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CHAPTER 2: WOMEN AND CONFLICT

2.6. VIOLENCE AGAINST WOMEN IN WARTIME

A experiência mais próxima de organizar uma exposição que uma escola possui, usualmente, é a de realizar Feiras de Ciências ou Mostras Culturais, mas dentro de seu espaço físico e para o público escolar. Exceto por alguns professores e alunos, que participam de eventos científicos ou culturais, organizados por instituições de âmbito mais geral como Secretarias de Educação municipais ou estaduais, a grande maioria nunca planejou participar como expositora de um evento em que o público não é o escolar. Essa é, talvez, a maior diferença em relação a um museu ou centro de ciências e o maior desafio de uma escola quando convidada a participar de uma exposição durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). É importante ressaltar que as escolas, com exceção de equipamentos de multimídia, não expõem acervos ou bens do seu patrimônio porque não dispõem de material expositivo permanente.

As exposições têm sido a principal forma de comunicação de museus (CURY, 2005). Elas são o resultado de um sistema de comunicação museológica composto, entre outros elementos, de procedimentos metodológicos, de recursos humanos e materiais, de informações e experiências “necessários para o desenvolvimento de processos de comunicação de conhecimento” (idem, p. 52). A realização de uma exposição exige da instituição expositora planejamento e uma logística de execução. Uma série de detalhes como o conteúdo da exposição, a disposição dos materiais no espaço disponível, as pessoas que irão trabalhar nela, precisam ser pensados e alocados. Uma instituição de educação formal, diferente de museus ou centros de ciência, não possui experiência com o sistema de comunicação museológica, dirigido a um público distinto do escolar e que fica poucas horas no ambiente expositivo.

Durante a exposição da SNCT, cada escola organiza seu ambiente expositivo (estande) dentro de um espaço maior, o Pavilhão da Ciência, onde outras instituições também se fazem presentes. As escolas expõem objetos construídos por alunos e professores para explicar o conhecimento científico ou alunos e professores realizam experimentos breves sobre temas científicos, com intenção de divulgar o trabalho pedagógico realizado na área de educação científica.

Cury (2005, p. 47) lembra, ainda, que o desenho (design) de uma exposição é um forte elemento para atrair o público visitante, assim como os objetos e a organização espacial influenciam a experiência das pessoas. As escolas aprendem isso na prática. Aquelas que se apresentam mais de uma vez na exposição da SNCT retornam mais bem preparadas para ocupar o espaço do estande e para apresentar produções resultantes do seu trabalho pedagógico. Elas aprendem com a experiência anterior a organizar espaços de recepção e interação com o público de modo a atraí-lo e envolvê-lo na experiência pedagógica apresentada. No entanto, mais do que as produções educacionais, o maior destaque, em um estande ocupado por uma instituição escolar, são os próprios alunos expositores. Ao interagir com as pessoas para explicar suas produções, eles transformam os estandes em grandes pontos de afluência de público.

As escolas também aprendem, com a experiência expositiva, a importância de divulgar o trabalho pedagógico de forma a externar uma imagem institucional positiva. Nesse ponto, como se evidencia a seguir, as escolas particulares têm maior possibilidade de alocar recursos de marketing para construção dessa imagem.

A primeira experiência de apresentação de escolas na exposição aconteceu em 2007. Para tal, o MCTI convidou uma escola da rede particular e solicitou que a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF) indicasse uma escola da rede pública para participar como expositora16. Essa escola particular apresentou-se na exposição

durante dois anos: 2007 e 2008. A escola pública não voltou a apresentar-se na exposição. Em 2008, a SEDF reativou as Feiras de Ciências no Distrito Federal e passou a selecionar as escolas participantes da exposição da SNCT. Para realizar uma seleção ajustada ao clima de divulgação e popularização da ciência da SNCT, a SEDF tem publicado, desde 200817, editais com critérios de inscrição e seleção de trabalhos. As

Diretorias Regionais de Ensino (DRE) de cada cidade selecionam previamente os trabalhos de duas escolas com Ensino Médio, que se apresentam em uma grande Feira de Ciências do Distrito Federal. Durante a realização da Feira de Ciências distrital, são selecionadas as escolas que participam da exposição no Pavilhão da Ciência.

16 Por facilidade de acesso, realizamos, em 2008, uma pesquisa exploratória sobre o impacto gerado pela exposição da SNCT nessa escola particular (escola A-Part). Essa pesquisa exploratória foi transformada em um primeiro trabalho apresentado em encontro da área de educação em ciências. Ver Hartmann e Zimmermann (2008).

17 Pesquisa de Hartmann e Zimmermann (2009b) examina como a contextualização e a inter- disciplinaridade estão presentes em atividades produzidas por escolas públicas e apresentadas na II Feira de Ciências do Distrito Federal.

Essa seleção das escolas públicas aconteceu em 2008 e 2009. No primeiro ano, várias escolas de Ensino Médio da rede pública foram indicadas e convidadas pela comissão organizadora da Feira de Ciências da SEDF, mas apenas sete conseguiram se organizar para participar da SNCT (escolas: C, D, E, F, G, H, I). No segundo ano, apenas quatro escolas com Ensino Médio foram selecionadas para expor seus trabalhos porque a SEDF selecionou também quatro escolas com Ensino Fundamental para participar da SNCT. O estande ocupado pela SEDF no Pavilhão da Ciência foi pequeno nesses dois anos para abrigar o número de escolas expositoras, se comparado ao espaço ocupado pelas escolas particulares. Cada uma destas ocupava, proporcionalmente, uma área maior que cada uma das escolas públicas.

O ano de 2010 foi tumultuado politicamente no Distrito Federal por causa da troca de governadores (quatro em um ano). Até um mês antes da SNCT existia um clima de incerteza na SEDF se aconteceria a liberação de recursos financeiros para a realização da Feira de Ciências distrital. Com isso, houve desencontro de informação entre DRE(s) e escolas. Aconteceu de escolas que se preparavam para participar do evento não serem avisadas a tempo do período de inscrição. Esse é o caso, por exemplo, da escola E, que participara dois anos seguidos da exposição da SNCT (2008 e 2009) e se preparava ativamente para participar dela em 2010.

As escolas de Ensino Médio participantes da exposição em 2010 foram indicadas e convidadas pelas DRE(s) que conseguiram realizar suas Feiras de Ciências locais. Pode-se constatar que algumas dessas escolas não tinham recursos logísticos e estruturais suficientes para manter alunos e professores durante os sete dias de exposição. Os estandes ficavam vazios durante várias horas ou tinham escasso material exposto, fosse ele na forma de painéis ou outros objetos expositivos.

Adotando uma estratégia inovadora, a DRE de Santa Maria desenvolveu em 2010 um projeto próprio de Feiras de Ciências em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), e financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). As duas professoras, que submeteram o projeto ao órgão governamental e o implantaram em Santa Maria, pleitearam junto ao MCTI um espaço próprio para apresentação de seis projetos realizados por duas escolas que possuem Ensino Médio na cidade. Uma delas foi a escola G, que havia participado da exposição em 2008 e que, em 2009, não se apresentou porque não se organizou a tempo de participar da Feira de Ciências da SEDF.

O processo de participação das escolas particulares como expositoras segue um percurso diferente das escolas públicas. O MCTI envia a cada uma delas um convite, que

sendo aceito, habilita a escola a participar da exposição. Evidentemente, uma escola particular tem uma imagem institucional a zelar, enquanto empresa, e só participa da exposição se tiver condições financeiras e trabalhos na área adequados à exposição. O espaço que cada uma delas disputa para apresentar sua produção depende da capacidade de ocupá-lo devidamente, pois, do contrário, pode ter seu trabalho pedagógico desacreditado.

A participação das escolas, de um modo geral, sejam elas públicas ou particulares, caracteriza-se por uma competição não explícita, mas que é perceptível pela disputa de público. Aquela escola que consegue atrair um número considerável de pessoas para seu estande, destaca-se durante a exposição. Quem chamou atenção para essa disputa foi um professor da equipe gestora de uma escola particular:

Eles [alunos]18 gostam de participar da feira porque tem a competição... e a nossa escola acaba tendo uma empolgação grande por poder mostrar que é uma escola grande, que tem isso, tem aquilo... (GA-Part, 2008).

É importante ressaltar neste ponto que é comum entre os entrevistados, sejam eles professores ou alunos, o uso da palavra “feira” ao se referir à exposição da SNCT. Interpretamos essa referência como uma representação cultural enraizada no coletivo escolar, para quem a exposição da SNCT é entendida como uma grande Feira de Ciências.

A competição a que se refere o professor também transparece na comparação das atividades expostas por outras escolas, ou na menção à premiação de trabalhos apresentados em outros eventos. A competição (velada) manifesta-se em afirmações como:

Diferente de muitas escolas que querem vender a escola, que mostram muito realmente da estrutura, a gente não. A gente quer mostrar exatamente aquilo que os alunos fazem aqui dentro. Não é projeto comprado. Não é projeto que a gente trouxe de fora, de outras pessoas. São coisas que os alunos fazem aqui dentro mesmo. (GJ-Part, 2010).

Como durante a SNCT não existe premiação, essa competição não é acirrada. A competitividade se mostra em uma espécie de competição “saudável” em que as escolas buscam apresentar o melhor do trabalho pedagógico que realizam como forma de comprovar a reputação de excelência que possuem na sociedade brasiliense.

A vantagem é que o [escola G-Part] tem um nome muito forte como instituição de ensino, e isso ajuda bastante. Inclusive não só pelo nome, mas até pelo resultado dos projetos. Então, a gente tem o que mostrar, tem como falar: „Nós fizemos, nossos alunos fizeram e tem provas e prêmios que eles receberam pelos projetos porque são projetos interessantes‟ (GJ-Part, 2010).

18 Uma vez que o trecho da entrevista é extraído do contexto em que foi enunciado, as palavras entre colchetes são para deixar claro a quem ou a que está se referindo o entrevistado. Os colchetes também são usados para preservar a identidade da instituição ou de algum sujeito.

Considerando que o Distrito Federal possui um número considerável de escolas particulares, é relativamente baixo o número daquelas que se organizam para participar da exposição da SNCT. Além disso, apenas duas delas (B e J) participaram três anos consecutivos e outras duas (M e Q) durante 2009 e 2010. Todavia, registramos em 2010 que três novas escolas particulares participaram como expositoras, enquanto duas outras deixaram de fazê-lo. Essas três novas escolas não foram investigadas porque a pesquisa de campo foi encerrada em outubro de 2010, durante a exposição da SNCT. Visitamos no início de 2011 duas escolas particulares e uma escola pública apenas para tentar saber por que elas, tendo participado da exposição em 2009, não participaram dela em 2010.

5.2 Razões das escolas para participar da exposição

Os professores das escolas expositoras, sem exceção, entendem a participação da escola na exposição da SNCT como uma oportunidade ímpar de apresentar o trabalho pedagógico que realizam, projetando-se como instituições voltadas para o desenvolvimento de competências na área científica. Apesar de nem todas realizarem formalmente uma Feira de Ciências interna, existe na maior parte delas um professor, ou um grupo de docentes, que conduz um trabalho voltado para o desenvolvimento de competências na área de Ciências da Natureza, mais especificamente em Biologia, Física e Química. Das dezesseis escolas que participaram da pesquisa, apenas uma (escola F-Publ) apresentou, em 2008, o produto de uma pesquisa de campo na área de Ciências Humanas. Outra (escola H-Publ), no mesmo ano, apresentou uma produção sobre questões socioambientais em que o conteúdo da área de Ciências da Natureza não foi contemplado.

A tradição cultural de realizar Feiras ou Mostras de Ciências é antiga nas escolas públicas, sendo por essa via que elas chegam na exposição. A proposta de realização dessas feiras é inserida no início do ano letivo no seu Projeto Pedagógico por iniciativa de um ou mais professores da área de ciências da natureza. A responsabilidade de realização das Feiras ou Mostras de Ciências passa a ser desses professores que recebem, então, o apoio da equipe gestora.

O movimento é inverso na maior parte das escolas particulares. A iniciativa de realizar uma produção de caráter expositivo parte das equipes gestoras. Essa foi a situação encontrada em cinco das seis escolas particulares que participaram da pesquisa. Em apenas uma escola (J), existe um grupo de professores de Biologia, Física e Química, organizado em função de promover atividades de pesquisa há vários anos.

Antes de continuar, torna-se importante definir claramente o que se entende por produção de caráter expositivo e atividade de expositiva, expressões empregadas com frequência daqui por diante. Uma das particularidades de uma exposição museal é apoiar-se em objetos dispostos de forma significativa em um determinado espaço (KÖPTCKE, 2003). Os objetos com potencial ao mesmo tempo educativo e expositivo são construídos nas escolas, geralmente, em ocasiões em que os alunos são desafiados a apresentar suas produções em ciência e tecnologia para colegas e professores. Esse tipo de objeto é entendido aqui como uma produção de caráter expositivo. A comunicação que os alunos fazem, utilizando esse objeto expositivo, é denominada de atividade expositiva. Esse objeto pode ser de um simples painel ou cartaz até um artefato ou experimento para demonstrar algum princípio científico.

O que existe em comum na experiência vivenciada pelas escolas é que elas vislumbram na exposição da SNCT a oportunidade de mostrar produções culturais, especialmente da área de Ciências da Natureza, a um público diferente do escolar. O público não escolar e a projeção social e educacional, que a escola passa a ter por participar da SNCT, transformam-se no grande atrator que movimenta o trabalho pedagógico escolar no sentido de produzir atividades de potencial expositivo.

Com exceção do ano de 2007, em que as primeiras escolas receberam um convite especial para participar, as escolas particulares preparam-se desde o início do ano letivo com o propósito de ter um espaço na exposição. As escolas públicas, por sua vez, em 2008 e 2009 passaram inicialmente por uma seleção da SEDF. A maior parte delas foi surpreendida pela possibilidade de expor na SNCT, sendo que vários docentes e muitos alunos não tinham ideia da dimensão do evento. A partir de 2009, essa conformação alterou-se porque as escolas, além de prepararem-se ativamente para serem selecionadas pela SEDF durante a Feira de Ciências do Distrito Federal passaram a pleitear espaços próprios dentro do Pavilhão da Ciência da mesma forma que o fazem as escolas particulares. Esse foi o caso, em 2010, da DRE de Santa Maria.

Aproveitando edital da Capes, duas professoras do Núcleo de Monitoramento Pedagógico da DRE de Santa Maria submeteram o projeto Feira de Ciências 2010 de Santa Maria: um evento para a popularização da ciência e tecnologia na comunidade escolar e conseguiram recursos financeiros para desenvolver uma Feira de Ciências. Quando as professoras elaboraram o projeto de Feira de Ciências, elas já previam a participação, na exposição da SNCT, de dez projetos de Ensino Médio ou de Anos Finais do Ensino Fundamental de escolas da cidade. Para tal, desde maio de 2010 elas pleiteavam junto ao MCTI um espaço separado daquele da SEDF. Assim, esse foi o primeiro ano em que a DRE

de Santa Maria teve uma posição de destaque no Pavilhão da Ciência, com um estande só para suas escolas. Entre os 60 projetos das treze escolas que participaram da seleção realizada por essa DRE estavam os trabalhos da escola G, que já havia participado da exposição em 2008.

Para tornar mais clara a forma como cada escola se organiza para apresentar-se na exposição e o impacto causado por essa participação, descrevemos a seguir o trabalho pedagógico realizado por elas individualmente, destacando os pontos em que distinguimos algum impacto na forma como a escola realiza a educação científica. Por outro lado, entendemos a categoria trabalho pedagógico como

(...) o trabalho realizado por toda escola; não apenas aquele realizado diretamente com os alunos, mas também o que auxilia a realização deste, como a coordenação pedagógica, a secretaria escolar, a orientação escolar... (VILLAS BOAS, 2004, p. 183).

A palavra trabalho incorporou-se ao vocabulário dos professores, como se pode observar nos depoimentos dos sujeitos desta pesquisa. Ela é empregada para referir-se à prática dos professores como profissionais que organizam o ensino visando a aprendizagem dos alunos. O produto do trabalho escolar e docente é não-material (FREITAS, 1995; VILLAS BOAS, 2004). Ele não provoca mudanças diretas na realidade material e social, pois como se admite na tradição da pedagogia histórico-crítica:

O processo de trabalho que caracteriza a educação é específico na medida em que diz respeito ao trabalho não-material, vale dizer, produção de ideias, conceitos e valores, símbolos, hábitos, atitudes, habilidades, enfim, à produção do saber (FREITAS, 1995, p. 28).

Assim sendo, examinamos e interpretamos o ponto de vista de professores da equipe gestora de cada uma das escolas – diretores, coordenadores e assistentes pedagógicos, orientadores educacionais – a respeito de como a participação na exposição da SNCT impactou o trabalho pedagógico.

5.3 O impacto no trabalho pedagógico

Tendo adotado uma metodologia baseada em uma abordagem fenomenológica, tínhamos como propósito examinar apenas os pontos de semelhança nos depoimentos dos sujeitos participantes da pesquisa. Contudo, é difícil não registrar que as escolas apresentam contextos diferentes. A diferença mais acentuada e marcante se mostrou, inicialmente, na própria exposição da SNCT, ao visitar os estandes ocupados por elas, e refere-se às características sociais e econômicas das escolas: parte do grupo pertence à iniciativa particular (escolas particulares) e parte são mantidas pelo poder público (escolas públicas).

Bourdieu (1930/2002) destaca – e vemos confirmado pela experiência – que o capital cultural das famílias que conseguem manter seus filhos nas escolas particulares e o capital social dessas instituições reflete-se no êxito que os seus egressos têm tido para ingressar no ensino superior em universidades públicas. Bourdieu acrescenta que esse êxito é “o resultado de uma seleção direta ou indireta que, ao longo da escolaridade, pesa com rigor desigual sobre os sujeitos das diferentes classes sociais” (BOURDIEU, 2002, p. 41), determinando também, em grande parte, o futuro profissional desses sujeitos.

É importante registrar que algumas das escolas particulares com Ensino Médio possuem alunos bolsistas. Por outro lado, com o aumento do número de instituições públicas de ensino superior, o acesso a essas instituições por meio do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) e a política de bolsas para estudantes de baixa renda têm oportunizado a muitos alunos egressos de escolas públicas cursar o ensino superior. Destacamos esse ponto porque se constatou durante a pesquisa que o trabalho pedagógico realizado pelas escolas particulares continua fortemente direcionado para os exames de acesso ao ensino superior de universidades públicas. Organizar o trabalho pedagógico para preparar produções científicas é apenas um espaço que as escolas abrem em sua programação anual. Mesmo assim, as atividades expositivas são planejadas e organizadas em horários diferentes das aulas.

Na exposição da SNCT, a diferença entre as escolas particulares e públicas se manifesta no aporte de recursos materiais que as escolas conseguem mobilizar, na organização do trabalho pedagógico que realizam e, principalmente, na forma como elas conquistam o espaço privilegiado de exposição no Pavilhão da Ciência. Como já mencionamos, as escolas públicas passam por uma seleção da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, enquanto as escolas particulares conquistam esse espaço pela iniciativa de seus gestores. Essa diferença não se reflete na qualidade dos trabalhos expostos ou na competência de alunos e professores em apresentá-los, pois os dois grupos de escolas, durante os três anos de pesquisa, expuseram trabalhos excelentes, que eram igualmente visitados pelo público.

Outra diferença constatada na pesquisa é que algumas escolas são exclusivamente de Ensino Médio e outras, além do Ensino Médio mantêm turmas de Ensino Fundamental e até de Educação Infantil. Para os objetivos desta investigação, essa não nos pareceu uma diferença significativa entre elas e a destacamos apenas para explicar porque, por vezes, utilizamos a expressão escolas com Ensino Médio ao invés de escolas de Ensino Médio. Tendo feito esses destaques, passamos a examinar o trabalho pedagógico de cada escola-

expositora e o impacto gerado nelas pela participação de seus alunos e professores na