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BÖLÜM II....................................................................................................................................... 16

B) İflas Halindeki Kurumların Ba – Bs Bildirim Formlarının Verilmesi

III- BA-BS BİLDİRİM FORMLARININ DÜZELTİLMESİ

Logo após o golpe militar de 1964, o governo municipal de Osasco sofreu intervenção, com o pretexto de acusações de corrupção e subversão. Em 26 de maio de 1964, o Exército ocupou o prédio da Prefeitura e acomodou uma metralhadora na sacada do prédio instalado na rua Primitiva Vianco, próximo à Estação Ferroviária (cf. Osasco,Secretaria de Educação e Cultura, Departamento de Cultura, Seção de Memória e Documentação do Museu Dimitri Sansoud de Lavaud, S/d, Resumo dos fatos históricos de Osasco: 1890-1983).

O prefeito e todos os 23 vereadores foram detidos no quartel de Quitaúna e, contrariando a Lei Orgânica dos Municípios, os edis foram libertados apenas para retornar à Câmara, votar a vacância do cargo de prefeito e empossar o vice-prefeito.

O engenheiro Marino Pedro Nicoletti fora eleito vice-prefeito em eleições nas quais não havia vinculação de votos entre os candidatos a prefeito e a vice. Compusera chapa com seu sogro, Antonio Menck, derrotado nas eleições. Nicoletti era funcionário do Instituto de Polícia Técnica e, "segundo suas palavras manteve-se alheio a movimentação política, até que foi chamado a assumir a prefeitura em 29/5/64" (cf. Resumo dos Fatos Históricos de Osasco 1890-1983 (Caderno de Memórias de Osasco, II.). Depois que tomou posse como prefeito, logo nomeou um "assessor especial" indicado pelo II Exército, o coronel Domingos Costa Hernandez.

Desenvolveu-se então intensa luta política entre os partidários do prefeito e do vice-prefeito, e uma grande alternância dos mesmos no poder. Marino Pedro Nicoletti governa a princípio, de maio de 1964 a janeiro de 1965. Hirant Sanazar retorna de janeiro de 65 a julho de 65 e Marino Pedro Nicoletti retorna definitivamente para governar de julho de 65 a janeiro de 1966. Certa feita, por força de um mandato de segurança, Hirant sanazar governou por apenas 24 horas. A situação era tão estranha que os funcionários e munícipes jocosamente perguntavam qual era o prefeito de plantão. A 19 de fevereiro de 1966 encerra-se o mandato da Câmara Municipal e o Dr. Marino Pedro Nicoletti é convidado a

assumir o cargo de interventor, ou seja: fazendo leis e executando-as. A partir daí até a posse do novo prefeito eleito e da nova Câmara de Vereadores, Marino governou auxiliado por um conselho composto por representantes dos clubes de serviços e entidades de classe (Osasco,Secretaria de Educação e Cultura, Departamento de Cultura, Seção de Memória e Documentação do Museu Dimitri Sansoud de Lavaud, S/d, Resumo dos fatos históricos de Osasco: 1890-1983).

Rizek (1988:95) observa que, com a perseguição às antigas lideranças, "é no movimento estudantil que a questão da redefinição do caráter dos aparelhos e entidades aparecerá em primeiro lugar em Osasco" e afirma que o movimento secundarista se rearticulou "mais rápido que o sindicato".

O jornal Primeira Hora, de 20 a 26 de outubro de 1990, em artigo pela comemoração dos "40 anos de Ceneart", afirma que, "como principal escola da cidade, [a instituição] agregava os que se dispunham a questionar a repressão".

Após o golpe militar de 1964, que fechou todas as entidades estudantis, como seu próprio grêmio e a UEO (União dos Estudantes de Osasco), as paredes do CENEART transformaram-se em trincheiras libertárias. Estudantes do CENEART construíram associações, por cursos, reconstruíram seu grêmio e lideraram a fundação do CEO (Círculo Estudantil de Osasco). Organizaram salões de artes plásticas, concursos de música, poesia e teatro, que continuaram a revelar novos artistas (CENEART faz 40 anos pensando no passado, Primeira Hora, 20 a 26 de outubro de 1990, p. 5).

As ações culturais desempenharam importante papel de mobilização junto aos movimentos sociais, não só em Osasco, como em todo o Brasil — a exemplo dos Centros Populares de Cultura (CPC), ligados à União Nacional dos Estudantes (UNE), que, tendo por base de atuação o teatro de rua, encenavam peças que tratavam dos acontecimentos do cotidiano e usavam linguagem popular para atingir o grande público, além de promover cursos, realizar filmes e documentários, exposições (gráficas e fotográficas) e festivais de cultura popular, patrocinar gravação de discos e manter publicações. O objetivo era "contribuir para o processo de transformação da realidade brasileira, principalmente através de uma arte didática de conteúdo político" (Paiva, 1973:233).

Destacaram-se, também, os Movimentos de Cultura Popular (MCP) de Recife:

A valorização das formas de expressão cultural do homem do povo e o estímulo ao desenvolvimento de sua capacidade de criação funcionava no MCP, como a própria condição de diálogo entre as intelectualidades e o povo: partia-se da arte para chegar à análise e à crítica da realidade social. A intelectualidade participante devia libertar-se de todo espírito assistencialista e filantrópico e, sem querer impor seus padrões culturais, procurar aprender com o povo através do diálogo (Paiva, 1973:237).

Havia ainda o Movimento de Educação de Base (MEB), ligado a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que,

tomando como base a idéia de que a educação "deveria ser considerada como comunicação a serviço da transformação do mundo". Esta transformação, no Brasil, era necessária e urgente, e, por isso mesmo, a educação deveria ser também um processo de conscientização que tornasse possível a transformação das mentalidades e das estruturas. A partir de então defendia-se o MEB como um movimento "engajado com o povo nesse trabalho de mudança social", comprometido com esse povo e nunca com qualquer tipo de estrutura social ou qualquer instituição que pretendesse substituir o povo” (Paiva, 1973:24).

Encontram-se outras formas de expressão cultural o período, como o Teatro de Arena e o Grupo Oficina, em São Paulo, e o Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, que encaravam o teatro como ferramenta política capaz de contribuir para a mudança da realidade brasileira.

Em Osasco, por sua vez, a juventude também se mobilizou em torno das questões culturais.

Todos lêem a crônica diária de Stanislaw Ponte Preta, sobrinho de Zulmira, a sabia macrobiótica da Boca do Mato; primo de Altamirando e Rosamundo; a família do Bom-Senso, do Senso Cínico, da lógica do cotidiano. Lalau, como podem chamar-lhe os íntimos, pessoas de bom senso, erigiu-se em monumental consciência crítica da ordem vigente, capaz de desvesti-la das aparências, desmitificá-la, desmoralizá-la, apenas com as armas do senso comum, utilizado com uma percepção aguda e um humor irresistível. O regime é, antes de tudo, ridículo, diz a pena na sua luta contra a espada. E os estudantes, principalmente, crescem com Lalau, identificam-se, se representam através dele. E também Carlos Heitor Cony, a partir de "O Ato e o Fato". Mais ainda, Drummond, Manuel

Bandeira, Boal, Guarnieri, os trabalhadores da música, Elis Regina. A cultura parece aos jovens revestir-se de uma inquebrantável dignidade, pela qual se superam, se apequenam, se desimportam as tiranias maiores. [...] Mais que nunca é preciso contar, criar, reproduzir. Eurenides, Jesse, que queria ser "gangster", Paulo Sérgio Machado, o que gostava de olhar as calcinhas das meninas no recreio, produzem e publicam "O Bacamarte", jornal da escola. Bira escreve; Dudu prefere o teatro; Marson e Afrânio compõem. E surgem textos lidos nos bares, passados de mão em mão, depois guardados. Encenam-se peças, shows, festivais de música. Há a questão do talento, da vocação, mas o ambiente respalda, mostra receptividade, participa. Agir na cultura e transformar a estrutura dos valores; é de certo modo, como estar vivo (Miranda, 1987:135).

Com o golpe militar e a intervenção nas entidades representativas dos trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco enfrenta uma crise de representatividade e legitimidade e passa a ter "apenas uma vida vegetativa, funcionando como órgão assistencial". A maior expressão no movimento operário local era a comissão de fábrica que atuava no interior da Cobrasma — empresa da qual grande parte dos funcionários, além de operários, são estudantes do período noturno do agora Ceneart, pois, com a instalação do Curso Normal, em 1965, passou a denominar-se Colégio Escola Normal Estadual Antonio Raposo Tavares.

A comissão de fábrica da Cobrasma, nascida a partir de diretrizes propostas pela Frente Nacional do Trabalho (FNT), fora aceita pelos dirigentes da empresa, os quais, antes do golpe militar, acreditavam que seria mais fácil negociar com um grupo de empregados do que com as delegações de um sindicato controlado pelo PCB. O que mais tarde se revelou o contrário, pois permitiu uma forma de organização interna dos trabalhadores totalmente nova para a realidade local. A partir dessa concessão, foi possível que a organização operária se consolidasse "pela base", o que permitiu o desenvolvimento de um movimento operário de características específicas. Essa estrutura organizacional do operariado de Osasco foi fundamental no processo que culminou com a greve da Cobrasma, em 1968.

Como o sindicato estava sob intervenção e muitos dos operários eram também estudantes, tornou-se natural que as discussões sobre questões

operárias se confundissem com as discussões estudantis e ocorressem nas dependências da entidade estudantil que marcava sua resistência ao golpe, ou seja, o Círculo Estudantil de Osasco (CEO). Tanto que, a nortear a elaboração do programa proposto pela Chapa Verde que venceu as eleições para a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, em 1967, e voltou a dar a este características de resistência estava "a preservação da unidade que vinha sendo construída tanto na Cobrasma como no movimento secundarista", como enfatiza Rizek (1988:116).

Em novembro de 1967, a significativa participação secundarista num evento promovido contra o arrocho salarial chegou a gerar polêmica entre os Sindicatos dos Metalúrgicos de São Paulo e de Osasco, quando José Ibrahim, recém-saído do Ceneart, era presidente da entidade osasquense e, tanto na comissão de fábrica da Cobrasma, como no próprio Sindicato, destacam-se nomes vinculados às lutas promovidas pelo CEO, entidade estudantil que resistia na cidade.

No contexto local, o movimento dos estudantes secundaristas

acabou por se constituir uma escola de militância e de prática política. Os trabalhadores-estudantes alimentaram também, de forma compatível com a conjuntura mais geral do seu movimento, uma outra visão de suas entidades representativas, visão essa que supunha, como forma de viabilizá-las, sua manutenção na clandestinidade desde a proibição de seus antigos canais de representação e defesa. É necessário que se recorde que são estes mesmos estudantes-operários que se integram ao movimento dos trabalhadores da Cobrasma tentando mudar o caráter da Comissão, e que em função desse processo posteriormente integram-se na direção do sindicato (Rizek, 1988:126). É importante lembrar que toda essa mobilização política também foi possível porque, nas eleições municipais de 15 de novembro de 1966, elegeu- se prefeito o ex-líder estudantil do movimento emancipacionista, Antonio Guaçu Dinaer Piteri, do MDB. Guaçu Piteri, como era conhecido, assumiu a Prefeitura como opositor do regime militar e contou com o apoio expressivo do movimento estudantil secundarista e do movimento operário local (Osasco,Secretaria de Educação e Cultura, Departamento de Cultura, Seção de Memória e

Documentação do Museu Dimitri Sansoud de Lavaud, S/d, Resumo dos fatos históricos de Osasco: 1890-1983).

Além de Piteri, vários vereadores foram eleitos com o apoio dessas forças. Seu vice, João Gilberto Port, como vimos, iniciara sua trajetória política à frente do grêmio estudantil do Ceneart. Essa tendência persistiria até as eleições para prefeito de 1969, quando foi eleito, também pelo MDB, o professor José Liberatti.

O número de habitantes no município de Osasco mais do que dobrou durante a década de 60, passando de 114.828, em 1960, para 283.073, em 1970 (Sumário de dados do município de Osasco. 1984. Escritório de Planejamento Integral de Osasco (EPO). Autarquia Municipal. p. 46). O antigo bairro transformava-se em grande cidade.

O Ceneart também cresceu grandemente nesse período, tanto que em 1967, de acordo com o "Livro de entrega das notas e faltas bimestrais" da instituição escolar, ali funcionavam 64 classes, em seus três períodos (não incluídas as classes do curso primário que funcionavam na escola): 10 classes de 1ª série ginasial; 12 classes de 2ª série do curso ginasial; 12 classes de 3ª série do ginasial; oito classes de 4ª série do ginasial; quatro classes de 1ª série do curso científico; três classes de 2ª série do científico; duas classes de 3ª série do científico; duas classes de 1ª série do curso clássico; duas classes de 2ª série do clássico; duas classes de 3ª série do clássico; duas classes de 1ª série do curso normal; três classes de 2ª série do normal; duas classes de 3ª série do normal.

E em 1968 já contava com 4.366 alunos (cf. CENEART faz 40 anos pensando no passado, Primeira Hora, 20 a 26 de outubro de 1990, p. 5), apesar do número de escolas secundárias também ter crescido na cidade. Mesmo assim, no "Livro de candidatos à transferência para o estabelecimento" da instituição, computamos 306 inscritos em 1967, 561 em 1968 e 669 em 1969.

Em Osasco, aquela década ficou marcada pelos elos que uniram o movimento operário e movimento estudantil marcadamente secundarista e suas peculiaridades — de forma tão íntima que, em alguns momentos, "mal se

pode afirmar que os dois movimentos são externos um ao outro, tal é o grau de imbricações e coincidências de atores" (Rizek, 1988:128).