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II. BAŞKA BİR DİLDE TİYATRO PRATİĞİ

III.IV. VINORA EPP

Numa fase de crescente liberalização econômica e integração comer- cial, e ante a perda de sustentação doutrinária da Guerra Fria, resultante do desaparecimento do inimigo comum, a agenda da segurança internacional tende a adquirir maior peso em relação aos processos de restabelecimento da supremacia civil e o conseqüente redimensionamento militar regional.

Os importantes processos de integração regional da América do Sul, como o Mercosul e a Comunidad Andina de Naciones (CAN), estão impri- mindo novo impulso às relações internacionais e, conseqüentemente, modi- ficando os tradicionais comportamentos em relação tanto à segurança dos Estados quanto a sua projeção internacional. Apesar de seu breve tempo de vida, o Mercosul, provavelmente mais que a CAN, conseguiu imprimir um ritmo intenso nas negociações e na busca de consenso em matéria econômi- ca, comercial e de segurança. Quanto a este último tópico, o acordo firma- do entre os membros e seus associados — Bolívia e Chile — sobre o “Merco- sul como Zona de Paz” é, sem dúvida, um dos maiores êxitos, por ora em- blemático, de sua diplomacia, e que augura um auspicioso futuro regional e sua vinculação ao restante do mundo. A Bolívia, um país com desenvolvi- mento relativo menor na América do Sul, tem diante de si a difícil tarefa de buscar um ponto de equilíbrio nesse processo de cooperação e integração dos esquemas sub-regionais. Sua posição geográfica entre o Mercosul e a CAN, longe de causar problemas de integração, deveria propiciar vantagens com- parativas e oportunidades de redução de assimetrias estruturais com seus no- vos parceiros. Embora o país goze de uma posição privilegiada no continen- te, suas possibilidades de participar de ambos acordos de integração reque- rem inevitavelmente um processo de modernização prévia e sustentável.

Ao que parece, a nova política internacional boliviana tende para uma projeção mais ampla. Nem encravada nas encostas andinas, nem inte- grada plenamente ao Mercosul, a perspectiva até o momento explicitada pela Chancelaria é a integração simultânea aos dois esquemas, através do fortalecimento da “Zona de livre comércio com nossos parceiros andinos e promoção de uma união alfandegária com os do Mercosul”.48 Sem dúvida, a lógica que preside essa estratégia de integração entre as sub-regiões consis- te em aproveitar as oportunidades oferecidas pelos mercados andinos para a crescente produção agrícola da região oriental e as vantagens que tam- bém oferece o potencial industrial do Mercosul. Os projetos de distribuição energética através de gasodutos ligados ao Brasil e ao Peru parecem refor- çar a posição da Chancelaria.

Este é o marco internacional em torno do qual terá que girar a agen- da da segurança boliviana, marco sem dúvida difícil, fundamentalmente em sua relação com o Mercosul, já que, até hoje, aparece como um parceiro passivo e quase invisível. Apesar disso, as perspectivas e oportunidades

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para a inserção da agenda de segurança boliviana na região são promisso- ras. Ao que tudo indica, três temáticas poderiam contribuir para esse objeti- vo: a) uma dinâmica ativação das iniciativas relacionadas com a diplomacia preventiva; b) o desenvolvimento de um novo enfoque em matéria de segu- rança e cooperação fronteiriça e transfronteiriça; e c) a ampliação e o apoio a projetos de segurança que favoreçam um maior grau de cooperação mili- tar sub-regional.

No primeiro caso, o clima histórico de paz reinante na América Lati- na constitui uma boa oportunidade para fazer prosperar iniciativas de diplo- macia preventiva, fundamentalmente relacionadas com a prevenção de con- flitos. Este é um contexto favorável para ampliar a escala e a intensidade de medidas de fomento de confiança no Mercosul. Um clima de maior con- fiança entre os membros sem dúvida melhoraria as condições de governabi- lidade democrática e tenderia a reforçar mecanismos de transparência na gestão da agenda de segurança.

Em segundo lugar, a integração exige mais segurança e confiança no trato da problemática fronteiriça entre os membros do Mercosul. Os confli- tos jurídico-normativos associados à migração de trabalhadores, às ques- tões de insegurança dos cidadãos, à transnacionalização dos delitos ligados ao narcotráfico nas zonas de fronteira, ao tráfico ilícito de armas e a outras formas de ameaças não-convencionais geram tensões nas relações vicinais. Diante disso, a cooperação fronteiriça e transfronteiriça pode ser um bom substituto para a estabilidade vicinal e a abertura de canais de informação conjuntos. Para tanto, será necessário mudar as velhas concepções de fron- teira para revalorizá-la como área de diálogo, pacificação, cooperação e in- tervenção institucional no campo da preservação ambiental.

À ampla agenda de tópicos de cooperação fronteiriça, que abarcam desde aspectos culturais até econômicos, deve-se acrescentar a intensifica- ção dos mecanismos de cooperação na área de segurança e coordenação mi- litar recíproca. A tradicional proteção de fronteiras pela via militar deve ser superada com a participação ativa e permanente dos comitês civis de fron- teira. Vale dizer, a fronteira deve permitir uma participação maior da so- ciedade civil, melhor presença estatal e a singular intervenção da empresa privada para desmilitarizar o imaginário da região limítrofe. Nessa trama cooperativa deve-se levar em conta que a Bolívia faz fronteira com quatro países-membros do Mercosul. Ainda que existam problemas de fronteira com o Chile, o Mercosul poderia, por certo, constituir-se no espaço adequa- do de negociação e superação desse conflito. O Mercosul é um âmbito apro- priado, ainda que não seja o único, para debater em profundidade novos en- foques conceituais sobre segurança. Em uma atmosfera de integração co- mercial e econômica, parece não mais caber a hipótese de conflito. Pelo contrário, a concepção doutrinária da defesa deveria tender para a harmoni- zação de conceitos integradores associados à cooperação militar. Várias são as dimensões sobre as quais é possível conjugar critérios cooperativos. Uma delas é, sem dúvida, a explicitação das políticas de defesa entre os mem- bros do Mercosul. Apesar de este ser um tema sensível e um tanto prematu- ro, uma das temáticas que requer maior debate conceitual e uma rigorosa

definição no futuro será, sem dúvida, o redimensionamento, a padroniza- ção das estruturas de defesa e critérios comuns em torno dos indicadores de gasto militar como fator central de estabilidade e confiança. Em segundo lu- gar, será quase inevitável abordar, dentro do Mercosul, a possibilidade de se criar um esquema de segurança comum.

Um terceiro elemento destinado a fortalecer a cooperação militar é a continuidade da aplicação das medidas de confiança mútua. Estas consis- tem atualmente na realização periódica de operações e exercícios conjuntos entre as forças aéreas, navais e terrestres de nossos países. Da mesma for- ma, será necessário começar a conciliar critérios cada vez mais harmônicos com relação à participação conjunta em operações de manutenção da paz das Nações Unidas.

À medida que o Mercosul prospere, haverá mais possibilidades e condi- ções de estruturar o mercado de insumos de defesa e de promover a coopera- ção e a transferência tecnológica-científica neste campo. Os importantes avan- ços obtidos na definição de fronteiras entre a Argentina e o Chile, o clima de confiança e cooperação militar entre o Brasil e a Argentina, a desnuclearização do continente e o progresso no controle de armas constituem sinais alentado- res do status quo, da paz e da estabilidade sub-regional.

A necessidade de construir uma rede acadêmica paralela e integrada entre civis e militares para o tratamento constante e o desenvolvimento de programas de pesquisa sobre as temáticas da segurança, das relações inter- nacionais, e o tratamento das informações inerentes à área, não pode ficar de fora do espírito cooperativo da segurança do Mercosul. Essa comunidade estratégica de estudiosos e pesquisadores acrescentaria uma dose de confian- ça ao tecido cooperativo militar. O Mercosul, como um novo âmbito constru- tivo de segurança, está em vias de superar as tradicionais percepções de ameaça entre seus principais membros. Neste contexto, as Forças Armadas da Bolívia ver-se-ão obrigadas a efetuar grandes mudanças institucionais como condição para sua adequada inserção. Uma dessas reformas decerto será a definição de uma política de defesa como marco apropriado para ex- plicitar sua orientação estratégica. Será preciso ainda trabalhar para obter um alto grau de integração entre as políticas de defesa e de relações exterio- res, a fim de facilitar a institucionalização do processo de integração sub-re- gional, a paz e os acordos decorrentes da agenda de segurança do Mercosul, assim como as possíveis reformas decorrentes da segurança hemisférica.

Outro modo de diminuir riscos, reduzir assimetrias e promover um clima de paz regional a partir da Bolívia é melhorar sua capacidade diplomá- tica preventiva, levando em conta seus baixos gastos militares, sua posição geográfica e sua vocação pacífica. Paralelamente, as Forças Armadas terão de re-significar os fundamentos de sua tradicional missão de segurança frontei- riça, dados a complexidade e os novos fatores de ameaça nessas regiões. Isso supõe não só pleitear novos papéis de segurança de fronteira, como também enriquecer o marco conceitual, considerando esse espaço não mais um muro territorial, mas uma zona de cooperação militar, de estabilidade e de paz.

O posicionamento geográfico, com possibilidades de se constituir no fu- turo em uma plataforma de vinculação interoceânica, está obrigando as For-

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ças Armadas a se concentrar mais na Região Amazônica. Constata-se essa tendência na proposta de ampliação do Tratado de Cooperação Amazônica para consolidar uma presença militar maior e contribuir para o desenvolvi- mento e a preservação dessa área tradicionalmente abandonada pelo Estado.49 As Forças Armadas do país terão, inevitavelmente, que pensar, mais cedo ou mais tarde, num programa de redimensionamento e reconversão que leve em conta a drástica queda de seu orçamento, as tendências regio- nais de cooperação e um vínculo mais harmônico com seus vizinhos. Para que essa tendência de mudança se efetive no futuro, será preciso levar a cabo a correspondente reforma doutrinária e a modernização de sua estrutu- ra institucional. Tendo em vista que os fatores de ameaça, nacionais e inter- nacionais, são cada vez mais complexos, a liderança política deverá contri- buir eficazmente para reduzir a escala de incerteza estratégica em que se movem atualmente as Forças Armadas.

O fortalecimento democrático, a contribuição para o clima de governa- bilidade, o apoio ao desenvolvimento sustentável, a proteção ao meio ambi- ente, a abertura de melhores canais de integração social, assim como a me- lhoria do grau de integração militar à sociedade devem pautar as futuras ações e compromissos, sem que isso afete a centralidade profissional das For- ças Armadas.

Por isso mesmo, será preciso uma participação mais ampla do sistema político no trato das questões vinculadas à segurança, para garantir condi- ções previsíveis e o comportamento cada vez mais democrático e profissional das Forças Armadas. Do mesmo modo, reduzir a desconfiança dos militares acerca do desempenho civil nessa matéria pode ajudar a aplainar o caminho para uma democracia sustentável.

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49 O Ministério da Defesa, através do Exército, propôs na I Reunião de Comandantes dos Exér- citos Amazônicos, realizada em Manaus, em 1998, a criação de uma comissão especial de segu- rança no âmbito do TCA, a fim de poder contar com uma agenda de segurança amazônica voltada para a prevenção de conflitos futuros.

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R A S I L

Forças Armadas, direção política