BÖLÜM II....................................................................................................................................... 16
B) E-Beyan Gönderme Şifresi Verilebilecek Kişiler
a escola para poucos se instala no subúrbio
O primeiro prédio público construído para servir de escola em Osasco foi inaugurado pelo governador Adhemar de Barros, em 3 de agosto de 1949. Destinava-se a abrigar o Grupo Escolar Marechal Bittencourt, que, desde 1925, funcionava no velho casarão da rua Primitiva Vianco — construído pelo barão Evaristhe Sansoud de Lavaud, em 1903, quando esse francês era sócio da Cia. Cerâmica de Osasco — e que fora adaptado como instalação escolar quando se unificaram as seções masculinas e femininas das Escolas Isoladas de Osasco, o que resultou nas Escolas Reunidas de Osasco, provavelmente em 1922 (cf. Martim, 2001:82).
Durante quase três décadas, essa única escola pública local ocupou um prédio de cinco salas, assim distribuídas: uma sala central com porta de entrada pela frente e pelos fundos, o que permitia que fosse dividida por armários, servindo a parte da frente como diretoria e a parte dos fundos como sala de aula; e duas salas em cada lateral, de maneira que, vista pela lateral, a planta do prédio lembrava o traçado de um jogo de amarelinha (dois cômodos paralelos, um central, dois paralelos).
As condições de funcionamento desse prédio sempre foram precárias. A sala central não dispunha de janelas. Os cinco banheiros, que se localizavam nos fundos do terreno, ainda funcionavam em sistema de latrinas e fossa e
serviam a todos os estudantes da escola — que, em 1949, funcionava em três períodos, com média de 48,61 jovens por classe, contabilizando-se cerca de 730 alunos, mais professores e funcionários, para cinco sanitários (cf. Martim, 2001:130).
Diante das condições em que se encontravam as instalações dessa escola, o prédio inaugurado em 1949 representava o início de uma nova situação para a escola pública em Osasco. A edificação seguia o modelo de prédios escolares do período, com planta em forma de U, sendo a parte central do corredor da frente destinada às instalações administrativas (diretoria, secretaria, gabinete dentário, biblioteca, sala dos professores e banheiro para funcionários). Cada lateral comportava cinco salas, duas na parte frontal e três nas laterais, num total de dez salas de aula, todas com amplas janelas a leste e corredores a oeste. Nos fundos, um pátio com bebedouros, banheiros (azulejados e com chuveiros) masculino e feminino e, em uma das extremidades, um palco coberto, com coxia.
Logo após a inauguração do prédio, a Lei Estadual nº 607, de 2 de janeiro de 1950, criou o Ginásio Estadual de Osasco. A exemplo de tantos outros ginásios implantados naqueles tempos, este funcionaria no período noturno do prédio que abrigava o Grupo Escolar durante o dia.
Duas medidas, nesses primeiros anos, possibilitaram ao Estado a disseminação dos cursos ginasiais, inexistentes até 1945: os cursos noturnos e as secções. A reiterada utilização desse recurso permitiu a oferta de maiores oportunidades de acesso à escola ginasial pública, em poucas décadas, criando condições favoráveis à gradual transposição do caráter seletivo que acompanhava a formação secundária até esse momento (Sposito, 1992:47).
Cabe lembrar que à época a escola secundária era vista como o marco divisor entre a educação das elites e a educação popular, fato que só será alterado a partir da Lei de Diretrizes e Bases de 1961 e que só desaparecerá em 1971, com a Lei de Reforma do Ensino de Primeiro e Segundo Graus (cf. Sposito, 1992:11).
A partir de 1945, "nas regiões urbanas das áreas mais desenvolvidas do país", houve intenso crescimento de escolas secundárias oficiais, o que imprimiu "a estes ramos de escolaridade e, por isso mesmo, ao sistema de ensino como um todo, características inteiramente diversas" (Sposito, 1992:15), transformando-se a instrução secundária em prolongamento da escolaridade elementar e obrigatória.
Empreendida como tarefa do Estado, a expansão da rede ginasial ocorreu em condições contraditórias, não só pela ausência de recursos que a realizassem de modo satisfatório ou pela coexistência de orientações conflitantes nos setores ligados à educação em São Paulo, como pela forte pressão das camadas populares que a exigiam (Sposito, 1992:16).
A lei que criou o Ginásio Estadual de Osasco data de janeiro de 1950, mas seu processo de instalação só começou em 18 de março de 1951, quando o técnico de educação Joel Aguiar, da Secretaria da Educação de São Paulo, enviou ofício à diretora de Ensino Secundário do Ministério da Educação, Lucia Magalhães, no Rio de Janeiro, solicitando autorização para se realizar o processo de verificação prévia do funcionamento condicional do curso, com a proposta de que este se efetivasse ainda em 1951, com a transferência de alunos de outros estabelecimentos, o que iniciou o processo nº 62.941/51.
Em seu artigo 2º, a Lei nº 607/50 ressalvava que o funcionamento do ginásio dependia de "oferta ao Estado, por parte do Município interessado, ou por intermédio da população ou qualquer entidade ou pessoa, do respectivo edifício, com toda a instalação e aparelhamento necessário, de acordo com a legislação do ensino". O prédio a ser utilizado seria o do Grupo Escolar, e o prefeito paulistano Armando de Arruda Pereira, pr meio do Ofício 444/51-A, de 8 de março de 1951, concedeu os demais materiais necessários (cf. processo nº 62.941/51, f. 2).
Ao final de vários trâmites burocráticos, em 5 de julho de 1951, a titutlar da Diretoria de Ensino Secundário emitiu o seguinte parecer: "Considerando o adiantado do ano letivo, opino por que seja arquivado o presente processo. Maria José O. Imperial, Chefe da SPAE" (processo nº 62.941/51, f. 8)
Mesmo diante de todas as dificuldades para a instalação do curso ginasial, em 29 de janeiro de 1951 a Lei nº 968 já autorizava o estabelecimento a funcionar como Colégio. À época, Osasco contava com dois estabelecimentos particulares de ensino: o Colégio Nossa Senhora da Misericórdia, destinado a meninas e fundado por freiras em 1943, que, em dezembro de 1951, realizou os primeiros exames de admissão ao curso ginasial, com a aprovação de 23 alunas, e em 1952 deu início a esse curso (cf. Osasco, Câmara Municipal, requerimento nº 2.648, de 1983); e o Colégio Técnico Duque de Caxias, para meninos, fundado em 8 de maio de 1950 (cf. Município em Marcha, nº 85, 25/8/71), que oferecia o Curso Técnico de Contabilidade. Percebe-se que só após a publicação da lei que criou o Ginásio
Estadual em Osasco, em janeiro de 1950, surgiram opções de ensino secundário em escolas particulares locais.
Em depoimento à autora, a professora Helena Pignatari Werner observa que, até aquele período, somente continuavam seus estudos, além do curso primário, "aqueles moradores da região central de Osasco, quer dizer, os filhos da burguesia" — ou seja, a parcela da população que podia arcar com os custos da mensalidade escolar e dispunha do tempo necessário para o trajeto até a escola, que normalmente era feito de trem. A professora descreve como foi sua própria vida escolar após concluir o curso primário, no Grupo Escolar de Osasco:
— Depois eu fui para o Ginásio Perdizes, porque era o ginásio mais próximo da Estação Barra Funda, e nós viajávamos pelo subúrbio, descíamos na Barra Funda e íamos a pé até a Avenida Água Branca, onde ficava o Ginásio Perdizes. Tinha a Vera, minha irmã, tinha o Jarbas Milani, a esposa do Tidinho, que era Milani, não lembro o nome dela agora. Era um grupo de adolescentes que tomava esse subúrbio toda manhã, ia até Perdizes. [O curso] era no período da manhã, mas nós tínhamos Educação Física e outras práticas à tarde. Era comum ficarmos o dia inteiro em São Paulo, porque Osasco era subúrbio. Então, nós fazíamos essa via crucis com muita disposição, gostávamos muito. [Havia muitos que] também viajavam de Carapicuíba, Barueri. Encontrávamos no trem, então, a amizade que nós tínhamos com a família Guerra, por exemplo, que era de Barueri. Era amizade do trem, e muito namoro aconteceu, e muito casamento aconteceu mais tarde, entre Barueri e Carapicuíba, Osasco, Presidente Altino, porque a turminha ia de trem. E quem viajava também pelo subúrbio eram os filhos do chefe da estação de Carapicuíba, sr. Osmar. Um era o Tutu (chamava-se Valdemar de Barros), o irmão dele mais velho, agora não
me lembro o nome, porque é a geração da Vera. Tinha a geração que tinha sido da Othélia e da Tecla, a geração da Vera e a minha geração que eram os menores (Helena Pignatari Werner, entrevista concedida à autora em 19/5/2004; Othélia, Tecla, Vera e Helena são irmãs, e Helena é a caçula).
Ao final de 1951, reiniciaram-se os procedimentos a fim de instalar o Ginásio Estadual de Osasco em 1952. Os cargos, tanto de professores, como de funcionários — um diretor, um secretário, 13 professores (de Português, Francês, Inglês, Matemática, Ciências, História, Geografia, Desenho, Canto Orfeônico, Trabalhos Manuais masculinos e femininos, Educação Física masculina e feminina) —, necessários ao funcionamento da escola foram criados pelo governo estadual por meio do Decreto nº 20.984-B, de 29 de novembro de 1951. Enfim, a 11 de fevereiro de 1952, foi designado o inspetor João Penido Monteiro Sales para proceder à verificação prévia do Ginásio Estadual de Osasco e para autorizar seu funcionamento condicional. Em 19 de fevereiro do mesmo ano, Monteiro Sales teve autorização para conduzir os exames de admissão ao Ginásio ((cf. processo 62.941/51. f. 12).
Durante os procedimentos das matrículas para o Ginásio em 1952, o inspetor verificador impugnou os pedidos para as terceiras e quartas séries ginasiais, "alegando falta de sala especial para Ciências Naturais, com paredes revestidas de azulejo, com instalações especiais, etc.". A titular da Diretoria de Ensino Secundário opinou pelo atendimento das solicitações, em caráter condicional, por "haver precedentes desse tipo", e permitiu, assim, que se mantivessem as matrículas em todas as séries do curso (cf. processo 62.941/51, f. 23/24).
As condições materiais do Colégio
Ao referir-se a duas portarias do Ministério da Educação e Saúde, de 1932 e de 1946, Marília Sposito comenta:
A lista de itens a serem observados na classificação dos estabelecimentos [...] era extremamente minuciosa. Além dos itens relativos às condições topográficas do terreno, características e dimensões do prédio, salas de aula, pátios, etc., eram inspecionados, também, o número e a qualidade do material didático existente em cada estabelecimento. Atribuíam-se pontos pelo número de livros que a escola possuísse nas bibliotecas (eram previstos escores até para o número de livros da biblioteca de línguas), pelo volume de instrumentos e material de uso nos laboratórios e, até, pelos recursos utilizados para aulas de Educação Física como apitos, bolas, bastões, etc. (Sposito, 1992:52).
Segundo essa classificação, os ginásios recebiam a seguinte categorização: "sofrível" de 1.200 a 1.400 pontos; "regular", de 1.401 a 1.500 pontos; "bom", de 1.601 a 1.800 pontos; e "excelente", de 1.801 a 2.000 pontos (cf. Sposito, 1992:52). De acordo com esse critério, o Ginásio Estadual de Osasco enquadrava-se na categoria de "regular", de acordo com a avaliação apresentada pelo inspetor João Penido Monteiro Salles (ver Quadro 1, a seguir).
O Ginásio funcionaria em regime de externato para freqüência masculina e feminina, no horário das 18:50h às 22:50h, porque, durante o dia, o Grupo Escolar funcionava com 450 alunos em cada um dos três períodos – das 7:40h às 10:40h, das 10:40h às 13:40h e das 13:40h às 17:40h (cf. processo 62.941/51, f. 37). Em nota, o Inspetor verificador informa ainda que, além do Ginásio, funcionaria no período noturno o Curso de Educação para Adultos, com 80 alunos, e um curso do Serviço Social da Indústria (Sesi), com 60 alunos.
Quadro 1
Avaliação do Ginásio Estadual de Osasco apresentada pelo inspetor João Penido Monteiro Salles
ELEMENTOS DA FICHA DE AVALIAÇÃO Coeficiente Nota Pontos Total % Divisão I: Locallzação (250 pontos)
1. Salubridade 4 10 40 40
2. Ausência de ruídos 2 10 20 20
3. Ausência de perigos 4 10 40 40
4. Causas perturbadoras da atenção 4 10 20 20
5. Natureza e permeabilidade do terreno 1 10 10 10
6. Regularidade de terreno 1 10 10 10
7. Área coberta para recreio e abrigo 2 5 10 10
8. Área livre 9 7 63 63
Total da Divisão I 213 85
Divisão II: Edifício (300 pontos)
9. Disposição interna 9 10 90 90 10. Situação 3 10 30 30 11. Número de pavimentos 2 10 20 20 12. Material e conservação 7 10 70 70 13. Entradas 3 10 30 30 14. Escadas e corredores 6 10 60 60 Total da Divisão II 300 100
Divisão III: Instalações (450 pontos)
15. Extintores de incêndio 5 2 10 10
16. Caixa d'água 9 10 90 90
17. Instalação para limpeza do prédio 4 9 36 36
18. Bebedouros 9 9 81 81
19. Lavatórios 9 9 72 72
20. Gabinetes sanitários 9 5 45 45
Total da Divisão III 334 74
Divisão IV: Salas de Aula (500 pontos)
21. Número 3 00 00 00 22. Área 9 10 90 90 23. Forma 3 10 30 30 24. Isolamento 3 10 30 30 25. Quadros-negros 3 10 30 30 26. Pintura 3 10 30 30 27. Área de iluminação 9 10 90 90
28. Disposição das janelas 4 10 40 40
29. Acústica 4 10 40 40
30. Carteiras 8 10 80 80
31. Móveis diversos 1 10 10 10
Total da Divisão IV 470 94
Divisão V: Salas Especiais (500 pontos)
32. Auditório 5 10 50 50
33. Biblioteca 6 00 00 00
34. Sala de Geografia 5 0,5 2,5 2,5
35. Sala de Línguas Vivas 4 00 00 00
36. Sala de Ciências 9 3 27 27
37. Sala de Desenho 7 00 00 00
38. Sala de Trabalhos Manuais 4 0,5 2,5 2,5
39. Sala de Professores 3 8 24 24
40. Sala de Administração 7 8 56 56
Total da Divisão V 162 32
Total da Ficha Básica 1.479
Essas atividades reduziam o número de salas disponíveis para o estabelecimento do curso ginasial de dez para sete salas, classificadas conforme o Quadro 2.
Quadro 2 "Capacidade
Limite máximo da matrícula para cada turno"
Salas de Aula Área (m²) Capacidade (alunos)
Nº 1 56,60 45 50 Nº 2 56,60 45 50 Nº 3 56,60 45 50 Nº 4 56,60 45 50 Nº 5 56,60 45 50 Nº 6 56,60 45 50 Nº 7 56,60 45 50 Total 361,20 315 350 Fonte: Processo 62.941/51, f. 37.
Como se constata no processo 62.941/51, o número de alunos por sala de aula, que era de 45 para o curso primário, altera-se para 50 alunos por sala no curso ginasial. Dentre as doações efetuadas pela Prefeitura de São Paulo e relacionadas na f. 2 daquele processo, verificamos a concessão de 150 carteiras.
Apesar de parecer criteriosa, essa situação vem confirmar as condições descritas por Marília Sposito, ao relatar o distanciamento entre a legislação em vigor e a realidade vivida nas escolas públicas do País.
Não obstante os documentos legais, introduzindo a classificação material dos estabelecimentos, exprimissem mais um modelo de escola a ser alcançado do que critérios reais que revelassem as condições de seu funcionamento, o distanciamento entre esse modelo e a situação concreta da rede pública tornava- se cada vez mais flagrante (Sposito, 1992:53).
Instalados em prédios de Grupos Escolares, os cursos noturnos, em especial, tiveram dificuldades para cumprir os requisitos mínimos
estabelecidos. Assim, gradativamente, o Ministério da Educação diminuía as exigências que serviam de critérios para classificar as escolas secundárias do País (cf. Sposito, 1992: 53-54).
Ainda de acordo com o relatório de verificação (cf. processo 62.941/51, f. 41), o Ginásio Estadual de Osasco, dirigido pela professora Araci Ferreira Leite e mantido pelo estado, funcionaria de acordo com a legislação vigente, ministrando as seguintes disciplinas: Português, Latim, Francês, Inglês, Matemática, Ciências Naturais,História Geral e História do Brasil, Geografia Geral e Geografia do Brasil, Trabalhos Manuais (seção masculina), Trabalhos Manuais (seção feminina), Desenho, Canto Orfeônico, Economia Doméstica (seção feminina), Educação Física (seção masculina), Educação Física (seção feminina). O quadro de professores era assim formado (Quadro 3):
Quadro 3
"Corpo docente em exercício"
Série Matérias Nome do professor Nº de registro Visto da Secção de Registro 1ª, 2ª, 3ª Português Miguel Salles ?
1ª, 2ª, 3ª Matemática Carlos Catony 8984 Confere 1ª, 2ª, 3ª Desenho Cecília Maia de Carvalho 15862 Confere 1ª, 2ª, 3ª Francês Dagmar de Arnaldo Silva F 901 de 14/8/47 Confere 1ª, 2ª, 3ª História Helena Mendes de Castro 15863 Confere 1ª, 2ª, 3ª Geografia Ilka Bruck Lacerda 15607 Confere 1ª, 2ª, 3ª Trab. Jarbas Presa Avelar 15967 Confere 3ª Ciências Nelson da Silva Barros 11871 Confere
1ª, 2ª Inglês Gilberto Rizzo D 16281 Confere
1ª, 2ª, 3ª Latim Miguel Salles Proc. 20.037/52 ? Fonte: Processo 62.941/51, f. 39.
Ao final do relatório de verificação, encontramos relacionados os materiais necessários e disponíveis para o funcionamento das atividades administrativas e pedagógicas, assim como 15 fotografias (biblioteca, hall de entrada, diretoria, secretaria, gabinete dentário, sala de aulas da parte lateral,
corredor da parte interior do prédio, parte posterior do edifício, toalete para alunas, jardim, horta e caixa d'água, pátio interno, pátio, toalete para professoras, toalete para professores, banheiro com chuveiro para alunos) que demonstram as condições das instalações recém-construídas, além da planta do edifício.
No ofício que encaminha o relatório de verificação à Diretoria de Ensino Secundário, no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1952, encontramos a seguinte ressalva:
Este relatório não pôde ser enviado há mais tempo em virtude de ter ocorrido a dispensa da Diretora que havia sido nomeada para o cargo, sem que até hoje houvesse sido provido novamente. Está, assim, o estabelecimento sem diretor, não tendo ainda sido nomeados todos os professores (processo 62.941/51, f. 76). Mesmo assim, as aulas começaram em 19 de março de 1952, com classes de primeira, segunda e terceira séries do curso ginasial, com a seguinte grade curricular (Quadro 4):
Quadro 4 Grade curricular Ginásio Estadual de Osasco
1952
1ª série 2ª série 3ª série
Português Português Português Matemática Matemática Matemática
Desenho Desenho Desenho Geografia Geografia Geografia
Francês Francês Francês Latim Latim Latim História História História
Trabalhos Trabalhos —
— Inglês Inglês
— — Ciências
Fonte: Ginásio Estadual de Osasco, Livro de ponto de professores do ano de 1952.
Naquele dia, o Livro de ponto dos professores apresenta os seguintes dados (Quadro 5):
Quadro 5
Registro no Livro de ponto dos professores Ginásio Estadual de Osasco
19 de março de 1952
Disciplina Séries Nome
Português 1as. e 3as. —
Matemática 1as., 2as e 3as Carlos Catony
Francês 1as Manoel Luiz Moreau
Inglês 2as e 3as —
Trabalhos masculino 1as e 2as Jarbas Preza Avellar
Ciências 3a. Nelson da S. Barros
Educação Física, feminina —
Educação Física, masculina —
Preparadora Nísia Maciel
Fonte: Ginásio Estadual de Osasco, Livro de ponto de professores do ano de 1952.
E também (Quadro 6):
Quadro 6
Registro no Livro de ponto dos professores Ginásio Estadual de Osasco
19 de março de 1952 Assina como diretor
Período Nome De 19/03/52 a 04/04/52 Araci Ferreira Leite
De 07/04/52 a 17/04/52 Fica sem assinatura
De 18/04/52 a 16/05/52 Carlos Catony *
A partir de 19/05/52 até o final do ano Passa a ser Helena de Arruda Ramos Nota: * Professor de Matemática que assina como substituto.
Fonte: Ginásio Estadual de Osasco, Livro de ponto de professores do ano de 1952.
Durante todo ano de 1952, observam-se constantes alterações no quadro dos professores e na direção da escola, o que indica a precariedade do quadro docente apontada no relatório de verificação do inspetor João Penido Monteiro Salles.
Apesar das inconstâncias próprias de um período de instalação de curso, observamos que houve a possibilidade de se desenvolverem atividades
fora das salas de aulas. Em 11 de novembro 1952, verificamos o registro de uma excursão ao Frigorífico Wilson, com o acompanhamento dos professores Ilka B. Lacerda (Geografia), Luiz D. G. Araújo (Geografia) e Odila Ramos (Trabalhos Manuais); em 25 de novembro, houve outra excursão ao Museu de Arte, com o acompanhamento dos professores Cecília Maia de Carvalho (Desenho), Gilberto Rizzo (Inglês) e Odila Ramos (Trabalhos Manuais).
Quanto à instabilidade do quadro docente da escola, relacionamos no Quadro 7 todos os professores que passaram pela escola durante 1952.
Quadro 7 Professores
Ginásio Estadual de Osasco 1952
Disciplina Professor Miguel Salles
M. A. Medeiros Português
Amim Aidar Filho Carlos Catony
Matemática Vera Giraldes
Desenho Cecília Maia de Carvalho
Ilka B. Lacerda Geografia
Luiz D. Araújo Dagmar de A Silva Francês
Manoel Luiz Moreau Miguel Salles Latim
M. A. Medeiros
História Helena Mendes de Castro
Seção Masculina: Jarbas Preza Avellar Seção Feminina: Jacy Rolim Dias Trabalhos Manuais
Odila Ramos
Inglês Gilberto Rizzo
Nelson da Silva Barros Manoel Luiz Moreau Ciências
Miguel Salles
Preparador Nísia Maciel
Seção Feminina: Wandyra Villas Boas Seção Masculina: Durval da Silva Educação Física
Zilda Alves Dória
Pelo Decreto Estadual nº 21.726, de 25 de setembro de 1952, o Colégio Estadual de Osasco passou a denominar-se Colégio Estadual "Antonio Raposo Tavares" (Ceart), fato registrado à f. 270 do processo 62.941/51.
Em 27 de maio de 1952 — a despeito de todas as dificuldades apresentadas, embora o artigo 1º da Lei Estadual nº 968, de 29 de janeiro de 1951 (que autorizava o Ginásio Estadual de Osasco a funcionar como Colégio) determinasse que o segundo ciclo só poderia entrar em funcionamento depois de regularizada a autorização federal para o curso ginasial e antes mesmo de concluído o processo de autorização do primeiro ciclo — a Secretaria de Estado dos Negócios da Educação de São Paulo enviou à Diretoria de Ensino Secundário do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, o ofício 328 no qual informava que o governo paulista pretendia fazer funcionar o segundo ciclo do Colégio Estadual de Osasco em 1953, em período diurno, e solicitava a designação um inspetor federal para proceder à verificação do estabelecimento (cf. processo 62.941/51, f. 95). O governo estadual demonstrava desconhecer as reais condições de funcionamento dessa escola, já que, além do prédio pertencer ao Grupo Escolar Marechal Bittencourt, ali funcionavam três períodos de aulas do curso primário durante o dia.
Diante do exposto, o Ministério da Educação e Saúde encaminhou resposta à Secretaria de Educação paulista, informando que solicitara verificação prévia para funcionamento do curso colegial em 1953, em período diurno, mas que o estabelecimento ainda não havia obtido autorização para o funcionamento do primeiro ciclo, porque dependia da indicação do diretor. Além disso, existiam ressalvas com relação à apresentação da lista de docentes,
mas, por se tratar de estabelecimento estadual, havia certa tolerância quanto