BÖLÜM II....................................................................................................................................... 16
A) Vergi Dairelerince Şüpheli Bulunan Mükelleflerin İşe Başlama Yoklaması
Apesar do crescimento verificado na cidade, o Colégio Estadual Antonio Raposo Tavares (Ceart) continuava instalado em dez salas de aula e, no período noturno, uma décima primeira improvisada na coxia do palco do prédio pertencente ao Grupo Escolar Marechal Bittencourt, que já se mostrava acanhado para a crescente demanda.
Datado de 28 de junho de 1958, encontramos o seguinte comentário: não [é] intenção da Prefeitura do Município da Capital construir as referidas dependências [laboratório de Física e Química e gabinete de História Natural] junto ao prédio ocupado provisoriamente por esse educandário, visto o estudo definitivo da construção do edifício próprio destinado ao Colégio já estar concluído e aguardando, apenas, os expedientes de praxe para a sua concretização (processo nº 62.941/51).∗
Não obstante, em 6 de junho de 1959 — quase um ano depois — o ofício nº 53/59, do diretor do Colégio, professor Onésimo de Moura Muzel, informa que "o prédio para funcionamento deste Colégio não se encontra em construção e nada existe até o momento que indique o seu início, que seja do conhecimento desta direção" (processo nº 62.941/51).
Finalmente, em 20 de junho de 1959, no ofício nº 55/59, Muzel declara à Inspetoria Seccional que tem
a grata satisfação de informar V.S. para os devidos fins que, conforme processo 19.114/58-DE, o prédio onde funciona o Colégio Estadual "Antonio Raposo Tavares" em Osasco, foi incluído no plano 1959/1960, as seguintes obras: 10 salas de aula para o Ginásio; 2 Laboratórios; 1 Sala de trabalhos Manuais; demais dependências, para instalação do Ginásio (processo nº 62.941/51).
Mas, no ofício de nº 80/59, ele observa que,
∗ As páginas finais do processo não estão numeradas. Por essa razão, os documentos são referidos por meio de sua data.
de acordo com a informação recebida da Chefia de Prédios, tomamos ciência de que foi incluída no plano de 1959/1960 a construção de 10 salas, 2 laboratórios, sala de Trabalhos Manuais e outras dependências, sem contudo se determinar o tempo previsto para a sua conclusão. Quanto ao início das obras em apreço, que serão realizadas em terreno próprio do Grupo Escolar, também nada recebemos a respeito (processo nº 62.941/51)
Por meio de um exemplar de O Bacamarte (nome da arma empunhada por Antonio Raposo Tavares no brasão da escola), "Órgão Oficial do Grêmio E. A. Raposo Tavares", de abril/maio de 1962, constatamos que a essa época o colégio ainda funcionava nas mesmas instalações do grupo escolar. Esse jornal — que, conforme matéria de capa intitulada "A volta do O Bacamarte", surgira em 1956 e publicara cinco edições até 1958 — reaparecia em cumprimento a uma das propostas da plataforma apresentada pela direção do Grêmio durante sua campanha eleitoral.
A partir da reportagem intitulada "3000 alunos poderão ser abrigados no novo prédio do Ceart", constata-se que finalmente estava em construção o prédio próprio para a escola secundária. Essa reportagem indica que o prédio deveria ser inaugurado em setembro de 1962 e ocupava uma área de 4.007 metros quadrados de construção total, com 109 metros de frente. O novo prédio, com 23 salas de aula e três salas de laboratório, quadra de jogos, pista de corrida e um pequeno salão de festas, funcionaria em três períodos, assim distribuídos: "De manhã o ginásio misto e colégio A e B e à tarde apenas o ginásio feminino, normal e primário, bem como à noite ginásio misto, colégio A e B." Da designação "colégio A e “B", deduzo que se tratava do curso colegial científico e clássico, uma vez que até então só o curso científico funcionava na instituição, pois não havia salas que comportassem o curso clássico. E, se, à época, o colégio contava com cerca de 500 alunos, no ano seguinte (1963) esse número poderia ser sextuplicado, resolvendo-se "o problema da falta de vagas no curso secundário em Osasco".
A partir do "Livro de candidatos à transferência para o estabelecimento", pode-se observar que, para o ano de 1962, havia um total de 251 alunos em lista de espera de vaga naquela escola (ou seja, cerca de 50% do total corrente
de alunos): "42 alunos para o 1º ginasial; 67 alunos para o 2º ginasial; 52 alunos para o 3º ginasial; 27 alunos para o 4º ginasial; 46 alunos para o 1º científico; 10 alunos para o 2º científico; 7 alunos para o 3º científico."
Com o funcionamento do novo prédio, em 1963, o Ceart passou a oferecer 41 classes, 16 no período diurno e 25 no noturno, assim distribuídas:
13 classes de 1a. série ginasial — 8 diurnas e 5 noturnas 09 classes de 2a. série ginasial — 4 diurnas e 5 noturnas 07 classes de 3a. série ginasial — 3 diurnas e 4 noturnas 04 classes de 4a. série ginasial — 1 diurnas e 3 noturnas 04 classes de 1a. série científico — todas noturnas 01 classes de 2a. série científico — noturno 01 classes de 3a. série científico — noturno
02 classes de 1a. série clássico — noturno ("Livro de ata de exames finais e de 2a. época").
Em chamada na primeira página de O Bacamarte nº 6, noticia-se que o diretor Onésimo de Moura Muzel debatia a Lei de Diretriz e Bases da Educação (LBD), publicada em 1961, e apresentava as mudanças decorrentes dessa nova legislação. A página com a íntegra da matéria extraviou-se, mas, pela introdução do artigo, parece tratar-se apenas de uma discussão sobre questões práticas de aplicação da lei, nesse caso específico com comentários sobre "a mudança no sistema [de avaliação] entre o ginásio antigo e o sistema atual".
Até o ano passado, a lei favorecia grandemente o aluno para sua aprovação, pois as notas mensais tinham valor reduzido computando-se apenas dois décimos de valor total. A segunda época, por exemplo, com peso cinco, possibilitava ao aluno fechar média apenas com aquele exame, pois com nota oito obtinha os quarenta pontos necessários para aprovação (jornal O Bacamarte no. 6, p 1).
A Lei nº 4.024, publicada em 1961, de maneira geral, não altera substancialmente a estrutura de ensino secundário implantado desde a Reforma Capanema; apenas estabelece a equivalência entre o cursos secundário regular e o técnico e reduz o número de disciplinas, o que permite a pluralidade de currículos em termos federais.
O jornal O Bacamarte permite ainda conhecer as diversas atividades desenvolvidas na escola, como peça de teatro escrita e apresentada pelos próprios estudantes, espetáculo de música, excursões e atividades esportivas. Traz também uma relação de aniversariantes dos meses de abril e maio, uma crônica escrita por Eduardo Rodrigues ("O homem que queria atravessar a rua") e a apresentação de um serviço de divulgação que funcionava todas as noites das 18:00h às 19:00h e no intervalo das aulas. Uma coluna de "Mexericos" e outra de "Fatos e boatos" apresentavam situações do cotidiano da escola, como a informação de que "é proibido fumar no pátio é fato... mas que a turma fuma TAMBÉM É FATO" (O Bacamarte, nº 6, p. 5, abril-maio de 1962).
O Grêmio informa que o colégio passaria a funcionar todos os domingos pela manhã, "proporcionando aos sócios horas de distração, com jogos de pingue-pongue, xadrez, dominó, dama e outros. Fará funcionar a quadra de esportes, a fanfarra e o 'Serviço de Divulgação' estará transmitindo uma ótima seleção musical" (O Bacamarte, nº 6, p. 2, abril-maio de 1962).
O jornal traz um anúncio sobre a realização de um "Baile à Caipira" promovido pela comissão de formatura dos alunos do Ceart, com a presença do conjunto musical de Roberto Ferri, em um clube local.
Pelos anúncios publicitários inseridos em duas edições (nº 6, de abril- maio de 1962, e nº 7, de abril de 1963) de O Bacamarte, percebe-se que sua publicação contava com o patrocínio do comércio local — lojas de calçados e de tecidos, bazar de miudezas e artigos escolares, bazar de confecção, loja de material esportivo, livraria, bonbonnière e padaria.
A edição seguinte, a nº 7, data de abril de 1963, quando a escola já estava instalada em seu próprio prédio, próximo ao Mercado Municipal, no centro de Osasco, e onde funcionavam 41 classes (16 no período diurno e 25 no noturno). Era uma "edição de despedida" da direção do Grêmio, pois em 15 de abril houvera eleição e a agremiação empossava nova diretoria.
Capa de O Bacamarte
Apesar desse novo prédio estar capacitado para receber 3.000 estudantes, observa-se que, em seu primeiro ano de funcionamento, apenas cerca de 1.600 alunos e alunas ali estudavam — um grupo bem participativo, pois, no resultado das eleições para a direção do Grêmio, 1.503 votantes compareceram às urnas, ou seja, cerca de 94% do corpo discente da escola.
Duas chapas concorreram ao pleito. A Unificação e Progresso (UP), encabeçada pelo Sidney Lucas de Oliveira, do 1o. Clássico e a Dobradinha, encabeçada pelo Irizon Amaral Arantes, do 1o. Científico. A segunda saiu vencedora por pequena margem de votos. Nas 16 classes do período diurno o resultado foi o seguinte: Unificação de Progresso (UP), 233 votos; Dobradinha, 381 votos; Nulos, 8 votos; Brancos 2 votos. Nas 25 classes do noturno: Unificação e progresso (UP), 445 votos; Dobradinha 384 votos; Nulos, 31 votos; Brancos, 19 votos; TOTAL GERAL: Unificação e Progresso (UP), 678 votos; Dobradinha 765 votos; Nulos, 39 votos;
vitórias contra 20 da Dobradinha e houve 1 empate em uma das classes (O
Bacamarte, nº 7, p. 3, abril de 1963).
Segundo a professora Helena Pignatari, nesses momentos de eleição do Grêmio havia muita participação, não só de alunos, como de professores que ajudavam no processo.
Nessa mesma edição de O Bacamarte, observa-se que o Grêmio mantinha estreita ligação tanto com as questões internas da escola, quanto com as questões relativas ao movimento estudantil para além dos muros do colégio. Na página 3 do periódico, publica-se a reportagem "Dois professores, cinco perguntas", na qual são entrevistados o professor de Português, Emir Macedo Nogueira, e a professora de História, Helena Pignatari Werner. Na página 5, encontra-se matéria escrita por Gabriel Roberto Figueiredo sob o título "Você sabia o que é UEO?", em que o então aluno faz uma explanação sobre o tema e convoca os colegas a participar das próximas eleições da entidade.
UEO, esta sigla tão pequena, mas de valor grandioso significa UNIÃO DOS ESTUDANTES DE OSASCO. Uma entidade que deve representar as aspirações do estudante osasquense. A finalidade da UEO é a unificação da classe estudantil em torno de um ideal comum. Ela deve ser independente. Deve em nome da classe estudantil empunhar uma bandeira de luta, cujas cores deverão ser a justiça, o direito e a verdade. Na manutenção dos princípios democráticos a UEO deve defender a livre manifestação do pensamento e tem por obrigação não criar distinções entre estudantes, seja qual for seu credo, raça, religião ou ideologia. Na luta pela defesa de seus princípios, a UEO precisa manter-se apolítica, isto é, não tomar partido político e nem defender interesses de políticos, afim de não afetar seu conceito de independência. Em defesa dos interesses fundamentais da classe estudantil a UEO tem de lutar, associando-se aos grêmios e juntos, harmoniosos, reivindicarem seus direitos às autoridades competentes e indicadas. Em síntese isto é a UEO, entidade cuja diretoria os estudantes elegerão no próximo dia 5 de maio de 1963. Como a UEO congrega estudantes de curso secundário e superior, só estes poderão votar para eleger a nova diretoria. Para ter condição de votante é necessário que o aluno apresente a caderneta escolar ou carteirinha de sócio do grêmio ao qual pertence. É um dever cívico que os estudantes de Osasco terão no próximo dia 5 de maio. Vamos comparecer em massa às urnas, demonstrando assim o poderio da nossa classe. LEMBRE-SE, COLEGA, A UEO É VOCÊ. DÊ VALOR A SI (O Bacamarte, nº 7, p. 5, abril de 1963).
Na reportagem com os dois professores da escola, a preocupação com questões relativas às relações democráticas apresenta-se a todo momento, o que confirma o alto nível de discussão política estabelecido entre estudantes e docente. Como exemplo desse debate, reproduzo a seguir duas passagens das entrevistas.
Pergunta: Como o senhor encarou as eleições do grêmio? Professor Emir: Pode parecer lugar-comum, mas o que as eleições do grêmio me sugerem é isto: um espetáculo de democracia. Tive a honra de participar dos entendimentos relativos ao tom que deveria ser imprimido à campanha. Posso testemunhar que ela foi limpa, que os adversários se respeitaram e reprimiram excessos. Por isso, creio que não houve vencedores nem vencidos, mas um grande vitorioso: a classe estudantil. [...] Pergunta: Soubemos que a senhora visitou a cidade de Recife e trouxe novidades de lá. O que nos diz? Professora Helena: Realmente, estive em Recife para ver o que se faz por lá em matéria de educação e cultura. Em Recife nunca se fala só em educação, fala-se sempre em educação e cultura, e isso é feito de forma extraordinária. A viagem a Recife foi feita com o objetivo de conhecer o mais profundamente possível o método Paulo Freire. O professor Paulo Freire é um educador pernambucano que desenvolveu um método de alfabetização pelo qual consegue alfabetizar adultos em 30 horas. — Impossível? — Eu também achei impossível, e bem por isso banquei o São Tomé e fui ver isso de perto. Realidade maravilhosa para uns e assustadora para outros. Conversei longamente com o professor Paulo Freire, vi o método, senti os resultado e estou aturdida até hoje. A vontade grande é trazer o método para São Paulo. Mas como? É sobre isso que penso noite e dia, porque não se trata só de alfabetizar, mas trata-se de dar cultura ao homem, politizar o homem, libertar o homem, conhecer, criticar, julgar sozinho porque tem condições para isso. Vi também outras coisas, como o Movimento de Cultura Popular – MCP, que está integrado num fabuloso plano de educação em Recife, mas sobre isso falarei em outra oportunidade (O Bacamarte, nº 7, p. 3, abril de 1963).
Em 1963, a professora Helena Pignatari participou de uma experiência com o método de alfabetização Paulo Freire, com cerca de 200 alunos, na região do Jardim Helena Maria – periferia de Osasco, num projeto promovido pelo Sede Sapientae, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).
CAPÍTULO II