• Sonuç bulunamadı

Gelir Eşitsizliğinin Ekonomik Büyümeyi Doğrusal Olmayan Bir İlişki

2.2. GELİR EŞİTSİZLİĞİ VE EKONOMİK BÜYÜME İLİŞKİSİNE YÖNELİK

2.2.3. Gelir Eşitsizliğinin Ekonomik Büyümeyi Doğrusal Olmayan Bir İlişki

Processos de subjetivação

Neste trabalho distinguimos Processos psicológicos, Processos identitários e

Processos de Subjetivação por acreditarmos que o primeiro diz respeito aos modos, possibilidades que cada individuo responde aos embates do mundo real, fazendo uso de potenciais internos. Para nós, o terceiro inclui o primeiro e o segundo, o que nos leva a entendê-lo como um processo constitutivo do sujeito humano que engloba os aspectos corporais, intelectuais, emocionais, sociais e econômicos, pois enquanto constitutivo tal processo permite formas diferenciadas de subjetividade e objetividade relacionadas ao mundo psíquico e ao mundo material, o que o torna complexo e passível de busca de compreensão, pois se configura num fenômeno que deve ser olhado como tal.

O sujeito enquanto estratificação se representa e pela representação produz um olhar que constitui sua subjetividade. Neste sentido, a subjetividade pode ser pensada como uma construção que se dá conforme as vivências que as pessoas têm. Castoriadis (1999) afirmou que

“a questão do sujeito não é a questão de uma “substância”, mas de um projeto. A questão do sujeito é, em primeiro lugar, a questão do ser humano, a questão da psique, para começar, mas é também a questão do sentido e, também, a questão da própria questão.” ( p. 35)

No caso da população negra e, tomando a perspectiva do autor, podemos anotar algumas questões: a que ou a quem essa pessoa se assujeitou? Quais foram as suas perguntas, questionamentos acerca de suas experiências, quais os significados e sentidos constituídos? Buscando compreender como se deu a construção do sujeito das pessoas pertencentes à população negra e/ou a que projeto histórico, ideológico ele esteve ligado para que houvesse a constituição de um sujeito escravo, apresentaremos uma breve reflexão sobre essa construção histórica.

Conforme Marx (1961), o sujeito não nasce escravo, pastor ou dotado de qualquer papel. Apenas dentro de determinadas condições ele se torna escravo, pastor... E, de acordo com sua concepção, o verdadeiro sujeito é o sujeito prático ou sujeito da prática, ele é a prática.

O autor identificou a essência da subjetividade com a prática ancorando a categoria sujeito no materialismo histórico - dialético, representando o proletariado como um sujeito, no sentido idealista do termo. Neste sentido “ a essência humana não é uma abstração inerente ao indivíduo singular. Em sua realidade efetiva, ele é o conjunto das relações sociais” (Ideologia Alemã,1999, crítica à tese nº 6 de Feuerbach, p. 13)

Do mesmo livro A Ideologia Alemã, temos na escrita do autor que

“ podemos distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião e por tudo o que quisermos. Eles próprios começam a se distinguir dos animais logo que começam a produzir seus meios de existência; passo à frente que é a conseqüência de sua organização corporal. Produzindo seus meios de existência os homens produzem indiretamente a sua própria vida material...”. (p.27)

Nos parece que na concepção do autor não existe uma subjetividade em essência pois para ele os processos de subjetivação ocorrerão por meio da produção de sua existência nas quais os homens experimentando certas relações necessárias, que não dependem de sua vontade, porque são relações de produção conveniente a um determinado nível de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. Será o agrupamento dessas relações de produção que permitirá os arranjos econômicos de uma sociedade, o fundamento real por meio da qual a base real sobre a qual erige uma superestrutura jurídica e política, aparentadas paralelamente a delimitadas modalidades de consciência social. Para ele serão as formas de vida, “ o ser social” que determinarão a consciência dos homens, ou seja, haverá uma construção de consciência a partir de todos os tipos - possíveis- de experiências de relações sociais.

Tomando por base essas idéias acreditamos que serão os processos vividos na sociedade que possibilitarão a construção das subjetividades. Sendo assim, o sujeito deverá ser visto em “suas relações múltiplas e ativas que os indivíduos estabelecem uns com os outros por meio da linguagem, do trabalho, do amor, da reprodução, da dominação, dos conflitos, dentre outros e o fato de que são essas relações que definem o gênero comum (grifo nosso). ”

Nessa perspectiva é fundamental pensar as relações, pois são elas que definem o sujeito, presentificam a constituição dos sujeitos a cada momento, por meio das mais diversificadas formas de vida, fornecendo, portanto o único conteúdo efetivo da noção de essência humana. Esta é uma ontologia marxista (Martins, 1991, Monteiro, 1995). Para Marx (1999), será necessário que se proceda uma análise do individuo em relação,

contextualizado na sociedade em que vive para que se possa compreendê-lo como individuo particularizado.

Partimos do pressuposto que a constituição da subjetividade ocorre na objetificação que é dada nos embates relacionais da vida social que são acontecimentos da história da civilização. Conforme Crochik (1998)

“ o entendimento de que a subjetividade não é somente fruto das circunstancias atuais, embora estas sejam fundamentais, mas também de um projeto histórico implícito no desenvolvimento de nossa civilização, leva a que os problemas relacionados ao seu estudo deva ter uma dupla perspectiva: a da noção histórica de indivíduo, presente na literatura e na filosofia,e ou de possibilidade da realização desse projeto nos dias de hoje” . (p.71)

A subjetividade, portanto, será o resultado de vivências que são um conjunto de condições que perfaz o sujeito, que o produz; a identidade, é a institucionalização de uma forma de acordo com modelos estereotipados. A sociedade diz que devemos ter uma identidade estável e dá padrões como formas de homogeneizar o cotidiano. Guattari e Rolnick (2005) corroboram estas idéias registrando que “a produção de subjetividade encontra-se, e com um peso cada vez maior, no seio daquilo que Marx chama de infra- estrutura produtiva’’(p: 36) e ainda mais afirmando

“a subjetividade é produzida por agenciamentos de enunciação. Os processos de subjetivação (...) não são centrados em agenciamentos individuais (no funcionamento de instâncias intrapsíquicas, egóicas, microssociais) nem em agentes grupais. Esses processos são duplamente descentrados. Implicam o funcionamento de maquinas de expressão que podem ser tanto de natureza extrapessoal, extra-individual (sistemas maquínicos, econômicos, sociais, tecnológicos, icônicos, ecológicos, etológicos, de mídia, enfim sistemas que não são mais imediatamente antropológicos), quanto de

sensibilidade, de afeto, de desejo, de representação, de imagens, de valor, modos de memorização e de produção idéica, sistemas de inibição e de automatismos, sistemas corporais, orgânicos, biológicas, fisiológicos, etc).” (p.39)

Na perspectiva desses autores os processos de subjetivação acontecem por meio de fabricações, modelações, criações em trajetórias as mais variadas e incalculáveis e a subjetividade é tida como uma produção tanto de instancias individuais, quanto das instancias coletivas e institucionais, o que afirma uma pluralidade, uma “polifonia” (Bakhtin, 1997) não apresentando, portanto, nenhuma predominância dessas instâncias. Neste sentido, a subjetivação mesmo sendo entendida como auto-instituição e domínio de si próprio, não se constitui como possibilidade de construção individual porque os processos de subjetivação estão em estreita correlação com os sistemas de identificação – relações sociais, no trabalho, no lazer, na escola, na igreja, etc,- que a sociedade propõe e se tornam modelizadores dos indivíduos. Como Ribeiro (1995) registrou

“ (...) o negro cresceu passo a passo com os brancos, mas ao contrário destes só o fizeram pela introdução anual de enormes contingentes de escravos destinados a compor a mão de obra da época, como um estoque disponível para atender a novos projetos de produção. Nas fazendas de açúcar, a sorte do escravo africano não melhorava em nada. Os feitores faziam os escravos trabalharem até o limite das suas forças e, para disciplinar as tentativas de rebeldia, faziam uso das mais violentas formas de tortura que iam desde as chibatadas até as mais hediondas formas de mutilação como arrancar dentes, língua, olhos, dedos, orelhas e os seios no caso das mulheres”. Essa estranheza fazia dos negros africanos, na primeira metade do século XIX, os escravos por excelência e, quando libertos, o sinal de perigo, exceção feita apenas para aqueles que por meio de laços de sujeição social, tivessem se incorporado ao circulo dos poderosos”. (pp.61-162)