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Neste trabalho, as informações provenientes das entrevistas semi-dirigidas fo- ram auxiliares no processo de análise dos resultados dos Desenhos da Figura Huma- na e dos protocolos do TAT. Há um rico material, ainda pouco explorado, que subsi- diará futuras pesquisas, dado o seu grande valor qualitativo.

2.6.2 DFH – Desenho da Figura Humana

A avaliação dos Desenhos das Figuras Humanas em seus aspectos expressi- vos e projetivos foi baseada em Lourenção Van Kolck (1981, 1984), incluindo-se a recomendação do uso de crivos para a apreciação do tamanho das figuras em relação à folha e localização da figura na folha. Estes crivos foram confeccionados em papel vegetal a partir do modelo proposto por Lourenção Van Kolck (1981, p. 47-48). É importante ressaltar que as categorias, cujas análises foram priorizadas neste traba- lho, assim o foram, pelo fato de, em pesquisas anteriores sobre o tema da gravidez (Davids & De Vault, 1960; Grant, 1984; Herzberg, 1986, 1993), terem sido nelas que surgiram indicativos de características “típicas” e freqüentes nos desenhos de grávi- das.

Como destacado anteriormente, duas juízas com experiência clínica e familia- ridade com a técnica omitiram opiniões quanto à avaliação dos desenhos para maior segurança.

Foram selecionadas as seguintes categorias para avaliação:

2.6.2.1 Aspectos Gerais

a) Posição da folha de papel – em que posição a grávida desenhou, se na ver- tical, posição original em que a folha foi entregue, ou na horizontal;

b) Localização da figura na folha – houve utilização de crivo conforme mo- delo proposto por Lourenção Van Kolck (1981, p.47-48) e, algumas vezes, se passas- se apenas uma pequena parte do desenho para um outro quadrante, na hora de classi- ficar, considerou-se o quadrante no qual se encontrava a maior parte do desenho;

c) Tamanho da figura em relação à folha – avaliação do tamanho do desenho em relação às dimensões do papel, houve utilização de crivo conforme modelo pro- posto por Lourenção Van Kolck (1981, p.47-48).

2.6.2.2 Aspectos estruturais ou formais

a) Tipo de imagem do corpo (figuras realistas ou compensatórias). Manteve- se aqui neste trabalho as mesmas definições de Herzberg (1993, p.63) do que foram considerados desenhos realistas e compensatórios, a saber:

realistas – aquelas imagens bem próximas de um corpo humano que sugeris- sem as modificações corporais devido à gravidez;

compensatórias – aquelas imagens que não sugerissem as modificações cor- porais e que por sua vez alguma de suas partes recebesse tratamento especial, como por exemplo, ombros largos demais, cintura muito fina, traços femini- nos e/ou masculino muito acentuados, aparência estranha.

Foram usadas as mesmas definições para a análise da figura do homem já que Herzberg (1993) observou em sua pesquisa que, tais características no grupo de ges- tantes foram mais freqüentes no desenho da figura do homem do que no desenho da figura do próprio sexo. Daí, a importância da aplicação e análise das duas figuras.

Em caso de dúvida quanto à classificação e/ou discordância entre a pesquisa- dora (primeira juíza) e a segunda juíza, contou-se com a avaliação de um terceiro juiz, levando-se também em conta a classificação do desenho do outro sexo;

b) Inclinação – se a figura estava ereta ou inclinada. A inclinação pode ser para a direita ou para a esquerda. Avalia-se a inclinação a partir de uma linha imagi- nária que passa entre os olhos da figura e termina no meio da parte inferior do tronco, linha de divisão entre as pernas (Herzberg, 1993);

c) Ordem de desenho das figuras (qual o sexo da figura desenhada no pri- meiro e no segundo desenho);

d) Tratamento diferencial em relação ao tamanho, elaboração (quantidade de detalhes) e tempo de realização entre uma figura e outra.

2.6.2.3 Aspectos de conteúdo

a) Desenho da cintura e/ou cinto – observou-se a maneira como a cintura foi assinalada, se foi marcada com linha ou cinto ou ainda se estava ausente, isto é,

quando não havia nenhum assinalamento particular na região da cintura (Herzberg, 1993);

b) Marcação da região dos seios – avaliação do tratamento dado a esta regi- ão: se marcada com bolso, se foi marcada com seios ou se a marcação estava ausente.

2.6.2.4 Procedimentos

A análise foi realizada através de três procedimentos:

a) levantamento do número (freqüência) de respostas obtidas em cada item, e em cada grupo;

b) comparação dos resultados do levantamento entre os dois grupos, compa- ração essa apresentada nas Tabelas 5 até 16 e nas Figuras 4 até 38;

c) cruzamento dos dados comparativos entre a primeira e a segunda gravidez com resultados de outras pesquisas.

A análise quantitativa foi acessória à análise qualitativa e, por resultar em ta- belas e gráficos, funcionou como uma ilustração “objetivamente perceptível” das diferenças nas produções do DFH entre a 1ª e a 2ª gravidez.

O conjunto de procedimentos aqui proposto caracteriza o que Bardin (2000) definiu como análise de conteúdo. O tratamento descritivo, que aqui se chamou de análise quantitativa, constitui o primeiro tempo do procedimento da análise de conte- údo. Se a descrição, ou seja, a enunciação de características do texto2 é a primeira etapa necessária, e se a interpretação (no sentido de se extrair informações acerca dos dados coletados) é a última fase, o procedimento intermediário, a inferência, é que vai permitir que haja a passagem explícita e controlada de uma à outra.

O uso da análise de conteúdo pelo psicólogo clínico é indicado também por Kerlinger (1980), o qual aponta inclusive que o objetivo usual deste tipo de análise é diagnóstico, ou clínico, já que possibilita medidas de variáveis:

Procura-se compreender o indivíduo mais profundamente do que é usualmente possível para alguma espécie de objetivo prático. Em outras palavras, procura-se conhecer as ca- racterísticas ou atributos do indivíduo. O psicólogo clínico, por exemplo, estuda uma des-

crição detalhada do paciente à procura de pistas ou sintomas de uma doença (Kerlinger, 1980, p. 313).

Portanto, o uso da análise de conteúdo na pesquisa em questão é recomendá- vel tendo em vista o objetivo de caracterizar, através das produções frente às Técni- cas Projetivas utilizadas, um perfil psicológico comparativo das grávidas de primeiro e segundo filhos.

Diante da preocupação de esclarecer o sistema de análise e interpretação aqui utilizado, apresenta-se o mesmo de forma esquemática na Figura 2 abaixo:

Figura 2 – Resumo esquemático dos procedimentos para análise do DFH

Fonte: Adaptado de Ávila Espada (1986, p. 83)