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3. TÜRKİYE’DE VERGİ İNCELEMESİ

3.6. Vergi İnceleme Raporuna Karşı Başvurulabilecek Yollar

3.6.1. İdari çözüm yolları

AÇUDE LOCALIZAÇÃO CAPACIDADE (1.000 m³) ALTURA (Metros) CONSTRUÇÃO Início Término

Barra do Xandú Cabaceiras 928 12,00 1930 1932

Pilões Antenor Navarro 13.000 14,00 1932 1933 Riacho dos

Cavalos Catolé do Rocha 17.690 13,50 1932 1933 Santa Luzia Santa Luzia do Sabugi 11.960 19,00 1932 1933

Soledade Soledade 27.058 19,50 1912 1933

Engº Arcoverde

(ex-Condado) Condado 35.000 23,00 1932 1936

Engº Ávidos

(ex-Piranhas) Cajazeiras 255.000 45,00 1932 1936

São Gonçalo Souza 44.600 44,00 1932 1936

* FONTE: DNOCS. Barragens no Nordeste do Brasil. ARAÚJO, José Amaury de Aragão (Coord.) Fortaleza: DNOCS, 1982, p.141.

Os relatórios afirmavam ainda que o Governo Provisório e o ministro José Américo buscaram incentivar e ampliar os investimentos, de uma forma mais efetiva, na construção de açudes em cooperação com particulares. Para justificar essa parceria público-privada, o ministro alegou que até o ano de 1930 haviam sido construídos 36 açudes particulares, um número pequeno diante de tão grave situação. Assim, em 1931, foram iniciadas as obras de 14 destes açudes; e no triênio 1931-1933, 51 açudes (ALMEIDA, 1982, p.167). Quando analisamos a aplicação de verbas públicas nesses “investimentos”, percebemos que em 3 anos foram construídos cerca de 65 açudes particulares, quase o dobro de todas as construções realizadas até a “Revolução” de 1930. Interessante ressaltar que a IFOCS – posteriormente chamado de Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – era um órgão federal nacional que deveria atuar não só na região Nordeste, ou seja, foi criada para combater a problemática das secas em qualquer região do país. Contudo, não foi esse o caminho destinado pelos governantes a essa inspetoria, segundo Francisco de Oliveira:

Note-se, de passagem, que mesmo o problema das secas não era concebido como um problema exclusivamente do Nordeste semi-árido: o DNOCS era um departamento nacional, concebido para atuar no combate a esse fenômeno climático onde quer que ele se apresentasse no território do país. O fato de nunca ter realizado nenhuma obra fora do

Nordeste, é um resultado de sua captura pela oligarquia regional, e não uma intenção ou objetivo inicial (Grifos nosso) (OLIVEIRA, 1981,

A partir desses dados, percebemos uma relativa diferença no número de açudes e barragens públicas (29 – ver tabelas acima) e público-privadas (65) construídas durante o período em que José Américo esteve à frente do Ministério da Viação e Obras Públicas. Essa disparidade era legitimada pelos discursos do ministro que apontavam a açudagem particular como uma das importantes soluções para a seca que abatia o Nordeste:

O Govêrno Provisório incentivou, o mais possível, a construção de açudes em cooperação com particulares. (...) O açude particular, como já acentuei em meu relatório anterior, constitui um precioso elemento subsidiário

na correção dos efeitos da seca. Si não é um fator de transformação

econômica da região, representa uma solução individual que tem

evidenciado a maior utilidade, permitindo, em longos períodos de

estiagem, que as fazendas se mantenham, como verdadeiros oásis, em

meio à devastação geral, no seu regime de trabalho agrícola (Grifos

nosso) (ALMEIDA, 1982, pp.166, 167).

Embora sejam tratadas como “solução subsidiária”, as construções dos açudes particulares tiveram um papel imprescindível para a consolidação do americismo na Paraíba, pois ampliou o poder do ministro em todo o estado, estabeleceu vínculos de aproximação com as velhas oligarquias, mantendo-as sob o controle intervencionista de José Américo e de seus interventores, além de propagar a imagem do ministro da Viação e Obras Públicas como um homem ligado ao povo, tornando-o uma espécie de “salvador do Norte”, mais especificamente das populações sertanejas “vítimas” da seca. No estado paraibano, o jornal A União assumiu um importante papel na divulgação dos feitos “abnegados e coroados de êxitos” do “grande Ministro do Norte”, matérias que carregavam uma representação calcada na imagem de um homem boníssimo – quase um messias – que não abandonaria as populações flageladas a própria sorte! Esse veículo de comunicação oficial do governo da Paraíba também foi o responsável direto por mostrar que as obras de açudagem e pavimentações realizadas no estado haviam sido alcançadas graças ao apoio efetivo de José Américo, deixando claro o papel secundário assumido pelo interventor Anthenor Navarro.

Com a ascensão do Dr. José Américo de Almeida ao Ministério da Viação, iniciou-se, neste Estado, uma série de serviços públicos cujos resultados se vêm fazendo uma maneira proveitosa para as nossas populações, (...) dadas as occupações que vem tendo grande parte dos flagellados nos açudes, nas rodovias e noutros trabalhos. (...) Ao senhor interventor federal, ao julgar pelas cartas e telegrammas que lhe chegam as mãos, há se atribuido a iniciativa dos referidos melhoramentos. Entretanto, é necessário reiterarmos que os devemos a iniciativa patriótica

do nosso eminente conterrâneo que occupa hoje a pasta da Viação no governo provisório. (...) Assim, os serviços de estrada e açudagem da Parayba se inauguram devido tão somente a benemerência do preclaro titular da Viação, e a sua exc. devem nessa hora endereçar os beneficiados os seus justos agradecimentos (A UNIÃO, 20/01/1931, p.1).

A partir desses acontecimentos, surgiram algumas perguntas relacionadas às construções público-privadas: 1º será realmente que os pequenos agricultores se beneficiaram verdadeiramente dos açudes construídos, muitas vezes, por eles mesmos, em terras particulares – de fazendeiros e latifundiários – no interior da Paraíba e de outros estados nordestinos? 2º Na verdade, será que não existe uma real contradição entre a posição defendida pelo jornal A União e pelo ministro José Américo em seus discursos, afirmando que havia alojamentos e empregos para os retirantes, em sua maioria agricultores, expulsos de suas terras pela estiagem e que se viram obrigados a trabalhar em regimes forçados?

Em relação à primeira questão, podemos afirmar que os açudes públicos de grandes proporções conseguiram, até certo ponto, amenizar os efeitos da estiagem nos locais onde foram construídos, pois diversas camadas da população consumiam e se beneficiavam das águas dessas barragens. A construção do açude Barra do Xandú no município de Cabaceiras é um exemplo disso, pois essa região possui os menores índices de precipitações anuais, chegando a incrível marca de 252 mm por ano, onde as médias pluviométricas registradas na região do Semi-Árido nordestino são de 400 mm/ano (DNOCS, 1982, p.17). Entretanto, não podemos nos esquecer de que cada local escolhido para essas construções tinha um propósito político específico, ou seja, quando concluídas as obras, essas barragens abasteceriam regiões e municípios densamente povoados, a exemplo de Souza, Cajazeiras, Catolé do Rocha e o próprio Barra do Xandú, que além de Cabaceiras abasteceria a região circunvizinha do município de Campina Grande. Resolvendo o problema da escassez de água na maior parte das localidades atingidas pelos efeitos da seca, o ministro José Américo estabeleceu efetivamente uma política de favores junto às oligarquias locais, além de ampliar o seu prestígio sobre milhares de pessoas que se beneficiaram das medidas adotadas pela IFOCS.

Contudo, quando analisamos a idéia de cooperação entre a IFOCS e os fazendeiros, percebemos que o acordo entre essas duas partes se tornou uma prática unilateral, pois coube a IFOCS arcar com todas as despesas para a construção dos açudes particulares, dívida essa que seria paga em suaves prestações pelos fazendeiros. Além disso, o próprio ministro afirmou que a

solução era individual; sendo assim, beneficiaria efetivamente os donos das terras onde essas barragens e açudes seriam construídos, em sua maioria remanescente das oligarquias que dominavam politicamente e economicamente as regiões onde esses açudes eram construídos. Como a IFOCS não possuía verbas suficientes para todas as construções solicitadas, foram criadas comissões técnicas para avaliar os locais onde esses açudes seriam construídos, pois era propósito da Inspetoria e do ministro José Américo facilitar:

(...) a açudagem média e pequena pelo sistema de cooperação com os Estados, Municípios e particulares: o auxílio pecuniário; o pagamento dêsse auxílio em prestações, no decurso da construção; o empréstimo de ferramentas e outros materiais para a execução dos trabalhos; além do

estudo, projeto e orçamento feitos gratuitamente (Grifos nosso).

Ficam, por outro lado, removidos todos os obstáculos que impossibilitavam ou retardavam essas obras (ALMEIDA, 1982, p.380).

O quadro abaixo traz os nomes dos açudes e barragens construídas em propriedades particulares – fazendas, latifúndios dentre outros –, ou através de acordos com as prefeituras de alguns dos estados atingidos pela seca, e inauguradas durante a gestão do ministro José Américo. Curiosamente, dos 65 açudes citados pelo ministro (ALMEIDA, 1982, p.167), apenas 42 açudes construídos em parceria com a IFOCS aparecem nos registros do relatório sobre “Barragens no Nordeste do Brasil”, segundo dados do próprio Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS, 1982, pp.145-154):

QUADRO 3 – BARRAGENS CONSTRUÍDAS EM COOPERAÇÃO COM A

IFOCS DURANTE A GESTÃO DO MINISTRO JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA