• Sonuç bulunamadı

A resistência a mudança que ocorre no âmbito da governança do Consórcio pode ser explicitada pela ausência de outros municípios no mesmo. A partir da inquietação e da necessidade de entender o porquê outros municípios da RMR não fazem parte do Consórcio procurou-se (além dos entrevistados pertencentes ao Consórcio) os municípios de Camaragibe e Jaboatão dos Guararapes para fornecer subsídios para a compreensão dos fatos.

A presidente da CTTU diz que “...acho que seria saudável, seria interessante realmente que todas as cidades participassem, no peso cabido a cada uma obviamente. Como a cidade de Recife, a gente não pode negar que o peso Recife não é democrático até, o tipo de Consórcio tem mais peso. Não tem o que se discutir o serviço público de transporte de massa, se não for coletivo”.

Apesar de tal posição a entrevistada joga a responsabilidade unicamente para os novos entrantes ou ainda se “defende” com o argumento que eles estariam solicitando que fosse “facilitada a entrada” como pode ser visto pelo seguinte trecho de entrevista “Em parte, o

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cara que quer entrar, ele quer criar as condições pra ele entrar, ele quer que a coisa já esteja pronta. É o que eu acabei de dizer, não dar pra gente agora, vir e dizer, vamos arrumar a casa pra você entrar. Porque quando o outro for entrar vai ter que se arrumar de novo para o outro entrar e assim por diante”.

O Secretario executivo de Trânsito e Transportes de Olinda se contradiz em sua fala quando assunto são os novos entrantes. Apesar de reconhecer que os municípios de Olinda e Recife organizaram seu sistema de transporte após seu ingresso no Consórcio (e não totalmente) acredita que isso deve ser um pré-requisito para a entrada de novos municípios para o mesmo. Isso pode ser mais bem esclarecido pelo seguinte trecho de sua fala: “Os outros municípios ainda carecem de estrutura e organização, para se adequar aos seus requisitos. Até agora só Recife e Olinda. Primeiro Olinda, depois Recife. Recife, entretanto, ainda se incorporou totalmente ao Consócio. Existem linhas do Recife que opera fora do consórcio”.

A essa organização segundo a Diretora de Operações do GRCT envolve questões como a quantidade, o tipo de veículo, a remuneração. E tudo passa por decisões técnicas e políticas para chegar a um enfretamento e uma organização.

No entanto, na visão da Gerente de Transporte e Planejamento do município de Jaboatão dos Guararapes, o consórcio é quem cria obstáculos, afirmando: “A prática não reflete o discurso. O GRCT ainda não implantou totalmente o seu sistema. [...] A demora nos acertos para inclusão de Jaboatão no consórcio é prejudicial a política de transporte coletivo local. Ficou a espera de uma definição metropolitana, deixando de investir se a política for pela não aceitação ao consórcio”.

A Presidente da CTTU confirma em sua fala que as regras não são claras quando explicita que “As regras, a maioria delas são objetivas, mas algumas delas são subjetivas, que é comprovar quantos carros você tem hoje, você tem que reduzir para um nível que comprove o sistema vai ser equalizado, por exemplo, o consórcio que fez do Cabo pra Camaragibe, fez 126 permissionários tiveram que reduzir para 60 e eles estão procurando fazer isso”.

E o Secretário de Transporte e Trânsito de Camaragibe quando questionado sobre o porque do município não ser membro do Consórcio, afirmou que: “Tu tem, como os outros, seu transporte municipal, com capilaridade local. Com o bilhete único operado pelo consórcio, é exigido a regularidade atual do município e uma proposta de nova rede local economicamente equilibrada. Há dois anos, em Camaragibe existe uma disputa entre os

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operadores do transporte coletivo local”. Assim, a dificuldade para entrar no Consórcio é acentuada pelos problemas “domésticos” enfrentados pelo município.

Apesar disso, pode-se concluir que as dificuldades estão presentes em ambos os lados, porém chama à atenção a postura do Consórcio em não criar mecanismos e formas de contribuir para que os municípios se adéquem as regras, pelo contrario, como afirma a Presidente da CTTU “...Agora também não vai dar, a cada sócio novo que queira entrar tem que reformular as regras do jogo”.

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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O comparativo demonstra que a cooperação, além de incluir um novo parceiro e prevê a inclusão de todos os municípios da RMR, sai de uma relação precária, provisória, para uma situação sólida e permanente. Ademais, deixa de ser uma política de governo ou de gestão política dependente, para uma política de Estado, autônoma.

O problema institucional que se coloca em relação às áreas metropolitanas, é a criação de novo arranjo governamental, que não seja necessariamente um quarto nível de poder, mas que arrefeça as autonomias e integre de fato os atuais entes horizontal e integralmente; e que, finalmente, seja representativo dos governos locais da região (CAPOBIANCO, 2004).

Propugna-se por uma gestão integrada para funções públicas de interesses comuns com interdependência e sustentabilidade financeira (ABRUCIO; SOARES, 2001). Entendendo função pública como sendo a execução de serviços públicos, concessões e normatizações, e o interesse comum.

Nesse sentido Consórcio de Transporte da Região Metropolitana do Recife é um exemplo essencial para a política de transporte coletivo da RMR e digno dos melhores elogios.

Uma política de transporte metropolitana, que alberga as competências do Estado e Municípios conurbados não pode ser feita de forma precária ou parcial. O Arranjo executado pela EMTU não tinha o espaço gerencial para a plena execução da política. Pelo convênio a EMTU não poderia delegar a política de transporte municipal, nem estadual. Caberia ao respectivo ente tal atribuição. Isso, por si só, representa grande salto para o planejamento e execução do transporte coletivo da RMR.

O formato do consórcio multifederativo do CTM é uma exemplo de soberania compartilhada que estabelece uma relação de equilíbrio entre a autonomia dos pactuantes e a interdependência entre eles (ABRÚCIO, 2001).

Entretanto, a coleta de dados nos indica que o CTM, apesar dos avanços do arranjo, possibilitando uma política permanente e duradoura, em oposição do arranjo executado pela EMTU, ainda necessita de avanços. Segundo Costa (2007) a cooperação intergovernamental depende das disposições dos governos de cooperar e do interesse em estimular regras e programas que impliquem em formas de coordenação.

Uma questão frágil é a ausência de política de incentivos para entrada de novos sócios. Chega a ser contraditória a posição de exigir de novos sócios o preenchimento de um rol de

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requisitos, de forma exaustiva, para assegurar seus ingressos. O município de Olinda, por exemplo, entrou primeiro no Consórcio e só posteriormente, adequou se sistema de transporte coletivo municipal às regras exigidas.

Outra questão que fragiliza a governança e que se pode dizer que é um ponto conflituoso é o relacionado à bilhetagem. Isso porque em 2008 quando do surgimento do Consórcio a bilhetagem era realizada por empresa licitada. Vencido o contrato da empresa (meados de 2009) o consórcio foi comunicado por tal empresa que seriam removidos todos os equipamentos por ela instalados. Diante de tal fato a empresa URBANA ofereceu seus serviços e diante da urgência na solução do caso o Consórcio firmou contrato temporário com a mesma. No entanto, tal serviço que deveria ser temporário, perdura até o momento da conclusão desta dissertação (novembro de 2012). A URBANA atualmente não contabiliza nem repassa para o CTM as eventuais sobras ou resíduos (diferença entre o arrecadado e distribuído).

É preciso que se estabeleça um relacionamento capaz de construir um ambiente de cooperação sob um marco pluralista. Segundo Magda (2007) o sucesso do arranjo depende da garantia de espaço de participação para os entes governamentais mais fracos, a existência de controle mútuo e constituição de mecanismos de coordenação entre os níveis de governo.

Na prática, incluindo apenas o território de Olinda e sua política de transporte coletivo municipal, que representa apenas o percentual de 7, 43% do transporte coletivo da RMR, a coleta de dados demonstra que a política aplicada e a mesma antes aplicada pela EMTU. Não existe, nos âmbitos dos Municípios de Recife e Olinda, a consciência de que sua política de transportes é multideferativa. Todos os membros do CSTM entrevistados, inclusive os representantes de Recife e Olinda, foram unânimes em afirmar que a cultura ainda estabelecida é de que tal política foi delegada ao Governo do Estado.

Ainda assim, tal constatação não desmerece a iniciativa do inovado arranjo. Mas é uma alerta de que as medidas devem ser tomadas. Assim, a

Incidência de relações cooperativas intergovernamentais imputa às partes envolvidas acordos de direitos e deveres que não podem ser totalmente especificados e controlados antes da própria realização das atividades [...]. Como contratos complexos são, via de regra, incompletos, grande parte das ações contratuais relevantes para a cooperação exige estruturas de governo ex post (RING; VAN DE VEN, 1992, 1994 apud VERSHOORE FILHO, 2006, p.40).

Devem os entes federados, atuais sócios do CTM, entenderem que a nova política representada pelo inovador arranjo precisa avançar. Medidas emancipatórias devem ser tomadas. Medidas de ampliação, incentivando ingresso de novos sócios são também imprescindíveis, renovando-se, em cada ingresso, os compromissos e as responsabilidades.

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5.1 SUGESTÕES PARA NOVOS ESTUDOS

Algumas sugestões para novos estudos são apresentadas a seguir:

• Percepção do usuário sobre os Consórcios Multifederativos.

• Fundos metropolitanos para financiamento de cooperação governamental.

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APÊNDICE A – ROTEIRO DE ENTREVISTA COM MEMBROS DO CSTM

- Você é originário de qual órgão?

- Como se deu a sua assunção como Conselheiro do CSTM? - Há quanto tempo é membro do CSTM?

- Na sua visão, qual a missão do CSTM? - Como é e quem define a pauta do CSTM?

- Qual sua relação com os demais membros do CSTM? É conflituosa? É harmoniosa? - Existem conflitos entre os membros do CSTM?

- A relação com o do Consórcio (Municípios Recife ou Olinda) é de competição ou de cooperação? - Na sua visão o(s) Município(s) (Recife e/ou Olinda) precisa(m) se inserir mais no CTM?

- Por que os outros municípios ainda não fazem parte do Consórcio?

- O que você acha da bilhetagem sob o controle da URBANA (Sindicato das empresas de Transportes de Passageiros do Estado de Pernambuco)?

- Seu Município (Recife ou Olinda) participa da gestão do CTM? - Por que o consórcio não recebeu novos sócios?

- Percebe uma política de meta ou de incentivos pra adesão de novos sócios? Percebe mudanças entre o que foi a EMTU e o atual GRCT?

Você acha que dentro da estrutura organizacional da prefeitura (Recife ou Olinda) existe uma consciência que o CTM é um órgão seu?

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APÊNDICE B – ROTEIRO DE ENTREVISTA COM NÃO MEMBROS DO

CSTM – MUNICIPIOS DE JABOATÃO DOS GUARARAPES E

CAMARAGIBE

- Porquê seu município não faz parte do CTM?

- A relação de seu órgão com o do Consórcio é de competição ou de cooperação?

- O que você acha da bilhetagem sob o controle da URBANA (Sindicato das empresas de Transportes de Passageiros do Estado de Pernambuco)?

- Percebe uma política de meta ou de incentivos pra adesão de novos sócios? - Percebe mudanças entre o que foi a EMTU e o atual GRCT?

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ANEXO 01 - RESOLUÇÕES DO CONSELHO SUPERIOR DE

Benzer Belgeler