3.3. AMPİRİK BULGULAR
3.3.5. Vergi ve Transfelerin Etkinliğine İlişkin Tahmin Bulguları
Os conceitos de identidade étnica e racial muitas vezes são tratados como sinônimos, quando se debate questões sobre o processo de construção da identidade. Dessa forma, nos parece fazer sentido refletir sobre o que distingue as duas identidades. Nesse sentido, vejamos a posição de Bartolomé (2000), para o qual
“a identidade étnica não se refere, necessariamente, a um momento histórico específico, mas ao estado contemporâneo de uma tradição, ainda que ela possa desenvolver uma imagem ideologizada de si mesma e de seu passado. Isso acontece porque as bases culturais da identidade são altamente variáveis e expressam tanto modelos culturais vigentes, como referentes ideais”. (p.136)
Assim, a etnia, se constituirá no encontro de delimitações de várias pessoas que são pertencentes a culturas diferentes e que escolhem valores, costumes, éticas com os quais se denominarão, doravante, uma etnia.
Barth (1969/1998) [citando Narrol, 1967] nos lembra que na perspectiva antropológica da discussão sobre identidade étnica, os pontos abaixo citados, são vistos como os mais significativos, porque direcionam-se para as questões de inclusão dos indivíduos nos grupos. Nesse caso, o grupo étnico é tido como unidade portadora de cultura e designa uma população que:
1. perpetua-se, principalmente por meios biológicos;
2. compartilha de valores culturais fundamentais, postos em prática em formas culturais num todo explícito;
4. tem um grupo de membros que se identifica e é identificado por outros como constituinte de uma categoria distinguível de outras categorias da mesma ordem.
Existe uma identidade construída na territorialidade, reconhecida no parentesco, na convivência fortalecendo os valores, as práticas culturais (algumas pelo menos), econômicas e políticas, identificando-os enquanto um grupo.
A construção dessa cultura comum é que vai dando concretude ao grupo étnico, que muitas vezes não é composto de pessoas de uma única origem biológica (negro, branco, indígena). O que ocorre é que o grupo vai registrando, simbolicamente, aspectos relevantes entre eles e configurando sua identificação e, mesmo aquele que se negue a permanecer no grupo, também os utilizam para marcar as diferenças entre o EU e os OUTROS. Isto se refere ao uso que uma pessoa faz de termos raciais, nacionais ou religiosos, seus valores, costumes para se identificar e, desse modo, relacionar-se com os outros.
Para Cardoso (1976) essa marcação de diferença, denominada identidade contrastiva,
‘‘é a essência, a base da identidade étnica, dando significado a afirmação de Nós diante dos Outros. Isto é um meio de diferenciação em relação a outras pessoas ou grupos conhecidos. É uma identidade de oposição e não é afirmada isoladamente. No caso da identidade étnica, essa afirmação se dá pela negação de outras identidades etnocentricamente visualizadas”.(pp. 5-6)
Barth (1969/1998) e Bartolomé (2000) concordam com Cardoso (1976) que a identidade é um fenômeno que contém os dois níveis - o individual e o coletivo. A diferença entre Cardoso (1976) e os outros é que para ele, o nível individual é objeto de investigação da Psicologia e o nível coletivo, permite o estudo da identidade aos sociólogos e antropólogos. No seu entendimento, isto é o que tem permitido discutir a questão da
identidade como um tema interdisciplinar, possibilitando incorporar as contribuições de estudos psicológicos, especialmente aquelas que sejam relevantes para a descrição de processos de identificação, explicando o fato social sem ignorar os fatos psíquicos referentes aos aspectos de auto- estima, imagem própria e o ver-se nos olhos do outro, ou seja, como a pessoa sente que os outros a vêem.
De nossa parte, apesar de concordarmos que não se deve perder de vista os aspectos específicos das áreas, discordamos da idéia de que exista uma divisão fixa de quem pode ou não pode utilizar o material das várias disciplinas que não sejam de sua formação. (Geertz,1998). Ao contrário, acreditamos que numa época como esta que vivemos, há uma indispensabilidade de ampliarmos o foco de visão dos temas de estudo, de pesquisa e de aplicação das áreas, exercitando a interdisciplinaridade pois se trata de, respeitadas as especificidades e seus reducionismos, fazê-los comunicarem-se, dialogar, pois, se configuram em possíveis olhares diferenciados para um mesmo objeto. Para nós, a questão da especificidade e do encontro interdisciplinar que é permitido no trânsito das Ciências Sociais e as Humanidades, foi tomado como postura de trabalho, uma inevitabilidade, principalmente pelo fato de que enfocando as formas de vida, construídas cotidianamente, não seria sequer aconselhável deixar de lado as contribuições simultâneas das várias áreas, pois acreditamos que, como componentes de redes sociais, as pessoas não podem ser pensadas de forma estanque. O mesmo apontamos para as discussões sobre a constituição das identidades., seja a pessoal/individual ou a grupal/coletiva que não se constróem isoladamente e, não deverá, portanto ser pensada como processo isolado. O que devemos fazer são os recortes necessários para descrever e explicar e não congelar. Isto poderá valorizar a relação entre a academia e a sociedade pela possibilidade de se efetivar práticas
Hall (1998) enfatiza a dinamicidade da identidade, formada e transformada continuamente pelas representações nos sistemas culturais que nos rodeiam. Isto significa que cada vez mais necessitamos visualizar que a identidade vai se construindo e reconstruindo de acordo com as épocas históricas vividas por cada um de nós, a partir das influências culturais que trocamos por onde passamos.
“a pessoa/sujeito assume identidades diferentes, em momentos diferentes e essas identidades não são unificadas ao redor de um eu coerente e sim de contradições que fazem parte de nossas experiências diárias, nos levando a várias direções e, por isso mesmo, nossas identificações são constantemente deslocadas. E a identidade unificada que acreditamos ter desde o nascimento até a morte é a construção de uma cômoda estória sobre nós mesmos ou uma confortadora narrativa do eu” .(p.12)
Nesta perspectiva, o que o próprio indivíduo puder dizer sobre sua identidade social, em sua rotina diária, terá validade. A identidade será a completude do espaço entre o interior e o exterior, entre o mundo pessoal e o social. Essa interação faz com que ocorra uma projeção de nós mesmos nessas identidades culturais, ao mesmo tempo em que internalizamos os significados e valores dessas identidades, desses objetos que passam a fazer parte de nós.
Todas as mudanças que vão ocorrendo com as pessoas são reveladoras de como cada identidade é construída e devem ser vistas na correlação com o que está acontecendo nos sistemas de significados e representações culturais, em geral, para podermos tentar entender como ocorrem as identificações.
Com esses apontamentos parece ficar claro que a construção de uma identidade deve ser pensada como processo psicossocial, como construção de conhecimento que envolva os aspectos histórico-culturais circundantes para que se possa levantar quais são os modos de organização de significados que as diversas pessoas colocam em uso na construção de suas
identidades, uma vez que será a partir dessas identidades que veremos os meios de ressignificar as experiências, o que contribuirá para a definição do eu, dando-lhe um lugar no mundo. É preciso lembrar que essas construções não são produto de uma universalidade abstrata, mas sim da expressão de uma identidade contextualizada no social.
A história tem mostrado como entre as diferentes culturas as relacões acontecem de acordo com as representações e práticas sociais, que são intercambiadas, influenciando-se mutuamente.
A identidade é formada por meio das imbricações dos processos conscientes e inconscientes11 que são parte do processo de desenvolvimento psicológico e social da pessoa (Hall, 1998). A pessoa vai dando materialidade ao espaço-tempo - geográfico e psicológico - por onde passa, constituindo assim uma história de sua identidade.
Acreditamos ser importante registrarmos dois aspectos da escolha das teorias sobre identidade. O primeiro é que, para nós, a idéia de Cuche (1999) sobre identidade pessoal e social é a que melhor sumariza as nossas reflexões acerca do processo de construção de identidade. Concordamos com ele que ambas acontecem nos encontros e embates que perpassam as relações nos variados grupos dos quais as pessoas participam, o que vai marcando as semelhanças, as diferenças, que podem caracterizar as diversas identidades nas diversas populações. O segundo refere-se ao fato de que todos os autores citados- assim como nós- valorizam e discutem o processo de construção de identidade na interrelação com a cultura. Concordamos com Berger e Luckmann (1994, p. 228) que pensaram a identidade como um elemento chave da realidade subjetiva perpassada dialeticamente pela
11 Para o nosso trabalho consciência significa conhecimento e reconhecimento do que ocorre no processo de desenvolvimento, a apropriação e o uso dos instrumentos que a cultura possui e a inconsciência será o inverso. Entendemos que este conceito/vivência é composto por aspectos cognitivos, afetivo-emocionais e relacionais que compõem a dinâmica do tornar-se consciente/agente de sua formação.
sociedade, ou seja, tanto as identidades quanto as subjetividades se constituem nas relações humanas e apresentam os resultados desses (des) encontros, que são parte dos complexos processos de subjetivação, posto que os mesmos são o resultado dos acontecimentos históricos, sócio-econômicos e afetivos presentes nas diversas modalidades de interações, que vão gerando fatos sobre a construção de identidades e, portanto, como se dão os processos de subjetivação a partir dos mais variados contextos.
Podemos citar, ainda, Castells (1999) que registrou três formas diferenciadas acerca da origem da constituição social de identidades, sendo que, para ele, tais constituições acontecem em contextos assinalados por relações de poder: identidade legitimadora, identidade de resistência e identidade de projetos.
A primeira é tida como
“ (...) aquela construída a partir da contribuição das instituições dominantes da sociedade, como Estado, Igrejas, sistemas escolares oficiais, que desencadeiam do alto da hierarquia social um processo de expansão e de racionalização de sua dominação em relação aos atores sociais”. (p.24)
A segunda refere-se a uma identidade que é
“ (...) criada por atores que se encontram posições/condições desvalorizadas e/ou estigmatizadas pela lógica da dominação, construindo, assim, trincheiras de resistência e sobrevivência com base em princípios diferentes dos que permeiam as instituições da sociedade, ou mesmo opostos a estes últimos’’. (p. 24)
Como terceira forma, o autor asseverou que
“(...) quando os atores sociais, utilizando-se de qualquer tipo de material cultural ao seu alcance, constróem uma nova identidade capaz de redefinir sua posição na sociedade e, ao fazê-lo, de buscar a transformação de toda a estrutura social”. (p. 24)
Neste sentido pensamos que a identidade será construída por meio da utilização de todos os materiais disponíveis (repertórios) concretos/estruturais e simbólicos, individuais e coletivos, os quais se relacionem às identificações com as figuras ideais - pais, heróis, figuras públicas (no caso dos escravos, quem os comprou: os donos dos engenhos) - e também com grupos: a família com suas tradições e costumes; a classe social em que o indivíduo é criado; grupos étnicos e religiosos; os gêneros, bem como a nação, a constituição dos quilombos, a organização dos Movimentos Negros, de acordo com a época histórica na qual a pessoa viveu ou vive. A fonte maior de construção da identidade será a
cultura, fraseada nos vários núcleos que a compõe, os quais foram citados acima.