2.5. Türk Vergi Mevzuatında ve Bazı OECD Ülkelerinde Vergilendirilebilir Gelir
2.5.3. OECD Ülkelerinde Vergilendirilebilir Gelir Kavramı
2.5.3.1. Vergilendirilebilir Geliri Safi Artış Teorisine Göre Tanımlayan
No dia 15 de fevereiro de 1948, o jornal Folha do Povo, noticia a cassação dos mandatos dos políticos eleitos pelo PCB. Junto com esta notícia, encontram-se os autos de antecedentes de Adalgisa, desde 1930. Embora não haja registro policial de sua prisão naquele momento, a Folha da Manhã em Recife divulgou uma nota de uma matéria escrita no Rio de Janeiro, informando que “A escritora Raquel de Queiroz se insurge contra a polícia que agrediu Adalgisa Cavalcanti, ex-deputada comunista”.140
A partir do momento em que as prisões começam a ser efetuadas, a vigilância destes agentes muda de perspectiva: passam a se concentrar na “averiguação” de “atitudes subversivas” que pudessem justificar prisões e, portanto, demonstra ser mais seletiva, embora não menos intensa. Assim, até uma conversa na rua era motivo de prisão em 1950.
Apesar das cassações, os integrantes do Partido Comunista continuam a se mobilizar contra as ações governamentais que consideram ruins aos interesses da população e a favor da restauração das liberdades democráticas. Fundam assim várias associações e entidades que logo serão mapeadas pela polícia em continuidade à repressão, iniciando com o monitoramento às suas reuniões, onde colocará agentes infiltrados. Assim, por exemplo, o policial:
Comunico à V.S. , para os devidos fins convenientes, que o Comitê de pró-Democrácia do Bairro [de] Santo Antonio, encontra-se, atualmente, instalado na Rua da Palma n. 583 onde realizou-se 140 Arquivo Público Jordão Emerenciano (APEJE), Delegacia de Ordem Política e Social – (DOPS).
uma sessão as 19 horas e 30 minutos do dia 15 (ôntem) tendo comparecido a ex-deputada Adalgisa Rodrigues Cavalcanti, Neusa Cardin, Carmem Pinto, Edite Coutinho e Nilvaldina Rosa do Espírito Santo, o ex-deputado David Capistrano da Silva, os Vereadores Heitor Pereira, José Albino de Miranda e Demócrito Ramos da Silveira, Sindulfo Correia Josué e outros elementos comunistas não identificados pelo policial em observação.141
Também deram continuidade à divulgação de ideários através do jornal Folha do Povo, meio pelo qual os integrantes do PCB divulgavam os seus pensamentos e entravam em contato com a população. Embora não tenha sido fechado permanentemente, durante anos este jornal sofreu com os vandalismos dos policiais, sendo seu maquinário quebrado pela polícia da DOPS e seus funcionários, presos.
Os integrantes do PCB de Pernambuco, na sua maioria, escreviam os mais diversos artigos: sobre a vida da mulher na fábrica, a situação do operariado, a carência dos alimentos e sobre os abusos do governo.
No caso de Adalgisa, todas as vezes que ela escreveu ou foi escrita alguma matéria sobre ela, a DOPS se preocupou em arquivar. Em geral, são recortes colados em uma folha com data e referência do jornal recortado.
Percebe-se através dos artigos escritos por Adalgisa, a sua preocupação em chamar as mulheres para a causa política, por direcionar sua fala ao público feminino. Num fragmento de artigo escrito, comenta a vida de Dolores Ibarruri – (La Passionaria), nascida em 1895, em Somorrostro (Viscaya, na Espanha). Destaca que ela era “defensora da democracia e do proletariado, cas[ou-se] aos 20 anos e fili[ou-se] ao Partido Comunista Espanhol em 1920, [foi] mãe de inúmeros filhos [e] soube conciliar o lar e o partido” (Com a proclamação da República em 1934, começou a participar dos trabalhos de âmbito nacional até ser eleita no Parlamento espanhol, representante dos mineiros asturianos, tomando-a como exemplo a ser seguido
É sem dúvida uma grande lição a que nos oferece Dolores Ibarruri, quer como combatente pela causa do povo, quer como esposa e mãe modelar.
Imitemos a grande mulher que hoje saudamos, unindo-nos [...] afim de organizadas lutar contra a fome e a miséria, que invade os nossos lares, em consequência das sucessivas altas dos gêneros alimentícios e o congelamento dos salários dos nossos filhos e esposos.
Criemos uma forte corrente democrática, acima das divergências políticas e religiosas, afim de lutarmos unidas contra a guerra, pela paz, e ofereçamo-la como uma das maiores homenagens que podemos prestar a Ibarruri, espelho das lutadoras anti-fascista de todo o mundo.142
Tais artigos serviram de impulso para que as mulheres se unissem, a fim de reivindicar melhores salários, que neste período estavam congelados, assim como para reclamar sobre o aumento dos gêneros alimentícios.
As mulheres às quais ela se dirigia formavam um grupo que não participava da vida pública, estavam mais presentes no “lar” (na vida privada). Muitas advindas do interior do Estado, região em que a seca recrudescia, dominada por grandes latifúndios e muita pobreza.
Para que sua fala não entrasse em conflito com o modo de vida destas mulheres, Adalgisa se dirigia a elas na perspectiva de chamá-las à causa política, mas sem desconsiderar a importância que davam ao espaço privado, neste caso, o cuidado com a família.
Tais atividades não eram novas na vida desta militante, pois desde 1946 o agente da DOPS já registrara que, além de se fazer presente no jornal, recebia em sua residência muitas mulheres, integrantes dos movimentos femininos que liderava e dos quais participava, ou seja, “A prontuariada exercia no ano de 1946, grande atividade na Diretoria do Comitê de Mulheres Pró-Democracia, escrevendo e falando em comícios promovidos pelo mesmo Comitê”.143
Assim, enquanto o partido esteve na legalidade, todas as organizações estiveram sob o olhar vigilante da DOPS, o que serviu de base acusatória para o
142 Arquivo Público Jordão Emerenciano (APEJE), Delegacia de Ordem Política e Social – (DOPS).
Recorte de Jornal Folha do Povo de 09 de dezembro de 1948. Anexo ao prontuário n. 5.306
143 Arquivo Público Jordão Emerenciano (APEJE), Delegacia de Ordem Política e Social – (DOPS).
momento em que, postos na ilegalidade, passassem a ser presos por participar de atividades consideradas “comunistas”, acirrando-se a repressão exatamente nos anos democráticos. Se no período anterior a 1950, associações diversas, além dos jornais, eram o foco de vigilância, após este período, passaram a ser diretamente reprimidos, pois agora estavam respaldados pela lei, conforme, por exemplo, fazem referência os policiais no dia 27 de agosto de 1949:
Foi detida e conduzida a esta delegacia, na ocasião em que elementos comunistas pretendiam realizar um comício em defesa da Paz, no Parque 13 de Maio, não obstando ter sido o mesmo proibido pela polícia.144
A partir do fim da década de 1949 e no decorrer da década de 1950, as idas à delegacia se tornam corriqueiras, principalmente porque ocorreram eleições e campanhas organizadas a partir dos integrantes do PCB.
Ainda nessa década, Adalgisa e outras pessoas ligadas à política tentaram se candidatar sob outra legenda, não sendo permitido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).