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1.3. Yönetim Kurulu Üyelerinin Nitelikleri, Üyelik Sıfatının Kazanılması ve

1.3.1. Yönetim Kurulu Üyelerinin Nitelikleri ve Üyelik Sıfatının

1.3.1.2. Tüzel Kişiler Yönünden

Thiam e Mulira (2011, p. 965) ao estudarem a influência dos países do “chamado bloco socialista” sobre os Estados africanos afirmaram que o início dessas relações

remonta à época durante a qual, pouco após a revolução bolchevique de 1917, Lenin prometeu a cooperação do jovem Estado soviético a todos os povos colonizados. Desde então, todos os países socialistas prestaram ajuda aos Estados africanos, tanto antes quanto após a sua conquista da independência.

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De acordo com autores como Ki-Zerbo, Mazrui e Wondji (2011) ao tratarem sobre Construção da nação e evolução dos valores políticos, constataram a existência de duas dialéticas que condicionam os valores políticos na África: a dialética que opõe, por um lado, o coletivismo e o individualismo, e do outro lado, a sua correta interposta entre o pluralismo e o nacionalismo. Nesse sentido, eles afirmaram que para pensadores como o tanzaniano Julius Nyerere ou o queniano Tom Mboya, o coletivismo tradicional podia servir de base a modernas formas de socialismo. Para esse feito, Mboya considerou que

“O socialismo … é uma tradição permanente do nosso povo […]. Trata-se de

uma atitude das nossas sociedades em respeito às pessoas, postura esta que não exige ser codificada sob o prisma da teoria científica” (KI-ZERBO, MAZRUI e WONDJI, 2011, p. 565).

Ainda no viés do socialismo tradicional, Sékou Touré invocou o coletivismo tradicional, recusando praticamente todas as formas de individualismo na Guiné pós- colonial, declarando que:

“a África é, essencialmente “comunocrata”. A vida coletiva, marcada pela

solidariedade social, confere aos seus hábitos um carácter humanístico que muitos povos podem invejar. Igualmente em função dessas qualidades humanas, na África, um ser não pode conceber a organização da sua vida à margem da estrutura própria à sociedade familiar fundada sobre pequenas comunidades ou clânica. Intelectuais ou artistas, pensadores ou pesquisadores, as suas capacidades não têm valor, senão à condição de concorrerem em prol da vida do povo, salvo se estiverem integradas, de modo fundamental, à ação, ao

pensamento, assim como às aspirações da população” (KI-ZERBO, MAZRUI e

WONDJI, 2011, p. 565-566).

Sékou Touré serviu-se do coletivismo tradicional, a um só tempo, contra o individualismo e o pluralismo. A Guiné e outros países da África pós-colonial igualmente inspiraram-se nas ideias coletivistas para racionalmente fundar o seu regime de Estado unipartidário. Importava, na aurora das independências, construir Estados e comunidades nacionais, edificar economias aptas a satisfazerem as necessidades dos povos, criar relações inter-africanas e mundiais susceptíveis de contribuir na realização das opções políticas globais, transformando contudo, os valores que regem as transações internacionais. Diante desse projeto, impunham-se importantes obstáculos: a integração nacional chocava-se com certos interesses étnicos ou pseudoétnicos e a integração africana

era bloqueada por ambições “micronacionais”. Por outro lado, os projectos de sociedade

destinados a garantirem o progresso socioeconómico, na mais ampla acepção, chocavam-se

com certos valores “negativos” das sociedades pré-coloniais e do sistema colonial (KI-

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De acordo com Ki-Zerbo at all (2011), após a segunda Guerra Mundial, apresentar- se-ia a afirmação das reivindicações africanas em favor da autonomia e da independência, de forma generalizada em todos os territórios coloniais, geradoras ou promotoras de duas ordens de valores políticos destinadas a um promissor futuro. Elas são: os valores do pluralismo e do nacionalismo (KI-ZERBO, MAZRUI e WONDJI, 2011, p. 569).

Nesse contexto, os valores do nacionalismo expandiram-se na África em meio a cultura da resistência e da luta armada, assim como no quadro da evolução pacífica do sistema colonial. Foi sobretudo através das violentas lutas que os valores do nacionalismo africano apresentaram-se de forma mais contundente. Na realidade, estas lutas armadas não eram explosões nascidas no vazio mas, representavam a continuidade histórica dos movimentos de luta e de resistência que se haviam constituído contra a invasão e o regime dos colonizadores. Entretanto, os valores de recusa contra qualquer submissão a uma autoridade externa foram abundantemente ilustrados também pelos chefes da religião tradicional africana (KI-ZERBO, MAZRUI e WONDJI, 2011, p. 573-575).

A política posteriormente desempenhada pela EX-URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), por todo o conjunto dos países socialistas na África, pode, em sua totalidade, segundo Thiam e Mulira, ser dividida em quatro períodos: de 1917 a 1945, a influência soviética é indireca e apoia-se nos partidos comunistas europeus e nos militares radicais africanos, antilhanos e norte-americanos do pan-africanismo16; de 1945 a 1965, os países socialistas apoiaram, direta ou indiretamente, os movimentos de libertação nacional e os jovens Estados africanos independentes, encorajados pelo enfraquecimento das potências coloniais e pela ascensão dos nacionalismos, após Segunda guerra mundial; de 1960 a 1975, assiste-se ao refluxo da intervenção dos países socialistas e, especialmente, a EX-URSS, em proveito de uma ação essencialmente diplomática; a partir de 1975, após o fim da guerra de Vietnã, constata-se uma recuperação da influência dos Estados socialistas, por exemplo, em Angola e no chifre da África (THIAM e MULIRA, 2011, p. 965-966).

Assim sendo, naquilo que lhe competia, a África, pela sua posição política socioeconómica, em particular, era capaz de edificar uma sociedade comunista sem passar pelo estádio capitalista. Os movimentos anticoloniais africanos foram incentivados a

16 O pan-africanismo é tradicionalmente considerado como um conjunto de relações unindo os africanos além das

suas fronteiras territoriais. Compreende as relações estabelecidas entre os indivíduos áfricos (MAZURI, 2011, p.1016).

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combaterem os colonizadores, de modo a ampliarem a frente anti-imperialista. Houve assim, estudantes radicais (J. Kenyatta, do Quênia, K. Krumah, da Costa do Ouro (atual Gana), I.K. Musazi, de Uganda), na Grã-Bretanha que entraram em contato com dirigentes dos partidos comunistas, exercendo certa influência dos seus ideários políticos.

Importante salientar que a adesão da Áfria lusófona ao marxismo foi mais importante e durável em outras partes da África. A Federação dos Estudantes da África Negra na França (FEANF) possuía, entre seus membros, uma maioria marxista, tal como se pode citar o camaronês Osende Afana. Também muitas lideranças sindicais se abriram ao marxismo e às técnicas de organização de massas, por intermédio dos Grupos de Estudos Comunistas, fundados a partir de 1943, e da Confederação Geral do Trabalho. Na África lusófona, foram intelectuais marxistas formados em Portugal, nas fileiras do Partido Comunista, como Agostinho Neto e Amilcar Cabral, que fundaram o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) e o Partido Africano para a Independência da Guiné e do Cabo Verde (PAIGC) respectivamente (THIAM e MULIRA, 2011, p. 969).

Do período das independências ao final dos anos 1950 e início dos anos 1960, o comunismo encontrava-se em uma situação ambígua na África. Por um lado, havia os partidos que se reivindicavam abertamente marxistas, em menor quantidade (estes existiam particularmente na África do Sul, na Argélia, no Egito, no Senegal e no Sudão), a sua influência era limitada por múltiplos fatores, tais como: fraqueza da classe operária, obstáculos das ideologias tradicionais e resistência das religiões. Por outro lado, os países comunistas, particularmente a EX-URSS, gozavam de um considerável prestígio (THIAM e MULIRA, 2011, p. 969).

Esse prestígio era vantajoso para os nacionalistas africanos porque através dele houve benefícios durante a luta pela independência de vários países, nomeadamente: a Argélia, o Egito, Gana, a Guiné, o Mali, o Sudão, a Tunísia, o Quênia, Uganda, a Tanganyika e a Somália. Entretanto, é preciso enfatizar que na África Austral, região a qual a luta contra o colonialismo foi mais longa, a concorrência entre a EX-URSS e a Europa Oriental relacionada aos seguintes movimentos de libertação: à ZAPU, no Zimbábue, à FRELIMO, em Moçambique, e ao MPLA, em Angola, revelou-se ainda mais decisivo. Também o ANC, na África do Sul, a SWAPO, na Namíbia, receberam ajuda política, diplomática, financeira e militar dos Estados socialistas europeus para combaterem o regime de apartheid (THIAM e MULIRA, 2011, p. 971).

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Após as independências, surgiram alguns regimes pós-coloniais que passaram a dirigir os Estados africanos. Al-Nasser tomou a dianteira no movimento, no ano de 1952, ao pronunciar a dissolução de todos os partidos egípcios, instituindo a União Socialista Árabe, partido de Estado ou organismo estatal encarregado de enquadrar politicamente as massas. Kwame Nkrumah seguiu também essa via e transformou o Gana, no ano de 1964, em regime socialista de partido único; Sékou Touré, durante os anos de 1960, igualmente procedeu na Guiné, assim como Modibo Keita no Mali e Julius Nyerere na Tanzânia. Em Moçambique, no ano de 1974, constituiu-se a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) como partido único e instrumento para a integração da sociedade rural ao projecto de criação de uma nação patrocinada pelo aparelho do Estado. Amilcar Cabral, na Guiné Bissau e Agostinho Neto, em Angola alinharam, por sua vez e no mesmo período, os seus países com bloco de países socialistas (KI-ZERBO, MAZRUI e WONDJI, 2011, p. 583-584)