3. TÜRKİYE’DE VERGİ İNCELEMESİ
3.3. Vergi İncelemesi Türleri
Em âmbito local, nas obras dos autores paraibanos Juarez da Gama Batista (1965), José Rafael de Menezes (1967), Abelardo Jurema (1985), Benedito Maia (1992), Gonzaga Rodrigues (1977) (1993), José Octávio de Arruda Melo (1982) (2000), Oswaldo Trigueiro (2004), Joaquim Osterne Carneiro (2004) e em outros, a exemplo da obra do historiador francês Jean Blondel (1957), faltaram abordagens mais específicas sobre o governo de José Américo, abrindo assim espaços para outras análises.
Desde a morte de João Pessoa, fato esse que serviu de pretexto para a “Revolução” de 1930, três grandes nomes se destacaram na política paraibana quebrando com a hegemonia do antigo bloco oriundo da escola política da primeira República liderada por Epitácio Pessoa. José Américo de Almeida, Argemiro de Figueiredo e Ruy Carneiro dominaram o cenário político durante os trinta anos subseqüentes a “Revolução” de 1930 e juntos, os três governaram a Paraíba por mais de quinze anos (Argemiro de Figueirêdo: 1936-1939; Ruy Carneiro: 1940-1945 e José Américo: 1951-1956).
O período em que Argemiro de Figueiredo exerceu o cargo de interventor já fora estudado pela professora Drª. Martha Falcão, pesquisa essa que rendeu o livro “Poder e Intervenção Estatal
- Paraíba: 1930-1940”. Por outro lado, a interventoria de Ruy Carneiro já foi estudada pela professora Drª. Monique Cittadino através do projeto de pesquisa intitulado “Estado Novo na Paraíba: A interventoria de Ruy Carneiro (1940-1945)”, período esse de grande importância e que também não tinha sido ainda estudado em sua totalidade. Dessa forma, o único governo que ainda não havia recebido a merecida importância foi o de José Américo, o fundador da Universidade Federal da Paraíba:
Os três encarnaram figuras de formação diversa, cada qual com as suas idiossincrasias, virtudes notórias e defeitos característicos. (...) Dos três suponho que José Américo provavelmente resistirá mais a erosão do tempo, quero dizer, terá prazo mais dilatado perante a posterioridade (MELLO, 2004, p.112).
Neste panorama histórico da política paraibana, surgiu a questão primordial norteadora do projeto proposto na seleção do programa de pós-graduação: quais os direcionamentos políticos, assistenciais/populistas, instituídos na Paraíba ao longo dos anos de 51-56 durante o governo de José Américo? De imediato a esta problemática de fundo alguns questionamentos surgiram durante o transcorrer da pesquisa: 1. Como se forjou a carreira pública e política de José Américo de Almeida, que de promotor público da longínqua cidade de Sousa, chegou a candidato a Presidência da República, opondo-se a Getúlio Vargas em 1937? 2. Como se dá a passagem de governo de Oswaldo Trigueiro para José Américo, quais as mobilizações políticas instituídas no Estado antes da eleição de 1950 e a influência destas para a vitória de José Américo sobre (Coligação Democrática Paraibana) sobre Argemiro de Figueiredo (Aliança Republicana), lembrando que José Américo fora um dos lideres e fundadores da UDN deixando o partido para ser o candidato “natural” pela CDP, vaga essa ocupada na UDN por Argemiro de Figueiredo? 3. Como José Américo estrutura, no estado paraibano, uma verdadeira indústria da seca a partir de ações assistenciais/populistas adotadas contra a seca que assolou diversos municípios entre os anos 1951-1952 e quais os grupos políticos que se beneficiam desta política?
Respondendo essa primeira indagação – mais precisamente o nosso primeiro objetivo específico – elaboramos o capítulo intitulado “José Américo de Almeida: o menino de engenho
que se tornou candidato a presidente da República em 1937”. Nele tratamos dos primeiros
passos da vida e da carreira pública de José Américo, enfatizando a nossa dificuldade em relação a idéia de tentar recompor uma parte do seu perfil político, pois além de possuir uma vigorosa carreira pública, tornou-se um dos maiores escritores regionalistas da história literária do país.
Dessa forma, procuramos expor os acontecimentos que levaram José Américo a sair da pequenina e fria cidade onde nascera – Areia-PB – para “ganhar asas” e ampliar os seus horizontes na Faculdade de Direito em Recife, além de apontar quem foram as pessoas que ajudaram na composição e projeção de sua carreira pública e política, a exemplo do tio, monsenhor Walfredo Leal, e de João Pessoa, Presidente da Paraíba.
Enfatizaremos o importante papel assumido por José Américo entre os conspiradores que planejaram a chamada “Revolução” de 1930, tornando-se “Chefe da Revolução no Norte”. Com a instauração do Governo Provisório liderado nacionalmente por Getúlio Vargas, José Américo é empossado Ministro da Viação e Obras Públicas em novembro de 1930 e, a partir de então, definiu como prioridade de sua gestão a política de combate as secas na região Norte do Brasil, pois uma grave seca assolava essa região do país. Os dados lançados por nós durante essa parte do trabalho – tabelas descrevendo o quantitativo de açudes privados construídos, os locais onde os açudes públicos foram erguidos, o gasto realizado a partir de obras construídas pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS), dentre outros – comprovam o re-estabelecimento da indústria das secas fomentada justamente com os recursos do Ministério da Viação e Obras Públicas, consolidada a partir dos discursos de que a seca precisava ser combatida através das soluções hidráulicas e de pavimentação. Assim, José Américo passou a dominar o cenário político de toda a região Norte e, mais especificamente, do estado da Paraíba, consolidando as bases do que viria a ser chamado de “americismo”11
Decepcionado com os rumos que a política paraibana havia tomada com a ascensão de Argemiro de Figueiredo após as eleições de 1934, veremos que José Américo “abandonou” o comando das articulações políticas locais, entrando numa fase de “auto-exílio” político que só seria interrompida 3 anos depois com a sua candidatura a presidência da República em 1937. Finalizando essa parte de nosso trabalho, veremos como Getúlio Vargas tenta desarticular o processo eleitoral se utilizando do discurso de que existiam forças conspiratórias – os comunistas do Partido Comunista do Brasil; e os fascistas da Ação Integralista Brasileira – que almejavam
11 Corrente política majoritária encabeçada por José Américo – formada por políticos, empresários, fazendeiros,
dentre outros – que assumiu as rédeas da estrutura administrativa e econômica do estado paraibano, indicando os nomes dos primeiros interventores após a “Revolução” de 1930 – Anthenor Navarro e Gratuliano de Brito – beneficiando os seus confrades com as construções de açudes, pavimentação de estradas em propriedades privadas e públicas, além dos cargos políticos assumidos por estes. A materialização dessa política veio com os resultados das eleições de 1934, quando o Partido Progressista, liderado pelo ministro da Viação e Obras Públicas, se tornou o grande vencedor, recebendo cerca de 80% dos votos, elegendo o governador Argemiro de Figueiredo – através do voto indireto – e oito, dos nove deputados federais, além de mais vinte e sete deputados estaduais, das trinta vagas disponíveis (CITTADINO, 2006, p.71).
golpear a democracia brasileira, trazendo riscos ao programa “revolucionário” de governo instituído desde 1930. Com isso Vargas – ao lado dos generais Eurico Gaspar Dutra e Góis Monteiro – dá um golpe de estado, implantando um longo período ditatorial batizado de Estado Novo (1937-1945).
Para a composição desse capítulo, utilizamos diversas fontes primárias, a exemplo do jornal A União – que se encontra na biblioteca particular do Sr. Maurílio de Almeida – cuja leitura se deu por amostragem, sobre algumas notícias referentes aos aspectos anteriormente citados, dados que foram de vitalimportância para o desenrolar da pesquisa, pois além de ser o maior jornal em circulação da época, tratava-se de um órgão oficial do governo. Utilizamos também três importantes relatórios oficiais publicados na forma de livros: 1º A Paraíba e seus problemas” (1923); 2º “O ciclo revolucionário do Ministério da Viação” (1934); 3º “Barragens do Nordeste do Brasil” (DNOCS-1982). Também lançamos mão de bibliografia secundária, utilizando algumas obras indispensáveis para a composição deste capítulo, a exemplo de “O Nordeste e a política: diálogo com José Américo de Almeida” (1984), de Aspásia Camargo. Para compor parte da trajetória inicial da vida de José Américo, utilizamos o seu último livro, intitulado “Memórias: antes que me esqueça” (1976). Além destas, outras obras foram de fundamental importância para que pudéssemos analisar as articulações políticas e as diversas feições assumidas pelas personagens que encabeçaram os jogos e teatros da política nacional: “O populismo na política brasileira”, de Francisco Weffort (1978); “Elegia para uma re(li)gião”, de Francisco Oliveira (1981); “De Getúlio a Castelo Branco” (1930-19634), do brasilianista Thomas Skidmore (1982); “Para uma introdução ao imaginário político” de Raoul Girardet (1987); “O populismo e as ciências sociais no Brasil: notas sobre a trajetória de um conceito”, da historiadora Angela de Castro Gomes (2001); “O nome e coisa: o populismo na política brasileira”, escrito por Jorge Ferreira (2001). Entretanto, superada a análise da conjuntura política nacional, adentramos numa seara mais especifica, ou seja, nos meandros da política paraibana a partir da leitura das seguintes obras: “Política e parentela na Paraíba. Um estudo de caso da oligarquia de base familiar”, da historiadora estadunidense Linda Lewin (1933); “Morte e vida das oligarquias: Paraíba (1889/1930)”, de Eliete Gurjão (1994); “Poder Local e Ditadura Militar: o Governo de João Agripino – Paraíba (1965-1971)” (2006), da historiadora Monique Guimarães Cittadino (2006); “Tragédia e desilusão: a representação do Nordeste na Obra de José Américo de Almeida”, dissertação de mestrado de Hélder Viana (1995); “Raízes da indústria da seca: o
caso da Paraíba” (1993), de Lucia de Fátima Guerra Ferreira; “Rastros na areia: solidão e glória de José Américo”, da secretária de José Américo, Maria de Lourdes L. Luna (1994); dentre outros.
Interessante ressaltar que, a princípio, esse capítulo quase biográfico sobre José Américo não estavam em nossos planos, pois finalizaríamos o nosso trabalho abordando o retorno dele ao Ministério da Viação e Obras Públicas em 1953, “abandonando” temporariamente o governo da Paraíba, cargo para o qual foi eleito em outubro de 1950. Esse episódio nos chamou a atenção, pois acreditamos que esse é um caso único na história da política brasileira, onde um governador deixa o cargo, a pedido do Presidente da República, para assumir um ministério e depois retorna ao poder, tudo isso com o consentimento dos deputados e senadores do Estado. Todavia, pelo curto espaço de tempo que teríamos para realizar essa longa empreitada, foi decidido pelos professores avaliadores de nossa dissertação – durante a chamada “qualificação do trabalho – que seria mais prudente realizarmos um estudo sobre esse recorte temporal acima descrito.
O segundo capítulo recebeu o título “Disputas de vidas e mortes: a vitória do
americismo”, por sugestão do Prof. Dr. José Jonas Duarte da Costa. Nele trazemos o panorama
político vivenciado no estado paraibano desde o período de “redemocratização” do país, as composições partidárias e os resultados da primeira eleição do país e, em especial, na Paraíba após o fim do Estado Novo. Verificamos, a partir desse momento, as primeiras vitórias da base americista dentro da União Democrática Nacional, partido que José Américo ajudou a fundar em 1945. No ano de 1947, descobrimos que Argemiro de Figueiredo terminou conquistando a liderança da UDN, mas perdeu a maior parte das articulações políticas para José Américo no Estado paraibano, principalmente em seu “curral eleitoral”, Campina Grande. Passando pelos acontecimentos que levaram a saída de José Américo da UDN, em 1948, buscamos compreender como se deu as articulações entre o Partido Social Democrático (PSD), José Américo, na condição de antigo udenista, e diversas outras figuras políticas importantes, a exemplo de Ruy Carneiro, José Joffly, João Fernandes de Lima, dentre outros – levando ao surgimento de uma candidatura única sob a chapa intitulada Coligação Democrática Paraibana (CDP). Do outro lado, teremos a campanha de Argemiro de Figueiredo pela UDN e pelo Partido Republicano (PR) que foi criado por alguns dissidentes pessedistas, dentre eles José Pereira Lyra, concunhado de Ruy Carneiro e Ministro Chefe da Casa Civil do governo do General Eurico Gaspar Dutra. Além desse apoio, Argemiro contava ainda com a máquina governamental a seu favor, pois nessa época
o seu aliado, Oswaldo Trigueiro, que ainda era o Governador do Estado. Dessa forma, forjou-se a chapa situacionista, intitulada Aliança Republicana (AR). Analisamos também o papel dos grupos privados e a participação destes na composição das duas chapas durante a campanha.
Veremos que a população paraibana vivenciou em 1950 a mais acirrada e conturbada campanha eleitoral de todos os tempos, pois essa disputa para governador do Estado levou a inúmeros confrontos entre os partidários das duas coligações, levando ao trágico episódio ocorrido no dia 9 de julho, na Praça da Bandeira, com a morte de três pessoas e dezenas de feridos. Por se tratar de um acontecimento que ganhou espaço em diversos meios de comunicação em âmbito regional e nacional, analisamos os motivos que ocasionaram o conflito e os verdadeiros culpados por essa tragédia. A campanha ainda envolveu a religiosidade dos paraibanos, quando ambas as partes envolvidas no pleito utilizaram diversos trechos da Bíblia para legitimar as suas candidaturas, aproveitando-se também da imagem do padre Cícero Romão, o “milagroso” padre do Juazeiro do Norte. Os hinos das duas campanhas figuram entre os aspectos mais interessantes desse período, pois as letras trazem um pouco da nossa cultura política e histórica. A veiculação das campanhas a partir dos jornais A União – ligado a CDP – e A Imprensa – atrelado a AR – também expressam um pouco dos acirramentos, animosidades e interesses parciais que envolviam os grupos que estavam por trás desses veículos de comunicação.
Para o desenvolvimento desse capítulo utilizamos novamente fonte primária, incluindo algumas notícias dos jornais: A União, Diário da Borborema, A Imprensa, Jornal do Brasil, O Norte e Diário de Pernambuco. Entendemos aqui que o jornal além de ser uma fonte de informação de extrema importância, deve ser pensado como um espaço que contém intenções diversas: o editorial que é o espaço de identidade do órgão; a visão dos cronistas, que trazem uma reflexão mais ampla sobre os acontecimentos daquele presente histórico, por isso entendemos aqui que estes possuem um importante papel para a cultura política e histórica desse período, pois embora não sejam historiadores de profissão, trazem uma leitura sobre a sociedade da época, uma leitura sobre o presente histórico; as imagens fotográficas atreladas às reportagens escritas como textos informativos, dentre outros.
Em relação à bibliografia secundária, seguem algumas importantes obras: “As condições da vida política no Estado da Paraíba” do historiador francês Jean Blondel (1957); “Lutas de Vida e de Morte” de Josué Sylvestre (1982); “José Américo: um homem do bem comum”, de José
Rafael de Menezes (1967); Coronelismo, Enxada e Voto, de Victor Nunes Leal (1975); “A
política brasileira em busca da modernidade: na fronteira entre o público e o privado”, de Angela de Castro Gomes (1998); Populismo e golpe de Estado na Paraíba, de Monique Cittadino (1998); dentre outros. Além da utilização da pesquisa bibliográfica e da pesquisa documental, estamos utilizando alguns relatos orais, entrevistando algumas pessoas que vivenciaram esse período, a exemplo do Sr. Mário Araújo, sobrevivente da “chacina da Praça da Bandeira” e irmão de Félix Araújo; da Sra. Lourdes Lemos, secretária do próprio José Américo.
No terceiro e último capítulo, batizado de “Obras, assistencialismo e a imprensa no
Governo José Américo”, abordamos, inicialmente, a “herança maldita” deixada pelos dois
governos udenistas anteriores – Oswaldo Trigueiro e José Targino – incluindo os gastos astronômicos com a construção da barragem de Marés e a enorme dívida pública herdada pelo novo governo. A partir do início de seu mandato de governador, percebemos como José Américo re-estabelece a indústria da seca a partir do velho discurso de que para combater a seca que atingiu novamente a Paraíba nos anos de 1951-1952, era necessário uma série de soluções hidráulicas e de pavimentação, medidas assistencialistas que favoreceram determinados grupos – compostos por políticos, empresários, fazendeiros, dentre outros – atrelados politicamente ao governador. Também é o possível ver uma maior captação de recursos para o estado paraibano, a partir do momento que José Américo passou a ser o interlocutor entre os governadores dos estados atingidos pela grave estiagem e o Executivo Federal, na pessoa do presidente da República, Getúlio Vargas.
Nessa parte do trabalho, entrevistamos o Sr. Severino Amaro Guimarães, um dos operários que trabalharam na construção da barragem de Boqueirão, localizada no município de Cabaceiras-PB. O seu depoimento foi de fundamental importância para que pudéssemos entender melhor como se deu essa política de construção de açudes e barragens, de construção e pavimentação de estradas, como eram selecionados os trabalhadores e quais as reais condições de trabalho e moradia nos acampamentos em torno das edificações. Por último, vimos como parte da imprensa nacional e, em especial, do Estado paraibano se comportou durante a seca de 1951- 1952, no princípio do governo americista. De um lado, aqueles que propagaram a idéia de que José Américo foi o “salvador” das populações vítimas das secas não só da Paraíba, mas como de todo Nordeste. Do outro, o jornal paraibano A Imprensa – pertencente a Arquidiocese do estado – que se tornou o principal porta-voz da oposição, desferindo inúmeras críticas em relação ao
descaso das autoridades públicas que nada faziam em relação ao aumento exorbitante do custo de vida da população; contra o sistema educacional paraibano, após uma série de demissões e transferências que foram realizadas com o aval do governador do Estado, após assumir o mandato, sem justificativas plausíveis.
A profunda experiência e o estudo in loco sobre períodos de estiagem e de fome no Nordeste levaram José Américo a sustentar a tese de que a seca não era causada pelo subdesenvolvimento do povo nordestino e nem derivava exclusivamente das questões físico- climáticas, os problemas partiam da visão econômica e dos mecanismos da administração pública, principalmente por parte do Governo Federal. É essa a questão que norteará o presente capítulo, o confronto desse discurso com as ações políticas em relação a essa “tragédia natural” durante os anos de 1951-52.
Quanto à metodologia do capítulo, catalogamos e fichamos algumas notícias existentes nas várias caixas (ao todo são 10 caixas) que se encontram no Arquivo Público do Estado da Paraíba (Espaço Cultural), referentes ao período, documentação de fundamental importância para a composição do nosso trabalho. As caixas possuem, em sua maioria, assuntos relacionados a: decreto-lei criando o Departamento de Águas Rurais (D.A.R.); desvio do dinheiro do DNER para a construção de açudes e barragens; proibição do transporte de retirantes da seca; cópia da carta original enviada ao presidente Getúlio Vargas pedindo ajuda no combate aos problemas gerados pela seca; relatório expedido pelo Secretário de Agricultura sobre a situação dos municípios de Bananeiras, Araruna e Serraria; envio de caminhões-tanque à alguns municípios afetados pela seca; construção de barragens; distribuição de leite em pó pela Fundo Internacional de Socorro a Infância (FISI) nas zonas afetadas pela seca.
A Fundação Casa José Américo de Almeida é outro importante local que foi pesquisado por nós, pois abriga uma enorme quantidade de documentos referentes à vida de José Américo, como jurista, escritor, poeta e político. Sobre o governo e o período da seca podemos encontrar diversas notícias: relatórios de vários secretários, a exemplo do relatório do Secretário de Finanças (João Jurema) onde ele descreve todas as ações realizadas por esta secretária no primeiro ano de governo (31/01/51 a 31/12/51); relatório encabeçado por José Américo sobre Mesa Redonda de governadores do Nordeste onde o foco era a seca de 1951-52, contendo planejamentos, sugestões, objetivando o fortalecimento da economia nordestina e a integração desta, no quadro da economia nacional; relatórios expedidos pelo “Chefe da Comissão de
Pesquisa sobre o êxodo na Paraíba”, Hidelbrando Menezes, referente ao êxodo populacional em vários municípios do estado: Campina Grande, Pilar, Itabaiana, Ingá, Sapé, entre outros; relatório sobre a compra de 3.000 sacos de arroz distribuídos gratuitamente, por ordem do governador, nos municípios afetados pela seca e em instituições de caridade; sobre a imigração de japoneses para o desenvolvimento da agricultura no estado; relatório referente a restauração da cultura cafeeira no estado, apresentado por Raimundo Martins da Silva, “Chefe da Secção do Café”. Um arquivo