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Quanto aos critérios para análise e interpretação dos protocolos, fez-se uma adaptação da proposta que Hirsch (1999) desenvolveu, ao levar em conta conceitos da teoria das Relações Objetais de Phillipson, para o Children´s Apperception Test
(CAT). Optou-se pela análise de apenas alguns itens, por serem aspectos que mantêm relação entre si. Sendo assim, as análises de cada item são mutuamente complemen- tares. Por exemplo, os dados relativos aos tempos de latência inicial e total ganham novo enfoque, quando comparados ao grau de estruturação da história.
Shentoub e Shentoub et al (1958)3 inclusive enfatizam que não se pode consi- derar essas duas variáveis (tempo de latência inicial e grau de estruturação da histó- ria) independentemente uma da outra.
A análise teve ênfase na apercepção, já que são aspectos mais objetivos, cuja sistematização das análises pode embasar as interpretações de forma mais segura.
A utilização de tabelas desenvolvidas com base nas pesquisas de Herzberg (1986, 1993) permite a exposição dos critérios utilizados para a avaliação dos proto- colos. Acredita-se que, registrando-se os resultados em tabelas de fácil entendimento e consulta, há, como aponta Herzberg (1993), maior segurança nos resultados além de ser uma contribuição ao sistema de normatização das análises do material resul- tante da aplicação das técnicas projetivas aqui utilizadas.
3 O texto de Shentoub e Shentoub et al. (1958), foi consultado a partir de uma tradução que consta em apostila da disciplina de Técnicas de exame psicológico IV (pp.48-85) ministrada pelas professoras Leila Tardivo, Célia Melnik, Eliana Herzberg e Walquíria Fonseca na Organização Santamarense de Educação e Cultura – OSEC (atual UNISA – Universidade Santo Amaro).
Como no caso do DFH, também para as análises dos protocolos do TAT con- tou-se com mais duas juízas, além da pesquisadora, que contribuíram no sentido de reforçar e/ou reformular a classificação dos aspectos aqui analisados.
Foram analisados os aspectos conforme os itens a seguir.
2.6.3.1 Tempo de latência inicial (TLI) ou reação
Segundo definição de Shentoub et al. (1958), o tempo de latência inicial ou reação consiste no tempo transcorrido entre a apresentação da Prancha e o momento em que o sujeito começa a falar (comentários ou história). Este item se situa mais freqüentemente entre 5 e 25 segundos. É para Shentoub et al. (1958) um tempo de seleção e reflexão cuja duração, assim como a qualidade da estruturação da história, está em função das possibilidades de integração do Ego. A autora define também que:
a) um tempo de latência inicial longo, acompanhado de uma história não es- truturada é indício de ansiedade perturbadora;
b) um tempo de latência inicial longo, acompanhado de uma história bem es- truturada dá testemunho de uma ansiedade dominada e tomada de distância constru- tiva;
c) tempo de latência inicial curto com uma história mal estruturada leva a pensar em um sujeito que se “atira”, é impulsivo (trata-se de uma ansiedade pertur- badora acompanhada de perda de distância);
d) um tempo de latência inicial muito curto precedendo uma história bem construída é o que será apresentado por um sujeito de inteligência viva e que está bem adaptado às situações.
2.6.3.2 Tempo total
Consiste no tempo transcorrido desde a apresentação da Prancha até o mo- mento que o sujeito a devolve, não incluindo o inquérito. O tempo total ganha signi- ficado, segundo Shentoub et al. (1958), em função do tempo de latência inicial assim como em função da extensão e da estruturação da história.
É importante ressaltar que, optou-se pela utilização dessas definições na pes- quisa aqui apresentada, porém sabe-se que Ávila Espada (1986) a partir e seus estu- dos normativos em população espanhola, faz outras formulações a respeito do signi- ficado dos tempos de latência inicial e total no TAT.
2.6.3.3 Apercepção
Esta categoria trata da avaliação da adequação ou inadequação perceptiva dos perceptos humanos e não humanos e aperceptiva às respostas típicas de cada Prancha segundo as normas aperceptivas. Nesse item levar-se-á em conta a descrição original de Murray (1943/1995) de cada Prancha (Tabela 1). Acrescentaram-se ainda as se- guintes categorias:
Categoria Condição do percepto
Adequada Explicitamente verbalizado
Distorcida Alterado com relação às descrições originais Implícita Presente, mas não verbalizado
Omitida Não mencionado
As definições das categorias foram retiradas de Herzberg (1993). É importan- te destacar que, para fins de avaliação e classificação, considerou-se como apercep- ção adequada também aquelas que foram classificadas como implícitas.
A análise deste item não foi realizada para a Prancha 16, uma vez que, para tanto, seria necessária uma análise temática, procedimento que não faz parte da pro- posta de análise aqui apresentada para as produções frente ao TAT.
As tabelas utilizadas para a análise das Pranchas 1, 2, 7MF e 16 foram desen- volvidas baseadas em Herzberg (1993). Com relação à Prancha 8 MF, como esta não havia sido utilizada por Herzberg (1993), foi confeccionada a tabela referente à aná- lise dessa Prancha, tanto com base em Herzberg (1993) como na descrição original de Murray (1943/1995);
2.6.3.4 Estrutura da história
Foi considerado história estruturada, aquela definida por Shentoub et al. (1958) como bem construída, no que se refere ao seguimento das instruções de dar passado, presente e futuro à história.
2.6.3.5 Tipo de solução
Segundo Silva (1989), a solução ou desenlace da história, por não ser um e- lemento dado pelo estímulo, é sempre resultado da projeção de conteúdos mais pes- soais. Portanto, ao serem estipuladas as categorias apresentadas na Tabela 3, foi le- vado em conta a predominância de aspectos adaptativos ou não, e se a solução estava baseada na realidade ou na fantasia. Dana (1996) ressalta que se não há solução ou sentimentos com relação a uma ou ambas figuras parentais nas histórias, hipóteses relevantes podem começar a ser formuladas. As soluções foram classificadas nas categorias definidas pela própria autora do trabalho, definidas a seguir:
Tabela 3 – Categorias de análise do tipo de solução
Categoria Condição do desfecho da história Sucesso Favorece o personagem principal da história Fracasso Desfavorece o personagem principal da história Final feliz ou
placada
Minimiza conflito evocado anteriormente e favorece o persona- gem principal da história
Ausente Não há desfecho na história
2.6.3.6 Procedimentos
Adotou-se os seguintes procedimentos:
a) em primeiro lugar foi feita uma análise dos tempos de latência inicial e to- tal dos protocolos do TAT (Tabelas 17 e 18 e Figuras 39 e 40);
b) procedeu-se a análise da apercepção (item “a” acima), ou seja, quais fo- ram os elementos vistos adequadamente, omitidos, implícitos ou distorcidos, de a- cordo com as normas aperceptivas, baseada na descrição original de cada Prancha (Tabela 1), o que resultou nas Tabelas 20 à 23 e nas Figuras 41 à 56 (item Resulta- dos), cuja análise foi feita por mais dois juízes, além da própria pesquisadora;
c) elaborou-se a análise da estrutura da história dos protocolos do TAT; d) procedeu-se a análise do tipo de solução apresentado nos protocolos do TAT;
e) comparou-se os resultados do levantamento entre os dois grupos;
f) cruzou-se os dados, comparando a primeira e a segunda gravidez com re- sultados de outras pesquisas.
Para fins de síntese e viabilização da replicabilidade dos procedimentos de análise do TAT aqui adotados, apresenta-se a Figura 3 (p. 63), que serve também de ilustração da idéia de que descrição, compreensão e explicação são momentos inter- conectados e interativos de um processo contínuo (Bleger, 1975).
Foi analisado ainda se os aspectos analisados no DFH mantinham alguma re- lação com os aspectos analisados no TAT.
Figura 3 – Resumo esquemático dos procedimentos para análise do TAT
Fonte : Adaptado de Ávila Espada (1986, p. 83)