Cultura - CNC, ao abrigo do artigo 3º da Lei nº 72/76. Ao Conselho competia a execução e o controlo das diretrizes da política cultural. Sua perspectiva era a de estudar a cultura tradicional do povo angolano e procurar desenvolver a nova cultura nacional que durante a guerra de libertação nacional20 adquiriu uma dimensão revolucionária, tendo em conta o seu papel libertador e de consciencialização, além da afirmação das identidades.

Em 1988 foram definidas novas áreas de trabalho, sob Decreto nº 14/88, tendo criado o Instituto Nacional de Formação Artística e Cultural - INFAC, com a tarefa de promover o ensino nas áreas do património, da massificação cultural e das artes, nomeadamente

19Nguma Victor. Reflexões sobre a colonização Portuguesa em Cabinda. Edições chá de Caxinde. Caxinde editora e

livraria. Luanda-Angola. 2005.

20 Luta de guerrilha realizada por angolanos nacionalistas organizados em Movimentos de Libertação, iniciada em 4

de Fevereiro de 1961, cujo término se deu com a independência de Angola em 11 de Novembro de 1975. A independência foi precedida por um acordo de Alvor em 1974, com Portugal potência colonizadora,da qual fizeram parte os principais Movimentos de Libertação de Angola: o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) liderado por Agostinho Neto, FNLA (Frente Nacional para Libertação de Angola) liderado por Oldem Roberto e a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) liderado por Jonas Savimbi.

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música, dança, teatro e artes plásticas através de centros de formação designados por escolas que se teriam desdobrado e distribuído pelo país.

Kajibamga (2009) afirma ainda que no estatuto orgânico do INFAC, o sector da cultura sofreu, no decurso do tempo, muitas alterações. Sob Decreto-lei nº 6/00 o Ministério da Cultura se fundiu com o da Educação e com a aprovação do novo estatuto orgânico passou a designar-se de Ministério da Educação e Cultura, conforme se pode ler no Diário da República nº 23, I série, de 9/6/00. Por inércia extinguiu-se o INFAC e criou- se a Direção Nacional de Ação Cultural - DNAC onde as questões relacionadas com a dança passaram a ser atendidas. O trabalho traçado conheceu alguns resultados ao nível da base, inicialmente através dos Organismos Populares da Cultura, OPC’s, funcionando ao nível do bairro, e as Casas de Cultura ao nível da cidade com missão específica de dinamizar o processo de renascimento massivo das artes em Angola.

Infelizmente, no início essas instituições não se estenderam a nenhuma outra província a exceção de Luanda, capital de Angola, tendo causado o enfraquecimento, em termos de aprimoramento e qualidade artística dos grupos que se formaram nas províncias. Além do enfraquecimento por falta da assistência dos organismos de decisão do poder político instituído, outro fator que contribuiu para o enfraquecimento de diversas formas de organização e manifestação da cultura em Angola, foi a instabilidade política causada pela guerra civil que eclodiu após a independência. Este fenómeno provocou a migração em massa de milhões de angolanos dentro e para fora do país, tendo enfraquecido a prevalência de valores tradicionais de grupos étnicos de Angola.

Assim sendo, de forma específica, qual foi a situação em Cabinda? Nessa região de Angola, particularmente, o fenómeno não fugiu a regra. Muitas das formas de manifestação da cultura (como jogos, danças e formas de comportamento) que antes da independência eram praticadas nos ambientes culturais fragilizaram-se fruto dos efeitos degradantes da guerra. Atualmente para a sua efetiva recuperação requer que sejam implementadas políticas governamentais direcionadas para dinamização das mesmas.

Entretanto, apesar da detenção desse conhecimento na forma de história oral, grande parte do mesmo ainda não figura no que Guiddens (1999) chamou de objetos culturais; ou seja, não há presença de textos alfabéticos escritos que podem contribuir para a continuidade do conhecimento através da transmissão das informações às gerações mais

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jovens, não obstante da existência da possibilidade dos objetos culturais poderem ser representados por outras formas de manifestação cultural visual como por exemplo: máscaras, iconografia, gravuras e outros objetos.

O fator guerra também contribuiu para a fragilização da transmissão das informações sobre as formas de manifestação da cultura, porque na medida em que se desenvolvia o conflito armado, aos jovens eram atribuídas a responsabilidade da defesa da soberania e integridade do país, ou seja, estes passaram a ser vistos como atores necessários para a sustentação do processo, tanto da parte do Governo de Angola, como da parte do grupo rebelde da UNITA e da FLEC. Após a guerra, com o ambiente de paz desde 4 de Abril de 2002, os jovens passaram a ter uma extensiva possibilidade de participar nos diversos domínios da vida social e económica do país dentre os quais, se enquadra o domínio da cultura. Entretanto, existe ainda outro mal que se impõe e que está relacionado com a modernidade exercendo influência sobre os jovens afetando, por parte destes, a absorção e observância integral dos valores no domínio da cultura, conforme refere Santos (2002). Trata-se dos efeitos da cultura cosmopolita; cultura que emana do processo de globalização e que de forma progressiva vem provocando a aculturação dos povos e nações na visão de Santos (2002), e hibridismo cultural na visão de Bhabha (1998).

Nesse contexto, urge a necessidade de se exercer maior protagonismo sobre as diversas formas de manifestação da cultura angolana e em particular a de Cabinda, no sentido de contribuir para a manutenção da identidade cultural, permitindo também, desse modo, a manifestação integral e genuína dos rituais pertencentes às formas de representação de culturas. A prática destes rituais constituí uma das formas de manter ativa os saberes tradicionais herdados dos antepassados, e que ao longo dos anos foram sendo transmitidos de geração em geração principalmente através da oralidade.

Trata-se das formas de manifestação da organização Bakama. Uma organização com poderes tradicionais, conforme nos referimos inicialmente, e que existe desde o período colonial, mesmo não sabendo ao certo desde quando, o que lhe permitiu atravessar e presenciar períodos históricos que marcaram a resistência de luta contra a dominação colonial e as guerras após a independência de Angola. Assim como as religiões tradicionais africanas resistiram à perseguição do colonialismo para a sua extinção, conforme se observou com Tshibangu (2011); Altuna (2006); Serrano e Waldman (2010), a organização secreta Bakama também resistiu à extinção. Após a independência de Angola a política

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sobre religião do Governo no poder, apesar de ter optado por uma ideologia Marxista Leninista, adotou uma política de laicidade na qual não interveio no funcionamento pleno das religiões em geral, e muito mais ainda nas religiões tradicionais africanas em Angola, particularmente.

Nesse contexto, a organização Bakama no domínio cultural e religioso, foi sempre tida como parceira do Governo no sentido de ter estado a participar ativamente das atividades culturais e políticas, quando fosse convidado para conceder bênçãos tradicionais nos eventos governativos, conforme veremos no Capítulo 4. Outro elemento que certifica essa relação da organização Bakama com as estruturas do poder de Estado, era a estreita relação que existia entre o então Shintoma shi si (Chefe da terra) Ngimbi Nkonco, anterior chefe dos Bakama, com o poder do Estado na província de Cabinda.

Assim sendo, do conjunto de aldeias pertencentes as Bakama, estudou-se com profundidade, como já afirmamos as Bakama da aldeia de Tchizo, por estes deterem maior protagonismo e organização perante a sociedade em relação aos das demais aldeias. Entretanto, foi importante realçar a necessidade de se perceber a funcionalidade das outras organizações das Bakama, e sua relação com a sociedade.