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Hal Komisyoncularının Ba-Bs Bildirim Formu Verme Yükümlülüğü

BÖLÜM II....................................................................................................................................... 16

D) Hal Komisyoncularının Ba-Bs Bildirim Formu Verme Yükümlülüğü

a Prefeitura e a Câmara de Vereadores

Durante o período das lutas emancipacionistas, na década de 50, ocorreu vertiginoso crescimento industrial e populacional no bairro. A instalação de novas industrias, além das já estabelecidas na localidade, atraiu um contingente cada vez maior de migrantes para a região.

As principais empresas que lá chegaram naquele período, segundo dados da Secretaria de Planejamento da Prefeitura Municipal de Osasco, foram: em 1951, Adamas do Brasil, Lonaflex e Rilsan Brasileira; em 1952, Benzenex Cia. Brasileira de Inseticidas; em 1954, Induselet S/A Ind de Materiais Elétricos Charleroi e Industria Alves e Reis; em 1955, Osram do Brasil; em 1957, Brown Boveri Materiais Elétricos; em 1959, Ford Motor do Brasil; em 1960, White Martins; em 1961, Resisthal e Cersa Colas e Resinas.

Segundo Fontes (2002:55), esse crescimento foi um fenômeno em toda a Região Metropolitana de São Paulo, que "nos anos 50 foi palco de um acelerado e diversificado processo de industrialização e urbanização". O mesmo autor acrescenta:

A região foi a principal responsável pela elevada taxa de crescimento industrial do país. Entre 1945 e 1960, o setor secundário cresceu em média 9,5% ao ano, constituindo-se um dos mais acentuados processos de industrialização no período em todo o mundo. Em 1959, quase 50% de todo o emprego fabril do país estava concentrado no estado de São Paulo. Adicionalmente, o crescimento industrial paulista estimulou uma grande expansão do setor de serviços na região, ampliando ainda mais a oferta de empregos e possíveis oportunidades (Fontes, 2002:55).

Esse crescimento atraiu inúmeros trabalhadores nordestinos, mineiros, paranaenses e do interior de São Paulo, pois, "além dos salários, a expectativa de receber os direitos trabalhistas, ausentes nas relações de trabalho na zona rural, foi outro fator considerado importante pelos imigrantes" (Fontes,

2002:56); ademais, contariam com todos os atrativos decorrentes da infra- estrutura urbana, como educação e saúde.

O autor amplia a descrição desse processo:

Em resumo, a situação de miséria no campo, a concentração fundiária e o avanço do latifúndio sobre as terras dos pequenos proprietários, assim como as alterações das relações de trabalho, o alto índice de crescimento demográfico nordestino e as periódicas secas seriam alguns dos fatores que imporiam a migração como última saída ao trabalho rural. {Os migrantes], por sua vez, atraído pelos empregos e maiores rendimentos da vida urbana, pela possibilidade de acesso aos direitos sociais e trabalhistas negados no campo, bem como pela maior oferta de educação e saúde, tornariam-se proletários, preenchendo, dessa forma, a demanda por mão-de-obra do processo de industrialização (Fontes, 2002:65). Esse contingente de trabalhadores vinha em busca de uma vida mais digna, pois seus integrantes acreditavam que a vida em São Paulo seria mais fácil em comparação com as condições de vida que levavam. Mas as condições reais eram outras.

Além da quase inexistente experiência industrial, a geração de migrantes do pós- guerra possuía índices bastante baixos de educação formal. Refletindo a extrema debilidade do sistema educacional brasileiro no período, particularmente nas regiões rurais, eram significativamente altas as taxas de analfabetismo entre os migrantes nordestinos. Um levantamento de 1962 apontava um índice de mais de 60% de analfabetos dentre os trabalhadores daquela região que se transferiam para São Paulo [...] Para além das dificuldades intrínsecas a um mercado de trabalho que passava por intensas transformações, os migrantes nordestinos defrontaram-se, em sua busca por emprego, com explicitas demonstrações de preconceito e exclusão (Fontes, 2002:79-82).

A discriminação apontada por Fontes fica evidente em dois trechos do livro Osasco: sua história, sua gente, escrito por Hirant Sanazar, osasquense descendente de armênios que ocupou o cargo de primeiro prefeito da cidade. Quando apresenta a imigração européia, Sanazar faz a seguinte descrição, que apesar de longa, vale pelo conteúdo.

Os portugueses [eram] preferentemente comerciantes de bares, empórios e panificadoras e sempre prosperaram em razão de seus costumes regrados e

literato da língua portuguesa, escritos no clássico "Os Lusíadas", de Luiz Vaz de Camões, em cujo intróito exclama epicamente: "As armas e os barões assinalados, que da ocidental praia lusitana..., em perigos e guerras esforçados mais do que prometia a força humana, e entre gente remota edificaram Novo Mundo, que tanto sublimaram". De verdade, em Osasco, como em todas as searas, eles ajudaram a levantar uma grandiosa Comunidade e a encantam sempre com sua lealdade de conduta e seriedade de propósitos. Em São Paulo predominaram os italianos, embarcados em Gênova, na Lombardia e na Calábria e aqui em Osasco se multiplicaram na área central, e jamais deixaram de cooperar com o seu desenvolvimento, enquanto seus descendentes continuam a obra primordial dos fundadores da Vila. [...] Mas como são economizadores por hábito e zelosos trabalhadores, acabaram prosperando vertiginosamente e se tornaram capitães de Industria na Capital de São Paulo. Os armênios, de modo muito arrojado, se agruparam na Várzea de Presidente Altino loteada pela Cia. Cerâmica Industrial, e, simultaneamente às construções de seus próprios lares, edificaram sua Igreja Apostólica São João Batista e a sua Escola, de nome Externato José Bonifácio. Desde logo, incrementaram o Escotismo, o esporte e os corais musicais, e seu espírito coletivista esteve ligado à saudosa Pátria [...] Tem sido admirável a integração dos armênios no seio da coletividade osasquense, com visível miscigenação, de forma tal que, nos tempos atuais, desponta uma robusta e generosa Sociedade armeno-brasileira e seus descendentes ocupam as mais expressivas missões nas áreas da economia, comércio, ciências sociais, jurídicas e vida pública. Os eslavos, como russos, poloneses e búlgaros, lituanos também igualmente levantaram suas igrejas, haja vista a Batista de Presidente Altino e a Ortodoxa do Jardim Agu. A maioria destes imigrantes se engajou no então Frigorífico Wilson, de preferência nas suas câmaras frias, cujo rigor de temperatura eles suportavam com naturalidade, além de outras empresas da época. Os espanhóis não se ativeram especificamente a uma profissão, mas são hábeis comerciantes e se integraram com aquele espírito alegre e envolvente, talvez motivados pelos ideais do romantismo dos cavaleiros andantes, que ricamente se lê do Dom Quixote de la Mancha, de Miguel Cervantes de Saavedra. Os japoneses, seja como feirantes e ativos mercadores de produtos utilizados no dia-a-dia, sempre se revelaram progressistas e serenos de comportamento. Trabalham em silencio, traduzindo muito respeito e sentimento interior. É inegável a contribuição permanente dos imigrantes dos continentes europeu e asiático, que transferiram aos seus descendentes a tarefa progressista pelo bem geral, em retribuição ao hospitaleiro acolhimento que receberam do governo, do povo e das leis liberais do Brasil (Sanazar, s/d:44-47).

Ao se referir aos migrantes brasileiros, o texto é bem menos elogioso. Aqui chegaram embarcados nos toscos e humilhantes "paus-de-arara", caminhões cobertos de lona, apinhados de adultos e crianças desnutridos, pálidos, de rostos e mãos esturricados pelo sol e o pó das intermináveis estradas. Era uma longa e homérica travessia destes brasis infindos. Apresentavam-se esfalfados pela miséria, o desemprego, a doença, com olhares vazios projetados para o imenso "nada", comendo e bebendo aqui e acolá em condições desumanas e incrivelmente agressivas para com a sua dignidade. Eram os flagelados da vida nômade, injusta e agreste. Seu destino? A grande a avassaladora Capital do maior Estado do País, São Paulo e suas cidades satélites, notadamente Osasco, e mais precisamente Presidente Altino, Rochdale, Helena Maria, Munhoz, Baronesa, Santo Antonio, Roberto, Veloso, D’Avila e outros (Sanazar, s/d:64-65).

Pela forma enobrecedora como este autor se refere ao europeu e pela maneira piedosa como descreve o migrante, fica patente a representação preconceituosa que pairava sobre as relações sociais vigentes em Osasco no momento da sua emancipação.

O relato de Sanazar mostra ainda como se dava a ocupação física da cidade. Confirma que, na região central, com maior infra-estrutura urbana e de ocupação mais remota, estavam instalados os descendentes dos primeiros imigrantes, vindos do exterior; enquanto isso, ao migrante brasileiro restava a ocupação mais periférica, onde proliferavam bairros precários como Rochdale, Jardim Helena Maria, Jardim Munhoz, Jardim Baronesa, Jardim Santo Antonio, Jardim Veloso, Jardim Roberto, Jardim D’Avila, Vila Ayrosa, Vila dos Remédios, etc.

O antigo subúrbio cresceu graças a ligação ônibus-trem, e uma série de fatores alterou a estrutura da cidade.

O processo de crescimento demográfico de Osasco nunca foi tão intensificado como no início dos anos 60, registrando-se nos primeiros 4 anos da década, uma taxa de incremento anual de 10,8% contra 5,7% para o município de São Paulo. Isto significa que a população aumentou aproximadamente 22.250 pessoas ao ano. Assim, se em 1960 a população era de 114.000 pessoas, em 1964 esta cifra se eleva para aproximadamente 205.000. Osasco, apesar da emancipação que ocorre apenas na dimensão político-administrativa, estava estreitamente vinculada a São Paulo. O novo município se compunha de um conjunto de bairros desarticulados entre si que mantinham com os bairros paulistanos relações de

dependência mais estreita do que com o seu próprio centro. Evidentemente, este crescimento demográfico é um forte índice de que o antigo subúrbio ganhava rapidamente uma nova função: a de cidade-dormitório. O que permite explicar este novo caráter é menos um aumento quantitativo do parque industrial, e por conseqüência da oferta de empregos, e mais a disponibilidade de terrenos a preços acessíveis, o que permitia a muitas famílias de trabalhadores concretizar um projeto cada vez mais arraigado em suas aspirações: instalar-se em casa própria (Rizek, 1988:40).

Outro elemento que reforça esses dados é a constatação de que, entre 1962 e 1965, enquanto os empregos aumentam 1.000 por ano, a população local cresce a uma cifra de 15.000 habitantes, o que altera de maneira notável o espaço urbano em Osasco.

Alguns eixos comerciais do centro do município constituem uma oferta de consumo típica dos bairros da periferia: vestuário, alimentos, materiais de construção. Do ponto de vista da moradia, Osasco já era um mar de casas autoconstruídas, onde se destacam a precariedade e a instabilidade que permeavam as condições de vida da população (Rizek, 1988:42).

Foi nessa configuração física e social que, em 4 de fevereiro de 1962, ocorreram as primeiras eleições municipais. Para este efeito, atuavam no recém-criado município nada menos de 11 agremiações políticas: o Partido Democrata Cristão (PDC), o Partido Liberal (PL), o Partido Republicano (PR), o Partido de Representação Popular (PRP), o Partido Rural Trabalhista (PRT), o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Partido Social Democrático (PSD), o Partido Social Progressista (PSP), o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido Trabalhista Nacional (PTN) e a União Democrática Nacional (UDN). Poe essas siglas quatro candidatos competiam pelo cargo de prefeito (Antonio Menck, pelo PDC, Fuad Auada pelo PSP, Hirant Sanazar pelo PRT e Nicolau Atra pelo PTB) e quatro para o de vice-prefeito (Albertino de Souza Oliva pelo PSD, João de Oliveira,∗ Marino Pedro Nicoletti pela coligação PTN-PDC-UDN e Roberto Pignatari pelo PTB).

Para essas eleições, conforme Reinaldo de Oliveira:

AUTONOMISTAS NÃO POSTULAVAM CARGOS POLÍTICOS: Havia um compromisso entre nós [emancipadores] no qual acordávamos que não iríamos postular cargos políticos. Nenhum de nós nos candidataríamos, mas apoiaríamos como candidato a prefeito o Menck. E ele aceitou financiar a campanha, pois era, na época, o homem mais rico de Osasco ("A emancipação vista pelos seus organizadores", Osasco, Secretaria de Educação e Cultura. Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, s/d, Movimentos sociais e políticos, documento fotocopiado). Além de Menck, candidato natural dos autonomistas e representante de Jânio Quadros na política local, figuravam na disputa Auada, liderança política de Adhemar de Barros em Osasco, e o advogado descendente de armênios Sanazar, que já ocupava uma cadeira de vereador na Câmara de São Paulo, onde representava pelo antigo bairro de Osasco.

Ao final do pleito, Sanazar se elegeu, tendo como vice o engenheiro Nicoletti. As bancadas da Câmara Municipal de Osasco, integrada por 23 vereadores, ficaram assim constituídas: PDC, seis vereadores; PR, dois; PRT, três; PSB, dois; PSD, três; PTN, quatro; e UDN, três.

Segundo o jornalista Antonio Júlio Baltazar, em sua coluna do jornal Correio Paulista, de 17 de setembro de 2004, "todos apostavam suas fichas nos candidatos Auada e Menck. O jovem Hirant era, na época, o que se poderia chamar de 'grande zebra'". Mas, segundo a professora Helena Pignatari, aquele resultado teve uma razão:

— O Hirant ganhou porque tinha mais traquejo político. Ele tinha sido vereador em São Paulo, então ele conhecia os meandros todos. Na eleição, ele já sabia como fazer uma campanha e os outros todos [eram] neófitos (Helena Pignatari Werner, entrevista à autora em 19/5/2004).