2.3. VERĠ MADENCĠLĠĞĠ
2.3.4. Veri Madenciliği Uygulama Alanları
No trabalho de Barros (1999), que originou indícios a respeito da diferença entre a primeira e a segunda gravidez, não só do ponto de vista médico e histórico, mas também do psicológico, observou-se nas primíparas que o que mais se destacou foi a interferência de revivescências de suas histórias de vida nas expectativas imagi- nárias que têm em relação ao filho, sendo este esperado como devendo compensar seus traumas pessoais. No que se refere ao desejo mais presente nas mulheres grávi- das de segundo filho, esse desejo diz respeito à primazia por determinado sexo para o bebê, que, preferencialmente seria o oposto do de seu primeiro filho.
Comparando aqueles resultados com os encontrados na presente pesquisa, pode-se dizer que as tendências que foram apontadas como resultantes da análise do material do TAT vão, de certa forma, ao encontro do que foi observado anteriormen- te por Barros (1999), já que as ansiedades que aparecem na primípara parecem estar mais ligadas às modificações biopsicossociais resultantes da gravidez (vide figuras desarmônicas, especialmente na região da cintura no DFH) do que às grávidas de segundo filho, as quais parecem estar mais abertas e tranqüilas frente ao processo de gravidez. Por outro lado, as grávidas de segundo filho, apresentam dificuldade em conceber a idéia de diluir o vínculo com o filho mais velho em função do nascimento do outro bebê. Esse aspecto emergiu da análise do material coletado, principalmente o resultante do TAT.
A pesquisa de Davids e De Vault (1960), relacionou a escolha do desenho da figura humana do próprio sexo com a apercepção da mulher mais velha como grávi- da na Prancha 2 do TAT. Os autores observaram que 86% das mulheres que percebe- ram a mulher mais velha como grávida, na Prancha 2, também desenhou a figura feminina no DFH. Na pesquisa aqui apresentada, com relação ao desenho do próprio sexo em primeiro lugar, no DFH, e à apercepção da mulher grávida, na Prancha 2, observou-se que, enquanto no grupo das primíparas não houve nenhum caso com essa combinação de respostas, nas grávidas de segundo filho três casos foram identi- ficados. Se for levado em conta que os resultados da pesquisa de Davids e De Vault (1960) relacionaram tais respostas ao bom prognóstico no pós-parto, pode-se sugerir que essas três grávidas de segundo filho tendem a ter um bom prognóstico no perío- do identificado pelos referidos pesquisadores.
Com relação ao nível de ansiedade detectado na comparação dos tempos de latência e estrutura da história (apesar desta comparação ter apontado para um maior indício de ansiedade perturbadora nas grávidas de segundo filho no TAT), com rela- ção aos aspectos do DFH, os indícios da presente pesquisa apontam para a existência de uma ansiedade maior frente às modificações corporais e de papel sexual (desenho da figura masculina em primeiro lugar, figuras compensatórias e ausência de trata- mento diferencial na figura feminina), dessa vez por parte das primíparas.
Conforme observado por Herzberg (1993), algumas características que consi- derou típicas no desenho das grávidas foram encontradas com mais freqüência no desenho da figura do homem do que no desenho da figura feminina. Daí, a importân- cia da aplicação e análise das duas figuras. Na presente dissertação também surgiu essa tendência, por exemplo, no que se refere à maior quantidade de detalhes como pode ser observado no par de desenhos da grávida 6 de segundo filho:
Figura 63 – Maior quantidade de detalhes na figura masculina da grávida 16 de se- gundo filho.
Um exemplo da importância da utilização das técnicas projetivas aqui utiliza- das pode ser observado em um dos casos que fizeram parte da amostra deste estudo. Trata-se da gestante 16, grávida de segundo filho. Por ocasião das entrevistas, notou- se que ela estava depressiva. Ressalte-se que não se tratava de um ensimesmamento (Soifer, 1992), comum e esperado na gravidez. A gestante apresentava um tom de voz baixo e trazia conteúdos de caráter patológico com relação à gravidez, tais como a preocupação quase delirante com relação a uma possível rubéola (a pesquisadora em conversa com a obstetra, descartou a possibilidade real de tal doença). Além dis- so, tanto seus protocolos do TAT, quanto à análise de aspectos gerais, estruturais e de conteúdo de seus desenhos no DFH, apontavam também para a mesma problemática dessa grávida, a qual estava na sexta semana de gestação.
Com relação à pergunta formulada no início deste trabalho, frente às coloca- ções de Brazelton (1988), quando este aponta que há dificuldade por parte da mãe de conceber a idéia de diluir o vínculo com o filho mais velho em função do nascimento do outro bebê e que, portanto, este seria um medo universal, avalia-se que o material, principalmente o resultante do TAT, aponta para que se concorde com o referido autor. Acerca desse aspecto, ressalta-se a história que a grávida 19, de segundo filho, contou frente à Prancha 7 MF:
“Que lindo! A chegada do bebê. Vamos ver... a menina não está muito feliz com esse be- bê. Parece que ela não tá, não sei, não tá gostando da chegada do bebê. A mãe tá tentando aproximá-los os dois, as duas, não sei e ela não tá querendo muito. Ela tá se retraindo um pouco, por ela nem olhar na carinha do bebê. Eu acho que a mãe tá tentando aproximar as duas... e com esforço de mãe, que mãe sempre quer e sempre consegue, como ela sabe li- dar muito com os filhos eu acho que aqui vai ter um final muito feliz. Eu acho que ela vai gostar muito desse bebê, que se fosse no meu caso eu faria isso. Eu tentaria o máximo a aproximação, cuidar sempre, pedir ajuda pra cuidar do bebê, falar que o bebê é dela. E que a mãe também dê muita atenção a ela que é maior, e para o bebê se ainda é muito pe- quenininho. Ele não vai sentir tanto, talvez ela sinta porque ela já é uma menina de sete, oito anos. Eu acho que isso demorou muito, então ela se sentiu que era ela até então era só ela. Então, talvez ela sinta muito ciúmes, a carinha dela aqui é de ciúmes, mas com o es- forço da mãe eu acho que esse final vai ser muito bom e ela vai amar muito esse irmãozi- nho aqui”.
Inquérito:
Como você acha que é o relacionamento da mãe com a menina?
Eu acho que é bom, um relacionamento bom, agora, com a chegada do bebê talvez a menina tá sentindo muito ciúmes como se a mãe não fosse mais dar atenção prá ela por ter um bebê, um bebezinho. Ela já é uma mocinha, no caso, já entende, já é me- nina de sete oito anos, então prá ela já cresceu e agora é o bebê. Então talvez ela pense que a mãe não dê atenção, mas se fosse eu até daria mais atenção à ela por ser maior. Porque o bebê ainda é um bebezinho, precisa de atenção, mas que dê muita atenção também pra maiorzinha (comenta que está ansiosa)”.
Diante dessas considerações, percebe-se a importância para a gestante e indi- retamente para o bebê, de pesquisas nesta área, para que se tenha acesso às peculiari- dades (desejos, angústias, medos) de seu funcionamento psíquico e, assim, se possa aprimorar a escuta deste tipo de população, norteando, quando necessário, a elabora- ção de propostas psicoprofiláticas.