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Sehven Kanuni Süresinden Sonra Seçilerek Verilen Beyannameler

BÖLÜM II....................................................................................................................................... 16

C) Zorunluluk Kapsamındaki Beyannamelerin Kendiliğinden ve Pişmanlık Talepli Olarak Elektronik

3. Sehven Kanuni Süresinden Sonra Seçilerek Verilen Beyannameler

o segundo plebiscito, os sujeitos, a escola e o movimento

A 7 de dezembro de 1957, transcorridos quase quatro anos da vitória do "não" no plebiscito de 1953, reiniciaram-se os trabalhos da Comissão Promovedora da Autonomia de Osasco. De acordo com a Lei nº 2.081/52, consultas públicas sob forma de plebiscito para emancipação de municípios só podiam ser feitas a cada cinco anos, para que o mandato dos novos prefeitos das cidades emancipadas coincidisse com o mandato dos demais prefeitos eleitos. Na reunião daquela data, registrada em ata, lembraram-se as "diferentes falhas involuntárias que a experiência" do plebiscito anterior mostrou e determinou-se que, como quatro anos antes, a Sociedade Amigos do Distrito de Osasco (Sado) ficava encarregada de organizar e encaminhar à Assembléia Legislativa a documentação necessária para que novo plebiscito ocorresse em 1958.

Essa primeira ata exibe 85 signatários, demonstração de que, diferentemente do sucedido em 1953, havia um grupo mais organizado à frente dos trabalhos relativos à luta pela autonomia osasquense. Cabe destacar que agora havia componentes específicos da década de 50, os quais fortaleciam a idéia de manter na localidade os impostos recolhidos pelas empresas e pelos moradores locais: novas e importantes empresas haviam chegado ao bairro, além da instalação da Cidade de Deus, sede do Banco Brasileiro de Descontos (Bradesco), em 1953. Afora essas mudanças, nesse período presenciaram-se novas formas de inserção urbana da classe operária e novas práticas políticas específicas do período populista — mas é inegável que foram sobretudo os setores médios locais que se interessaram pela autonomia municipal, e a "sua capacidade de envolver os setores assalariados e operários foi muito variável ao longo do tempo" (Rizek, 1988:22).

deveriam se organizar para defender seus interesses como cidadãos, já que seus impostos ajudavam a construir "a fortaleza", isto é, a Prefeitura de São Paulo, o que, segundo Rizek (Rizek, 1988:23), configurava a idéia marcante de oposição "centro" versus "periferia". Note-se que, muito antes da retomada oficial da luta pelos emancipadores, as manifestações em favor da autonomia já ocorriam, organizadas pela Sociedade Amigos de Vila Yara (bairro do subdistrito), a qual, já em 1956, promovia comícios "visando recolocar a idéia da autonomia" (Moisés. 1978:319).

Nesta nova campanha, de 1958, verificamos que, se muitas das lideranças autonomistas se mantêm, como Reinaldo de Oliveira (dentista), Antonio Menck (negociante), Nelson Soares de Freitas (jornalista), Walter Negrelli (engenheiro), novos atores entram em cena: Albertino de Souza Oliva, advogado trabalhista e um dos fundadores da Frente Nacional do Trabalho, vários comerciantes, alguns altos postos de direção de empresas e alguns trabalhadores (Moisés. 1978: 320).

Gabriel Figueiredo, em entrevista à autora, observa que seria um "reducionismo vulgar colocá-los [os trabalhadores], todos, num mesmo saco e considerá-los massa de manobra da burguesia". Esse ex-aluno do Ceart, ex- membro do Partido Comunista Brasileiro e ativista dos movimentos estudantil e operário, argumenta que, embora o PCB não tivesse "empunhado com ardor a bandeira dos emancipacionistas", em momento algum impedira que seus militantes participassem desse "movimento da sociedade civil, liderado por conhecidas figuras da burguesia", que, por outro lado, contava com a participação de sindicalistas, metalúrgicos, ferroviários, comerciários e bancários.

A retomada do movimento teve bases mais populares que as ações de 1953. Buscou-se apoio em setores assalariados e operários da população.

Nesta diretriz, um novo jornal — A Vanguarda — mudará o tom que marcava a campanha no início da década, adquirindo uma linguagem mais popular e agressiva. Entretanto, o levantamento das reivindicações nos bairros e os comícios em trens de subúrbio eram, fundamentalmente, formas de propagandear o movimento, não de organizar a população. Ou seja, as lideranças da campanha autonomista não se propunham criar laços mais orgânicos com os setores de

baixa renda e com os trabalhadores de quem esperavam apenas um apoio suficientemente genérico para que o processo continuasse sob o controle de quem sempre estivera: os setores médios locais (Rizek, 1988:29).

Ao mesmo tempo em que o "sim" retoma sua luta, o grupo defensor do "não" também se organiza. Entre seus líderes, encontramos Lacides Prado, ligado ao grupo de Adhemar de Barros, dono do único cartório existente na localidade e que, segundo as entrevistas concedidas à autora por Werner e Port, o fazia muito mais por temer a concorrência nos negócios, que poderia acontecer com a instalação do município, do que por convicções políticas.

Um dos fortes argumentos utilizados pelo grupo do "não" era o fato de que o Matadouro de Carapicuíba, pertencente à Prefeitura de São Paulo e que ficava na divisa de Osasco com Carapicuíba, demitiria todos os seus funcionários com o evento da emancipação, já que, por lei, estes não poderiam residir fora do município de São Paulo. Também cessariam os serviços de transporte s da CMTC e sobreviria a desvalorização imobiliária.

Os opositores da autonomia trabalha[va]m o velho argumento segundo o qual, com o desmembramento, Osasco deixaria de fazer parte da região administrativa da capital de São Paulo para fins da determinação dos níveis de aumento do salário mínimo. Naturalmente, este era um argumento de peso para uma comunidade formada de população majoritariamente trabalhadora, especialmente se se tiver em conta o fato de que parte substancial da classe operária de Osasco era composta de trabalhadores não-qualificados que estavam situados nas faixas inferiores de renda (Moisés, 1978:322).

Não se pode esquecer, ademais, que o movimento pelo "não" tinha a vantagem de se beneficiar do aparato administrativo da Prefeitura paulistana.

Na véspera do plebiscito, tentando influir diretamente nos resultados da votação a ser realizada dois dias mais tarde, a Prefeitura de São Paulo divulga uma nota ameaçadora do prefeito Adhemar de Barros, enumerando os problemas que surgiriam caso a população de Osasco e dos outros distritos decidissem pelo SIM: 1.

área administrativa da Capital, sob pena de perda de cargo. Desta forma, 5 mil pessoas que servem na área do matadouro de Carapicuíba estão ameaçadas de ficarem desempregadas, e entre elas há grande número que são moradores de Osasco; 2. Com a separação, cessará o serviço de ônibus da CMTC na linha capital-Osasco, já que por força de lei municipal, essa companhia não pode atingir áreas situadas fora do município de São Paulo; 3. Os impostos sofrerão majoração, pois com a nomeação em massa de novos servidores públicos para o futuro município, os encargos de instalação de novos prédios e instalações onde funcionaria a prefeitura exigirá arrecadar mais recursos, suficientes para todas essas medidas; 4. Ocorreria uma desvalorização geral dos imóveis no futuro município, que passaria a ser considerado interior; 5. Cairiam os níveis do salário mínimo, pois Osasco seria incluída entre as cidades do interior do estado (Moisés, 1978:325-326).

Enquanto isso, a Comissão Promovedora da Autonomia de Osasco esforçava-se para esclarecer a população sobre os benefícios na instalação do município. Argumentava-se que os impostos arrecadados em Osasco não mais iriam para os cofres da capital, para depois apenas pequena parcela desses recursos serem investidos em Osasco; que a comunidade passaria a gozar da instalação de coletorias, delegacias, postos de saúde, cartórios, prontos- socorros, além de se poder promover a ampliação da iluminação, buscar empréstimos federais para saneamento básico, requerer instalação de posto do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários (Iapi), etc. Alegava-se que, com a instalação da Prefeitura, seus titulares estariam mais próximos da população, a qual poderia lembrá-los de suas promessas de campanha, e que estes governantes sairiam da própria comunidade, promovendo, portanto, a representação dos diversos bairros e vilas nas esferas das decisões políticas e evitando os desvios das verbas ali arrecadadas. Com esse discurso, a elite local justificava a criação de um espaço político próprio.

Segundo a professora Helena Pignatari, essa campanha foi muito mais consciente que a campanha de 1953, e a discussão em torno das vantagens

do "sim" foi levada com muito mais clareza, até porque se pode contar com recursos financeiros que não existiram no primeiro plebiscito.

— O processo de emancipação só foi adiante quando o Reinaldo convenceu o velho Menck a apoiar, e ele apoiou e financiou. Então, não tinham mais problemas com advogados, viajar para o Rio de Janeiro, pagar aquela papelada toda que tinha de ingressos de "coisarada" lá. A parte econômica foi resolvida com a entrada do Menck, e ficou muito mais fácil, daí pra frente (Helena Pignatari Werner, entrevista concedida à autora em 19/5/2004).

A campanha pelo "sim" teve grande penetração nos meios estudantis e efetivamente esteve presente nas discussões que ocorriam no interior da escola. João Gilberto Port, como ex-presidente do Grêmio Estudantil, depõe:

— Eu me lembro perfeitamente quando me convidaram e eu, de pronto, me propus a movimentar a classe estudantil em torno do movimento autonomista. Passamos, então, a participar das reuniões e o grupo foi crescendo [...] a participação da juventude estudantil na vitória da emancipação foi muito significativa. E nós tivemos o condão de termos atrás de nós como conselheiros [os professores] Emir Macedo e Helena Pignatari, que realmente deram aquele embalo pra juventude (João Gilberto Port, entrevista concedida à autora em 8/7/2004).

Esse relato confirma que, além dos estudantes, a campanha do "sim" beneficiava-se da militância de docentes, como o professor Emir Macedo (de Português), Helena Pignatari (de História), além de Fortunato Antiório (de Matemática), pois a professora Pignatari disse fazer campanha "na escola, na rua, em casa, com a empregada, com o jardineiro, com todo mundo, pra explicar o que seria [a autonomia]" e dizia aos alunos:

— "Olha, minha gente, a luta pela emancipação significa isso, aquilo e aquele outro". Um dos argumentos que eu defendi o tempo todo era o fato de que muita gente de Osasco saía pra trabalhar em São Paulo. Então, essa viagem diária, ida e volta, tal e coisa. Eu dizia: "se

nós formos independentes, os empregos vão aparecer aqui no município. Aqui surgirão os empregos, realmente, certo? Vai ter Câmara — essa Câmara não vai precisar de gente pra datilografar? A parte administrativa: você não vai ter o Secretário de Saúde? Os médicos, os enfermeiros da cidade, vão pra onde? Vão pra cá." Então, ia explicando que cada uma dessas secretarias iria absorver mão-de-obra de Osasco, e nós teríamos empregos dentro da cidade. Esse era um argumento fortíssimo (Helena Pignatari Werner, entrevista concedida à autora em 19/5/2004).

A professora ainda acrescenta:

— Havia um grupo de alunos, militantes, fazendo passeata. Por exemplo: comício do "não" no Largo, na praça de Osasco. Um grupo de alunos resolve bagunçar e eu falei: "Bagunçar não pode, o que vocês podem é fazer uma passeata." "Ah, mas nós queremos cortar a Praça inteirinha de ponta a ponta." Eu falei: "Então, vão fazer a passeata, e, quando chegar ali, a turma toda atravessa, cantando o hino nacional, e vai embora. Não pode bagunçar, não pode sair da linha, não pode sair." (Helena Pignatari Werner, entrevista concedida à autora em 19/5/2004). A escola secundária era muito dinâmica. O Ceart costumava abrir "suas portas para atividades culturais e recreativas. Era comum também a formação de grupos de estudos de fins de semana, sobretudo para os alunos do noturno que precisavam colocar as matérias em dia, pois não tinham tempo durante a semana" (Gabriel Roberto Figueiredo, depoimento escrito concedido à autora em 7/9/2005). Segundo Eduardo Rodrigues, os professores do Ceart influenciaram a sua geração e assim foram descritos por Figueiredo quando perguntado sobre o papel destes na sua formação: "Dentre vários, vou citar três pela influência maior: Josué Augusto da Silva Leite (História); Helena Pignatari Werner (História) e Emir Macedo Nogueira (Português), cujo relacionamento com os alunos foi descrito como “cordial, solidário, de camaradagem". Essa relação fica patente no relato da professora Helena Pignatari, quando ela afirma que os alunos costumavam freqüentar a sua casa

e que chegou a passar "as férias de janeiro e fevereiro ensaiando peça de teatro com alunos".

— Era sábado e domingo com os alunos. As férias inteiras. Não se perdia contato, entende? No primeiro dia de aula, a inauguração. Era peça, não é? Muitas peças — algumas sérias, que os alunos bagunçaram e virou comédia em vez de tragédia, mas era essa a ligação entre eles, a idéia de teatro, de autores. Tudo isso (Helena Pignatari Werner, entrevista concedida à autora em 19/5/2004).

Helena Pignatari acrescenta que, nessa relação, ela e outros professores da escola chegaram a ser padrinhos de casamento em vários matrimônios que ocorreram entre alunos e alunas do colégio.

— Nós conhecíamos todos os alunos pelo nome. Nós sabíamos dos namoricos e, como sabíamos dos namoros, nós sabíamos também das brigas — que as alunas vinham, às vezes, chorando porque brigavam com os namorados, brigavam umas com as outras. Nós sabíamos tudo, eles contavam tudo para a gente; eles sabiam que não tinha nenhum professor dedo-duro, que ninguém ia dar bronca, pelo contrário, iam tentar entender a situação (Helena Pignatari Werner, entrevista concedida à autora em 19/5/2004).

Sobre os textos que eram lidos, Figueiredo informa:

— Machado de Assis era fundamento. Depois vinha Graciliano Ramos, Gonçalves Dias, Olavo Bilac, José de Alencar e outros. Dentre os portugueses, Fernando Pessoa e padre Antonio Vieira marcaram forte presença. Na literatura internacional clássica pelo menos três obras são inesquecíveis: Os miseráveis, de Victor Hugo, Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski, e Cândido, de Voltaire. Não constituíam leitura obrigatória, mas foram estimuladas no científico. Para mim, particularmente, que tive o privilégio de ingressar ainda jovem, aos 15 anos, no PCB, acabei sendo contemplado com leituras complementares de Marx, Engels, Lênin, Goethe, Nietzsche, Gramsci, Sartre... Lembro-

me que uma semana antes de prestar vestibular para a Faculdade de Medicina, suspendi todos os meus estudos de Física, Química, Matemática, Biologia, Português e outras matérias para ler, intensamente, Assim falava Zaratustra (Gabriel Roberto Figueiredo, depoimento escrito concedido à autora em 7/9/2005).

Reforçando essa conscientização empreendida na escola, transcrevemos mais um trecho do depoimento da professora Helena Pignatari:

— Porque o aluno que vai votar... Uma das coisas, sérias, que eles aprenderam dentro do Ceart era o voto. Isso não era na cadeira de História, todas as cadeiras explicavam que, especialmente quando chegava perto de eleição, conscientizar que o voto era uma coisa muito séria. Não se falava em arma ainda, né? Que o voto era uma arma. Mas que era muito sério, que tinha que pensar, que tinha que conhecer o candidato que tal e coisa. Então eu acredito que muito aluno votou com muita consciência no "sim" (Helena Pignatari Werner, entrevista concedida à autora em 19/5/2004).

Às vésperas do plebiscito, os dirigentes do movimento emancipacionista desdobram-se na ofensiva para obter a maioria dos votos na consulta popular — como o voto não era obrigatório, cada adesão ganhava maiores proporções —, fazendo veicular pela imprensa, pelo rádio e pelo serviço de alto-falantes que ficava no largo da Estação as razões por que todos os cidadãos do subdistrito deveriam comparecer e votar "sim" na consulta popular, além de espalhar cartazes e faixas pelas principais ruas de Osasco.

Finalmente, a 21 e um de dezembro de 1958, o "sim" sagrou-se vitorioso no segundo plebiscito.

Esse plebiscito foi reconhecidamente fraudado até pelos adeptos do "sim", como declara Helena Pignatari, ao relatar o dia da votação nas dependências do colégio.

— Havia a sala, e essa sala era cheia de janelas. Todas as salas eram bem iluminadas, e nós pusemos a urna ali. E os votos? Do "sim", o

papel era branco escrito "sim" em preto; o papel do "não" era preto escrito em branco. Os envelopes eram os mais vagabundos que você possa imaginar, baratinhos, baratinhos. Então, quando a pessoa punha o voto, quem estava como fiscal da porta, contra a luz, via se o voto era branco ou preto, e aí íamos contando. As urnas que receberam muitos votos do "não" foram "socorridas". Por exemplo, na última hora, hora e meia antes de terminar, deu um temporal naquela cidade que foi uma coisa bárbara, foi um horror, sumiu todo mundo. Não apareceu mais ninguém para votar, e aquele temporal danado lá fora. Nesse momento, nós pegamos a lista dos ausentes, assinamos e colocamos tudo "sim". Alguns [fizeram isso] com a conivência do presidente da banca. A minha sala, por exemplo, foi sem a conivência do presidente da banca, que não quis. Era a Nair Bellacosa — não deixou... [Mas] uma hora, ela teve que ir ao banheiro, e nesse momento, então, nós fizemos uma festa na urna. Muito voto "sim", tudo com a assinatura, entende? Nenhum defunto, não, só os que estavam na lista (Helena Pignatari Werner, entrevista concedida à autora em 19/5/2004).

Ou ainda no relato de Port:

— Esse também é um lado pitoresco. Como os autonomistas já haviam tido uma lição em 53, que muitos disseram que a eleição foi fraudada, etc., os autonomistas tiveram, desta feita, o cuidado de tomar conta das mesas. Aliás, eu vou contar uma passagem — todos nós sabemos, isso não é segredo nenhum, que se não tivesse fraude em 58, também a emancipação seria muito difícil de ser conseguida, porque os argumentos da época eram muito fortes contra a emancipação, argumentos ridículos. Os Coutinho, pessoal do cartório, o Lacides Prado, a Íris, né, então eles... Ah, como é que se chamava aquela senhora, Maria Genta — Nossa Senhora, essa era uma praga né? No bom sentido, eu estou dizendo... Então, esse pessoal realmente mobilizava. Osasco era muito pequeno, e esse pessoal normalmente controlava bem com essa argumentação de imposto, da condução, e isso realmente

atrapalhava muito a nossa luta, mas, em 58, quando por ocasião da realização do plebiscito. Como eu dizia, tivemos o cuidado de tomar conta das mesas. Aliás, eu vou contar outra história muito interessante: eu fui secretário de mesa e o presidente da mesa em que eu estava era meu diretor do grêmio, tinha sido meu diretor do grêmio, o nome dele era Severino, era um nortista, na época já tinha vindo uma grande migração de nortistas para Osasco. E ele era o presidente e eu era o secretário, eu era o presidente do grêmio e ele era o meu subordinado; lá, era o presidente e eu era o secretário, e nós ficamos no hall de entrada do Gepa, que era local de votação e situado à nossa frente. Havia uma pessoa que não saía daquele posto, como se fosse um guarda. Na época eu não o conhecia e depois se tornou um grande amigo, era Antonio Salve, advogado. E nós tínhamos a missão realmente de fraudar, e o Antonio Salve não tirava o olho da nossa mesa, até duas horas da tarde. Imagina, a eleição começou acho que às oito ou nove horas, eu não me lembro, e eu estava desesperado, porque nós tínhamos que fazer maracutaia, e não tinha como. Quando chegou lá pelas tantas, eu falei pro Severino: "Deixa eu conversar com esse rapaz aí." Cheguei nele e falei: "Puxa, você está parado todo esse tempo aí... Vamos até a padaria, vamos tomar um café." Aí fomos tomar o café, no bate-papo com ele eu falei: "Escuta, me diz uma coisa, permita-me fazer essa pergunta, eu estou vendo você aí parado esse tempo todo, não abre mão, você é fiscal, qualquer coisa?" Ele vira pra mim e diz o seguinte: "Olha, eu estou aqui para fiscalizar, sim, sabe por quê? Porque em 53 nós fomos roubados na eleição e nós precisamos ganhar agora." Eu falei: "Seu cretino, faz cinco horas que nós não fazemos nada por tua causa." Bom, aí não precisa dizer mais nada, porque o que tinha que ser feito foi feito. E, felizmente pra todos nós, realmente houve a fraude na eleição, todo mundo do plebiscito sabe disso. Mas eu acho que foi uma fraude no bom sentido, se podemos dizer assim (João Gilberto Port, entrevista concedida à autora em 8/7/2004).

Jornais de São Paulo chegaram a dizer que "até os mortos votaram em Osasco", pois eleitores falecidos, cujos nomes ainda constavam das listas, receberam assinaturas e tiveram seus votos válidos (cf. Oliveira, 1992:96).

Apesar da fraude, 6.677 eleitores participaram desse plebiscito. Foram contados 3.922 votos pelo "sim", 2.671 votos pelo "não", 36 votos em branco e 42 votos nulos (cf. Moisés, 1978:289).

São números que nos parecem significativos, diante de outros que ocorreram nos plebiscitos de 1958 — em Cajamar, vitória do "sim", com 389 votos; em Embu, vitória do "sim", com 261 votos; em Guaianazes, vitória do "não", com 452 votos; em Itaquera, "não", com 902 votos; em Perus, "não", com 760 votos; em Pirapora do Bom Jesus, "sim", com 339 votos: em São Miguel Paulista, "não, com 3.209 votos; e em Taboão da Serra, "sim", com 78