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BÖLÜM 2: SAĞLIK GÖSTERGELERİ İLE BÜYÜME

3. VERİ SETİ VE UYGULAMA

A presente pesquisa apresenta uma abordagem qualitativa, essencialmente de natureza interpretativa. Desejou-se entender o processo de construção de pensamen- tos sobre a natureza da ciência e como essa construção se relete na interpretação de situações cientíicas por meio das atividades pedagógicas elaboradas pelos futuros professores de ciências. Torna-se relevante uma discussão sobre os passos envolvi- dos na análise dos dados.

3.4.1. Pesquisa qualitativa e suas características

O principal interesse de uma pesquisa qualitativa reside em interpretar os sig- niicados construídos pelos sujeitos investigados ao longo do processo de investiga- ção. Para Bogdan e Biklen (1994, p. 16), as questões de pesquisa propostas nesta abordagem objetivam “investigar os fenômenos em toda a sua complexidade e em um contexto natural”. Moreira (1990) indica que um determinado objeto ou evento pode apresentar um signiicado comum aos membros de uma certa cultura (um grupo) e, ao

mesmo tempo, existe a interpretação individual, que pode ser diferente do grupo. Por sua vez, Bauer e Gaskell (2003) salientam que a pesquisa qualitativa, em contraste com a pesquisa quantitativa, que lida essencialmente com números e modelos esta- tísticos para explicar dados, utiliza interpretações das realidades sociais.

Diversos são os métodos empregados em pesquisas qualitativas, tais como técnicas etnográicas, estudo de caso e observação participativa, métodos que bus- cam signiicados tanto individuais como contextuais. É possível também a utilização de estatística descritiva (MOREIRA, 2002).

Bogdan e Biklen (1994) descrevem cinco características de uma investigação qualitativa, também citadas por Triviños (2011). A primeira característica indica que o pesquisador pode utilizar diversos instrumentos para coletar seus dados, tais como suas observações e apontamentos, mas os complementa por intermédio de sua direta interação com o ambiente da pesquisa. A segunda diz respeito à natureza descritiva da pesquisa qualitativa: os dados são expressos por palavras, imagens, narrativas, transcrição de entrevistas, entre outros. O investigador analisa os dados de forma detalhada, considerando que os signiicados estão presentes nesses dados, no sentido de buscar o entendimento de seu objeto ou evento de estudo. A terceira característica indica que o investigador analisa os dados criteriosamente, buscando entrelaçamentos para interpretar o processo de construção de signiicados pelos sujeitos investigados. A quarta característica refere-se à análise de dados de modo indutivo: os dados são coletados individualmente e, a partir de suas relações, o investigador vai construindo explicações para o evento de estudo. Bogdan e Biklen (1994) argumentam que um quadro sobre um evento vai se formando conforme os dados vão sendo examinados. Não há uma ideia prévia e deinida sobre o problema da investigação, sendo que as questões importantes vão surgindo com a análise dos dados. Finalmente, a quinta característica indica que o interesse do investigador na abordagem qualitativa direciona-se ao entendimento de como os indivíduos interpretam as situações de vida às quais são submetidos, como constroem sentido a partir de experiências vivenciadas.

A pesquisa realizada em uma abordagem qualitativa observa e registra even- tos, coleta dados, analisa-os e faz proposições, além de transformar esses dados e os representar em tabelas e classiicações, utilizando estatística predominantemente descritiva (MOREIRA, 1990). Porém, diferentemente da pesquisa quantitativa, que faz uso de diversos instrumentos para estabelecer medidas, a preocupação de um investigador qualitativo é interpretar signiicados de uma situação ou grupo particular, icando imerso nesse contexto. Seu enfoque é descritivo e interpretativo (MOREIRA, 1990).

Após delinear o evento ou situação que deseja investigar, o pesquisador pode seguir linhas de estudo, conforme aponta Triviños (2011): estudos de caráter explo- ratório, que permitem ao pesquisador entendimento e aprofundamento do problema investigado, podendo, partir daí, planejar uma pesquisa descritiva ou experimental; estudo descritivo, geralmente utilizado no campo da educação, que busca diversas in- formações, por meio de instrumentos variados, sobre o grupo ou situação que deseja estudar e conhecer e estabelece relações entre esses dados; e estudos experimen- tais, exigindo rigoroso planejamento e uma formulação especíica de um problema. Esse tipo de estudo, segundo Triviños (2011), é utilizado especialmente nas ciências naturais.

Nesse breve contexto descrito, a presente pesquisa se insere na abordagem qualitativa e foi planejada para estudar um grupo de licenciandos em Ciências da Na- tureza. Esse grupo foi analisado em determinado período de tempo e a pesquisadora acompanhou sua trajetória de atuação e realização das atividades propostas. O grupo estudou aspectos da NdC que são discutidos pela comunidade cientíica, entretanto, cada licenciando apresentou interpretações individuais sobre os eventos, que foram criteriosamente registradas. A pesquisa tem caráter interpretativo, buscando os sig- niicados que os licenciandos construíram ao longo da UC. Foi utilizada estatística descritiva para entender as tendências iniciais do grupo e elaborar um indicativo base para comparação ao término da UC. Essa comparação foi estruturada e fundamen- tada pelas respostas coletadas em todos os instrumentos aplicados. O primeiro mo- mento apresentou um caráter exploratório, objetivando conhecer as concepções do grupo de licenciandos a respeito da organização e construção da ciência. A partir do segundo momento, o estudo foi descritivo, buscando nas demais atividades realiza- das a interpretação dos signiicados que os licenciandos atribuíram e construíram ao longo da pesquisa.

3.4.2. A análise de conteúdo

Há uma variedade de técnicas para investigar o teor das comunicações dos indivíduos, entre elas a análise textual discursiva e análise de discurso. Como a base dos dados dessa pesquisa foi essencialmente construída a partir de produções descri- tivas dos licenciandos, optou-se por utilizar como referencial de tratamento dos dados a técnica de análise de conteúdo.

Segundo Bardin (2011, p. 44), essa análise “aparece como um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e ob- jetivos de descrição do conteúdo das mensagens”. Esse conjunto procura o sentido das palavras e baseia-se na inferência. Franco (2003) argumenta que o investigador,

partindo do tratamento das mensagens, pode inferir, de maneira lógica, conhecimen- tos que vão além do conteúdo propriamente escrito das mensagens. Outra importante característica destacada pela autora é que análise de conteúdo implica comparações e essas estão relacionadas com o grau de conhecimento do investigador a respeito de diferentes abordagens teóricas (construtivistas, behavioristas, positivistas, entre ou- tras). Ainda segundo Franco (2003), a inferência é o procedimento intermediário que permite a passagem da descrição – que consiste no conjunto de características de um texto elaborado após o tratamento inicial – para a interpretação, que corresponde ao signiicado atribuído a esse conjunto de características identiicado inicialmente.

A análise de conteúdo se organiza em três fases, conforme aponta Bardin (2011). A primeira é a pré-análise, que corresponde a um período de intuições e tem por objetivo sistematizar as ideias iniciais. Nesta fase ocorrem três momentos, não necessariamente seguindo uma ordem cronológica, mas mantendo uma ligação pró- xima entre eles: a escolha dos documentos que serão analisados; a formulação das hipóteses; e a elaboração de indicadores que forneçam suporte à interpretação inal. O investigador faz leituras do material coletado e vai construindo suas impressões; deine o corpus da análise, que é o conjunto dos documentos selecionados para esse procedimento; levanta hipóteses provisórias e deine os objetivos da análise; e elabo- ra indicadores (a frequência que o tema em questão é mencionado) que auxiliarão a construção de categorias de análise. Bardin (2011) destaca que a construção de ca- tegorias não é obrigatória em análise de conteúdo, mas geralmente os procedimentos organizam-se por meio desse processo.

Segundo Bardin (2011), a categorização é uma operação que agrupa os ele- mentos de análise, sob um título genérico, pelas características comuns que apresen- tam. Os critérios utilizados na construção dessa categorização podem ser semânticos (categorias criadas por temas), sintáticos (que consideram verbos e adjetivos), léxicos (de acordo com o sentido das palavras) e expressivos (que se referem à linguagem). O processo de categorização é longo e exige esforço do investigador, pois não há fórmulas para sua elaboração; ele mobiliza seus conhecimentos e sua sensibilidade para tal construção (FRANCO, 2003). As categorias podem ser preestabelecidas ou emergir dos dados analisados. Para essas duas formas de elaboração, o investigador deve icar imerso no material de análise e as categorias vão sofrendo alterações ao longo do processo, até que atinjam uma versão considerada por ele como satisfatória.

A segunda fase é a exploração do material, que corresponde à aplicação sis- temática das decisões planejadas na primeira fase, ou seja, consiste em executar as operações que foram deinidas previamente. A terceira fase compreende o tratamento dos dados obtidos e a interpretação, na qual os resultados serão submetidos a trata-

mento estatístico, permitindo estabelecer diferentes meios de evidência de resultados (quadros, diagramas, iguras). Se estes são signiicativos e iéis, pode-se então pro- por inferências e adiantar interpretações quanto aos objetivos previstos, bem como a novos que possam surgir eventualmente, gerando inclusive orientações para nova análise (BARDIN, 2011).

A partir da revisão sobre a técnica e seus procedimentos, a análise dos dados da pesquisa foi realizada. No momento 1, os dados foram agrupados em categorias que estão em consonância com os estudos de Ruiz et al. (2005) e Martorano (2007), para construção do panorama das concepções dos licenciandos. Essas categorias serão detalhadas no item 4.3.1. Nos demais momentos (2, 3 e 4) optou-se pela cons- trução de categorias que emergiram dos dados coletados, as quais ofereceram su- porte às interpretações descritas ao longo da apresentação dos resultados e posterior discussão (parte do trabalho em que são apresentadas as trajetórias de construção de signiicados de grupos de licenciandos).

As categorias apresentadas nos momentos 2, 3 e 4 surgiram após profunda imersão nos dados pela pesquisadora, que realizou criteriosa análise do material co- letado seguido do agrupamento em categorias e posterior interpretação, a partir de suas impressões resultantes de todo o processo.

4. RESULTADOS

Para melhor compreensão sobre como ocorreram a análise de dados e as dis- cussões, faz-se necessário destacar que os resultados estão distribuídos nos quatro momentos programados da UC (conforme já explicitado na metodologia), o que pro- picia um acompanhamento da trajetória de construção de signiicados realizada pelos licenciandos participantes.

A discussão desses resultados teve como foco de análise três fatores importan- tes no entendimento da natureza da ciência: a construção do conhecimento cientíico; o trabalho do cientista; e a relação entre ciência e sociedade. Existem outros fatores possíveis de serem discutidos no âmbito da natureza da ciência, porém, no caso deste estudo, os fatores descritos foram escolhidos por serem os mais presentes nas atividades realizadas e nas discussões dos seminários.

Inicialmente apresenta-se um histórico dos encontros ocorridos na UC, segui- do pela apresentação do peril acadêmico dos licenciandos. Posteriormente, iniciam- se a apresentação e discussão dos resultados de cada momento que compôs a UC.