Para a devida implementação da avaliação nos cursos de graduação, o sistema prevê que ela seja realizada de forma periódica, com o objetivo de cumprir uma determinação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei no 9394/06 - Art. 46, a fim de garantir a qualidade no ensino superior.
É um procedimento que representa uma medida necessária tendo em vista sua contribuição nos processos de regulação e expansão do ensino superior no país, bem como, dá legitimidade aos cursos através da emissão de portarias de reconhecimento, que asseguram a expedição dos diplomas de certificação aos concluintes de cursos superiores de graduação.
O processo de avaliação de cursos demanda uma série de procedimentos operacionais cujos instrumentos possibilitam, previamente, aos avaliadores o contato, através dos meios eletrônicos, com a realidade das instituições/cursos a serem avaliados, subsidiando dessa forma as práticas das comissões que deverão avaliar “in loco”, três dimensões:
a) Dimensão Corpo Docente;
b) Organização Didático-Pedagógica; c) Instalações.
Hoje denominadas (Categorias de Avaliação, de acordo com o novo Instrumento Único de Avaliação de Cursos) (INEP/MEC-2006).
A operacionalização dos procedimentos avaliativos fica a cargo do INEP/MEC, que pretende dar ao processo o enfoque de avaliação continuada, cuja recente Portaria nº 1 /07 prevê um Calendário de Avaliações do Ciclo Avaliativo do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, estabelecendo um processo seqüenciado de avaliação continuada para os cursos de graduação, conjugado com o calendário rotativo de avaliações seqüenciadas do outro mecanismo de avaliação do Sistema, o ENADE.
Para a operacionalização do sistema, o INEP/MEC conta com um Banco de Avaliadores do Sistema BASIs, criado pela Portaria 1.027/06 que conta, no momento, com aproximadamente 13.000 profissionais.
De acordo com Franco (2007) todos os avaliadores do banco são professores universitários, dos quais 86,2% são doutores, 12,5% mestres, 1,3% especialistas ou graduados e muitos deles são gestores universitários.
O critério para a seleção destes profissionais prevê que as próprias instituições indiquem seus representantes para compor o banco e avaliadores, mas também podem ocorrer inscrições de docentes interessados, independente de indicações.
Para a devida implementação da avaliação, os avaliadores são capacitados pelo INEP/MEC, através de um programa de capacitação.4 As Comissões de Avaliação para verificação in loco através das visitas de avaliação são constituídas de acordo com o que preconiza a Resolução n° 1, de 4 de maio de 2005, que dispõe sobre a composição das Comissões Multidisciplinares de Avaliação de Cursos e sua sistemática de atuação e de acordo com:
Art.2° As avaliações externas de cursos de uma mesma instituição de Educação Superior serão feitas por uma Comissão Multidisciplinar de Avaliação de Cursos, com o objetivo de induzir uma abordagem de avaliação que privilegie a visão dos cursos como elementos constitutivos do contexto institucional que os abriga.
Parágrafo Único. A Comissão Multidisciplinar será coordenada por um especialista em avaliação institucional, responsável por:
I - mediar as relações entre a Comissão Multidisciplinar e as instâncias institucionais de gestão e de avaliação;
4
DISPONÍVEL em: <http://www.inep.gov.br/superior/condicoesdeensino>. Acesso em: 2007. A Portaria 2.051/04, que regulamenta o SINAES estabelece várias disposições sobre as avaliações externas, tais como; a participação de Comissões externas de avaliação, integradas por membros docentes e capacitados pelo INEP.
II - promover a articulação entre a Comissão Própria de Avaliação (CPA) e o desenvolvimento do processo avaliativo;
III - validar cada relatório de avaliação do curso juntamente com o respectivo avaliador.
Art. 3 ° Cabe à Comissão Multidisciplinar de Avaliação de Cursos verificar se a missão institucional se expressa nos processos acadêmicos e se a organização, a administração e a gestão da instituição asseguram meios para o pleno desenvolvimento dos seus cursos; e, ao coordenador dessa comissão, fomentar a troca contínua de informações e o debate entre os diversos avaliadores, para que haja coerência entre os distintos relatórios e homogeneidade de análise dos aspectos institucionais comuns aos diferentes cursos.
Art. 4º Os avaliadores devem assumir o processo de avaliação como coletivo e cooperativo, cujo propósito principal é a melhoria da qualidade dos cursos e, conseqüentemente, da IES.
Parágrafo Único: Em consonância com o SINAES, a qualidade acadêmica não pode ser considerada de forma dissociada da responsabilidade social da educação superior, por não se tratar de um atributo abstrato, mas de um juízo valorativo construído socialmente, respeitadas a identidade e a diversidade institucionais.
O quadro 1 explicita a relação da legislação vigente que vem dando suporte à avaliação da educação superior e evidencia, de acordo com sua peridiocidade, a dinâmica do processo de avaliação que demanda uma permanente e aprimorada fundamentação legal que dá sustentação e legitimidade ao exercício das políticas públicas para a educação superior no país.
Lei n° 9.394/96 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira – LDB Lei nº 10.172/01 Aprova o Plano Nacional de Educação
Lei nº 10.861/04 Institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior Portaria nº 2.051/04 Regulamenta os procedimentos do SINAES
Lei nº 9.131/05 Estabelece competências para o MEC e CNE
Portaria nº 31/05 Estabelece procedimentos para a organização e execução das avaliações externas das IES Resolução nº 01/05 Estabelece prazos e calendário para avaliação das instituições de educação superior Resolução nº 1/05 Dispõe sobre a composição das Comissões Multidisciplinares de Avaliação de cursos e
sua sistemática de avaliação.
Decreto nº 5.773/06 Dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e seqüenciais no sistema federal de ensino
Portaria nº 1.027/06 Dispõe sobre o Banco de Avaliadores do SINAES Portaria nº 1.061/06 Designa os membros da CONAES
Portaria nº 1.310/06 Designa os membros para compor a CTA
Portaria nº 1/07 Estabelece o Calendário do Ciclo avaliativo do SINAES para o triênio 2007/2009 Quadro 1 - Resumo da Legislação Pertinente à Avaliação da Educação Superior no Brasil Fonte: BASIs - INEP/MEC, 2006.
De acordo com Morosini (2007), o ethos brasileiro se baseia no desenvolvimento de um sistema nacional de avaliação da educação superior formativo e participativo que apóia a regulação e a supervisão da educação superior. (Decreto Lei no 5.773 de 9 de maio de 2006).
Ou seja, a avaliação constitui-se no referencial básico para os processos de regulação e supervisão da educação superior, a fim de promover a melhoria de sua qualidade.
Para Pacheco e Ristoff (2005), todas as avaliações externas da educação superior se darão no âmbito do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas - INEP, sob as diretrizes estabelecidas pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior - CONAES, e servirão de referencial básico para os diversos órgãos do Ministério da Educação realizarem as suas atividades regulatórias.
O novo sistema de avaliação busca assegurar, dentre outras coisas, a integração das dimensões interna e externa, particular e global, somativa e formativa, quantitativa e qualitativa e os diversos objetivos de avaliação. Dessa forma, o sistema deve articular de forma coerente, concepções, objetivos, metodologias e práticas, possibilitando a articulação de vários instrumentos, diversas metodologias na proposta de avaliar integralmente os diferentes aspectos das IES, envolvendo os cursos, os estudantes e a própria instituição, a partir de princípios que destacam a transparência de seus procedimentos, o respeito à identidade das instituições e sua diversidade, e a participação de diferentes de segmentos.
No Contexto do SINAES a avaliação institucional é o centro do processo avaliativo e abrange entre outros a melhoria da qualidade da educação superior, a orientação da expansão de sua oferta, o aumento de sua eficácia institucional, a efetividade acadêmica e, especialmente a promoção do aprofundamento dos compromissos e responsabilidades sociais das instituições, por meio da valorização de sua missão pública, da promoção dos valores democráticos, do respeito à diferença e à diversidade, da afirmação da autonomia e da identidade nacional.5
Nesta linha de raciocínio, identifica-se a avaliação institucional como um fio condutor na reflexão sobre qualidade na educação, uma vez que, como processo, possibilita o exercício do compromisso e da função social das instituições universitárias.
De acordo com Both (2005, p. 63), “a avaliação institucional cabe ser visualizada como afirmação duradoura em busca de qualidade compatível entre filosofia institucional e a realidade social em que se apresenta”. E, para ser percebida como sistema, a avaliação institucional deve: tornar-se útil, beneficiando a todos os envolvidos; viável em termos de possibilidades e de execução; exata, tendo em vista a necessidade de sua condução correta e dos instrumentos adequados para obtenção de informações confiáveis. Percebida dessa forma, a ação avaliativa possui grandes possibilidades de se constituir numa questão ética e de
5
Texto de Apoio - Programa de capacitação de avaliadores - INEP/MEC. Disponível em: <http://www.inep.gov.br/superior/avaliação>. Acesso em: 1º abr. 2006.
responsabilidade social, bem como numa iniciativa transparente e justa.
Ao denominarmos avaliação como um sistema que visa a qualidade da educação, inclusive responsável pela sobrevivência institucional, estamos admitindo que a mesma deve ser plena, permanente e progressiva.