3. VERGİ UYUŞMAZLIKLARININ ÇÖZÜMLENMESİ BAKIMINDAN
3.1. Fransa Vergi Yargısı Sistemi
Para se ter uma melhor compreensão de como se dá o acesso às informações contidas na web por parte dos cegos, inicia-se, em resumo, o percurso seguido nesta dissertação. No primeiro capítulo foi observada a transição entre oralidade e escrita, dando destaque às transformações cognitivas que o letramento proporcionou no Ocidente.
Uma vez que o letramento é geralmente adquirido durante a formação e, já que afeta a organização da linguagem – o mais completo sistema de processamento de informação –, há boas razões para suspeitar que o alfabeto também afeta a organização do pensamento. A linguagem é o
software que conduz a psicologia humana. Qualquer tecnologia que
afete significativamente a linguagem afeta também o comportamento físico, emocional e mental. (KERCKHOVE, 2009, p. 46)
“Segundo o mito grego, Cadmo, legendariamente o rei que introduziu as letras do alfabeto na Grécia, semeou os dentes do dragão e deles germinaram homens armados” (McLUHAN, 2007, p. 101).
O volume de documentos produzidos desde a introdução da escrita promoveu uma corrida pelo armazenamento e a biblioteca nasce dessa urgência:
Demétrio havia sido o plenipotenciário da biblioteca. [...] Tinham-se proposto (Demétrio e o Rei) um objetivo [...] Haviam estabelecido que, para recolher em Alexandria “os livros de todos os povos da terra”, seria necessário um total de 500 mil rolos. Ptolomeu elaborou uma carta “a todos os soberanos e governantes da terra”, na qual pedia que “não hesitassem em lhe enviar” as obras de todos os gêneros de autores: “poetas e prosadores, retóricos e sofistas, médicos e adivinhos, historiadores e todos os outros mais”. (CANFORA, 1989, p. 24)
Acompanhando as evoluções tecnológicas, a biblioteca chegou ao que hoje chamamos de biblioteca virtual ou digital e estão, a partir de então, sujeitas aos padrões de acessibilidade na web. Esses padrões, como foi dito, normalizam o acesso à informação para todos os deficientes.
Essas premissas foram as norteadoras para o desenvolvimento dos dois pontos centrais da dissertação:
a) Analisar e discutir a questão do cego, mostrando as diferentes capacidades cognitivas, esclarecendo, assim, as diferenças entre os cegos congênitos e adquiridos.
b) Analisar e discutir os principais leitores de tela (monotonais) em contraponto à leitura entoacional.
Assim, um caminho de reflexão foi percorrido, e esse caminho direcionou às seguintes observações:
A aplicação mínima dos padrões exigidos pelo W3C em uma biblioteca virtual ou digital deve-se, acredita-se, ao puro desconhecimento da importância dessas padronizações. Pouco é feito para os cegos, pouco se conhece sobre a cegueira e pouco se sabe sobre a cognição, tanto em cegos congênitos quanto em cegos adquiridos.
Características que envolvem a pessoa cega (adquirida ou congênita) foram descritas. Sobre o desenvolvimento cognitivo em cegos congênitos, alguns pontos são consensuais, mas não se pode chegar à conclusão absoluta – talvez, por conta disso, seja tão difícil a padronização de um ambiente web (se fosse fácil, mesmo as bibliotecas virtuais e digitais pesquisadas e com o selo de acessibilidade do W3C, conseguiriam 100% de acerto de acordo com as normas do validador).
As funcionalidades dos leitores de tela foram as próximas observações: as variáveis entoacionais permitidas num texto não são um empecilho técnico para a produção de um leitor de tela. As dificuldades não são de ordem técnica, mas da ordem dos parâmetros de uma semântica entoacional. Por outro lado, a leitura monotonal do leitor de tela não garante que o texto seja interpretado de forma neutra – não existe neutralidade na técnica. Como explica Sá (2001, p. 124-137),
[...] a tecnologia é frequentemente concebida não só como uma forma neutra que não afeta os processos comunicativos, mas também como uma realidade que, a todo o momento, o sujeito pode controlar. O problema com estas interpretações, porém, é que as tecnologias da informação, que são sempre uma tecnologização da comunicação, tendem também a escapar ao controle, impondo novas formas de mediação que vão além da palavra e centrando-se na imagem e numa certa maquinação do sujeito. O ocultamento desta realidade constitui, por outro lado, uma incapacidade de exploração de possibilidades, inerentemente articulada com o discurso da instrumentalidade da técnica.
Um texto ganha muito, se lido com as devidas entoações. A leitura entoacional transmite veracidade ao texto lido, faz com que aos ouvidos cheguem não somente palavras, mas suspiros, risadas, desespero e angústias.
E Joyce nunca se cansou de explicar como em Finnegans Wake “as palavras que o leitor vê não são as que ele ouvirá”, [...] a linguagem de Joyce só adquire vigor quando lida em voz alta, criando uma sinestesia ou intercâmbio geral dos sentidos (McLUHAN, 1972, p. 110).
A produção de uma tecnologia que possibilite a leitura entoacional, permitindo ao ouvinte experimentar uma nova maneira de “ler” uma obra, pode ser o diferencial interessante para um leitor de tela, sendo também reconhecido como um recurso inovador, pois no mercado não existe leitor de tela com tal característica.
Em prol da abertura de todos os conteúdos e da acessibilidade na web, essa dissertação procurou contribuir para que um leitor de tela possa, por meio da linguagem e descrição, levar informação e conhecimento a uma pessoa com limites visuais. Gostaríamos de concluir este trabalho, então, com as palavras de Oliver Sacks (2010, p. 209):
Quando era menino, eu adorava ler Conquest of Mexico e Conquest of
Peru, de Prescott. Achava que “via” aqueles lugares graças às
descrições intensamente visuais, quase alucinógenas do autor. Anos depois, espantei-me ao descobrir que não só Prescott jamais estivera no México e no Peru, mas ainda por cima ele havia sido praticamente cego desde os dezoito anos. Será que ele [...] compensou a cegueira desenvolvendo incríveis poderes de imaginação visual, ou será que suas brilhantes descrições visuais eram, de certo modo, simuladas, possibilitadas pelos poderes evocativos e pictóricos da linguagem. [...] Se de fato existe uma diferença fundamental entre a vivência e a descrição, entre o conhecimento direto e o conhecimento mediado do mundo, por que então a linguagem é tão poderosa? A linguagem, a mais humana das invenções, pode possibilitar o que, em princípio, não deveria ser possível. Pode permitir a todos nós, inclusive os cegos congênitos, ver com os olhos de outra pessoa. (Ibidem, p. 210)
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ANEXO I
1. Pontos de Verificação de Prioridade 1:
a. Casos gerais:
i. Fornecer um equivalente de texto a cada elemento não textual (por ex., via "alt" ou "longdesc", ou no conteúdo do elemento). Isso abrange: imagens, representações gráficas de texto (incluindo símbolos), regiões de mapas de imagem, animações (por ex., GIF animados), applets e objetos programados, arte ASCII, frames, programas interpretáveis, imagens utilizadas em listas como sinalizadores de pontos de enumeração, espaçadores, botões gráficos, sons (reproduzidos com ou sem interação do utilizador), ficheiros de áudio independentes, pistas áudio de vídeos e trechos de vídeo.
ii. Assegurar que todas as informações veiculadas estejam também disponíveis sem cor, por exemplo, a partir do contexto ou de anotações.
iii. Identificar claramente quaisquer mudanças de língua no texto de um documento, bem como quaisquer equivalentes de texto (por ex., legendas).
iv. Organizar os documentos de maneira a que possam ser lidos sem recurso a folhas de estilo. Por exemplo, sempre que um documento em HTML seja apresentado sem as folhas de estilo que lhe estão associadas, deve ser possível lê-lo.
v. Assegurar que os equivalentes de conteúdo dinâmico sejam atualizados sempre que esse conteúdo mude.
vi. Evitar concepções que possam provocar intermitência do ecrã ou leitor de tela, até que os agentes do utilizador possibilitem o seu controle.
vii. Utilizar a linguagem mais simples e clara possível, adequada ao conteúdo do sítio.
b. Casos em que são utilizados imagens e mapas de imagem:
i. Fornecer ligações de texto, redundantes, relativamente a cada região ativa de um mapa de imagem sediado no servidor. ii. Fornecer mapas de imagem sediados no cliente em vez de no
servidor, exceto quando as regiões não possam ser definidas por meio de uma forma geométrica disponível.
c. Casos em que são utilizadas tabelas:
i. Em tabelas de dados, identificar os cabeçalhos de linha e de coluna.
ii. Em tabelas de dados com dois ou mais níveis lógicos de cabeçalho de linha ou de coluna, utilizar uma anotação para associar as células de dados às células de cabeçalho.
d. Casos em que são utilizados frames:
i. Dar, a cada frame, um título que facilite a identificação das frames e a navegação nelas.
e. Casos em que são utilizados applets e programas interpretáveis:
i. Assegurar que todas as páginas possam ser utilizadas mesmo que os programas interpretáveis, applets ou outros objetos programados tenham sido desativados ou não sejam suportados. Se isso não for possível, fornecer informações equivalentes numa página alternativa, acessível.
f. Casos em que são utilizadas multimídia:
i. Fornecer uma descrição sonora das informações importantes veiculadas pelos trechos visuais das apresentações de multimídia, até que os agentes do utilizador consigam ler, automaticamente e em voz alta, o equivalente textual de um trecho visual.
ii. Em apresentações de multimídia baseadas em tempo (por ex., um filme ou uma animação), sincronizar as alternativas
equivalentes (por ex., legendas ou descrições sonoras dos trechos visuais) e a apresentação.
g. E se, apesar de todo os esforços ...
i. Se, apesar de todos os esforços, não for possível criar uma página acessível, fornecer uma ligação a uma página alternativa que: utilize tecnologias do W3C, seja acessível, contenha informações (ou funcionalidade) equivalentes e seja atualizada tão frequentemente como a página original, considerada inacessível.
2. Pontos de Verificação de Prioridade 2:
a. Casos gerais:
i. Assegurar que a combinação de cores entre o fundo e o primeiro plano seja suficientemente contrastante para poder ser vista por pessoas com cromodeficiências, bem como pelas que utilizam ecrãs monocromáticos. [Prioridade 2 para imagens; prioridade 3 para texto].
ii. Sempre que exista uma linguagem de anotação apropriada, utilizar anotações em vez de imagens para transmitir informações.
iii. Criar documentos passíveis de validação por gramáticas formais, publicadas.
iv. Utilizar folhas de estilo para controlar a paginação (disposição em página) e a apresentação.
v. Utilizar unidades relativas, e não absolutas, nos valores dos atributos da linguagem de anotação e nos valores das propriedades das folhas de estilo.
vi. Utilizar elementos de cabeçalho indicativos da estrutura do documento e fazê-lo de acordo com as especificações.
viii. Anotar as citações. Não utilizar anotações de citações para efeitos de formatação como, por exemplo, o avanço de texto. ix. Assegurar a acessibilidade do conteúdo dinâmico ou fornecer
uma apresentação ou página alternativas.
x. Evitar as situações que possam provar o piscar do conteúdo das páginas (isto é, alterar a apresentação a intervalos regulares, como o ligar e desligar), até que os agentes do utilizador permitam o controle desse efeito.
xi. Não criar páginas com atualização automática até que os agentes do utilizador possibilitem parar a atualização.
xii. Não utilizar anotações para redirecionar páginas automaticamente, até que os agentes do utilizador possibilitem parar o redirecionamento automático. Em vez de utilizar anotações, configurar o servidor de maneira a que seja ele a executar os redirecionamentos.
xiii. Não provocar o aparecimento de janelas de sobreposição ou outras, e não fazer com que a janela atual seja modificada sem que o utilizador seja disso informado, até que os agentes do utilizador tornem possível a desativação de janelas secundárias. xiv. Utilizar tecnologias do W3C sempre que estejam disponíveis e
sejam adequadas a uma determinada tarefa; utilizar as versões mais recentes, desde que suportadas.
xv. Evitar as funcionalidades desatualizadas de tecnologias do W3C.
xvi. Dividir blocos de informação de grandes dimensões em grupos mais fáceis de gerir, sempre que venha a propósito.
xvii. Identificar claramente o destino de cada ligação.
xviii. Fornecer metadados para acrescentar informações semânticas a páginas ou sítios.
xix. Dar informações sobre a organização geral de um site (por ex., um mapa do site ou um índice).
xx. Utilizar os mecanismos de navegação de maneira coerente e sistemática.
b. No caso de serem utilizadas tabelas:
i. Não utilizar tabelas para efeitos de disposição em página, a não ser que a tabela continue a fazer sentido depois de passada a linhas. Se não for o caso, fornecer uma alternativa equivalente (que pode ser uma versão linearizada).
ii. Se for utilizada uma tabela para efeitos de disposição em página, não utilizar qualquer anotação estrutural para efeitos de formatação visual.
c. No caso de serem utilizadas frames:
i. Descrever a finalidade das frames e o modo como elas se relacionam entre si, se isso não for óbvio a partir unicamente dos títulos das frames.
d. No caso de serem utilizados formulários:
i. Assegurar o correto posicionamento de todos os controles de formulário que tenham rótulos implicitamente associados, até que os agentes do utilizador venham a suportar associações explícitas entre rótulos e controles de formulários.
ii. Associar explicitamente os rótulos aos respectivos controles.
e. No caso de serem utilizados applets e programas interpretáveis:
i. Em programas interpretáveis e applets, garantir que a resposta a acontecimentos seja independente do dispositivo de entrada. ii. Evitar páginas contendo movimento, até que os agentes do
utilizador possibilitem a imobilização do conteúdo.
iii. Criar elementos de programação, tais como programas interpretáveis e applets, diretamente acessíveis pelas tecnologias de apoio ou com elas compatíveis (prioridade 1, no caso de a funcionalidade ser importante ou não apresentada