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2. VERGİ UYUŞMAZLIKLARININ YARGI AŞAMASINDA

2.4. Vergi Uyuşmazlıklarının Çözümlenmesinde Görevli Yargı Organları

Jamais me ocorrera que os livros falados se tornariam uma arte fundamental da minha vida intelectual e das leituras recreativas. Mas agora acho que já “li” centenas de livros desse modo. Nunca fui um leitor rápido quando menino, apesar de reter o que lia facilmente na memória. Paradoxalmente, quando passei a ler livros gravados, minha velocidade de leitura ficou melhor do que nunca, e minha retenção tão boa quanto antes. Posso dizer com acerto que, para mim, a descoberta desse modo de leitura foi uma espécie de “abre-te Sésamo” para que eu continuasse a desfrutar da literatura. (SACKS, 2010, p. 65-66)

A Wikipedia define livros falados da seguinte maneira:

É uma gravação dos conteúdos de um livro lidos em voz alta. Ele se apresenta em suportes informacionais diversificados [...] podendo ser gratuitos ou pagos. As versões pagas contam com a vantagem de possuírem narradores profissionais contando a história, podendo haver ainda efeitos sonoros, que ajudam na interpretação do texto e evitam

47 Wikipedia, “Síntese de Voz”. Disponível em:

a monotonia na escuta. [...] O audiolivro é ideal para pessoas que querem ler, porém, não possuem tempo para tal atividade, para deficientes visuais, para estudiosos que desejam otimizar seu tempo ocioso e para tipos de personalidades que são mais auditivas que visuais.

Darnton (2010, p. 39) cita quatro mudanças fundamentais na tecnologia da informação desde que os humanos aprenderam a falar:

a) A invenção da escrita foi o avanço tecnológico mais importante da história da humanidade – ela transformou a relação do ser humano com o passado e abriu caminho para o surgimento do livro como força histórica;

b) Por volta do século III, o códice transformou a experiência de leitura – a página surgiu como unidade de percepção e os leitores se tornaram capazes de folhear um texto claramente articulado, que logo passou a incluir palavras diferenciadas, parágrafos e capítulos, além de sumários, índices e outros auxílios à leitura; c) O códice, por sua vez, foi transformado pela invenção dos tipos

móveis, na década de 1450. Apesar dos chineses e coreanos terem desenvolvido os tipos móveis, em 1045 e 1230 respectivamente, foi somente com Gutenberg que se propagou, deixando o livro ao alcance de círculos cada vez mais amplos de leitores – panfletos e jornais produzidos em impressoras a vapor com papel feito com polpa de madeira ampliaram o processo de democratização de modo a permitir o surgimento de um público de massa durante a segunda metade do século XIX;

d) A comunicação eletrônica. A internet, pelo menos como termo, data de 1974. Foi desenvolvida a partir da ARPANET, surgida em 1969, e de experimentos anteriores com comunicação entre redes de computadores. A web teve início em 1991, como uma ferramenta de comunicação entre físicos. Websites e mecanismos de busca se tornaram comuns na metade da década de 1990.

E foi com a eletrônica que tocadores de áudio evoluíram, assim como evoluíram os formatos, propiciando arquivos sonoros cada vez mais compactos e com qualidade digital. Há pouco tempo, gravava-se livros em casa e distribuía-se aos amigos em fita K7; hoje, os livros são gravados digitalmente em estúdios especializados.

Também conhecidos como audiobooks, essa ferramenta tornou-se muito popular, tanto entre os cegos, como entre os videntes. Os audiolivros são arquivos sonoros gravados em diversos formatos de áudio, que reproduzem a leitura de um livro (algumas vezes realizada por profissionais), evidenciando as seguintes características: divididos em capítulos, possuem fundo sonoro e, dependendo da licença (copyleft48 ou copyright49), podem estar disponíveis para download.

Já o livro falado é uma tecnologia assistiva,

[...] cujo objetivo é o acesso à informação com o mínimo de interferência de interpretação de terceiros. O livro falado é um complemento do livro em Braille, tem um público especial e pode ser isento de restrições de direitos autorais pela lei 9.610/98 que assegura a reprodução de obras literárias para fim de educação de pessoas com deficiência visual, desde que não haja fim lucrativo (JESUS, 2011) 50. O sucesso dessas ferramentas deu-se especialmente pelo fato de não necessitarem de nenhum equipamento especial para serem utilizados – basta possuir um reprodutor de áudio, o ipod, por exemplo, para usufruir de qualquer audiolivro ou livro falado disponível.

Atualmente, existem muitos sites voltados aos interessados em audiolivros ou livros falados, e a gama oferecida é bem diversa:

a) Universidade Falada51: é uma iniciativa privada, e tem como objetivo

difundir cultura pelo Brasil, distribuindo conteúdo em áudio. No

48 Copyleft é uma forma de usar a legislação de proteção dos direitos autorais com o objetivo de retirar barreiras à utilização, difusão e modificação de uma obra criativa devido à aplicação clássica das normas de propriedade intelectual, exigindo que as mesmas liberdades sejam preservadas em versões modificadas. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Copyleft>. Acesso em: 10/08/2012.

49 Copyright ou direito autoral ou direitos de autor são as denominações utilizadas em referência ao rol de direitos aos autores de suas obras intelectuais que podem ser literárias, artísticas ou cientí- ficas. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Copyright#Copyright_.22.C2.A9.22>. Acesso em: 10/08/2012.

50 JESUS, P. S. Livros sonoros: audiolivro, audiobook e livro falado. Disponível em: <http://www.bengalalegal.com/livros-sonoros>. Acesso em: 20/05/2012.

51 Universidade Falada. Disponível em: <http://www.universidadefalada.com.br/>. Acesso em: 20/05/2012.

portal, encontra-se uma gigantesca livraria de assuntos em áudio para serem adquiridos e escutados. Todo o conteúdo e os direitos autorais pertencem à Editora Alyá, empresa criada exclusivamente para viabilizar o projeto.

b) Audiolivro.net52: a Book Records nasceu em 2005 e foi a primeira

editora brasileira especializada na produção, distribuição e comercialização de audiolivros que, em 2006, passou a se chamar AudioLivro Editora. Lançada no mercado na Bienal de São Paulo de 2006, desde então, a empresa só cresce. Inicialmente, a empresa comercializava seus títulos apenas para download, mas depois, de acordo com a necessidade do mercado, a editora começou a disponibilizar suas obras também em CD. E assim, a AudioLivro Editora também inovou, trazendo ao mercado audiolivros em CD/MP3, além dos em CD/ÁUDIO.

O Portal Domínio Público53 disponibiliza na seção “Som”, audioaulas do programa Tome Ciência. O Tome Ciência são pílulas informativas sobre curiosidades científicas produzidas entre 1984 e 1989 pelo convênio entre a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) / RádioUSP / Rádio Cultura / Consellho Nacional de Pesquisa (CNPq).

Vale a pena citar mais dois sites que disponibilizam audiolivros ou livros falados em outros idiomas:

52 Audiolivro. Disponível em: <http://audiolivro.net/>. Acesso em: 20/05/2012.

53 Portal Domínio Público. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br>. Acesso em: 21/05/2012.

a) LibriVox54: Hugh McGuire, fundador do LibriVox, é um escritor

interessado em produtos de licença livre ou open source, e por conta disso seu objetivo é tornar disponível na internet todos os livros em domínio público gratuitamente e em formato áudio. Os princípios que regem o LibriVox são os seguintes: é um projeto não comercial, sem fins lucrativos e livre de anúncios publicitários; faz doação de suas gravações ao domínio público; é conduzido por voluntários; mantém uma estrutura flexível e aberta e acolhe todos os voluntários de todas as partes do mundo.

b) Projeto Gutenberg55: tem a mesma dinâmica do LibriVox. É mantido

por voluntários, o conteúdo é todo aberto. O diferencial é que o Projeto Gutenberg foi o primeiro portal a disponibilizar conteúdos literários para download na internet.

Uma iniciativa interessante que merece destaque foram as criações das audioaulas para deficientes visuais produzidos na Universidade de São Paulo (USP), juntamente com um de seus Núcleos de Pesquisa chamado Escola do Futuro. Em 1997, foi criada a Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, conhecida também como BibVirt. A BibVirt, em parceria com o Centro de Computação Eletrônica da Escola Politécnica, também da USP, conseguiu digitalizar todos os livros de literatura em domínio público, além de publicações e periódicos de toda a universidade. A BibVirt foi a primeira biblioteca virtual disponível na internet com acervo aberto e catalogado. Essa mesma biblioteca produziu em 2007 e 2008 duas séries de audioaulas de

54 LivriVox. Disponível em: <http://librivox.org/>. Acesso em: 21/05/2012. 55 <http://www.gutenberg.org/browse/categories/1>.

incentivo à leitura voltados especialmente aos deficientes visuais, o Categorias e Estilos Literários.

A série Categorias Literárias é constituída por programas em áudio de incentivo à leitura dirigidos especialmente aos deficientes visuais. Teve como objetivo propor uma maneira mais divertida, mais prazerosa de apreciar a leitura, sugerir leituras, sites e muitas dicas para incluí-lo no mundo das letras. A série é composta de 175 spots com aproximadamente 5 minutos e teve o patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, sendo distribuída a todas as instituições que trabalham com cegos no Brasil, e está disponível gratuitamente para download no Portal do Professor/MEC.

Em 2008, foi produzida a série Estilos Literários. Os Estilos Literários são programas em áudio de incentivo à leitura direcionados aos deficientes visuais. Foram produzidos 182 spots de rádio com duração de aproximadamente 5 minutos cada e que apresentam as principais características dos estilos literários, incluindo exemplos com a participação de atores que interpretam trechos de obras significativas de cada período. Os estilos contemplados nessa série são: Barroco em Portugal e no Brasil, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Parnasianismo, Simbolismo, Pré-Modernismo e

Modernismo. A série Estilos Literários foi distribuída a todas as instituições que trabalham com cegos no Brasil e está disponível gratuitamente para download no Portal do Professor.

Iniciativas como essas propiciam a entrada do cego no mundo da literatura, colaborando assim para o crescimento intelectual e imaginativo.

Assim, tanto o audiolivro quanto o livro falado são ferramentas muito importantes que contribuem para a inclusão do cego no mundo da literatura.

No próximo capítulo será discutida a partitura da voz: a leitura monotonal em contraponto com a leitura entoacional. Discute-se, também, a possibilidade em se produzir um leitor de tela cujo sintetizador de voz faça uma leitura entoacional.